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Os professores deviam ser todos assim

por jonasnuts, em 07.04.14

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O meu cabelo

por jonasnuts, em 08.03.14

O meu cabelo dava uma novela. Sempre gostei dele comprido, mas na realidade, nunca o consegui ter comprido. Primeiro porque o meu pai não deixava. Mais tarde, quando passei a ser eu a mandar na coisa, sempre que tentava deixá-lo crescer, o sacana chegava ali aos ombros e começava a cair como se não houvesse amanhã. Os compridos caíam, e nasciam uns pequeninos. Os compridos que se aguentavam iam sendo cada vez menos, pelo que um bocadinho abaixo dos ombros, o que eu tinha eram meia dúzia de cabelos.

 

Convém também dizer que o meu cabelo não é liso, é encaracolado, tipo anjinho barroco, se fosse o suficiente para encaracolar, que não é.

 

Hoje terminei mais uma tentativa de o deixar crescer. Deve ter alcançado o maior comprimento desde que me conheço, chegou aí a meio dos ombros, mas coitadinho..... a meio dos ombros chegaram os poucos que não caíram. Era mesmo preciso ir tratar da coisa (quando mais não fosse, porque doutra forma a minha irmã me atazanaria o juízo até aos limites).

 

Lá fui eu, falar com a Bela, dizer-lhe para se preparar emocionalmente, porque ia fazer algo pela primeira vez em 15 anos. Cortar-me o cabelo à séria. Coitada da Bela, nem queria acreditar. Lá lhe mostrei o que pretendia (embora na fotografia da Meg Ryan a coisa ficasse melhor do que me fica a mim - mas apenas porque foi no tempo pré-cirúrgias plásticas).

 

E de repente a Bela tem uma ideia gloriosa. Vou-lhe fazer uma trança e mandamos para o IPO. Nunca me passou pela cabeça que aquela amostra de coisa a que eu chamava "cabelo comprido" pudesse servir para doar, mas a Bela garantiu-me que sim, e se eu me importava. Não, não me importo, pelo contrário, nesse caso, corte tudo o que precisar.

 

Uma amiga que percebe da poda (e que deu um grande contributo para que o meu cabelo alguma vez tenha chegado onde chegou) diz que eu devo ter um bob. Pode ser que sim, que eu bobs, só o Ewing, do Dallas. Está curtinho atrás e pelo queixo à frente. 

 

Acima de tudo, adorei a minha trança.

 

 

 

 

Quem quiser saber como doar cabelo para o IPO, está tudo aqui

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Requentadas

por jonasnuts, em 07.03.14

Vejo hoje, nos noticiários da manhã, uma grande atenção dedicada a um vídeo de uma criança a invadir o campo de futebol onde jogava (ou tinha acabado de jogar) a selecção brasileira, e a reacção do Neymar. É um vídeo fofinho, que vai para aquela parte dos noticiários que tem de ser lúdica porque, como se sabe..... as notícias têm de distrair, não têm de informar.

 

Não gosto de notícias lúdicas, mas o problema, neste caso, não é esse.

 

A porcaria do vídeo é de anteontem. ANTEONTEM. As televisões (e os órgãos de comunicação social tradicional em geral) divulgam notícias requentadas, como se fosse actualidade.

 

Por isso é que há já alguns anos que não uso os órgãos de comunicação social tradicionais como fonte primária de informação.

 

Depois queixem-se que perdem audiência.

 

 

 

 

 

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Há 30 anos, como agora...

por jonasnuts, em 24.02.14

Ah, porque as pessoas mudam, com a idade. Ah, porque na adolescência ainda não temos a personalidade bem formada. Ah, com a idade as coisas esmorecem e esbatem-se.

 

O tanas.

 

Em arrumações, recupero o relatório do meu exame de orientação vocacional, que tem a data de 15/07/83

 

"O exame psicológico da Jonas (enfim, o meu nome completo) com vista à sua orientação escolar e profissional, revelou:

 - Um nível intelectual geral muito acima da média para o seu grupo etário.

 - Aptidões específicas bastante acima da média para o seu nível escolar em raciocínio abstracto, raciocínio verbal, velocidade e exactidão burocrática (?), raciocínio mecânico, aptidão espacial e velocidade perceptiva, encontrando-se ligeiramente abaixo da média a sua aptidão numérica.

 - Interesses muito elevados por actividades ao ar livre, revelando também interesses científicos e de serviço social, literários e mecânicos, sendo os domínios burocráticos, autoritários e contabilísticos objectos de profunda rejeição.

- Um desempenho escolar bastante aquém das suas reais capacidades.

 - Comportamento afável e extrovertido.

 - Gosto e facilidade em estabelecer contactos sociais.

 - Uma certa imaturidade e deficiente noções das responsabilidades."

 

O resto não interessa, porque eram recomendações no âmbito académico e profissional que se revelaram, essas sim, um tremendo tiro ao lado.

 

Ponham de parte a cena do acima da média, que não é isso que me encanta. O que me encanta é que aos 15 anos (na realidade, 14 e meio, faria 15 em Dezembro), eu já era muito do que sou hoje, diria mesmo que já era a maior parte (o que assinalei a bold, mata-me):

 

"revelando também interesses científicos e de serviço social, literários e mecânicos, sendo os domínios burocráticos, autoritários e contabilísticos objectos de profunda rejeição."

 

Se eu pudesse voltar atrás, e falar com aquela miúda de 14 anos e meio, diria, keep up the good work (e dizia-lhe outras coisas, mas isso agora não interessa para nada).

 

PS: Merda do relatório, escrito por uma psicóloga de colégio particular, está cheio de erros de ortografia.

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Mudar os caminhos

por jonasnuts, em 13.02.14

Sou uma pessoa de hábitos. Há anos e anos que, todos os dias, entro no edifício da PT, em Picoas (que é onde eu trabalho), pela portaria principal.

 

Há mais portarias, mas eu entro sempre pela grande, que é a que me fica mais em caminho. Até que, mais ou menos no final de Setembro, na portaria grande, foi instalada uma vídeo wall, onde passam vídeos que têm a ver com a empresa, com a vida da empresa, com o futuro, com a estratégia, com o enquadramento, com os objectivos. É impossível não olhar (quanto mais não seja por causa do tamanho).

 

De repente, um dia, ia eu a entrar toda contentinha da vida, e reparo que as pessoas à minha volta estavam a olhar para mim. Olha.... esqueci-me da braguilha aberta, ou tenho migalhas na camisola, ou qualquer coisa semelhante, foi o que me passou de imediato pela cabeça. As pessoas olham para mim, com um ar simpático, e eu começo à procura do problema, não, desta vez não é um mau funcionamento roupal, não tenho migalhas, não trago o saco do lixo na mão, nem transporto algo inusitado...... começo a ficar preocupada. Até que olho em frente e dou de caras comigo própria, gigantone, na vídeo wall. Até me assustei. Estou a falar de MEO Cloud, claro, e foi um vídeo feito no âmbito da inauguração do Data Center da PT na Covilhã.

 

Ver-me ali, gigantone, ainda por cima penteada e pintada, não foi uma experiência agradável.

 

Mudei de hábitos....... passei a entrar pela portaria pequena.

O Pedro Neves, esse artista, não quis deixar de registar o momento, e hoje tweetou-me uma foto do painel. Eu ando a fugir da coisa, a coisa persegue-me no Twitter.

 

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The day we fight back

por jonasnuts, em 11.02.14

 

É hoje. Mas também é todos os dias.

 

Aqui.

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Dr. Baldino

por jonasnuts, em 03.02.14

Aqui há uns tempos, por ocasião do 10º aniversário dos Blogs do SAPO, referi quase pela primeira vez neste Blog (auto-link) o Dr. Baldino.

 

Assim, com um doutor no início, apesar de no SAPO não usarmos os títulos, há aquelas pessoas a quem o doutor parece pertencer. Nunca me habituei a chamar-lhe outra coisa, apesar das insistências. Da mesma forma que ele nunca me chamou Jonas, apesar das insistências. Dr. Baldino, Mª João.

 

Era pouco mais velho do que eu, apesar dos cabelos brancos enganarem.

 

Sem ele, o meu percurso profissional não teria sido o mesmo, no SAPO. Teria sido outro, mas não teria sido o mesmo. Duvido que existissem Blogs no SAPO, sem o Dr. Baldino.

 

O Dr. Baldino morreu no sábado. Nos últimos 5 anos vimo-lo a lutar. E se ele era um lutador. 

 

Durante quase uma década trabalhei de perto com o Dr. Baldino. Para além do Benfica, havia outra característica comum. A frontalidade. O Dr. Baldino não mandava recados. A subtileza não seria o seu forte. Aquilo que muitas pessoas consideram um defeito eu considero uma virtude. Com o Dr. Baldino, não havia enganos. Ninguém tinha dúvidas acerca do que realmente pensava. A voz forte ajudava. Só um surdo podia alegar desconhecimento. E uma descasca do Dr. Baldino, não se esquecia. Nem as gargalhadas :) Ora se juntamos duas pessoas frontais (ele e eu), a coisa pode dar para o torto, e às vezes deu, mas havia respeito mútuo (e uma diferença hierárquica que ajudava a resolver as coisas, claro :)

Lembro-me quando decidiu lançar-se em mais um desafio, e deixar o SAPO para ir para a TMN. No SAPO, a consternação foi geral. Houve mesmo quem tivesse feito cara feia, quer ao Dr. Baldino quer a quem o veio substituir :)

Mas nunca deixou de ser um SAPO, e veio muitas vezes visitar-nos, e sempre escreveu sobre as coisas novas que íamos lançando. Era uma daquelas pessoas que, mesmo saindo do SAPO, nunca saiu.

 

Há uns meses mandou-me um sms. Lacónico. À Dr. Baldino: "Não quero perguntas. Mande-me todos os usernames e passwords de coisas que eu tenho no SAPO". Referia-se a usernames e passwords de contas nos Blogs do SAPO, no SAPO Fotos, no SAPO Vídeos, etc... Percebi a parte do "não quero perguntas" e cumpri a instrução, também eu lacónica. Recebi um "obrigado e até sempre". 

 

Hoje, prestamos homenagem ao Dr. Baldino. O seu legado no SAPO é incontornável. Não é, no entanto, aquilo de que mais orgulho tinha. 

 

A família, sempre a família. Com a mulher constituiu a melhor equipa (palavras dele), e o trabalho desta equipa resultou no seu maior amor. Os filhos, sempre os filhos, de quem tinha um orgulho desmesurado.

 

Eu conheci um Dr. Baldino que eles não conheceram, eles conheceram um pai à séria. Nem toda a gente tem a mesma sorte.

 

Godspeed Dr. Baldino.

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Father

por jonasnuts, em 18.01.14
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Isto é ligeiramente lamechas demais para mim. Mas mesmo assim.

 

 

 

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Caro Obama

por jonasnuts, em 18.01.14

Um teu antecessor na casa branca, claramente mais visionário do que tu, escreveu umas palavrinhas às quais deverias dedicar a tua atenção.

 

"They who would give up essential Liberty, to purchase a little temporary Safety, deserve neither Liberty nor Safety."

 

Benjamin Franklin

 

Tradução livre: Aqueles que estão dipostos a abdicar liberdades fundamentais, para obter um pouco de segurança temporária, não merecem nem Liberdade nem Segurança.

 

Link para fonte em inglês, para te facilitar a vida.

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Truca-Truca

por jonasnuts, em 18.01.14

Já que o coito – diz Morgado –
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca,
temos na procriação
prova de que houve truca-truca.
Sendo pai só de um rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou – parca ração! -
uma vez. E se a função
faz o orgão – diz o ditado –
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

 

Natália Correia motivada por uma intervenção de João Morgado.

 

Substituir "Morgado" por qualquer alternativa, daquelas que para aí andam a afirmar que "As realidades familiares naturais são compostas por um homem e uma mulher e orientadas para o nascimento e a boa educação dos filhos." Bem sei, bem sei, dava para uma lista telefónica nacional, mas assumo que a Natália nos perdoaria a liberdade "poética".

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