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Jonasnuts

O óptimo é inimigo do bom

Esta frase, aplicada com parcimónia, pode fazer sentido.

 

No entanto, aplicada a torto e a direito é apenas uma desculpa para a falta de exigência, para a falta de rigor, para a falta de brio.

 

Prefiro a frase "Se não sabes ou não consegues fazer bem, não faças. Mais vale estares quietinha do que fazeres merda."

 

Bem sei que não tem o mesmo impacto, nem é um ditado ou uma expressão idiomática, mas a expressão "o óptimo é inimigo do bom" vai sair do meu naipe de expressões admitidas.

Atrasos de vida

Track & Trace DHL Parcel.jpg

 

Podia começar este post com um "Querida DHL", mas não começo, porque o problema não só não é novo, como é transversal à indústria.

 

Encomendo uma coisa online. 

 

Consigo saber, no site da transportadora, a que horas é que o senhor do armazém vai à casa de banho fazer xixi. 

Tecnologia de ponta.

 

Mas, o que lhes sobra em tecnologia de ponta por um lado, falta-lhes numa área bastante mais acessível; telecomunicações.

 

Os senhores têm o meu número de telemóvel. Sei que o têm porque está impresso no papelucho que me deixaram na caixa do correio.

 

Mas não usam. Não usam para agendar a entrega nem usam quando batem com o nariz na porta, momento em que eu podia dizer "toquem à vizinha do lado que pode assegurar a entrega". Bang..... problema resolvido, encomenda entregue, cliente satisfeita, tempo poupado.

 

Mas não. Deixam o papelucho e vão à vidinha deles.

 

Ligo de manhã. Sou muito bem atendida por uma senhora muito simpática, que me diz que é verdade. estiveram cá e bateram com o nariz na porta. Que regressam hoje. Óptimo, excelente. A que horas? Pergunto eu. Até às 18h00, responde a senhora.

Oiça, são 10 da manhã. Está a dizer-me que eu vou ter de ficar em casa nas próximas 8 horas porque "é assim que a empresa funciona"?

 

Sim.

 

É extraordinário que em pleno século XXI ainda haja este desperdício de recursos e esta assunção de que, num dia útil, haja gente em casa.

 

Alguém me consegue explicar a lógica deste procedimento (que não é exclusivo da DHL e que sempre me encanitou (auto-link))?

Fake news

Não, não vou cascar nos órgãos de comunicação social. Não desta vez, pelo menos.

 

Vou apontar o dedo aos que considero serem os maiores culpados pela propagação de "Fake News". E reparem, "Fake News" é só um nome bonitinho para "mentiras", "aldrabices", "manipulações" e demais menos simpáticas características que a nomenclatura "fake news" pretende dourar.

 

A culpa é do povo.

 

Nestas coisas, nada como dar exemplos. Vamos lá. Em Junho deste ano começa a circular nas redes sociais (vulgo, Facebook, que no Twitter estas coisas ou não entram ou morrem à nascença) uma foto de uns pilares que que sustêm uma ponte que liga as Amoreiras à ponte 25 de Abril. Do ponto de vista estético, aquilo parece, de facto, prestes a entregar a alma ao criador e as legendas que acompanham a foto são anúncios de cataclismos iminentes. 

 

pcg.jpg

 

A coisa toma proporções tais que alguns órgãos de comunicação social, cheirando-lhes, vão atrás, e muito bem. O problema é que vêm de lá com as mãos a abanar. É mesmo assim, os pilares estão de saúde vigorosa e recomendam-se. Não são bonitos, que não são, mas trabalham bem. É ver a notícia do Expresso.

 

Como se sabe, uma mentira tem um alcance 3 vezes superior à do seu contraditório pelo que, se formos a ver, ainda hoje a porcaria do post a anunciar a derrocada do viaduto, e da desgraça dos pilares anda por aí, a ser partilhado.

 

Então e de quem é a culpa disto tudo?

 

Pois que a culpa, com dolo, é de quem publica para querer manipular a opinião pública. Uns gajos que no Facebook se chamam "Portugal Contra a Geringonça" não deviam suscitar dúvidas a ninguém (e não é por serem estes, contra a geringonça, genericamente os anti qualquer coisa, devem ser encarados com uma razoável dose de prudência). 

 

Portanto, em primeiro lugar, a culpa é de quem publica, seja intencionalmente e com dolo seja por ignorância ou precipitação ou qualquer outra razão.

 

Em segundo lugar, a culpa é de toda a gente que clica em "partilhar" como se disso dependesse a sua vida. E da mesma forma que partilham a aldrabice, sem qualquer sentido crítico, recusam-se, porque se recusam, a partilhar o seu contraditório. E, mais, recusam-se a apagar a coisa.

 

Os culpados são aqueles que partilham sem olhar para a data, sem ler os comentários que entretanto se fizeram, parecendo que o assunto é fresquinho e viçoso.

 

Este foi publicado há 3 dias, como se não ser tivesse já falado sobre isto há 4 meses:

FGandra.jpg

 

 

Os culpados são todos aqueles que mesmo depois de avisados mantêm o post porque "é divertido" ou porque "não gosto de apagar comentários dos amigos" ou qualquer outra desculpa idiota do género. 

 

Os culpados são todos aqueles que se recusam, até, ao menos, a editar o post e a informar que se enganaram, ou que é mentira, ou a adicionar o link do contraditório. 

 

FGandra1.jpg

 

 

Não, estas pessoas não querem assumir que se enganaram, ou que se precipitaram, ou que foram enganadas e, por isso, mantêm-se cúmplices da coisa. 

 

E é assim, senhores e senhoras, que as "fake news" se propagam.

 

Porque as pessoas são estúpidas. Têm vergonha de ter sido enganadas, mas não têm vergonha de ser estúpidas.

 

Segurança Social

A minha interacção com a Segurança Social é, desde há cerca de 30 anos, unidireccional. 

 

Todos os meses eu pago e todos os meses eles recebem. 

 

Nunca houve comunicação na via contrária. Nunca recebi nada da segurança social. Nem abonos, nem subsídios, nem porra nenhuma. É sempre de cá para lá.

 

Por motivos que agora não interessam houve, pela primeira vez, a necessidade de que a comunicação fosse feita de lá para cá.

 

Posso vir a aprofundar esta questão mas, para já, o que me ocorre é:

 

A Segurança Social, de segurança tem muito pouco, e a julgar pela qualidade das senhoras do atendimento, o social também não abunda.

 

Cenas dos próximos capítulos presumo que para breve, naquilo que tem potencial para vir a ser kafkiano, que eu meti na cabeça que esta merda tem de se resolver sem que seja necessário deslocar-me seja onde for e sem que use correio tradicional. Telefone e meios digitais (site, mail, etc....). A ver se o simplex funciona aqui.

 

Uma questão de língua

O meu post de ontem (auto-link), sobre o bem-vindo, gerou batatada. Obviamente.

 

Não tanto por aqui, mas no Facebook e, sobretudo, no Twitter. 

Por estranho que pareça, a batatada deu-se mais com homens do que com mulheres.

 

Por algum motivo, eles acham que eu sou uma fundamentalista (por um lado), que não me preocupo com as coisas realmente importantes (por outro) e que, genericamente, tenho de ser mais compreensiva com as marcas. No fundo, tenho de amochar.

 

A batatada (no bom e no mau sentido) deu-se com homens de diferentes idades, de diferentes estratos sociais, de diferentes backgrounds culturais e políticos no entanto, o principal argumento de TODOS eles foi a língua portuguesa e as suas regras. 

 

De repente, todos os gajos são especialistas em língua portuguesa, as suas idiossincrasias, que palavras é que são neutras e que palavras é que não sendo linguisticamente neutras deviam ser consideradas como tal porque...... costumes e usos.

 

Foi muito surpreendente ver a atenção que todos os gajos decidiram prestar à língua portuguesa. Sobretudo porque a maioria não consegue escrever um tweet (140 caracteres) sem dar pelo menos um erro de ortografia.

 

Mas se chamo a atenção para os erros sou grammar nazi. 

 

Estou tramada, ou feminist nazi ou grammar nazi.

 

Entretanto a comunidade, solidária, foi contribuindo com sugestões para o Bankinter, das quais destaco esta:

ola.jpg

 

 

As minhas aventuras com o IRS - Take 2

Ministros __ República Portuguesa.jpg

Depois de ter escrito o meu post de há pouco (auto-link), comecei a pensar no que deveria fazer.

 

A primeira coisa foi escrever à minha repartição de finanças, perguntando onde deveria então colocar as despesas de educação cujo IVA é de 23% e aguardarei pela resposta, que deverá chegar no início da próxima semana.

Isto servia para resolver o meu problema no imediato, do ponto de vista da burocracia e da entrega definitiva dos impostos, a ver se me devolvem o mais rapidamente possível o dinheiro que retiveram indevidamente.

 

Mas não chegava. 

 

Decidi então escrever ao Sr. Ministro das Finanças, ao Sr. Ministro da Educação e ao Sr. Ministro da Cultura, com uma mensagem adaptada a cada um dos casos. Usei o portal do Governo, que tem formulários de contacto com os Senhores Ministros, e vamos ver agora quando é que me respondem, e que resposta é que me dão.

 

Aparentemente tenho andado a dormir, porque isto já deu que falar quando foi anunciado. Só agora, que me tocou directamente, é que me apercebi da coisa. 

 

A minha irmã diz para não me esquecer destas coisas, quando eu for votar (ela detesta que eu vote sistematicamente em branco). E eu concordo, não me esquecerei. Mas penso que a participação política das pessoas não se pode resumir ao voto. 

 

Claro que outras formas de participar são amplamente desincentivadas, veja-se o que deu a petição contra a lei da cópia privada (auto-link), ou o debate promovido pelo BE sobre o memorando de entendimento (auto-link). 

 

Depois destas experiências, a minha disponibilidade para este tipo de participação reduziu muito. Estou agora adepta duma participação mais personalizada e mais directa. Ah, mas a união faz a força e sozinha não vais a lado nenhum. É verdade. Mas, neste momento, não tenho alternativa. Ou é isto, ou ficar parada que, neste momento, não é uma opção.

 

O puto vai entrar num curso superior relacionado com as artes. Serão muito poucos os livros, e a faculdade é do estado. Se vão ficar exclusivamente por minha conta todos os materiais necessários para o curso do puto, vou à falência. 

 

Alguém tem mais ideias sobre como contrariar esta imbecilidade?

As minhas aventuras com o IRS

Sou trabalhadora por conta de outrém. Entreguei a minha declaração a tempo e horas. Usei a inserção manual de despesas, cujos documentos somei escrupulosamente. Não aldrabei. Faço isto todos os anos (menos a parte da entrega a tempo e horas, porque já houve anos em que me atrasei).

 

Passados uns tempos recebi a notificação de que os senhores tinham dúvidas no que diz respeito às despesas de educação do menor. Ok, bora lá esclarecer as dúvidas. Digitalizei tudo, e enviei por mail.

 

Responderam muito rapidamente (de um dia para o outro, até me assustei). Pois que teria de tirar as aulas de piano, porque não são despesas de educação. Ok. Não concordo mas admito que possa ser considerado um luxo, sobretudo nos dias que correm. No prob, tiramos as aulas de piano.

 

O problema não era apenas esse. Eu tinha declarado todas as despesas de material e os senhores disseram-me que eu apenas podia descontar as despesas com taxa reduzida de IVA. 

 

Fui ver. Pois que aparentemente, as únicas coisas que contam como despesas de educação são livros, escolas e pouco mais. Se as escolas incluírem no recibo as aulas de piano, já há aqui um double standard.

 

Ora, o meu filho escolheu Artes. Desde o 10º ano que fui apresentada à compra de material escolar em modo "espero que o senhor perceba o que é que está nesta lista, que eu não sei o que são essas coisas". Esfuminhos, sanguíneas, grafites várias, aparos, telas, blocos de papel com características esquisitas e um mundo de outras coisas que a professora foi pedindo ao longo do ano e que não sei para que servem. Na parte de 2015 em que o puto frequentou o 12º ano gastei neste tipo de materiais, cobrados com 23% de IVA, €556,55. Tenho todos os comprovativos.

 

Tudo isto era material que a professora pedia. Tudo isto era material que, se não aparecesse, levaria a uma falta de material e, pior, levaria a que o puto não pudesse executar as cenas que fazem parte do programa da disciplina à qual teria exame. 

 

Em que cabeça é que este material não é uma despesa de educação?

 

Está tudo grosso?

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