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Jonasnuts

Descer a avenida, sem sair de casa

250574.jpg

Há já algum tempo que estou apreensiva em relação ao 25 de Abril e à forma como o celebraremos, este ano.

Algures no início do mês passado, andei à procura de sementes de cravos vermelhos, para os plantar e poder ter cravos vermelhos sem sair de casa. Debalde. (Adoro a palavra debalde).

Ocorreu-me há pouco que há uma forma porreira e pedagógica de celebrar e assinalar o 25 de Abril, sem sair de casa, digitalmente.

No Twitter, where else, há uma conta que, de há mais de uma década para cá, tweeta a par e passo todos os momentos da revolução, à hora a que eles aconteceram. Não é a primeira vez que falo desta conta (auto-link), mas acho que vale a pena a repetição.

Este ano temos mais tempo e temos os putos em casa, pode ser que seja uma forma gira de lhes dar a conhecer a revolução dos cravos.

Assim, no próximo dia 24, por volta das 21h30, sigam com atenção a conta de twitter @25Abril1974

Começam normalmente assim:

25 de Abril de 1974 on Twitter_ _Major Otelo Sarai

Para quem não tem conta de Twitter e queira começar a ter, depois de criada a conta, sugiro a instalação de uma app, seja o Tweetdeck seja outra qualquer. Alguma coisa, sou a @jonasnuts, por lá.

 

 

 

25 de Abril a par e passo

 @25Abril1974 Twitter.jpg

Há uma conta no Twitter que só funciona uma vez por ano, desde 2009.

 

Começam por volta das 22h00 de 24 de Abril. 

 

O Posto de Comando esta estabelecido Regimento de Engenharia 1, na Pontinha.jpg

Acabam às 20h00 de 25.

 

Entre um momento e outro, vão fazendo "live tweets", como se a revolução de 1974 estivesse a decorrer no momento.

 

No sub-título do Blog lê-se:

 

"Se em 25 de Abril de 1974 o MFA tivesse uma conta de Twitter provavelmente era assim que reportava o dia da Revolução"

 

É uma conta como deve ser. Automática, mas gerida por pessoas. Respondem a perguntas sem atropelar a evolução da revolução.

 

De ano para ano vão melhorando detalhes.

 

Serviço Público, portanto.

 

É segui-los, no Twitter.

 

25 de Abril de 1974. E se o gajo tem disparado?

 

Todos os anos tento escrever sobre o 25 de Abril de 1974, no dia próprio. Mas este ano não via nada de jeito para escrever para além do óbvio, onde estava, onde estaríamos, os blogs não existiam, enfim, tudo coisas que eu própria já referi ou alguém o fez melhor que eu.

 

 

E, embora não consiga ultrapassar o "alguém o fez melhor que eu", surgiu uma pergunta que inspira este post.

 

E se o gajo tem cumprido a ordem e tem disparado?

 

Todos falam do herói que foi Salgueiro Maia (e foi), e muitas vezes, demasiadas vezes, é esquecido o homem que estava do outro lado. O que não cumpriu a ordem. O que não disparou.

 

Nunca o vi em discursos, nunca o vi chegar-se à frente, nunca o vi à procura de protagonismo. E no entanto, merecê-lo-ia. Porque é preciso tomates para disparar, mas são precisos os mesmos tomates (ou maiores) para não disparar.

 

O Alferes Miliciano Fernando Sottomayor recebeu a ordem e não a cumpriu. Disseram-lhe para disparar, e ele não disparou. E se tivesse disparado?

 

Há pouca coisa sobre ele, online. Uma referência num artigo do Diário de Notícias do ano passado, (os senhores do DN mudaram de site, e quebraram o link, ver mais informação aqui) e um PDF, escrito na 1ª pessoa:

AlferesSottomayor.pdf

 

Pela parte que me toca, obrigada por não ter cumprido a ordem. Obrigada por não ter disparado. Obrigada por ter corrido o risco.

 

25 de Abril sempre!

 

 

Adenda: Do outro lado da mira, Salgueiro Maia.

25 de Abril de 1974

Eu sei, toda a gente escreveu sobre o 25 de Abril, e eu não gosto de posts redundantes, mas que se lixe, é 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais.

Eu tinha 5 anos. Tenho boa memória. Lembro-me bem desse dia. Inevitavelmente lembro-me de que não houve escola. Mas a minha memória mais forte é a voz na rádio, a avisar, não saiam de casa. E o meu pai a sair porta fora, e a minha mãe ria-se, mas estava preocupada. Passado um bocado o meu pai regressou, e depois voltou a sair.

Os dias seguintes foram uma festa. Por mero acaso, a minha escola, escolhida por ser geograficamente conveniente, era um "ninho" de filhos de presos políticos. Muitos meninos, como eu e a minha irmã, andavam lá normalmente, muitos outros andavam lá, sem pagar nada, por serem filhos de presos políticos. Era o Giroflé. Ainda existe, ali à Estefânea. Evidentemente, para mim e para todos os que frequentavam aquela escola, o ambiente dos dias que se seguiram foram mais festivos ainda.

Era excelente o ambiente que se vivia nas ruas. E alguma instabilidade que sei agora que houve, a seguir, a mim passou-me ao lado, eu queria era ir para as manifestações, às cavalitas do meu pai, gritar palavras de ordem que não compreendia. Fascismos nunca mais, e o povo está com o MFA e essas coisas. Nunca mais gritei palavras de ordem, gosto pouco de carneiradas, mas naquela época valia tudo, e assim como assim eu não percebia nada e engatava na mudança que os meus pais metiam.

Franco, fascista, assassino. O povo unido, jamais será vencido. Força, força companheiro Vasco, nós seremos a muralha de aço. O povo está, com o MFA. 25 de Abril sempre, fascismo nunca mais.

Colar autocolantes à sucapa nas escadas, para a D. Clarinda não nos apanhar, e um dia apanhou-nos, e descobrimos, com surpresa, que afinal, a D. Clarinda, o megafone do prédio, até torcia pela mesma onda. Esquisito.

O 1º de Maio de 1974, na Alameda, foi uma coisa de loucos. O entusiasmo sentia-se, era quase palpável, e toda a gente se ria uns para os outros, e toda a gente se tratava por camarada.

Hoje tento ensinar ao meu filho o que era o tempo antes do 25 de Abril, não que me lembre, mas aprendi, e não consigo. Felizmente o meu filho não concebe um tempo em que não se podem dizer algumas verdades, nem um tempo onde quem diz essas verdades é preso. Não percebe o que é a censura. Não percebe o que são presos políticos. Não percebe nada disso.

Felizmente.

25 de Abril

cravovermelho.jpg (239×319).jpg

 

Porque está quase a terminar o dia, não queria deixar passar a oportunidade para deixar aqui algumas palavras de ordem que me lembro de ouvir, em algumas manifestações, montada nas cavalitas do meu pai.

25 de Abril sempre, fascismo nunca mais.

Franco, fascista, assassino.

Pronto, eu tinha 5 anos, mas estas duas ficaram :)

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