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Jonasnuts

Jonasnuts

A caminho da carta

Jonasnuts, 18.08.20

iPhone - Photo 2020-08-17 17_55_29.jpeg

Já deito testes pelos olhos e é-me impossível não olhar para o português das perguntas.

Há perguntas que são absolutamente imbecis, esta é uma delas:

"Uma das desvantagens de alguns capacetes integrais é o embaciamento da viseira. Concorda com esta afirmação?"


As opções de resposta são "sim" ou "não". E, em termos de língua portuguesa, qualquer uma delas está correta, porque o que me estão a perguntar, é se concordo. A única pessoa que sabe se eu concordo ou se não concordo, sou eu. 

Se me perguntassem se a afirmação está correta......... seria diferente. Mas perguntam-me se eu concordo.

E, escalando; o que é que esta merda tem a ver com código? A viseira embaciar ou não embaciar, em capacetes integrais, é tema de pergunta de exame por alminha de quem?

Claro que embaciam........ e para se resolver o problema, pergunta-se a quem percebe da poda (auto-link), e recebe-se a resposta (Pinlock). 

Depois vai-se à loja, no meu caso a Motoponto, e vamos o caminho todo a dizer "é pinlock, não é ziplock, que isso são os sacos de ir ao congelador", "é pinlock, não é ziplock que isso são os sacos de ir ao congelador", chegamos à porta, pegamos no telemóvel, verificamos mais uma vez o nome da coisa "pinlock", entramos e somos de imediato atendidas e dizemos: boa tarde, preciso de um ziplock. (true story).


A caminho da carta

Jonasnuts, 05.08.20

Noutro dia perguntei no Facebook (sim, ainda uso) se alguém me arranjava um manual para poder estudar para o exame de código.

Entre muitas ofertas (que agradeço) e muitas sugestões (idem), sobressaiu a de que devia ignorar os manuais e as aulas e que o mais eficaz era fazer exames, e aprender à medida que ia conhecendo as perguntas. Gostei da sugestão, e lá fui para o site recomendado, um tal de "Bom Condutor" (deve estar otimizado para gajos). 


O site em causa está a precisar de amor e carinho, porque empanca no processo de criação de novos registos (ou isso ou não goste de nenhum dos meus endereços de mail), mas permite que se façam os testes e, suponho que usando cookies, calcula um índice de "bom condutor" à medida que se vão fazendo testes.

Gosto do método de aprender à custa das respostas que vou dando. Primeiro porque me vou familiarizando com as perguntas e com as várias opções de resposta (um post exclusivamente sobre essa temática, um dia destes) e depois porque o meu objetivo não é aprender as regras (sobretudo porque as regras que querem que eu aprenda são maioritariamente inúteis), o meu objetivo é passar no exame.

Comecei hoje.

Diz que o ideal é um índice de 100. Lá chegarei.

Dia1.jpg

 

Queridos CTT (Take 2)

Jonasnuts, 29.05.20

ctt.jpg

Depois do episódio de ontem (auto-link), fiquei, naturalmente, muito atenta aos progressos do objeto de que estou à espera, e ao serviço que sou obrigada a contratar-vos e, consequentemente, a pagar-vos.

 

Que fique claro que, se dependesse de mim, eu já teria pegado na minha moto, já teria ido até à alfândega e voltado e já teria o meu objeto comigo.

 

Assim, dependendo do vosso serviço, é bom saber que, 24 horas depois de eu ter cumprido com os vossos requisitos, nada aconteceu. O pacote deve estar a descansar da sua viagem transatlântica, que vocês olharam para ele e acharam-no cansado.

CTT-1.jpg

 

 

Vou manter-me atenta ao vosso super serviço, para ver quando é que a coisa começa a mexer. Pode ser que vocês o achem demasiado cansado e lhe dêem o fim-de-semana completo para se restabelecer da viagem, antes de o submeterem a mais sevícias.

 

A seguir.

Queridos CTT

Jonasnuts, 28.05.20

Link para o disclaimer da praxe, por via das dúvidas.

ctt.jpg

O vosso serviço é uma valente bosta.

Assim, direta ao assunto, porque os floreados não são a minha especialidade.

Vá, uma porcaria, porque a minha mãe já não lê isto, mas volta não volta, encarna na minha irmã.

Para todas as encomendas online que me obriguem a usar os vossos serviços, eu encontro alternativa, e mudo de fornecedor, e não me importo de pagar mais caro, só para não ser vossa cliente. 

Portanto, à partida, o facto dos vossos serviços serem uma cagada, vá, fraquinhos, não me afetaria, porque, lá está, não sou vossa cliente.

 

Excepto nos casos em que sou, vá-se lá saber porquê, obrigada a ser vossa cliente.

 

Que é o que acontece no que me traz aqui hoje.

 

Encomendei uma cena dos EUA. Recebo a notificação de que tenho de desalfandegar. 

Sou de imediato encaminhada para o site dos CTT, que é uma coisa que eu não percebo, porque eu não quero nada com os CTT, eu quero é com a alfândega (na realidade, também não quero, mas isso fica para outra altura).

Trato das coisas no site dos CTT, que ficou a dever uma quantia milionária à usabilidade e a quem lhes trata dos textos. E, no final do processo dizem que sim senhora, que já está desalfandegado. 

 

E agora? Agora o estado é "Outros", o que me obriga a um telefonema, aliás dois, porque a primeira chamada, misteriosamente, cai.

Eu só quero saber onde posso ir levantar a minha encomenda.

Não posso, o serviço de levantamento (sim, uma pessoa ir ela própria, pelo seu pezinho, levantar uma encomenda, é considerado um serviço), o serviço de levantamento, dizia eu, foi descontinuado, e agora tenho de esperar pelo menos mais 3 dias, que me venham entregar o aviso para eu ir levantar na estação de correios mais próxima, coisa que poderei fazer no dia seguinte ao do recebimento do aviso.

E, cereja no topo do bolo, ainda vou pagar pelo serviço de DEMORAREM QUASE UMA SEMANA A ENTREGAR UMA COISA QUE EU PODIA IR BUSCAR EM MEIA HORA.

Claro que, obrigando as pessoas a serem vossas clientes, vocês tinham de declarar lucros fabuloso no vosso relatório e contas. Oh.... wait.

A equipa do serviço a cliente que atende o telefone é, na grande maioria das vezes, excelente, competente, simpática e educada. Não têm culpa nenhuma de não conseguirem fazer mais. 

Charlatões e Charlatonas

Jonasnuts, 21.05.20

ABUTRES.jpg

 

Este site foi colocado no ar no início de março. Durante algum tempo teve dificuldades em disponibilizar formas de pagamento, mas rapidamente ultrapassou essas dificuldades e aí estão, a vender uma cena que carece de qualquer evidência científica. Puro oportunismo, pura exploração dos medos e dos receios justificados das pessoas, sobretudo nesta altura do campeonato.

 

Este tipo de aproveitamento (sem link e sem url porque ....... obviamente) devia ser proibido.

Na realidade, lendo o alerta de supervisão 01/2020 da ERS, este tipo de conteúdo É proibido.

 

Nomeadamente:

"Na mensagem publicitada apenas devem ser utilizadas informações aceites pela comunidade técnica ou científica, devendo evitar-se todas as referências que possam induzir os utentes a quem a mesma é dirigida em erro acerca da utilidade e da finalidade real do ato ou serviço."

Ou:

"São proibidas as práticas de publicidade em saúde que induzam ou sejam suscetíveis de induzir em erro o utente quanto à decisão a adotar, designadamente: - Ocultem, induzam em erro ou enganem sobre características principais do ato ou serviço, designadamente através de menções de natureza técnica e científica sem suporte de evidência da mesma ou da publicitação de expressões de inovação ou de pioneirismo, sem prévia avaliação das entidades com competência no setor; - Se refiram falsamente a demonstrações ou garantias de cura ou de resultados ou sem efeitos adversos ou secundários; - Sejam suscetíveis de induzir o utente ao consumo desnecessário, nocivo ou sem diagnóstico ou avaliação prévios por profissional habilitado."

 

De modo que....... a única alternativa que me resta é o Livro de Reclamações da Entidade Reguladora da Saúde.

Exorto-vos a fazerem o mesmo em relação a qualquer conteúdo deste género que encontrem.

(Adoro exortar).

O Quaresma, o tio-avô, o post dele e a cereja no topo do bolo

Jonasnuts, 07.05.20

Artur da Silva Quaresma | Facebook.png

Parecia que ia ser o tema do dia, mas depois a TSF fez cagada e acabou por mostrar-se a real protagonista, pelas piores razões. Mas eu prefiro manter-me no Quaresma (salvo seja), do que baixar-me ao nível a que chegou aquela que foi, em tempos, a minha rádio.

Vi esta manhã na minha TL de facebook um post do Jorge Martins Rosa que partilhava um post do Miguel Judas e que, na altura, dava voz a um "facto" que estava relativamente generalizado nas redes sociais e em alguma comunicação social, de que um tio avô do Ricardo Quaresma, o Artur da Silva Quaresma, teria recusado fazer a saudação nazi, num Portugal-Espanha em 1938.

 

Tendo em conta as recentes declarações de Ricardo Quaresma, partilhei o post do Miguel, com um comentário simples; "It runs in the family".

Passou pouco tempo, e o Nuno Camarinhas comentou a dizer, isso não é bem assim; a história é real, o parentesco não.

Ora..... o que é uma pessoa faz? Vai atrás, não é?

Foi o que eu fiz logo ali. Perguntei a alguém que sei ser próximo do Ricardo Quaresma para esclarecer a coisa. Vim a saber pouco depois que o próprio Ricardo Quaresma já se tinha apercebido da comoção geral e estava a escrever um post esclarecedor (e, de caminho, homenagear o seu homónimo). 

Aparentemente fiz a pergunta no momento certo, porque o Ricardo Quaresma publica a sua nota pouco depois.

Toda de editar o meu post, atualizando os factos e colocando um link para o post do Quaresma. O passo seguinte é avisar as pessoas que tinham comentado no meu post e, de seguida, as pessoas cujo post partilhei. 

Não apaguei o meu post. O gesto de Artur da Silva Quaresma merece o destaque, independentemente do parentesco (ou ausência deles) com Ricardo Quaresma. 

Todas as pessoas fizeram o mesmo....... mantiveram o post original, corrigiram o detalhe do parentesco, e explicaram com link para o post do Quaresma.

Que eu, no meu perfil de Facebook me tenha enganado, e só depois de publicar e de ser chamada à atenção é que me lembrei de ir confirmar a cena do parentesco, é chato, mas não é grave. Sobretudo porque assim que identifiquei o erro o corrigi e tentei avisar todas as pessoas à volta.

Mas, dizia eu, não é grave que um perfil de facebook cometa este erro. É grave que muitos órgãos de comunicação social tradicionais o façam e, a cereja no topo do bolo, que o polígrafo, que se apresenta como um arauto da verdade e do fact checking, não tenha tido a capacidade de fazer o que eu fiz, validar com fontes de jeito, e tenha dado como verdadeiro o parentesco entre os dois Quaresma.

Mais...... não só não teve a competência para fazer o seu trabalho como, quando se apercebeu do erro, não foi capaz de dar a mão à palmatória e assumir a coisa, pedir desculpa e corrigir a cagada, começa por apagar o post. Depois lembrou-se de que isto era a internet e que se calhar não era boa ideia apagar a coisa, e repôs, mas não corrigiu, ainda. Ainda lá está, o post desmentido a dizer que sim senhor que é verdade algo que já foi desmentido pelo próprio Ricardo Quaresma.

O polígrafo nunca desilude.

O tio-avô de Ricardo Quaresma recusou fazer saud

E, por fim, a cereja no topo de bolo que é mesmo a cereja no topo do bolo?

TweetDeck.png

:)

 

UPDATE: Editaram agora o post (às 2 da tarde) e têm o desplante de dizer "Aproveitamos também para agradecer ao bisneto Pedro Miguel que nos alertou atempadamente para o erro.", o post do Quaresma a corrigir a coisa foi feito há mais de 4 horas. 
Lá está..... o polígrafo não desilude.

Feministas de Lisboa - Pior a emenda que o soneto

Jonasnuts, 06.04.20

Isto vai ser comprido, vou já avisando.

As feministas do título são as que compõem o coletivo "Assembleia Feminista de Lisboa", que tem uma página de Facebook e uma conta de Twitter.

Ontem no final da tarde, comecei a ver, em ambas as redes, partilhas de um cartaz.

(36) Assembleia Feminista de Lisboa on Twitter_ _#

Achei a campanha interessante, embora me faça sempre alguma confusão este tipo de comunicação, porque ao comunicarem massivamente estão a informar todos, mesmo os agressores, o que faz com que o código deixe de fazer sentido, porque passa a ser do conhecimento de todos. 

De qualquer forma, a lógica e as premissas por trás da campanha pareceram-me óbvias; tudo fechado em casa, tudo mais irritado, menos hipóteses de fuga, menos hipóteses de contacto com pessoas a quem pedir ajuda...... é um momento ainda mais difícil para quem é vítima de violência doméstica.

No geral, achei que a iniciativa era positiva e alavancava na proximidade que as farmácias (ainda) têm e no facto de estarem abertas e de ser verosímil uma ida à farmácia, sob um pretexto qualquer.

No entanto.......uma das partilhas que vi fazia perguntas..... isto é onde? Está a ser feito com a Associação Nacional de Farmácias? De quem são os logótipos no fundo do cartaz, que não se percebem bem? A Shyznogud foi a primeira a fazer estas perguntas.

Fui ver.


Vai-se a ver e a iniciativa é promovida por esta "Assembleia Feminista de Lisboa" para UMA farmácia, no Porto.

 

Quem ler o post todo que publicaram no Facebook, percebe o contexto e percebe que se trata da farmácia do hospital de S. João, no Porto. 

Mas, quem partilha, quer no Facebook quer no Twitter, partilha o cartaz, a imagem, que é o que a grande maioria das pessoas vê e lê.

No momento em que este post foi escrito, havia 147 retweets do post. Os RTs partilham, obviamente, o cartaz, ficando tudo a pensar que se trata de uma iniciativa nacional.

RTs.jpg

 

No Facebook, a mesma coisa. A esta hora vai com quase 500 shares.

Rapidamente começam a ver-se os comentários a chamar a atenção para o erro e para o problema. Quer no Twitter, quer no Facebook.

E qual é a reação das senhoras às chamadas de atenção para a dimensão do erro e para as potenciais consequências?

Remetem a iniciativa e a responsabilidade da campanha para o Centro Hospitalar Universitário de S. João, no Porto, apesar de eu não conseguir encontrar, por parte desta instituição, qualquer referência à campanha.

Em cima disso respondem torto, não percebem o erro, não compreendem a dimensão do disparate nem a irresponsabilidade e escondem os tweets que não lhes agradam, e os comentários de Facebook que lhes chamam a atenção para o erro. E banem quem lhes faz perguntas.

(20) Assembleia Feminista de Lisboa on Twitter_ _#

 


Enfim, uma ideia que tinha potencial e que podia ir muito mais longe, lixada à partida por uma Assembleia de Palermas com excesso de voluntarismo e falta de dois dedos de testa e que não percebe que com esta campanha, é pior a emenda que o soneto. Não saber aproveitar aquilo que a comunidade lhes está a dizer para melhorar a coisa é só a cereja no topo do bolo.

Palermas pá.

Fake news

Jonasnuts, 31.03.20

Não gosto do termo "Fake news" porque é enganador. Prefiro a versão portuguesa, "desinformação" porque é mais esclarecedora.

Mas o "Fake news" pegou e as pessoas acham que o seu significado é literal, e que se trata de notícias falsas. Mentiras. Erros crassos. Aldrabices. Não é disso que se trata.

 

Trata-se de veicular informação, e não é preciso que sejam notícias, que manipula a opinião pública, normalmente com alguma relação com a verdade, e com objetivos pouco óbvios. Podem ser económicos, sociais, políticos ou todos os acima referidos.

Vem isto a propósito de algo que vi partilhado no Facebook ontem, por várias pessoas (uma das quais não acho que seja imbecil).

 

Miguel Torres Marques.jpg

Ora..... esta pessoa, e mais as 44 que partilharam a coisa, só neste post, defendem que os países que usam máscaras são os que mostraram mais eficácia a limitar a propagação do vírus. À pergunta, "então e a China, que quando alguém espirra corre tudo a máscaras?" respondem que é diferente, porque "o que quer que lhes ocorra no momento".

O gráfico é produzido pelo Financial Times, e com um contexto completamente diferente, como é óbvio. 

A partilha vem com link, para um site chamado, muito apropriadamente, Masks Save Lives com um endereço maskssavelives.org (sem link que eu não contribuo diretamente para estes merdas). 

Uma investigação básica a este "site" mostra-me que não tem um "about", mostra-me que tem um endereço de mail de contacto que é um gmail e mostra-me que é um domínio criado há 3 dias.

whois.jpg

E as pessoas, mesmo com estas pistas todas a gritar "desinformação" decidem partilhar, achando que correlação é causalidade.

 

Reparem...... não estou a falar do zé das iscas.....estou a falar de pelo menos um professor universitário e de pelo menos um advogado e não tive pachorra para andar a chafurdar nos perfis daquela gente toda que partilhou a coisa, para descobrir o que fazem na vida.

 

A sério..... esta gente existe? Esta gente vota? Esta gente reproduz-se?

 

Já que pelos vistos sim, eu conheço um príncipe nigeriano que gostava de lhes apresentar.

Revelações em momentos de crise

Jonasnuts, 13.03.20

A "minha" Adriana é a senhora que vai lá a casa uma vez por semana, limpar as cenas.

 

Quando falei com a Adriana, na segunda-feira, disse-lhe, "olhe....... se tivermos de ficar em casa, fique, eu continuo a pagar-lhe". 

 

Acho que ela não me percebeu. Riu-se e disse que não era preciso.

 

Hoje telefonei-lhe e disse-lhe que tinha MESMO de ficar em casa e que eu faria as transferências, como habitualmente. Até se lhe embargou a voz. Cheira-me que outras casas onde trabalha não terão feito o mesmo.

 

Pessoas que têm prestadores recorrentes de serviços não fundamentais, considerem a possibilidade de dispensar os serviços, mantendo o pagamento (que é o que gostam que façam convosco).

 

Temos de ser uns para os outros e é em momentos de crise que nos revelamos. 

 

Não se revelem uns trastes.