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Jonasnuts

Jonasnuts

Queridos CTT (Take 2)

Jonasnuts, 29.05.20

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Depois do episódio de ontem (auto-link), fiquei, naturalmente, muito atenta aos progressos do objeto de que estou à espera, e ao serviço que sou obrigada a contratar-vos e, consequentemente, a pagar-vos.

 

Que fique claro que, se dependesse de mim, eu já teria pegado na minha moto, já teria ido até à alfândega e voltado e já teria o meu objeto comigo.

 

Assim, dependendo do vosso serviço, é bom saber que, 24 horas depois de eu ter cumprido com os vossos requisitos, nada aconteceu. O pacote deve estar a descansar da sua viagem transatlântica, que vocês olharam para ele e acharam-no cansado.

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Vou manter-me atenta ao vosso super serviço, para ver quando é que a coisa começa a mexer. Pode ser que vocês o achem demasiado cansado e lhe dêem o fim-de-semana completo para se restabelecer da viagem, antes de o submeterem a mais sevícias.

 

A seguir.

Queridos CTT

Jonasnuts, 28.05.20

Link para o disclaimer da praxe, por via das dúvidas.

ctt.jpg

O vosso serviço é uma valente bosta.

Assim, direta ao assunto, porque os floreados não são a minha especialidade.

Vá, uma porcaria, porque a minha mãe já não lê isto, mas volta não volta, encarna na minha irmã.

Para todas as encomendas online que me obriguem a usar os vossos serviços, eu encontro alternativa, e mudo de fornecedor, e não me importo de pagar mais caro, só para não ser vossa cliente. 

Portanto, à partida, o facto dos vossos serviços serem uma cagada, vá, fraquinhos, não me afetaria, porque, lá está, não sou vossa cliente.

 

Excepto nos casos em que sou, vá-se lá saber porquê, obrigada a ser vossa cliente.

 

Que é o que acontece no que me traz aqui hoje.

 

Encomendei uma cena dos EUA. Recebo a notificação de que tenho de desalfandegar. 

Sou de imediato encaminhada para o site dos CTT, que é uma coisa que eu não percebo, porque eu não quero nada com os CTT, eu quero é com a alfândega (na realidade, também não quero, mas isso fica para outra altura).

Trato das coisas no site dos CTT, que ficou a dever uma quantia milionária à usabilidade e a quem lhes trata dos textos. E, no final do processo dizem que sim senhora, que já está desalfandegado. 

 

E agora? Agora o estado é "Outros", o que me obriga a um telefonema, aliás dois, porque a primeira chamada, misteriosamente, cai.

Eu só quero saber onde posso ir levantar a minha encomenda.

Não posso, o serviço de levantamento (sim, uma pessoa ir ela própria, pelo seu pezinho, levantar uma encomenda, é considerado um serviço), o serviço de levantamento, dizia eu, foi descontinuado, e agora tenho de esperar pelo menos mais 3 dias, que me venham entregar o aviso para eu ir levantar na estação de correios mais próxima, coisa que poderei fazer no dia seguinte ao do recebimento do aviso.

E, cereja no topo do bolo, ainda vou pagar pelo serviço de DEMORAREM QUASE UMA SEMANA A ENTREGAR UMA COISA QUE EU PODIA IR BUSCAR EM MEIA HORA.

Claro que, obrigando as pessoas a serem vossas clientes, vocês tinham de declarar lucros fabuloso no vosso relatório e contas. Oh.... wait.

A equipa do serviço a cliente que atende o telefone é, na grande maioria das vezes, excelente, competente, simpática e educada. Não têm culpa nenhuma de não conseguirem fazer mais. 

Charlatões e Charlatonas

Jonasnuts, 21.05.20

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Este site foi colocado no ar no início de março. Durante algum tempo teve dificuldades em disponibilizar formas de pagamento, mas rapidamente ultrapassou essas dificuldades e aí estão, a vender uma cena que carece de qualquer evidência científica. Puro oportunismo, pura exploração dos medos e dos receios justificados das pessoas, sobretudo nesta altura do campeonato.

 

Este tipo de aproveitamento (sem link e sem url porque ....... obviamente) devia ser proibido.

Na realidade, lendo o alerta de supervisão 01/2020 da ERS, este tipo de conteúdo É proibido.

 

Nomeadamente:

"Na mensagem publicitada apenas devem ser utilizadas informações aceites pela comunidade técnica ou científica, devendo evitar-se todas as referências que possam induzir os utentes a quem a mesma é dirigida em erro acerca da utilidade e da finalidade real do ato ou serviço."

Ou:

"São proibidas as práticas de publicidade em saúde que induzam ou sejam suscetíveis de induzir em erro o utente quanto à decisão a adotar, designadamente: - Ocultem, induzam em erro ou enganem sobre características principais do ato ou serviço, designadamente através de menções de natureza técnica e científica sem suporte de evidência da mesma ou da publicitação de expressões de inovação ou de pioneirismo, sem prévia avaliação das entidades com competência no setor; - Se refiram falsamente a demonstrações ou garantias de cura ou de resultados ou sem efeitos adversos ou secundários; - Sejam suscetíveis de induzir o utente ao consumo desnecessário, nocivo ou sem diagnóstico ou avaliação prévios por profissional habilitado."

 

De modo que....... a única alternativa que me resta é o Livro de Reclamações da Entidade Reguladora da Saúde.

Exorto-vos a fazerem o mesmo em relação a qualquer conteúdo deste género que encontrem.

(Adoro exortar).

Não há bela sem senão

Jonasnuts, 16.05.20

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Silver linings, como diria o meu filho.

As minhas rotinas matinais não se alteraram muito em termos de pandemia. Os passeios que dava com a Uma todas as manhãs (e todas as tarde, já agora) mantiveram-se sempre, sendo a única diferença percetível o número de pessoas com quem me cruzava.

Desde meados de fevereiro que o número de pessoas começou a diminuir até haver uma quebra drástica a partir do início de março. Basicamente, era sempre a mesma meia dúzia de gatos pingados que partilhava o Jamor. E foi muito bom. Poder andar à vontade, sem me preocupar com carros e bicicletas, sem me preocupar com as figuras tristes (eu oiço música enquanto passeio e, por isso, às vezes danço), sem ter de me preocupar com ser atropelada por corredores mais distraídos, enfim, ter o Jamor praticamente todo só para nós foi um privilégio.

Desde há 2 semanas que comecei a notar um acréscimo de pessoas. Primeiro foram os ciclistas, depois a malta das corridas, depois as famílias inteiras e os grupos grandes de amigos. E hoje foi o apogeu.

Saí de casa mais tarde que o habitual, eram quase 9 horas, por via de ter ficado a assistir ao natal de ontem à noite. E se calhar isso também não ajudou.

Mas, de repente, o Jamor está ao rubro, cheio de malta. Atenção, nada contra, é só uma questão de hábito.

Terei de me habituar a gerir os grupos de pessoas que têm a mesma capacidade e noção de distanciamento social que um grupo de lapas, e os desportistas cuja ideia de etiqueta respiratória passa por se assoarem aos dedos para sacudirem depois as ranhocas para o chão. Super higiénico.

Por outro lado, o passeio passou a ser mais agradável à vista porque, apesar de nem todos serem uns albanos a maioria é, e é sempre agradável passear por sítios onde haja boas vistas. É um gosto ver gente com ar saudável. 

E, já que tenho de partilhar o meu quintal com pessoas, ao menos que sejam pessoas com muito bom aspeto.

 

Pelo sim pelo não, vou investir nos horários madrugadores, que é quando há mais belas e menos senões.

Natal em maio

Jonasnuts, 15.05.20

corpodormente.png

Hoje à noite muitos portugueses estranharão alguns dos seus vizinhos. Oh Maria, já viste o vizinho do 5º esquerdo que pirou de vez, trocou-se com as datas e já tem a casa toda artilhada com luzes de Natal? Isto do confinamento deu-lhe a volta ao miolo.

 

Hoje à noite, num código partilhado por um número reduzido de pessoas, vão ver-se luzes de Natal em algumas janelas, um pouco por todo o país. É um sinal. É um piscar de olho. É um código de reconhecimento. É uma troca de olhares. É uma afirmação; "sim, eu também faço parte do fight club".

É uma das bases de sustentação de qualquer comunidade, o sentimento de pertença e de exclusividade. Outra base são os códigos que identificam essa pertença e essa exclusividade e que, com o tempo, se vão transformar em cultura pop. A sua utilização vai banalizar-se, mas apenas alguns saberão a sua origem.

O "swipe cona" integrará o nosso dia-a-dia, é apenas uma questão de tempo. Não tenho qualquer dúvida. E este é apenas um exemplo, de muitos.

Pela parte que me toca, há coisas que não voltarão nunca mais a ser as mesmas. O Wuthering Heights é apenas uma delas. Na realidade, Kate Bush em geral.

Também este post é uma piscadela de olho, um texto codificado, que nem todos perceberão. Quem percebe, sorri.

Por último....... esta é uma história que alguma comunicação social podia (e devia) ter aproveitado para aprofundar. Para ir além dos números e dos nomes, que é apenas uma pequena parte da coisa. 

Há uma última oportunidade hoje. Há uma história à vossa espera, pelas ruas do país. Só hoje à noite.

 

Agora deixa-me ir desencantar as luzes à arrecadação, que este ano a árvore de Natal foi arrumada antes do verão.

 

Home office ergonómico

Jonasnuts, 11.05.20

Já se percebeu que o novo normal passa e passará por se trabalhar muitíssimo mais a partir de casa. Não é propriamente novidade, há muitos anos que trabalho a partir de casa e já o fiz por períodos maiores. 

Isso faz com que seja fundamental que haja em casa um espaço especificamente dedicado a esta função. Aquilo que até há pouco tempo servia; a mesa da cozinha, a mesa da casa de jantar, o sofá, a cama, whatever..... deixou de servir. 

O espaço que um dia será o meu escritório, aqui em casa, ainda precisa de obras e não é, neste momento, exequível. Arranjei então um canto, onde coloquei uma secretária pequenina, muito longe de conseguir acolher o meu setup habitual de 3 monitores, mas que cumpre os mínimos.

Faltava-me uma cadeira. Em cadeiras não se deve investir em soluções mixurucas e temporárias. Afinal de contas, é onde passamos grande parte do nosso tempo de trabalho. 

Neste momento e espaço não é muito e, em cima disso, estou a apreciar um certo minimalismo. Portanto, era preciso encontrar uma cadeira que cumprisse os requisitos funcionais e ergonómicos, os requisitos estéticos e os requisitos de espaço. Depois de alguma pesquisa, elegi a cadeira que respondia bem às 3 questões. É uma Capisco. O que é giro, porque é uma palavra que uso com frequência no contexto de "capiscas ou não capiscas?".

 

Capisco .jpg

Só tem um probleminha....... um requisito que me esqueci de elencar, mas que é muito importante; o preço.

Como de costume, a minha pontaria anda muito distante da minha carteira, e a Capisco tem a versão mais pelintra a ser vendida na casa das quase 800 libras e a versão com a configuração que eu escolhi a ser vendida na casa das 1.270 libras. Dada, como diria uma pessoa que eu conheci.

É muito típico, a minha escolha recair sobre cenas caríssimas. Umas vezes vou a jogo, outras vezes nem por isso.

Desta vez, não me parece. Acho que é um caso semelhante ao dos chapéus....... há-de haver muitas.

O Quaresma, o tio-avô, o post dele e a cereja no topo do bolo

Jonasnuts, 07.05.20

Artur da Silva Quaresma | Facebook.png

Parecia que ia ser o tema do dia, mas depois a TSF fez cagada e acabou por mostrar-se a real protagonista, pelas piores razões. Mas eu prefiro manter-me no Quaresma (salvo seja), do que baixar-me ao nível a que chegou aquela que foi, em tempos, a minha rádio.

Vi esta manhã na minha TL de facebook um post do Jorge Martins Rosa que partilhava um post do Miguel Judas e que, na altura, dava voz a um "facto" que estava relativamente generalizado nas redes sociais e em alguma comunicação social, de que um tio avô do Ricardo Quaresma, o Artur da Silva Quaresma, teria recusado fazer a saudação nazi, num Portugal-Espanha em 1938.

 

Tendo em conta as recentes declarações de Ricardo Quaresma, partilhei o post do Miguel, com um comentário simples; "It runs in the family".

Passou pouco tempo, e o Nuno Camarinhas comentou a dizer, isso não é bem assim; a história é real, o parentesco não.

Ora..... o que é uma pessoa faz? Vai atrás, não é?

Foi o que eu fiz logo ali. Perguntei a alguém que sei ser próximo do Ricardo Quaresma para esclarecer a coisa. Vim a saber pouco depois que o próprio Ricardo Quaresma já se tinha apercebido da comoção geral e estava a escrever um post esclarecedor (e, de caminho, homenagear o seu homónimo). 

Aparentemente fiz a pergunta no momento certo, porque o Ricardo Quaresma publica a sua nota pouco depois.

Toda de editar o meu post, atualizando os factos e colocando um link para o post do Quaresma. O passo seguinte é avisar as pessoas que tinham comentado no meu post e, de seguida, as pessoas cujo post partilhei. 

Não apaguei o meu post. O gesto de Artur da Silva Quaresma merece o destaque, independentemente do parentesco (ou ausência deles) com Ricardo Quaresma. 

Todas as pessoas fizeram o mesmo....... mantiveram o post original, corrigiram o detalhe do parentesco, e explicaram com link para o post do Quaresma.

Que eu, no meu perfil de Facebook me tenha enganado, e só depois de publicar e de ser chamada à atenção é que me lembrei de ir confirmar a cena do parentesco, é chato, mas não é grave. Sobretudo porque assim que identifiquei o erro o corrigi e tentei avisar todas as pessoas à volta.

Mas, dizia eu, não é grave que um perfil de facebook cometa este erro. É grave que muitos órgãos de comunicação social tradicionais o façam e, a cereja no topo do bolo, que o polígrafo, que se apresenta como um arauto da verdade e do fact checking, não tenha tido a capacidade de fazer o que eu fiz, validar com fontes de jeito, e tenha dado como verdadeiro o parentesco entre os dois Quaresma.

Mais...... não só não teve a competência para fazer o seu trabalho como, quando se apercebeu do erro, não foi capaz de dar a mão à palmatória e assumir a coisa, pedir desculpa e corrigir a cagada, começa por apagar o post. Depois lembrou-se de que isto era a internet e que se calhar não era boa ideia apagar a coisa, e repôs, mas não corrigiu, ainda. Ainda lá está, o post desmentido a dizer que sim senhor que é verdade algo que já foi desmentido pelo próprio Ricardo Quaresma.

O polígrafo nunca desilude.

O tio-avô de Ricardo Quaresma recusou fazer saud

E, por fim, a cereja no topo de bolo que é mesmo a cereja no topo do bolo?

TweetDeck.png

:)

 

UPDATE: Editaram agora o post (às 2 da tarde) e têm o desplante de dizer "Aproveitamos também para agradecer ao bisneto Pedro Miguel que nos alertou atempadamente para o erro.", o post do Quaresma a corrigir a coisa foi feito há mais de 4 horas. 
Lá está..... o polígrafo não desilude.

Destralhar

Jonasnuts, 05.05.20

Panela Cocotte redonda Evolution de ferro fundido

Quem não aproveitou a boleia do confinamento para arrumações?

Eu aproveitei para dar cabo dos últimos caixotes. Mudar de casa tem destas coisas. Os caixotes demoram a desaparecer. Da última vez que mudei de casa, houve caixotes que demoraram mais de 10 anos a ser abertos. Houve até caixotes que nunca foram abertos e foram despachados para a arrecadação. 

Nesta casa é diferente. Há espaço para todas as coisas que eu quero que façam parte da minha vida. A diferença é que agora há muita coisa que já não quero. Digamos que estou a fazer um downsizing. Mais com menos. 

Não é nenhuma filosofia dinamarquesa, nem é influência da kondo, é só mesmo deixar sair o que já não me faz falta. O que já não me acrescenta. O que já não tem peso nem significado. O que já não serve. O que deixou de prestar. Ou nunca prestou, eu é que achava que sim. Deixei de achar :)

Muita coisa foi direitinha para o lixo mas, o que ainda estava em boas condições de uso foi doado (e tenho ali mais uns sacos cheios para levar à Dona Ajuda). Sobram as coisas que, não só estão em boas condições como podem ter alguma valor monetário. Estou a vender. Hoje meti uma catrefada de coisas no marketplace e amanhã conto meter outro tanto. Não tenho pressa, são só coisas que estão ali arrumadas a um cantinho, para despachar no momento certo. 

Nunca tive grande facilidade em desfazer-me de coisas. Não pelo seu valor monetário, mas pelo seu valor emocional, o seu valor estimativo. Nisso sou parecida com a minha mãe, para stress da minha irmã, que nunca percebeu esta mania de nos agarrarmos às coisas. "Ponham-me no lixo", é algo que a minha irmã ouve as coisas a dizer, mas a que eu e a minha mãe fazíamos orelhas moucas.

Agora está a ser diferente. A minha mãe estaria aterrorizada, se aqui estivesse - quem és tu e o que é que fizeste à grande? - a minha irmã está, naturalmente, a achar que é um bom princípio, mas que ainda há muita coisinha a gritar "ponham-me no lixo" e que tenho de ir muito mais longe.

Vai ao meu ritmo. Lá chegarei. Já faltou mais :)