Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]





subscrever feeds


Arquivo



Os novos abutres

por jonasnuts, em 28.02.10

Os novos abutres somos nós.

 

Somos todos os que se colam à televisão para ver um tsunami em directo, enquanto têm no colo o computador para ver as imagens do Chile, e pelo caminho vai-se dando uma espreitadela pela timeline do Twitter para ver como se está a aguentar a Madeira, mas mantemos as os estores recolhidos, para ver se o vendaval afinal chega ou não chega.

 

Mas, acima de tudo, os novos abutres, os mais modernos, os especialistas, são os jornalistas que não conseguem esconder uma nota de desilusão na voz, porque, afinal, o Tsunami pariu um rato.

 

A CNN começou com o Chile, mas aos primeiros avisos de tornado virou as baterias para a linha do horizonte no Hawai, e durante horas, o que se viu foi isso mesmo, a linha do horizonte, enquanto havia relatos, ao centímetro, das águas que recolhiam. Quando se aperceberam que afinal não iam conseguir transmitir em directo o desastre, a destruição, a miséria que esperavam (e que tinham empolado ao máximo), mudaram o discurso para um "felizmente" e regressaram ao Chile.

 

E nós, a papar aquilo tudo.

 

Às vezes, gostava de ser ignorante, e de viver numa terrinha perdida, sem computadores, sem televisão, sem rádio, sem porra nenhuma a não ser os meus.

 

Era, de certeza absoluta, mais feliz.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Esta história das veemência de opinião dos que dizem defender a família tem-me feito alguma confusão. Eu percebo que haja formas diferentes de pensar e de sentir as coisas, mas não compreendia a veemência e até o desespero com que muitas pessoas defendiam a exclusividade de direitos a uma certa casta, a deles, claro.

 

A resposta não me bateu de repente, foi uma coisa que foi crescendo, e que se passou comigo há uns anos. Eu explico.

 

Grávida de muitos meses mudei-me para a província. Fica a 40Km de Lisboa, mas é Portugal profundo na mesma. Ora, aquela malta, estava fartinha de conhecer mães solteiras (que era o meu caso). Não lhes fazia confusão nenhuma que eu estivesse grávida, sendo solteira, o que lhes fazia muita confusão, era eu não ser coitadinha. Mãe solteira sim, mãe solteira por opção já não percebiam. A minha opção tirava-lhes a oportunidade de poderem ter pena de mim, na sua superioridade moral. Não era a gravidez que lhes colidia com o sistema, era a opção.

 

Nesta história das "famílias a sério", eu acho que é isso que se passa. Foi retirada a esta gente a possibilidade de se sentirem superiormente morais, porque os outros, que antigamente eram coitadinhos, agora já não são e, heresia, até querem os mesmos direitos e deveres. Então, se querem os mesmos direitos e deveres, nós já não podemos ser superiores. Vai-se-nos o último reduto de superioridade, o moral (que o financeiro e o social já foram há muito tempo).

 

E é isto que lhes estamos a tirar, ao não sermos coitadinhos, ao não pedirmos desculpa por sermos mães solteiras, pais solteiros, com orientação sexual a, b ou c, estamos a tirar-lhes a possibilidade de se sentirem superiores, moralmente superiores. É o último bastião.

 

Daí a veemência. Coitaditos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Qual Bimby, qual caraças

por jonasnuts, em 18.02.10

Descobri via Twitter de alguém, há uns dias, as minhas desculpas por já não me lembrar de quem foi.

 

Gosto muito da minha Bimby, mas trocava-a por isto, de caras.

 

 

Ver a notícia completa, aqui.

Autoria e outros dados (tags, etc)

The moon, come to earth

por jonasnuts, em 18.02.10

Há mais ou menos um ano escrevi aqui sobre as fabulosas crónicas que um professor americano, Philip Graham escrevia sobre Portugal, os portugueses, as nossas idiossincrasias, manias e maneirismos.

 

Na altura disse-o, as crónicas souberam-me a pouco e já não sei porquê, fui ver se por acaso, neste entretanto, não lhe teria passado pela cabeça escrever mais qualquer coisinha sobre a sua estadia em Lisboa.

 

Passou. Não escreveu mais crónicas, mas escreveu um livro sobre a coisa.

 

 

 

As crónicas foram todas muito boas. Tanto, que faz todo o sentido, para mim, comprar o livro.

 

Recomendo-vos o mesmo.

 

 

E de caminho podem ler o Blog do Philip Graham.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Contradições maternais

por jonasnuts, em 13.02.10

Hoje, depois de uma manhã na ronha, saímos para ir comprar ingredientes biológicos para fazer brownies (pedido específico da criança).

 

E expliquei-lhe tudo (pelo menos o que sei), sobre as vantagens da alimentação mais biológica, e sem insecticidas, e sem aditivos, e cultivado, e sem frutas de estufa, e sem frutas que não são da época e que por isso não têm de viajar nos aviões que poluem, e tudo e tudo e tudo. Lá comprámos o que tínhamos de comprar, depois de andarmos a olhar para as prateleiras e para os rótulos esquisitos, que não são os habituais e que temos mesmo de ler porque não os conhecemos e não queremos correr o risco de trazer coisas que não queremos.

 

Foi tanto o parlapié que ficou tarde para o almoço.

 

Fomos almoçar ao McDonalds.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Jobs disse (em Portugal não diria)

por jonasnuts, em 08.02.10

Diz a Isabel Coutinho que uma das frases que Steve Jobs repetiu durante a keynote sobre o iPad foi:

 

"Vê-lo não é a mesma coisa que ter um na mão".

 

E é por estas (e por outras) que eu adoro a língua portuguesa. Em Portugal, Jobs não teria disto esta frase. E é pena. Mas é verdade.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A verdadeira questão

por jonasnuts, em 08.02.10

Mais importante do que ver o anúncio do Google no intervalo da super bowl (ando tudo com a dita ao pulos por causa do anúncio), a verdadeira pergunta é, porque é que raio o Google decidiu anunciar na televisão?

 

Porque é que nunca tinha anunciado e, agora, anuncia?

 

Essa, meus senhores, é a questão.

 

É que não há fumo sem fogo, nem o Google dá ponto sem nó.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Inocência

por jonasnuts, em 08.02.10

Perdi a inocência muito tarde. Imagine-se que, quando soube que na universidade se copiava, fiquei chocadíssima. Tinha 16 anos. Percebem? Era muito inocente.

 

Perdi a inocência muito tarde. Mas quando a perdi, não ficou réstia de nada. Sabem aquelas coisas do amor que se transforma em ódio? É mais ou menos a mesma coisa. Passei de inocente idealista bimba para o extremo oposto. Sou cínica, e duvido sempre da natureza humana. É tudo culpado até prova em contrário.

 

Isto tudo para dizer que não ando impressionada com as notícias, e com as manipulações, e com a liberdade de expressão, e com os clamores de viva a liberdade e marchinhas daqui e marchadelas de acolá. Não acredito em políticos (independentemente da sua cor), não acredito nos órgãos de comunicação social, e não acredito na justiça. Todos têm agenda própria e todos se estão cagando para o povinho.

 

São muito raros os casos em que as pessoas enveredam por um serviço público para servir o  público. Enveredam por onde acham que lhes dá jeito, pessoal, enveredarem. Não querem servir o público ou o povo, querem servir-se a eles próprios em primeiro lugar, os interesses do público ou do povo são muitíssimo secundários. Trabalham para a sua própria agenda ou para a agenda do pastor que os apascenta. Se a coisa correr de feição, andam caladinhos, se a coisa não correr de feição, berram.

 

Portanto, senhores que andam aí a gritar e a berrar, que nem virgens ofendidas, com o estado da nação, calem-se. Vocês não estão a refilar com o estado da nação, estão a refilar por não serem vocês ou os da vossa cor, a estar no poleiro.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

A importância da língua

por jonasnuts, em 05.02.10

A língua a que me refiro, é aquela que falamos portanto, os que vieram aqui à procura doutras línguas e da sua indubitável importância, desenganem-se desde já. Hoje, falo doutras línguas, mais exactamente da nossa, a que partilhamos com mais uma catrefada de gente, e muito bem.

 

Tenho andado à procura de informação sobre um determinado tema. Uma questão que tem a ver com medicina. Uma terapia. Recomendaram-me que aprofundasse o meu conhecimento sobre esta cena, e eu sou muito bem mandada.

 

Encontro tudo o que quero. Muita, muita informação. Mas tudo em português do Brasil. Não me entendam mal, o português do Brasil é tão bom como o português de Portugal, não tenho cá dessas frescuras de achar que o "nosso" é melhor que o "deles". Mas é diferente. Para mim, o português do Brasil tem aquele ritmo meio cantado, um certo meneio, um ritmo nas ancas que vibra na voz do Chico, ou na letra do Jorge Amado. Adoro.

 

Mas, confesso que o ritmo não é o mesmo quando se trata de informação técnica. Estou a ler, imaginemos, a descrição duma terapia, em português do Brasil, e aquela terapia começa a soar-me meio tropical (o que, de certa forma, anima logo), é saborosa. Por outro lado, carece de veracidade. Vão-me desculpar. Racionalmente sei que não é assim. Mas enquanto leio as coisas lá do cognitivo e do raio que os parta, em português do Brasil, parte do meu cérebro, não consegue levar aquilo a sério.

 

O que é pena, porque há muito mais conteúdos de jeito em português do Brasil do que em português de Portugal. Pelo menos sobre este tema.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Silêncios

por jonasnuts, em 05.02.10

Ontem almocei no Pabe.

 

Não é local que frequente com assiduidade mas, se a minha memória não me falha, apesar dum ambiente habitualmente discreto, não era um restaurante silencioso. Ok, não era a Portugália da Almirante de Reis, mas também não era um daqueles restaurantes onde se ouve um alfinete a cair.

 

Não sei muito bem porquê, mas ontem, ao almoço, dei por um som ambiente higienicamente sussurrado.

 

Liberdade de imprensa, liberdade de expressão, censura e coiso e tal, mas deixa-me cá baixar o volume da conversa, não vá acontecer comigo o que aconteceu ao outro.

 

Foi esclarecedor, principalmente tendo em conta a profissão da freguesia mais habitual.

 

Mas isto sou eu, que sou cínica :)

Autoria e outros dados (tags, etc)


Pág. 1/2





subscrever feeds


Arquivo