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Pipoca oncológica

por jonasnuts, em 27.02.13

Acho que nunca falei da Pipoca aqui neste Blog. Alguma vez havia de ser a primeira. Embora o post não seja exactamente sobre a Pipoca.

 

Então a Pipoca faz um post a cascar na farpela que alguém decidiu levar à cerimónia dos Oscars. Até aqui, tudo bem, nada de anormal.

 

De repente, descobre-se que a criticada é uma miúda de 16 anos, a Ana Sofia, que é doente oncológica - odeio eufemismos - que está prestes a vencer uma batalha contra o cancro - assim está melhor - e que foi à cerimónia por ter sido esse o desejo que formulou junto da Make-A-Wish, uma organização (abençoados) que tenta realizar os desejos de miudagem que está a meio de batalhas difíceis.

 

E pronto, está montada a novela. Cai o Carmo e a Trindade, porque a Pipoca criticou, naquilo que me parece ser o seu estilo habitual - uma miúda que sofre de - vamos a mais um eufemismo - doença incurável - continuo a não gostar - uma miúda que tem um cancro. Reparem, o problema não é ser uma miúda, o problema é ser uma miúda com cancro. A Pipoca remove o post, desculpa-se, acho. Mas o Carmo e a Trindade continuam a cair.

 

Está mal.

 

Ter um cancro é uma merda. Lutar contra um cancro é uma batalha dura, que funciona em permanência. Alguém que está a lutar contra um cancro, não é um coitadinho, e não deve ser tratado como tal. Alguém que está a lutar contra um cancro é um guerreiro ou uma guerreira, e é dessa forma que tem de ser tratado e encarado. "Ah... veste-se horrorosamente, mas como tem um cancro não se pode dizer". É isto que a maioria das pessoas está a dizer. E é burro. Ter um cancro não vem com benefícios especiais, pelo contrário, não transformas as pessoas más em pessoas boas, nem as pessoas feias em pessoas bonitas, nem as pessoas que se vestem mal em pessoas que se vestem bem. Uma pessoa com cancro deve estar para além da crítica? Devemos dourar a pílula? Para mim, não. Por todos os motivos, mas sobretudo porque seria difícil: "olhe que essa saia é - a senhora é doente oncológica? Não? - então a saia é horrível". Que palermice.

 

Eu não sou fashion, nem percebo nada de moda. Sei do que gosto e do que não gosto. Dá-me igual o que estranhos pensem acerca do assunto, mas aqui fica a forma como eu resolveria a coisa, se eu fosse a Pipoca.

 

Mantinha o post original a cascar na farpela (já que era essa a minha opinião, além de que sou contra a remoção de posts, já terei dado provas disso no passado)

Ficava caladinha no Blog, mas contactava a Ana Sofia e falava pessoalmente com ela.

E se a Ana Sofia estivesse a fim, passávamos uma tarde de compras, com ela como manequim e eu como fashion advisor, num makeover.

Depois, e caso obtivesse autorização da Ana Sofia e dos seus encarregados de educação, escrevia sobre isso no Blog e, com sorte, até punha uma ou outra foto. Melhor... um antes e um depois.

 

Chama-se a isto damage control com benefícios mútuos.

 

Mas, lá está, eu não sou a Pipoca.

 

E, por último, a afirmação que interessa:

 

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Para o meu filho

por jonasnuts, em 21.02.13

 

Porque se eu só pudesse ensinar uma coisa ao meu filho, esta seria a minha escolha.

Ensiná-lo a pensar.

 

Daqui.

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Publicidade dos anos 70

por jonasnuts, em 10.02.13

 

O meu favorito. Adoro a outra lá atrás, de pé descalço, e as calças do caramelo, completamente à boca de sino, e uma mesa de apoio quase junto ao chão, devia dar um jeito do caraças.

Sou eu, a do cão.

 

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Anúncios dos anos 70

por jonasnuts, em 10.02.13

 

Este escorrega ficava no Parque Infantil do Monsanto, mesmo ao pé do avião.

A foto foi para um anúncio de imprensa ao Tulicreme.

 

Lembro-me bem da trabalheira que deu, pintarem-me sardas na cara.

Nada de grandes maquilhagens, foram mesmo feitas com uma caneta de feltro.

 

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Publicidade dos anos 70

por jonasnuts, em 10.02.13

ola.jpg

 

Esta chegou à capa da Crónica Feminina (auto-link) (também consegui recuperar um original desta edição da iconográfica revista).

Eu sou a da esquerda.

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Anúncios dos anos 70

por jonasnuts, em 10.02.13

 

Sendo que o "puto indefeso e com dores de dentes" da foto, por acaso sou eu.

 

Um dos tesourinhos recuperados há pouco tempo, depois de mais de 30 anos MIA. Há mais de onde este saiu.

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Aprender com os erros #pl118

por jonasnuts, em 07.02.13

Aprender com os erros é sinal de inteligência. E não, este não é um post sobre o World Failurists Congress  embora pudesse ser.

 

Há um ano, quando o PS apresentou na assembleia da república o PL 118, chamuscou-se. Chamuscaram-se também outros stakeholders que se chegaram à frente e publicaram nos seus sites e na comunicação social os seus argumentos. A coisa não lhes correu bem, nem a uns nem a outros. O governo e o PSD, passaram entre os pingos da chuva, foram discretos, mas não estavam desatentos. Andavam em cima dos acontecimentos, houve muito trabalho de bastidores, muitas eminências pardas, muita intriga palaciana.

 

Um ano mais tarde, notam-se os resultados dessa atenção. Podiam ter aprendido mais, sobretudo no que diz respeito à necessidade de adaptação da lei às novas realidades, aos novos paradigmas, à evolução do mercado e das mentalidades. Mas não, aprenderam o que não deviam ter aprendido.

 

Ao contrário do que aconteceu há um ano, a proposta do governo para alterar a lei da cópia privada está a ser tratada com secretismo e confidencialidade. Para que não haja debate. Sabem que não têm argumentos que sobrevivam ao debate, portanto, não mudam as premissas da proposta, escondem-na, para que não seja debatida, escrutinada, criticada por todos aqueles que são a parte mais interessada (os que vão pagar). Não há ainda uma proposta publicamente apresentada, apenas algo que transpirou e que não é oficial (e que eu não acredito que seja real, é decoy), que serve para que não se fale do tema. Para não se chamuscarem.

 

Também ao contrário do que aconteceu há um ano, não encontramos no site da SPA quaisquer ondas acerca deste tema (e eles já conhecem a proposta, quanto mais não seja porque têm representantes no Conselho Nacional de Cultura), e quem diz da SPA diz de outras entidades similares, ainda não encontrámos entrevistas de representantes da AGECOP, não há ondas. Há um ano optaram pela estratégia oposta. Perceberam que não funcionava, porque algumas dessas entidades, recolhem pouca simpatia e têm imensos gatos escondidos com o rabo de fora, o que as torna vulneráveis a críticas. Aprenderam, estão caladinhos.

 

Caladinhos, enfim, não será a expressão. Falam por intermediários, embora a estratégia se mantenha. Confundir e desinformar. Como os argumentos que sustentam a lei da cópia privada são insustentáveis, e qualquer pessoa com dois dedos de testa compreende isso (eles próprios, que não são burros, sabem disso), tentam misturar e inserir no debate um tema que nada tem a ver com cópia privada, porque acham que dessa forma conseguem melhorar os seus argumentos.

 

Cópia privada não tem absolutamente nada a ver com pirataria. Tem sido o meu mantra, nos últimos tempos.

 

Mas eles insistem. Veja-se, por exemplo, o caso do Tim. No início desta semana publica no seu mural do Facebook um texto em que tenta apresentar os seus argumentos a favor da lei da cópia privada. Foram muitas as pessoas (eu incluída) que acharam que o artista estava mal informado, e foi nítido o esforço pedagógico da maioria dos comentários. Mas o artista não percebeu, ou convém-lhe não perceber, e ontem publica novo post (as cenas do Facebook são posts?), onde insiste, mantém e persiste na defesa da coisa, com argumentos que nada têm a ver com a cópia privada. Se à primeira podia ser ignorância, à segunda já não se trata de ignorância. Escolham vocês o adjectivo que melhor vos aprouver.

 

É inteligente, por parte dos stakeholders, estarem caladinhos, e tentarem fazer passar a sua mensagem usando pessoas que à partida seriam recebidas de forma mais carinhosa. Afinal de contas, com os artistas, o público estabelece uma relação pessoal (ainda que unilateral), e a assertividade argumentativa tenderia a suavizar-se. E é verdade. Maioritariamente, a reacção ao primeiro post do Tim mostrou isso mesmo.

Mas as pessoas não são burras. Gostamos dos artistas, mas se eles não gostam de nós e nos querem ver extorquidos, e defendem uma proposta que é injusta nas premissas, a malta manda o amor às urtigas, abre a pestana e responde à letra.

 

Portanto.... com o processo de há um ano, as lições aprendidas foram:

1 - Não vamos debater isto publicamente, façamos a coisa às escondidas envolvendo apenas os interessados em receber o dinheiro.

2 - Vamos fazer poucas ondas na comunicação social, porque somos facilmente atacáveis e temos muito gato escondido com rabo de fora, em vez disso mandamos artistas fazer o trabalhinho sujo.

3 - Vamos voltar a contratar a agência de comunicação que tratou da coisa há um ano, que é malta que conhece bem os meandros das redes sociais e da blogosfera, e que por esse motivo conseguirá que as ondas não sejam muitas.

4 - Vamos manter na equipa que redige a proposta alguém que está requisitada na secretaria de estado da cultura, mas que é um alto quadro da AGECOP (entidade que recolhe todo o dinheiro da cópia privada).

 

Quando, as lições que deveriam ter aprendido deveriam ter sido:

1 - O paradigma mudou, as tendências evoluíram, os mercados transformaram-se, as mentalidades avançaram e os modelos de negócio são outros. Vamos pensar séria e abertamente numa forma de fazer com que a legislação seja justa para todos.

2 - Parece que a famosa sociedade civil que tanta gente acha que não existe, afinal existe e está interessada em debater este tema, e tem ideias e propostas, vamos promover debates que nos ajudem a perceber melhor todos os pontos de vista.

3 - Os modelos transparentes são sempre melhores que os modelos opacos. Vamos retirar do processo de elaboração da proposta as pessoas que trabalham na única entidade que vai receber, em primeira mão, os dinheiros referentes à cópia privada. Quanto mais não seja, porque à mulher de César, não basta sê-lo.

 

Basicamente, aquilo que aprenderam, foi como melhorar as formas de tentar lixar o mexilhão. O mexilhão cuja inteligência cessa de existir no momento em que o voto cai dentro da urna. O mexilhão que tem de pagar, e pagar, e pagar, e pagar e, de preferência, não bufar.

Querem-nos cegos, surdos, mudos, a cumprir ordens, a seguir instruções. Num rebanho, onde eles são pastor, cão e lobo, e nós as ovelhas, em cujas tetas há que mamar até à exaustão.

 

Mais uma vez, tudo aponta para que a palavra final recaia sobre os deputados (se a coisa chegar a avançar para assembleia da república, depois de passar pelo conselho de ministros).

 

Aguardemos serenamente.

 

O povo é sereno. Mas não é burro.

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