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Jonasnuts

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A caminho da carta - a condução

Jonasnuts, 27.09.20

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Esta é uma história daquelas, que ficam para contar aos netos que um dia venham a existir. Os meus, os do instrutor e os da dona da escola de condução, presumo.

Então....... a "minha" escola de condução é pequenina, não é a do monopólio, que eu optei por reforçar o comércio local. O instrutor de código é um porreiraço e calha de ser também o instrutor de condução. No dia e à hora marcados, lá estava eu, as primeiras aulas são feitas numa 125 com mudanças. Esta da foto.

Lá fomos até ao local da aula, ele na mota da escola, eu na minha. Estaciono a minha e lá vou eu aprender o básico do básico e montar pela primeira vez numa mota com mudanças, e com embraiagem, e com travão no pé direito. E lá visto a porra do colete e lá ando com a bolsa do tablet que me mede a quilometragem, salvo seja,

O conceito da embraiagem é igual ao dos carros, não é difícil, larga-se até ela começar a querer ir, faz-se uma ligeira pausa e depois liberta-se à medida que se vai dando gás do outro lado. Pacífico.

A mudanças já é diferente, aquela coisa da primeira para baixo, as outras para cima e para baixo e agora, estás em qual? Terceira? Quarta? Segunda? Enquanto uma pessoa não aprende a perceber em que mudança está apenas pelo barulho do motor, e uma vez que não há qualquer referência visual, é preciso andar a fazer contas de cabeça. Não é difícil, é só completamente novo e é uma questão de se mecanizar. É, no entanto, uma experiência muito diferente da de conduzir uma scooter com mudanças automáticas.

Travão de trás, é uma novidade absoluta e completa. Mas, dizem-me, é fundamental aprender a usá-lo para mais do que não deixar descair a mota nas subidas (ou descidas).

Então o plano era começar a familiarizar-me devagarinho, com todas estas novidades, no parque de estacionamento por trás da escola primária. Num sítio que não me é familiar (é melhor ir contextualizando). 

O instrutor deu-me umas luzes, explicou-me os factos da vida, e disse, agora vá até ali ao fundo e depois volte, e vá dando aqui umas voltas até se sentir mais confortável. E eu lá fui. E voltei, e fui e voltei, enfim, o clássico de uma primeira aula de condução.

O instrutor ia corrigindo e dando dicas, sempre que eu passava por ele. Já se lembrou do travão de trás? Não. Já meteu uma terceira? Sim, e uma quarta também, mas depois baralhei-me nas contas e já não sabia em que mudança estava. Já deixou a moto ir abaixo? Ainda não (isso foi depois). Enfim, quase 10 minutos disto.

E é neste momento que o instrutor comete um erro capital; Olhe...... se já se sente mais à vontade, pode chegar lá a cima e em vez de fazer inversão de marcha, sai, vai por ali, e depois vira, e vem por fora e vem ter aqui a este lado. Muito bem..... eu já me sentia mais à vontade, o parque de estacionamento não tinha assim muita amplitude de recursos, pelo que aqui vai disto, bora dar a volta por fora.

Aquilo era uma subida, e eu tive de parar à saída do parque de estacionamento, e arrancar é o mais difícil, sobretudo se tivermos de fazer ponto de embraiagem, tanto que foi nessa altura que a deixei ir abaixo pela primeira vez. Sem stress, volta a ligar, mete a primeira, solta devagarinho, não vem ninguém, larga o travão, solta mais um bocadinho, cheirinho de acelerador, aqui está ela, pausa, larga tudo suavemente e já está na altura de meter a segunda, e isto não está aqui ninguém mete-se também já uma terceira, reduz que está aqui a rotunda, podes avançar, não te esqueças do pisca, sai na primeira, podes meter já a terceira, então........ mas onde é que eu estou? 

Pois que de repente me vi no meio de Algés de Cima ou Linda-a-velha, não sei, o meu sentido de orientação fugiu para parte incerta, isso, mais umas vias de sentido único, fizeram com que eu me perdesse, num sítio que não me era familiar (mas neste momento já é, até demais).

Ao princípio não me preocupei, aliás, até achei piada. Quão difícil iria ser, descobrir o caminho de volta para o parque de estacionamento da escola primária? A resposta, porém, revelou-se bem mais complexa do que o que eu imaginava.

Já vai longa a história e, encurtando a coisa, passei toda a santa aula à procura do sítio certo, sem dar com ele, quando perguntei, mandaram-me para outra escola (acho que há muitas, por ali), e só quando finalmente consigo falar ao telefone com o instrutor "então, mas onde é que a Maria João está?", é que ele me deu a porra da morada e eu fui de waze.

O senhor estava aflito, claro, que já estava atrasado para a aula seguinte, e estava preocupado comigo (e não é suposto uma pessoa que está a aprender andar assim de rédea solta), e "em 30 anos de instrutor é a primeira vez que me acontece uma coisa destas". E eu aflita porque estava a atrapalhar-lhe a vida e porque não foi uma situação simpática.

 

As vantagens, porém, foram algumas. Já domino Algés de Cima e Linda-a-Velha, já distingo as escolas todas umas das outras, e a cena das mudanças, já está oleada, que aquilo está cheio de bandas sonoras e por isso fartei-me de andar para cima e para baixo nas mudanças. Travão da roda de trás, ainda não, mas lá chegaremos, que isto resolve-se alugando uma 125 com mudanças e passando uma tarde a mecanizar estes processos todos.

 

Assim, para a próxima, posso concentra-me a olhar para a porra do caminho.

Ir de moto

Jonasnuts, 14.11.17

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Estou quase a fazer 6 meses de moto, a conduzir uma média de 1000km/mês, distribuídos pelos dias úteis (é raro andar ao fim-de-semana).

 

Estou a adorar e estou farta de aprender coisas.

 

Por exemplo...... as mulheres são mais espaçosas. As mulheres e os velhos. 

Isto é, numa bicha de carros parados, se há um carro a impedir a passagem da moto, quem vai ao volante em 95% dos casos é uma mulher, ou um velho.

 

Além de mais espaçosas, são cegas e surdas.

Uma pessoa pode estar ali mesmo ao lado, que as senhoras (e os velhos) nem dão por nós, não se afastam, não facilitam, não dão passagem, não porra nenhuma, porque as motos não existem.

 

Se por acaso é um gajo que está a impedir a passagem, quando se apercebe tenta facilitar. Ou é velho, e então não.

 

Os gajos também não são flores que se cheirem, descansem. Os gajos são os que ultrapassam em curvas. 

Os gajos são também os que gostam de tentar aproveitar o cone de aspiração da minha 125.

É uma coisa que me irrita, quando estou ao volante do meu carro, que andem colados à minha traseira. Com o carro é fácil de resolver, cheirinho de travão e está feito. Com moto, o cheirinho de travão fica mais difícil, porque o pára-choques sou eu. Ainda estou a tentar perceber como é que se resolve.

 

Gosto de andar atrás de motos mais potentes, dou-lhes sempre passagem, porque com a barulheira que fazem, são os Moisés do trânsito...... dão umas aceleradelas e é ver os carros a afastar-se, qual Mar Vermelho de sucata. Eu, com a minha 125 não consigo fazer barulho. Tem de haver uma buzina constituída por uma coluna à frente da moto que, quando accionada, solta o rugido duma 1100. Se não há, start-up aí vou eu.

 

O botão da buzina também está num sítio merdoso, pelo menos para uma principiante. Eu buzino. De carro. De mota faço piscas. Tenho de arranjar uma solução, mas só quando a buzina for de jeito, que para o piiiiii pífio que faz, mais vale estar quieta.

 

Conduzir uma moto devia ser uma prova obrigatória para se ter carta de condução de carro. Para os senhores dos carros perceberem.

 

Se soubesse o que sei hoje, não tinha comprado um capacete compacto. Tinha comprado um daqueles em que o maxilar inferior sobe. 

 

Ainda estou a tentar perceber como é que se demora menos de meia hora para colocar os óculos, depois do capacete posto (eu tenho cabelo comprido, e entre o cabelo comprido e a pressão que o capacete faz, a porra da haste fica sempre do lado de fora das orelhas).

 

Também ainda estou para perceber como é que faço para que os óculos (e a viseira) não embaciem, porque o método de deixar uma nesga aberta está a tornar-se complicado à medida que a temperatura baixa. Lá chegarei.

 

Agora com licença que vou à procura de calças de inverno, que já tenho blusão de inverno, mas da cintura para baixo ainda ando cheia de frio :)

 

 

Resposta ao Bitaites

Jonasnuts, 09.10.09

Isto era um comentário a este post que, quando dei por ele, já era quase maior que o post, pelo que deixou de ser comentário, e passei-o para aqui:

 

Epá.....mas as mulheres não conduzem pior, de facto, quem conduz muito pior são as galinhas anémonas. Qualquer pessoa que conduza regularmente sabe disso.

O problema Marco é que estás a confundir as mulheres com as galinhas anémonas. As mulheres conduzem bem, não precisam de companhia para ir à casa de banho, não passam, sistematicamente, horas nas compras (sem comprar nada), não são viciadas em revistas cor de rosa, nem suspiram por encontrar um gajo que as sustente para que possam deixar o emprego. Essas são as galinhas anémonas. As mulheres têm namorados, maridos ou gajos, as galinhas anémonas têm esposos. Percebes a diferença?

Tenho a certeza de que, se pensares bem em alguns gajos, também não te identificas com eles. Nós somos é mais honestas, e assumimos que, dentro do género, há muitas nuances. O facto de eu partilhar (salvo seja) uma vagina com um enorme grupo de pessoas (e isto remete também para um dos teus posts anteriores), não é significativo.

 

Tenho a certeza de que não te identificas com vários tipos de homens, uma vez que a única coisa que têm em comum é a pila (cada um com a sua, espera-se). Não acredito que haja cumplicidade pelo simples facto de todos terem um pirilau (palavra da preferência da minha mãe).

 

Então, um gajo vota PNR, é racista, xenófobo, dá porrada na mulher, não gosta de ler, conduz como um javardo e fala de forma consistente com a condução, é chico esperto e fura as bichas (salvo seja) só ouve martelos, de preferência aos berros, tem o carro todo shunado mas......porque tem um penduricalho parecido com o teu (mais coisa menos coisa são todos parecidos, não é?) há uma cumplicidade? Bonding?

 

Não me lixes.

 

Nós, mulheres (e sim, estou a incluir-me neste grupo de forma muito despudorada) somos mais inteligentes. Sabemos que não é uma anatomia em comum que determina, por omissão,  as cumplicidades. Na realidade, é o cérebro que determina a existência, ou não, desse bonding. E claro, as galinhas anémonas não têm cérebro, o que dificulta a tarefa.

 

O cérebro, e ser-se do Benfica, claro.


E poupem-me as piadinhas do cérebro versus ser-se do Benfica, que é demasiado óbvio, e eu gosto de humor inteligente.

Estou a criar um monstro machista

Jonasnuts, 17.04.09

Todos os dias de manhã faço uma viagem de casa para escola do puto, para o deixar lá e seguir direitinha à minha vida. Ao fim do dia faço quase o percurso inverso. Não é uma distância muito longa, mas em função das horas, são viagens para demorar meia-hora, cada uma.

 

São momentos em que aproveitamos para conversar, para ficar calados, ouvir rádio, e avaliar o trânsito. O facto de viajarmos num Smart contribui para que a comunicação seja mais fácil. Ele está mesmo ali ao lado.

 

Gosto muito de conduzir, e acho que conduzo bem (há alguém que ache que conduz mal?), mas também acho que ao volante vamos (vou?) buscar o que de mais básico há em nós. A minha personalidade que durante o resto do tempo anda mais ou menos controlada, ao volante, deixa de ter controlo. Sou uma pessoa naturalmente agressiva e competitiva, e detesto chico-espertos, burros e lentos. E estas são características complicadas de gerir, quando se está ao volante.

 

Não chamo nomes aos outros condutores, nem praguejo quando ele está no carro (já quando vou sozinha, pareço uma carroceira, a falar com os botões). E apesar de me controlar bastante, principalmente ao nível da linguagem e da velocidade, quando ele vai comigo, há coisas que me saem pela boca fora, e que já não apanho a tempo.

 

Palhaço, caramelo, imbecil, ass hole são coisas que me oiço a dizer. E juízos de valor e de género. Estava-se mesmo a ver que tinha de ser uma mulher ou, eu sabia que tinha ser um gajo com mais de 250 anos, são coisas corriqueiras e que digo com frequência.

 

Hoje, uma "condutora" parada atrás de mim à porta da escolinha desligou o carro e esqueceu-se do travão de mão. Não faria diferença se a rua não fosse inclinada, como é. Estava eu descansadinha com o puto a tirar as coisas do meu porta-bagagens quando vejo o jipalhaço (what else?) a aproximar-se... Empurro o puto para o lado, dou uma murraça no capot do jipe, e a coisa lá parou. Muitas desculpas, muito atrapalhada, saiu do carro para ver se estava tudo bem, enfim, o expectável. Terminada a sessão, e já cada uma para seu lado, oiço o puto:

 

- Tinha de ser uma mulher!

As minhas desculpas, antecipadas, a todas as namoradas que o meu filho vai ter, mas olhem, aprendam a conduzir.

Mistérios da condução

Jonasnuts, 19.02.09

Há vários mistérios relacionados com a condução, mas hoje debruço-me sobre o paradigma quanto mais caro é o carro menor é a probabilidade de ter um kit mãos livres.

 

Nunca repararam? Comecem a prestar atenção e verão que é verdade.

 

Senhores donos dos carros caros, se o vosso problema são os furinhos no tablier, informo-vos que há uns auriculares mãos livres que se ligam via bluetooth ao vosso telemóvel (que provavelmente é daqueles carotes e cheios de geringonças que vocês não sabem para que é que servem), e não precisam de furar o precioso carro para instalarem um daqueles calhamaços onde encaixa o telefone. É um gadget altamente tecnológico, e quem o usa fica com um ar bestialmente moderno, o que significa que mesmo sendo mais entradote, fica imediatamente com um manto de juventude e vanguardismo mais a condizer com o bólide. Há vários modelos, uns mais cromados outros menos cromados, podem comprar aquele que vai melhor com a cor do carro, ou com a cor da gravata.

 

Mais especificamente para as senhoras, a mesma informação, mas de forma mais adaptada ao target. Sabem meninas, colocar a chamada em alta voz, mas pegar no telefone e aproximá-lo da boca para poderem falar, continua a dar multa. Portanto, estarem de telefone na mão junto à boca ou junto à orelhinha vai dar ao mesmo. Não é preciso, há um brinco bestial que eles inventaram agora, onde se ouve a voz de quem está ao telefone convosco, e que faz com que oiçam o que vocês dizem. É magia, não é importante que percebam como é que funciona, o que é importante é que vos permite terem as mãos livres para poderem segurar o volante (que provavelmente está a 2cm dos vossos ombros). Há em várias cores, uns acendem um luzinha azul, outros uma luzinha vermelha, podem ter vários para combinar com as cores das farpelas que trazem vestidas ou com a cor da unha de gel.

 

Quem é amiguinha, quem é?

Trânsito, condução e formação

Jonasnuts, 15.02.08
Por dá cá aquela palha, ouve-se dizer que o que faz falta é mais formação. Seja de professores, seja de médicos, enfermeiros, alunos, técnicos e demais trabalhadores. Ah, pois, isso não está bem, eles precisam de mais formação.

Por estranho que pareça, no que à condução diz respeito, nunca ouvi tal coisa.

Ah, Portugal continua a subir olimpicamente na lista de países com mais acidentes. Ah, a culpa é da velocidade, baixem-se os limites, imponha-se a tolerância zero, encurte-se a trela.

Mas nunca ouvi ninguém falar de melhorar a formação.

Também não conheço ninguém que tenha aprendido a conduzir nas míseras aulas práticas de instrução. Isto é, alguns chegam lá e já sabem como é que funciona a mecânica da coisa. Para que servem e como funcionam os pedais, manetes, volante e demais intumescências. Outros há, como eu, que aprenderam isso na instrução.

Mas isso não é aprender a conduzir, isso é aprender a controlar o carro, normalmente em ambiente altamente controlado, a velocidades perigosamente baixas. Isso não é conduzir.

Eu aprendi a manobrar o carro na instrução, mas aprendi a conduzir cá fora, já com carta na mão. No dia-a-dia do trânsito. Errando, e aprendendo com os erros, os meus e os dos outros. E até tive um instrutor catita, que me levou para a 2ª circular com 6 aulas no bucho, tirou o volante do lado dele (os mais antigos percebem isto), e disse, então vá lá, já que tem a mania das velocidades, ande lá a 100 à hora, para ver se tira isso da ideia. Mas estas ideias mais progressistas, não me ensinaram a conduzir.

Todos os dias encontro avantesmas no trânsito. Não tenho números, mas assim de repente, parece-me estar cada vez pior.

Não se devia investir em formação? Não se devia ensinar as pessoas a conduzir?

E já agora, haver escolas especiais, para pessoas com necessidades especiais. Fazia-se um teste à cabeça, que definiria para que escola é que as pessoas deveriam ir. A maior parte das mulheres iam todas para as escolas almofadadas, e demorariam, pelo menos, 3 anos a tirar a carta. Cambada de lesmas, mariquinhas, enconadas, caraças.

E não me venham com tretas de estatísticas "ah, pois, mas as mulheres têm menos acidentes que os homens". O caraças. A estatística que interessa, não é saber quantos acidentes têm os carros conduzidos por mulheres, mas saber quantos acidentes PROVOCAM os carros conduzidos por mulheres.

Para os mais desatentos, e antes de se porem para aí a bradar aos céus pelos motivos errados. Olhem para o cabeçalho do Blog. A foto que lá está, sou eu. Eu sou mulher, e conduzo bem, que as há a conduzir bem. São é uma minoria.

A polícia de trânsito é nossa amiga

Jonasnuts, 05.11.07
Detecto um padrão recorrente, neste Blog. Deve haver alturas do ano em que as questões do trânsito me afectam mais, e isso reflecte-se na quantidade de posts sobre esse tema.

Aqui há uns tempos falei aqui do granel matinal à porta do Colégio do Bom Sucesso. Eu resumo. Duas faixas, uma em cada sentido. Um Colégio. Semáforos. Paizinhos e mãezinhas que estacionam os seus bólides em plena via, impedindo a passagem dos restantes carros, de forma a que os seus pimpolhos possam fazer o menor percurso possível entre o carro e a entrada da escola. Se a coisa correr bem, ainda trocam umas palavras amigas com outros pais que ali estejam à mesma hora. Os outros que querem passar, que aguentem, que eu sou mais importante que o resto do mundo, e é essa a mensagem que quero passar aos meus filhinhos.

Esta manhã, quando viro para a rua do referido colégio, já vou a insultar mentalmente estes paizinhos mentecaptos, quando vejo ao longe, nos semáforos, dois agentes da polícia. Suspende-se de imediato o insulto, e começa-se logo a trabalhar no elogio, quer às forças de segurança quer ao Colégio que deve ter tido a iniciativa de promover a estadia dos senhores agentes, a fim de melhorar o tráfego e impedir que paizinhos idiotas, que são uma minoria, façam horrores pela reputação quer da escola quer do resto da comunidade.

Sim, senhor. É assim mesmo.

Rapidamente porém inverto a marcha ao pensamento. Os senhores agentes estão ali por outras razões. Os senhores agentes estão ali para legalizar os actos acima descritos. Mandam parar os carros, para que as mãezinhas possam atravessar. Caramba, temos 2 agentes a fazer a vez de semáforos. Isto é que é eficiência. E de forma ainda mais eficaz. Basta alguém aproximar-se, que pára logo o trânsito, para dar passagem às senhoras. Está vermelho para os peões, mas que se lixe.  São uma espécie de detectores de movimento, mas mais rápidos.,

E não paramos aqui, embora paremos ali, mesmo com sinal verde, fui obrigada a obedecer à ordem de um dos agentes, e parar o meu carro para que uma mãezinha pudesse deixar o seu pimpolho e, não satisfeita com isso, ainda fez uma gloriosa inversão de marcha, sempre com a ajuda e as indicações prestáveis dos senhores agentes.

Quando temos a ajuda da polícia para cometer infracções, a vida fica mais fácil.

Back to basis, vamos regressar aos insultos (mentais), mas agora temos mais destinatários na lista, as mãezinhas, os paizinhos, a escola e a polícia.

Arrumadores de Lisboa

Jonasnuts, 13.09.07
Há muito tempo que não há aqui um post relacionado com condução, nem com mau-feitio.

Este é um dois em um.

Qualquer pessoa que conduza em Lisboa já passou pela experiência de ter uns "arrumadores" a chamar a atenção para lugares óbvios, daqueles que ninguém deixa escapar, a fazer grandes sinalefas, somo se houvesse qualquer possibilidade do lugar escapar à vista. Gosto particularmente quando os senhores esbracejam no meio de um parque de estacionamento, onde é óbvio que há lugares (na maior parte dos casos, pelo menos) e onde nos é cobrado (muitíssimo, por sinal), por esse lugar. Nunca lhes dou dinheiro.

Só quando existe de facto uma mais valia é que dou uns trocos ao "arrumador". Se o lugar era invisível, ou se vai alguém a sair e eu não dei por isso.

Mas, o que me faz mais confusão, são aqueles caramelos que se põem a gritar "troça tudo, troça tudo, agora destroça para o outro lado". Quer dizer, eu nem na instrução precisava de ajuda para estacionar o carro, e conduzia um Mercedes 240D (grande direcção assistida), agora, que tenho um Smart, as instruções são obviamente desnecessárias.

Hoje apanhei um desses gritadores, esbracejadores. No lugar onde estacionei, cabiam 3 Smarts e o senhor insistia em berrar, como se não houvesse amanhã, como se eu estivesse prestes a atirar o carro de um precipício abaixo.

Não resisti. Abri a janela. Esperei que se aproximasse. Dei-lhe as boas tardes e perguntei:
- O senhor tem carta de condução?
- Não, não tenho.
- Eu tenho, muito obrigada.

E não, não lhe dei a moedinha. E sim, ele parou de esbracejar e de berrar.

Túnel do Marquês e a taxa de sinistralidade

Jonasnuts, 05.09.07
Não percebo como é tão baixa a taxa de sinistralidade no Túnel do Marquês.

Só há nota de meia dúzia de acidentes, desde que abriu.

Isso espanta-me, porque o túnel tem, de facto um problema grave de visibilidade.
Não por ser escuro, é porque qualquer condutor consciente e cumpridor não pode tirar os olhos do velocímetro, a fim de não exceder os 50Km/h, para não ser multado.

Ora, como qualquer carro, por mais chaço que seja, não consegue não ultrapassar os ridículos limites impostos, repito, espanta-me, que não haja mais acidentes.

O segundo maior clube do mundo

Jonasnuts, 25.07.07
Não há dúvidas quanto ao maior clube do mundo, é o Glorioso, evidentemente.

Mas as questões levantam-se à volta desse obscuro segundo lugar. Há quem diga que é o ACP, há quem diga que é o Círculo de Leitores.

Pretende este post desmistificar esses mitos urbanos.

O segundo maior clube do mundo é o Cat - Clube dos Amigos do Travão.

Encontro membros deste clube com frequência diária.
São muito homogéneos os sacanas, homens, mulheres, novos, velhos, aceitam tudo, não há limitações, não é invite only.

E como é que identificamos os membros deste clube? Simples. São aqueles caburros que tendo a via/estrada/caminho completamente livre à sua frente, insistem em dar carinhosos toques de travão. Já pensei em aprender código Morse, só para ver se eles usam essa linguagem, mas nunca tive tempo.

Atenção, são particularmente activos em auto-estradas.

Para os interessados em juntar-se a este clube, é bom saberem que, por mais €2.99 por ano e pertencem igualmente ao Clube "Da faixa da esquerda ninguém me tira" e ao Clube "120Km/h já é a velocidade máxima, por isso aguenta com os cavalos aí atrás e já gozas".

Eu continuo a tentar formar o Clube do Paintball, mas ainda não recebi quaisquer inscrições.