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Jonasnuts

Jonasnuts

Dona sandra

Jonasnuts, 17.02.21

Alexi Lapas

 

"Era uma vez no tuiter:

Lá havia uma senhora

Que par’cia vir de Júpiter!

Sendo também vereadora,

 

Era edil parcial,

Como esclareceu arguta:

Quando alguém passava mal,

Ela era a substituta.

 

Tudo ia a contento

Da plateia tuiteira

Que assume a 100%

Acalentar esta asneira

 

Tanto que se reuniu

Em assembleia malandra

E passou, qual assobio,

A chamar-lhe dona Sandra.

 

Não sei se p’la pandemia

Do corona 19,

Ultimamente a avaria

Parece água quando chove:

 

Accionou a cabecita,

Até ter um ar cansado,

E deduzir que: “prà escrita

Peixeiro não é escalado”!

 

Quem vende peixe não pode

Saber escrever. É quesito

Somente de gente “nobre”

Se o fizer está frito!

 

Frita-o logo a senhora

Argumentando a eito

Na sertã de quem adora

A pira do preconceito.

 

Escrito apócrifo encontrado nas cavernas do Paleolítico inferior, muito antes da Pedra Lascada."

 

Tudo o que está entre aspas, não é meu. Chegou-me, mas não é meu :)

Para quem precisar de contexto, é aqui a sandra é esta (auto link). E a instrução é, sigam o AlexiLapas :)

Agitadores profissionais

Jonasnuts, 16.02.21

13697137_SdeCO.jpeg (640×480).jpg

Eu não sou da rua. Nunca fui. Enfim, tirando descer a Avenida, claro, mas mesmo aí, caladinha. Faz-me confusão a manada. Faz-me confusão as palavras de ordem. Dificilmente é para mim, a rua. Participo e luto de outras formas (auto-link).

Mas, às vezes, é mesmo preciso. E algures em 2013, lá fui com a minha irmã, acho que do marquês à Assembleia da República. Nós e mais uma catrefada de gente, claro. Chegadas à Assembleia, como vínhamos relativamente no início, ficámos mesmo lá à frente, quase na primeira linha junto das barreiras e da polícia.

 

Como é habitual nestas coisas, os ânimos à frente estavam mais exaltados e o pessoal estava a começar a perder a cabeça, e as barreiras tinham começado a abanar forte e feio. Conseguir passar aquelas barreiras é medalha, não é? É uma conquista simbólica de um espaço que nos está vedado.

 

Eu e a minha irmã quietinhas, só na observação. Enfim, eu mais quietinha que ela. De repente, atrás de nós surgem vozes de incitamento; "vai", "salta", "p'ra cima deles". Olho para trás e está um grupo de 3 pessoas, tão quietinhos como eu e como a minha irmã, mas substancialmente mais participativos, pelo menos do ponto de vista vocal. Passado um bocado, a mesma coisa, muito empertigados e impulsionadores dos outros, mas ir lá para a frente para o meio da confusão, está quieto.

 

Aquilo durou mais um bocado, até que me irritei, virei-me para trás e, dando-lhes passagem disse qualquer coisa como "querem quebrar as barreiras? Querem ir lá para a frente? Podem passar, não há ninguém a impedir-vos". Entreolharam-se, calaram-se e, claro, ficaram quietinhos. Foram-se afastando e passado um bocado lá os reencontrei, à distância, a incitar à quebra das barreiras e a acicatar e agitar ânimos de pessoal de cabeça mais perdida, mais à frente junto à polícia, mas os próprios, quietinhos e sossegados, resguardados da confusão.

 

Eram agitadores profissionais. Pessoal que está ali de propósito para fazer aquele trabalho, tendo recebido instruções de pessoas, entidades, organizações, eminências pardas, a quem interessa um determinado tipo de comportamento, para fundamentar uma determinada retórica. Ou para abrir um telejornal. Ou para a foto do jornal. Ou, nos dias que correm, para um vídeo provavelmente viral.

 

Já sabia da sua existência, já tinha ouvido falar, já tinha visto vídeos, mas nunca tinha assistido à coisa em direto, ao vivo e a cores. 

 

Tudo o que acontece irl (in real life) acontece online. TUDO. Natureza humana é natureza humana. Só mudam as plataformas e as ferramentas. Por isso, tal como irl, também nas redes sociais há agitadores profissionais. E que ocupados têm andado, ultimamente.

 

Há-os em todas as redes mas eu debruço-me (sem cair) sobre os do Twitter, naturalmente. 

Sobretudo porque são habitualmente muito fáceis de identificar (mas nem sempre, porque há uns mais espertalhões).

 

Então, uma conta de twitter de um agitador profissional reúne algumas (não necessariamente todas) destas características:

É uma conta recente (tudo o que tenha menos de 1 ano, é recente)

É uma conta sem handle personalizado.

É uma conta sem avatar ou com avatar genérico (ou falso).

É uma conta com poucos seguidores.

É uma conta com poucos tweets.

É uma conta em que muitos dos poucos tweets, são RTs.

E, por fim, muito importante, é uma conta que entra na conversa com um tom provocatório e beligerante. Muitas vezes agressivo. O que estas contas pretendem é provocar uma reação, de preferência em cadeia. 

Os seus alvos preferidos são contas com muitos seguidores, porque é onde conseguem impactar mais gente, com menos esforço, mas se, e só se, o interpelado morder o isco. O que vale é que a maioria do pessoal com contas grandes, tipo Insónias, não anda aqui há 3 dias e já sabe da poda, raramente caem na esparrela. 

Daí que os principais alvos sejam pessoas com contas médias, acima dos 5.000 followers. Sobretudo se forem contas que falem habitualmente de política, temas fraturantes, economia, etc....

O que querem estes agitadores profissionais? Depende de quem as manda, não é? Uns querem umas coisas, outros querem outras, mas todos querem desestabilizar. 

 

E se o ambiente anda propício à desestabilização. A malta anda ansiosa. Nervos à flor da pele. Tudo a deitar confinamento pelos olhos, tudo pronto a deitar as mãos ao pescoço uns dos outros. Basta assistir a uma noite de bola. É fácil ser-se agitador profissional, nos dias que correm.

 

Então, e o que fazer com os agitadores profissionais?

 

A instrução não é nova, pois não? Do not feed the trolls.

Cada qual faz como muito bem entender, naturalmente, mas eu faço como fiz naquela manifestação, sempre que os apanho a meter o nariz em conversas em que estou envolvida. Desmascaro e ignoro toda e qualquer resposta que seja dada depois disso. Não bloqueio (gosto de ver por onde andam, o que fazem, o que dizem e a quem). 

Há vários exemplos disso aquiaquiaqui. Todos recentes..

Muitas vezes, depois de confrontados, mudam de handle, o que faz com que uma pessoa lhes perca o rasto, como aqui ou aqui. Recomeçam noutro sítio, mais à frente, como os da Assembleia da República.

 

Então e este relambório todo serve para quê?

 

Para que toda a gente os saiba reconhecer. Para ter um link para onde encaminhar quem me faz estas perguntas. 

Mas, sobretudo, para desmascarar.

 

Porque esta também é uma forma de fazer a #fachina

 

Ok kid, you've got the job

Jonasnuts, 15.02.21

Este vídeo não é novo. Mas reapareceu-me à frente há pouco temo e deixei-o ficar aberto, numa das (milhentas) tabs que tenho abertas no browser. Está na hora de a fechar e hoje apetece-me partilhar isto. São raros, os putos bons atores. Vi um, ontem à noite, numa ida improvisada ao cinema.

 

Este, coitado, fez um papelão, mas nunca soubemos se era bom ator porque ficou tão marcado pelo primeiro papel que fez na vida que nunca conseguiu descolar da imagem. E descolar da imagem é preciso. De uma forma, ou de outra.

 

De um dos filmes da minha vida, vale a pena ver a sessão de casting de um dos personagens principais.

 

Nas entranhas das fitas

Jonasnuts, 04.02.21

Para quem, como eu, cresceu a conhecer bem as entranhas de um cinema e todos os cantos de uma casa que não é habitada pela maioria das pessoas, que se limita a entrar, ver a fita e sair, este vídeo feito pela excelente equipa do cinema São Jorge é um luxo e um regresso a um passado longínquo, onde, tocar o gongo que anunciava o início da sessão, era um privilégio frequente.

 

No meu caso não foi no São Jorge, mas no Estúdio 444, onde a minha avó era chefe de bilheteira e o meu avô foi projecionista.

Este é um vídeo fruto do trabalho de muito de gente (de acordo com a ficha técnica) mas destaco o Pedro Vieira, porque....... Pedro Vieira :) 

Obrigada pela viagem pela estrada da memória (isto em português não tem a mesma patine), ou, mais cinematograficamente, obrigada por me terem feito sentir, bruscamente no verão passado.

#IVDM Comunicação de crise

Jonasnuts, 02.02.21

Isto Vai Dar Merda – na Pandemia.jpg

A (boa) comunicação pode acabar com uma Pandemia?

 

É o ponto de partida para o debate que hoje vou moderar, e que conta com a participação da Joana Lobo Antunes, do  Pedro Aniceto e do Marco Maia. Às 21h30, aqui.

 

Apareçam e participem nos comentários (ou no Twitter, claro).

Se não sabem o que é o IVDM, podem ver tudo, aqui, incluindo os belíssimos debates já transmitidos.

Somos muito pouco

Jonasnuts, 30.01.21

Isto tem dado muito Twitter, por aqui, mas é natural, porque lá passo muito tempo. É lidar. 

Este blog tem várias funções, uma delas é registar coisas que são importantes para mim, e a que regresso de vez em quando, porque me fazem bem.

 

2020 foi um ano em que alterei a minha presença do Twitter. 2020 foi um ano em que alterei muitas coisas :) Essa foi apenas mais uma. Mas alterei. Abri. Eu seguia um número reduzido de um certo tipo de contas que servia muito bem os meus propósitos. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, não é? Foi.

 

Vivo com muitas tabs de Chrome, de coisas que quero preservar, guardar para mais tarde, a que me quero agarrar. E podem ser receitas, instruções para algo em tricot, uma música que quero aprender, um vídeo sobre o qual quero escrever, uma DM antiga, um artigo de um jornal sobre um tema que quero aprofundar, um ficheiro de som a que regresso de olhos fechados, um estudo científico para ler com atenção para ver se percebo algo, um meme a que achei particular piada, para descrever apenas aquelas que tenho abertas numa das janelas (sim, há mais do que uma janela aberta em simultâneo).

 

De vez em quando, tenho de proceder a limpezas, porque a memória do computador não se aguenta nas canetas, com tanta tab aberta e toca de guardar nos favoritos as coisas a que quero regressar, e toca de deixar ir o que é para deixar ir. Mas mantenho aquelas que não quero nem arquivar nem descartar. E, uma das soluções, é trazê-las para aqui.

 

Há um episódio do Twitter, do ano passado, que tem estado sempre presente nas minhas tabs de chrome e que tem de vir para aqui, porque é mesmo isto.

 

23 de novembro, uma segunda-feira. Eu estava merdosa. Sei disso porque o referi superficialmente na conversa. Mas a verdade é que já não sei porquê. 

 

O Hugo, uma aquisição recente da lista de pessoas que sigo, estava com covid, e respondeu ao meu desabafo com um "Muita força para essa semana". E comoveu-me, não é? Respondi-lhe: "O Twitter é muito isto. Tu estás aí, todo roto, a tentar recuperar e, apesar disso, sai-te um “muita força para essa semana” :-) Andamos todos ao colo uns dos outros :-) Obrigada por isso :-)" E ele sai-se com o tweet a que tenho regressado de vez quando. O tal que está na tab que não quero descartar.

Hugo di Portogallo on Twitter_ _@jonasnuts Somos tão pouco se não formos uns para os outros minha querida. Muitas beijocas 😘_ _ Twitter.jpg

É que é isto, não é? 

 

Somos tão pouco se não formos uns para os outros.

 

Sempre, mas sobretudo num momento em que dependemos tanto uns dos outros. Tenho aqui um post afiambrado para falar nisso e até casa bem com este, mas não quero conspurcar a ideia chave do Hugo, que subscrevo desde sempre, que quero que fique aqui registada e que gostava que fosse mais claro, para mais pessoas.

Somos muito pouco, se não formos uns para os outros.

 

E já posso descartar a tab.

Bora à #Fachina ?

Jonasnuts, 28.01.21

(55) Insónias em Carvão on Twitter_ _@AdrianFCardoso Por mim tiramos as teimas e bloqueamos todonjunto. Amanhã às 15, um mass block e mute. E depois vemos se continuam a falar dele._ _ Twitter.jpg

Ontem (na realidade hoje, porque já passava da meia-noite, mas ainda não tínhamos ido dormir, portanto, ontem), no calor de mais uma indignação/provocação (os paspalhos que foram para o restaurante LAPO, confraternizar em manada, aparentemente ao abrigo da exceção ao confinamento para trabalho político) no calor, dizia eu, de mais uma indignação, e de mais uma chegada a um beco sem saída "o que é que podemos fazer em relação a esta merda?" e num dia marcado por um novo recorde de mortes, e de notícias de que o SNS já está muito para além da capacidade máxima, e de pessoas que conhecemos e que estão doentes e aflitas, e no rescaldo do resultado que o outro paspalho conseguiu, o Insónias, em conversa, saiu-se com uma proposta/desabafo (é ler a thread). 

 

Como o #movember, um mês de sensibilização para problemas de saúde especificamente masculinos, o Insónias sugeriu que se criasse um mês de limpeza mediática, de ignorar, bloquear, deixar de dar palco a tudo o que sejam conteúdos daqueles imbecis (tweets, notícias, posts, clips, podcasts, etc...).

 

A lógica é simples.

1- Técnica. Sempre que fazemos RT (ReTweets, no Twitter o equivalente ao share), ou fazemos like, ou respondemos, ou mencionamos um determinado conteúdo (ou um handle), sobretudo (mas não só), por parte de contas que têm bastantes seguidores, estamos a dizer ao algoritmo do Twitter que aquele conteúdo é relevante, é importante, gera tráfego. O Twitter reúne essa informação e coloca-a ao serviço da plataforma, e expõe aquele conteúdo a mais pessoas. E mais pessoas falam do conteúdo e, de repente, criou-se um trending topic. Do trending topic à "mainstream media" é um pulinho pequeno.

2 - Social. O Twitter não é uma rede de massas. Não tem em Portugal, comparativamente com outras redes sociais, o mesmo volume de utilizadores e tráfego. Mas tem uma coisa que os outros não têm, ou têm mais diluída; qualidade. Há mais opinion makers, há mais decisores, há mais influenciadores, daqueles que influenciam mesmo a agenda mediática, e não a fila de pessoas que se mete nos saldos da zara. Há muitos jornalistas, advogados, opinadores, bloggers (sim, ainda existem, ainda contam, não como noutros tempos, mas ainda), podcasters (sorry Bronn). São pessoas com poder de decisão sobre o que vai sair da bolha, para a famosa "mainstream media". E decidem com base no que lhes dará mais tráfego. Não nos iludamos. Podem mascarar a coisa como quiserem mas, tal como o twitter quer mais users e mais tráfego, os órgãos de comunicação social querem exatamente a mesma coisa e vão espremer todo e qualquer conteúdo (verdadeiro, falso, assim-assim, relevante, irrelevante, dispensável) até ao máximo da audiência e engajamento desse conteúdo. 

Quantas vezes não ouvimos uma notícia na televisão e na rádio "As redes sociais dizem que......" ou "esta notícia teve origem no site Twitter" (que se transformou num clássico instantâneo)? E às vezes vamos ver, e foram meia dúzia de tweets, originados por meia dúzia de contas provocadoras (outro post sobre isso, para breve), e que viralizaram porque, lá está, o pessoal adora fazer RT a dizer "estes gajos são do pior", sem se aperceberem de que estão, inadvertidamente, a fazer-lhes o joguinho e as vontades.

 

Assim que o Insónias fez aquele tweet e disse mata, a malta aderiu e disse esfola. A John sacou imediatamente duma hashtag fabulosa, #fachina e foi assim que se deu início à coisa. 

 

Portanto, a partir das 15h00 de hoje, 28 de janeiro, e durante um mês, não responder, não dar visibilidade, não interagir, não nomear, não partilhar, não porra nenhuma a conteúdo daquela proveniência. Se precisarem mesmo de referir a coisa, olha, façam como com a outra, usem o sandra, em vez do sofia (auto-link). Bloqueiem, façam mute se for essa a vossa estratégia para não interagir, a contas, a temas, a hashtags. Whatever works.

 

É uma experiência. De recondicionamento do algoritmo e de verificar se tem impacto na agenda mediática. 

 

"Ah, mas isso é o mesmo que não fazer nada e não é por ignorares um problema que ele deixa de existir". Pois não, mas ninguém está a sugerir que se ignore o problema. Ninguém está a sugerir que se baixem os braços ou que se deixe de lutar, noutras frentes, com menos visibilidade, mas de eficácia mais direta. Ninguém está a sugerir que nos enfiemos numa bolha. É apenas uma luta menos visível.

 

Bem sei, bem sei, esta estratégia não dá tanta visibilidade, não gera tantos likes. Nada como um belo RT de um conteúdo chegófilo, com o comentário "estes gajos são do pior", para gerar de imediato uma onda de likes e de shares e de comentários "you go, girl". São as putas das endorfinas, não é? É a porra do umbigo. É o tamanho da pila. E depois explicamos, olha...... se calhar fazias isso com um screenshot, porque KPIs e algoritmos, não? E a resposta é "ah, vocês levam-se demasiado a sério, eu estava só a brincar" ou "é preciso não deixar passar para eles perceberem que não estamos de acordo".

Eles estão-se cagando para que estejas de acordo ou não, lindinha. Já lhes serviste os propósitos, já lhes fizeste share ao conteúdo, amplificando a mensagem e, sobretudo, reforçando o algoritmo. Espero que os likes e os shares que a coisa te rendeu em massagem ao ego compensem a contribuição que fazes para a ascensão da extrema direita. Bom trabalho.

 

Portanto, e porque isto já vai longo, bora à #fachina 

From Twitter with love

Jonasnuts, 12.01.21

Jonasnuts on Twitter_ _O Boni tem a conta habitualmente fechada. Escreve, com muita frequência, aqta aberta apenas por 24h. Leiam. Porque vale muito a pena. É exatamente o que eu penso._ _ Twitter.jpg

Não é a primeira vez que tento preservar aqui textos de outras pessoas. Mas é a primeira vez que o faço por motivos egoístas e preguiçosos. O Boni escreve com muita frequência, exatamente aquilo que eu penso. Como tem a conta privada, nunca posso fazer RT. Chateia, pois claro.

Hoje publicou, mais uma vez, uma série de tweets que  podiam ter sido escritos por mim, se eu escrevesse como ele, que não escrevo. Aparentemente, mais pessoas lhe pediram para partilhar e, durante 24 horas, o Boni desbloqueou a conta, para que pudéssemos fazer RT. 24 horas é pouco, na minha opinião, para a visibilidade que aquele texto merece pelo que, depois de obtida a devida autorização (Faz o que quiseres com isso.), heize-li-o, sem qualquer edição para além da introdução de parágrafos:


"Tenho visto alguns tweets a escarnecer da teoria de JMT de que o voto no Chega é um voto de protesto anti-sistema.

 

Mas tudo o que li desde que este fenómeno do neo-fascismo se mediatizou com Trump, e quando digo li refiro-me a artigos na imprensa sobre estudos feitos sobre o fenómeno indicam que, sim, os votos nos partidos ou figuras neo-fascistas (de Trump ao Brexit) são votos anti-sistema: pessoas que antes tinham um emprego para a vida graças à indústria e perderam empregos ou viram as suas terras tornarem-se um deserto sentem-se abandonadase revêem-se no tipo desbragado, que diz «as verdades» e vem «de fora de sistema».

 

O facto de se reverem, antes de mais, num discurso de uma pessoa (e não numa ideologia firme) torna maior a fidelidade ao fenómeno, por ser menos racional - o que é natural em quem vive num misto de pânico (pela sua sobrevivência, pela sobrevivência dos seus filhos) e rancor social que facilmente se torna em comportamento agressivo.

 

Estas pessoas, mais ou menos conservadoras, desprezam os MeToo e BlackLivesMatter desta vida porque não compreendem porque raio se está agora a discutir uma revolução social quando eles passam fome ou podem passar fome a qualquer momento.

Foi o que aconteceu nas zonas mineiras dos EUA, na periferia de Bristol, em que o Brexit foi buscar votos aos idosos que antes eram Labour.

 

Claro que cada país tem o seu faxo e cada país tem a sua demografia que se arrasta para o partido pró-facho. Lembro-me de ler que em Portugal havia indícios de uma valente percentagem dos apoiantes do Chega serem quadros médios, aquelas pessoas com o 9º ao 12º anos que encontraram lugar numa empresa e depois nunca mais subiram.

 

Seria importante conhecermos melhor a demografia do Chega para entendermos os motivos destas pessoas, mas convém lembrar que nós temos uma história em que à monarquia se segue quase de imediato uma ditadura imperialista e profundamente corrupta (profudamente amiguista, por assim dizer), o que significa que levamos séculos de fome - se há país em que (tirando a década em que a UE despejou dinheiro no país) nunca houve bem-estar material e em que a desconfiança nas instituições faz sentido é em Portugal, que se tornou uma democracia mas permaneceu pobre.

 

Claro que termos consciência disto não significa que possamos partir daqui para afirmar que 50% do país trabalha e a outra metade chucha na mama do estado. Isso é uma ficção que os números demonstram com facilidade - mas o que os números não desmontam é o sentimento de quem já está propenso a acreditar que se vive mal é porque outros (ladrões) o roubaram do que merece (uma vida boa).

 

Não menosprezemos o rancor social, nem partamos do princípio que o rancor social não tem razão de ser. Os Bourdieus deste mundo dão a entender , pelo menos para um leigo curioso como eu, que sim, esse rancor tem razão de ser e que sim, a imobilidade social é um facto.

 

À partida a única forma de resolver isto seria redistribuir melhor a riqueza, criar ainda mais oportunidades para quem vem "de baixo", mas sejamos honestos: enquanto uma empresa poder "contratar" uma empresa fantasma para fazer nada, transferindo para esta (devidamente sediada num paraíso fiscal) os lucros sobre os quais, agora, já não terá de pagar impostos, enquanto isto acontecer será difícil sonhar com um pouco menos de desigualdade.

 

A ironia disto é que estes sujeitos, estes salvadores providenciais, nunca são realmente fora do sistema - são usados pelo sistema para criar caos social, porque o caos social favorece as grandes empresas: se o Chega for governo, torna-se mais fácil travar uma subida do salário mínimo, por exemplo.

 

Como é que se explica às pessoas que o seu salvador não é um Cristo mas um Pilatos? É dificílimo.

 

Quando o Chega surgiu muitos de nós apelaram de imediato à ilegalização do partido por ter apresentado nomes falsos. E continuamos a apelar ao mesmo tendo em conta a enormidade de enormidades que os seus membros dizem: mandar deputadas portuguesas para a sua terra porque são negras, dizer que ladrões merecem ver as suas mãos cortadas, ter nas suas fileiras neo-nazis e ex-condenados por crimes de ódio devia ser mais que suficiente para ilegalizar um partido.

 

Podem dizer-me: mas isso não resolve o descontentamento das pessoas. Certo, mas resolve a forma como essas pessoas exprimem o descontentamento. Parecendo que não vivemos em sociedade; temos certos pensamentos que sabemos ser melhor não verbalizar. Não verbalizamos e não agimos sobre eles, porque é isso que a sociedade nos ensina.

 

Mas eis que de repente surge alguém com um tempo de antena desmedido (que ainda está por explicar) e que legitima o discurso de ódio, tocando nos pontos fracos daqueles que se sentem enganados pelo sistema. E de repente uma não despicienda percentagem da população diz coisas inacreditáveis, xenófobas.

 

Ninguém nasce racista, não há um gene do racismo. As pessoas dizem coisas racistas porque as pessoas que admiram - seja o pai, o tio ou o vizinho - têm actos e palavras racistas. Nem sequer o racismo é uma "posição" racional ou que dure a vida inteira - eu conheço uma data de ex-skins que votam hoje à esquerda e que têm vergonha da sua juventude. Claro que essa malta não teve a mais fácil das infâncias - ser skin era um meio de se integrarem, de pertencerem a qualquer coisa, de controlarem qualquer coisa na sua vida. Nuns passou, noutros não.

 

O que me parece óbvio é que quanto mais deixarmos a população ser exposta a este traste mais gente ele arrastará. O que me leva a concluir que a ilegalização do Chega é uma obrigatoriedade moral e cívica (pelo atrás exposto e pela Constituição).

 

A democracia não é a aceitação de tudo - é a aceitação de todos os que aceitam as suas regras, coisa que o Chega não faz.

 

É obrigação da democracia não permitir que um tiranete se disfarce de democrata para instalar o caos social, lançar as pessoas umas contra as outras e corroer a democracia. Mas isto não pode ser feito sem que de facto percamos tempo com quem vota Chega. Temos de saber quem eles são, a sua escolaridade, o seu salário médio, o que os leva a votar Chega - e temos de ter soluções para os seus problemas.

 

Uma das coisas que me fez impressão nos debates presidenciais é que estavam todos muito preocupados com a sua quota de mercado mas ninguém (excepto o próprio AV) falou para a quota de mercado do Chega.

 

Talvez algumas dessas pessoas sejam irrecuperáveis, já sejam racistas há demasiado tempo, sei lá.

Mas não serão todas irrecuperáveis. Não todas escória humana que esteve estes anos todos à espera da escória-alpha que os guiasse.

 

Há um défice, nessas pessoas, de capacidade de interpretação: não são capazes de perceber que são vítimas de um embuste, não são capazes de perceber que as soluções que pedem não são frases de ordem simplistas mas alterações complexas de ordem financeira, de redistribuição de dinheiro, de educação.

 

Temos de chegar a essas pessoas."

 

Sim, faltam umas palavras aqui e ali, é assim, no Twitter, com a pressa escapam-nos, de vez em quando. Sim, há erros e atropelos. É lidar. Se eu percebo, vocês também percebem :) 

Antecipando desde já a pergunta do costume (porque já ma fizeram no Twitter), não, não sei quem é o Boni, não sei se o conheço pessoalmente ou não, não sei sequer se é um gajo, presumo que sim. Pela parte que me toca é só alguém que diz muitas vezes aquilo que eu penso. E que me diverte :)

Este é um dos raros posts do meu blog que está sujeito a remoção. Não é meu, este texto. Estará aqui enquanto o seu autor o permitir. No dia em que o Boni disser: apaga. Eu apago. Fica a nota.

"Debates"

Jonasnuts, 08.01.21

Não vejo debates. Já não vejo debates. Acompanho, no Twitter e confirmo sempre a minha decisão no fim. Irritar-me-ia muito ver os debates. Da mesma forma que me irritava quando via o Prós & Contras (motivo pelo qual deixei de ver o Prós & Contras muitos anos antes deste ter terminado, com a óbvia exceção daquele em que participei).

 

Porque os debates não servem para aquilo que deviam servir; esclarecer as pessoas quanto às ideias dos candidatos. Não é isso que acontece. Traulitada, punchlines, sounbites, batatada, tudo para ver "quem ganha". Nunca sei quem ganha, mas tenho a certeza sobre quem perde. Perde tempo quem vê e perde quem tem nestes debates a única forma de saber o que pensam os candidatos.

 

Porque é que os debates são uma valente cagada? Porque fazer debates como deve ser dá uma trabalheira desgraçada e as televisões não estão para isso. Não estou sequer convencida de que ainda tenham competências suficientes para o fazer como deve ser.

 

Utopicamente, os debates deveriam ser assim:

 

 

Sim, eu sei, isto é lírico, e não há nenhum sítio do mundo onde isto aconteça, e provavelmente os candidatos não aceitariam um formato deste género. Mas esta seria a única forma de eu os ver e seria a única forma de serem verdadeiramente úteis a quem deveriam ser úteis; os eleitores.

 

Este ano ainda não vi nenhuma das minhas séries. Se calhar começo com Newsroom, este fim-de-semana.

 

Hoje é dia de copos

Jonasnuts, 05.01.21

Digital Drink Online - Janeiro 2021 - Digital Marketers.jpg

 

Copos digitais, vá, não se arrebitem.

A Associação de Marketing Digital - Digital Marketeers convidou-me para o início das hostilidades de 2021, e desafiou-me a escolher o tema da conversa. Havia tanto tema interessante que tardei na minha escolha, mas acabei por regressar a um dos amores da minha vida, o apoio a cliente ou, para ser mais fashion, o customer care (que, na minha perspetiva, inclui customer delight), o tema é: "Customer care – o parente pobre do marketing"

É hoje ao fim do dia, 19h00, no zoom, aberto a associados e a não associados, portanto, se têm interesse pela coisa, se têm opinião para partilhar, e se querem participar na conversa, join in é MESMO para ser uma conversa, não um monólogo.

Até logo.