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Comprar nacional

por jonasnuts, em 30.06.11

Esta coisa do comprar o produto nacional é algo que me deixa dividida.

 

Não sou adepta da teoria de que o nacional é bom. Às vezes é, às vezes não é. Comprar português, independentemente da qualidade, é promover a mediocridade. E depois, se eu comprar um carro alemão, um Volkswagen, não estou a incentivar a produção nacional porque esses carros são produzidos em Portugal? (alguns, pelo menos).

 

E se eu comprar equipamento estrangeiro, cujos componentes são produzidos em Portugal?

 

Para além da origem do produto, vamos começar a listar a origem dos componentes do produto?

 

Entre 2 produtos de igual qualidade, um nacional e outro estrangeiro, opto pelo nacional. Entre dois produtos de qualidade diferente, opto pelo de maior qualidade, independentemente da nacionalidade.

 

Mas eu não percebo nada de economia.

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Dear 16 year old me

por jonasnuts, em 26.06.11

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O gene filho da puta

por jonasnuts, em 25.06.11

Não estou a referir-me aos genes da genética, aqueles que herdei e que passei ao meu filho.

 

Refiro-me aos genes da personalidade.

 

Passo a vida a dizer que sou mau-feitio (e sou), aliás basta olhar para a tagcloud aqui da chafarica, mas a verdade é que, para as coisas realmente importantes, falta-me o gene filho da puta.

 

Na hora H, a gaja do mau-feitio, que leva tudo à frente, que é capaz de fazer escandaleiras de mão na anca e faca na liga, sucumbe sempre à sacaninha da boa pessoa que também me habita.

 

Não é que não goste de ser boa pessoa, que gosto, mas às vezes, profissionalmente, dava-me jeito ter o gene filho da puta e alguma ambição (outra coisa que me falta).

 

Lamentavelmente, não sou nem um bocadinho predadora.

 

Claro que há aspectos da minha vida em que, se for preciso, levo mesmo TUDO à frente. Como qualquer mãe. Mas não é disso que trata este post.

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Inexactidão

por jonasnuts, em 25.06.11

Dizem que Peter Falk morreu hoje, aos 83 anos.

 

Não é verdade. Já tinha desaparecido há muito. Sofria de Alzheimer.

 

Sei do que falo.

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Canção de intervenção

por jonasnuts, em 24.06.11

Um disclaimer, primeiro, muitas canções de intervenção foram as minhas músicas de embalar. Ainda hoje a Ronda do Soldadinho, que tem uma letra triste e violentíssima, me desperta memórias doces, porque muitas vezes adormeci ao som dessa música. Portanto, as canções de intervenção têm um lugar muito, como dizer, protegido, na minha memória.

 

Posto isto, e porque muita da música de intervenção envelheceu mal, pergunto-me qual é a nova música de intervenção e recebo a resposta directamente a partir da frequência 97.4 do meu rádio.

 

Sátira, humor, boa disposição, algum desafinanço, claro, muita actualidade e atenção aos casos políticos (e não só) que chamam a atenção do comum mortal. E talento, de quem faz e de quem dá espaço para que se faça.

 

Muito bom.

 

 

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Coisas que me dão gozo

por jonasnuts, em 20.06.11

Há uns meses fiz um post sobre como poupar na alimentação, e a coisa metia soja e algum secretismo em relação à preparação da coisa, porque cá em casa há uns esquisitinhos que não gostam de novidades. É bom, verificar, que o truque alastrou :)

 

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As minhas aventuras no ensino público

por jonasnuts, em 18.06.11

Nunca frequentei, enquanto aluna, o ensino público. Os meus pais não tinham estrutura familiar que lhes permitisse que eu apenas estivesse ocupada uma parte do dia.

 

Quando chegou a altura de introduzir o meu filho às delícias da academia, optei por uma instituição privada, mas daquelas onde se paga de acordo com os rendimentos, portanto, onde eram recebidos meninos de todas as classes sociais. Já lá não anda, posso dizer portanto que andou no Infantário Popular de Sintra, e que, desde a sala do 1 ano até à pré-primária, a experiência foi sempre fantástica (obrigada, educadora Paula Nunes).

 

Depois era a sério, ia entrar no primeiro ano (primeira classe para quem é do meu tempo), e tinha de mudar. Novamente optei pelo privado, desta vez sem as vantagens de haver meninos de diferentes classes sociais, que ali, doía a todos por igual, quando chegava a altura de pagar a mensalidade. Não me dei bem com a escola. Não foi o puto que não se deu bem fui eu. Estava muito habituada a intervir e a participar no dia-a-dia do meu filho (vinha "mal habituada" do Infantário Popular de Sintra) e custou-me muito aquela dinâmica do deixa a criança à porta, recolhe a criança à porta, queres falar com a professora marcas hora para daqui a 15 dias, e se queres saber o que comeu ao almoço, perguntas na secretaria e já gozas. Mais informações, não há, tens de confiar na escola, porque a escola é que sabe de educação e de pedagogia, e os pais não são para aqui chamados. Comigo não funcionou.

 

Custou-me, mas mudei-o mesmo a meio do ciclo. Mudei-o para a Escola Raiz (já lá não anda, por isso posso dizer que lá andou). Uma escola pequenina, com um método de ensino algo invulgar, eventualmente com mais sucesso se o meu puto lá tivesse andado desde mais novo. Mas uma escola que me incluía, que me interpelava, onde eu entrava sem problemas, onde via os trabalhos do meu filho (e das outras crianças, evidentemente), e via a sala de aulas, se me apetecesse, e onde falava com os professores sem ser preciso marcação prévia. Foi perfeito? Não, não foi, mas eu não acredito que exista a escola perfeita. Assim como assim, também não existem crianças perfeitas, nem pais perfeitos.

 

O ano lectivo que agora termina foi a minha estreia no ensino público. Fui a medo, confesso. E o impacto e a diferença foram brutais. Mas não por causa da qualidade do ensino. Bons professores e maus professores há em todo o lado, seja no público seja no privado, portanto, também aqui, no liceu, tive direito às duas realidades. Mas, no geral, o balanço é positivo. Muito positivo. Também pode ser que eu tenha tido sorte, mas não creio que tenha sido só isso.

 

Reuniões bem organizadas, com uma directora de turma extraordinária (que é também boa professora), que se desunha para fazer chegar aos encarregados de educação a informação relevante, sem nunca deixar que as reuniões caíssem naquelas coisas típicas dos colégios particulares "ai, o meu Rodriguinho é tão prendado". Assertiva, mas 15 dias depois de começarem as aulas já conhecia os putos todos pelo nome. E, note-se, não estamos a falar de turmas de 15 meninos (que era a isso que eu vinha habituada), estamos a falar de turmas gigantescas, com 30 e mais alunos.

Não sei como é que ela consegue, mais para mais, sabendo que tem mais turmas, mas gostei de, no meio de um liceu com (bem) mais de 1000 alunos, que a coisa fosse, de certa forma, personalizada.

 

As auxiliares conhecem o puto pelo nome? Não. Mas quando ele se sentiu mal e foi preciso chamarem-me, sabiam exactamente onde é que ele estava, e quem é que era, e o que é que tinha, e quais tinham sido os sintomas.

 

Eu ressenti-me.... passar duma escolinha pequenina para uma escola gigantesca, não foi fácil. Sobretudo porque o "gigantesco" implica muitos alunos, todos mais velhos, a conviverem com os mais novitos que, coitados, parecem bebés. E pronto, também há uma catrefada de alunos que não são bem daquela escola, mas que frequentam espaços comuns que não são, dizem, muito recomendáveis. E, sim senhor, já vi cenas de pancadaria à porta, mas foi só uma vez. E há assaltos, e obviamente, os mais novos são as vítimas mais evidentes, mas os assaltos acontecem fora da escola, e a polícia anda sempre por ali.

 

A comida da cantina. Na outra escola aquilo era quase à la carte. O menino não gosta de bacalhau? Não faz mal, eu cozo-lhe uma postinha de pescada. E ficavam lá a ver se ele comia tudo, e havia sopa e fruta. Agora ele diz-me que a comida é boa, que há sempre sopa (e ele nunca come, aposto), que nos dias em que não gosta da comida come menos, e depois come umas bolachas da máquina (pessoalmente, eu dispensava a máquina, mas pronto), e chega a casa com mais fome, ao lanche. O saldo é positivo.

 

Os professores. Teve sorte com uns, teve azar com outros. É como tudo na vida. Não é novidade. No ensino particular também apareceram bons e maus professores. Ou melhor, professores mais empenhados e mais motivados, e professores que não querem saber. O meu trabalho, como mãe, acho eu, passa por ensiná-lo a respeitar todos, e a tentar colmatar as falhas dos professores menos inspirados, de forma a que a falta de inspiração não estrague o gosto do puto por uma determinada disciplina. Inglês, disciplina em que ele é, claramente, um aluno excelente (porra, o puto lê livros em inglês), tocou-lhe uma professora maluca, que ia arruinando o gosto que o puto tem pela língua. Ele percebeu. Também percebeu que às vezes, a professora pode ser boa, mas ele não gosta da matéria (disse-me isso acerca de uma das disciplinas - ó mãe, a professora é boa e ensina bem e é justa, eu é que não gosto nada daquilo), fair enough.

 

Não vai ter negativas. Vai ter mais 3 do que o que eu gostaria, mas é o primeiro ano, é o de adaptação. Para o ano puxo mais por ele (aliás, já comecei a puxar, que o sacaninha está de férias, mas tem livros para ler, e ditados para fazer, que a caligrafia é uma queixa generalizada).

 

Portanto, e porque isto já vai longo. A minha aventura pelos reinos do ensino público foi positiva. Para o ano, gostava que lhe (nos) calhasse a mesma directora de turma. Ajuda muito, ter alguém competente e empenhado, a puxar a carroça (e que me manda as actas por mail, para eu imprimir e assinar e mandar pelo puto - oh, as vantagens das novas tecnologias).

 

Ah, o moodle é uma merda. Para mim, que trabalho nesta área, aquilo é abaixo de cão em termos de usabilidade, navegabilidade, intuição, segurança, interactividade...enfim.....nada se aproveita. Era deitar fora e fazer de novo, mas como deve ser. Ofereço-me para consultoria (graciosa, não comecem já a pensar que eu me quero encher de guito) se alguma vez precisarem de beta testers ou de input de quem trabalha nesta indústria. A sério..... com os putos habituados a Facebook, Youtube, Blogs, jogos e coisas bestialmente bem feitas e ricas, pedirem-lhes para trabalhar no moodle é um turn of do caraças.

 

E pronto.... já ninguém está a ler esta parte do texto, que se fosse eu a ler, já tinha desistido há muito tempo, dum texto tão chato e tão comprido :)

 

E não, não digo em que liceu é que ele anda. Daqui a 5 anos falamos :)

 

Falta dizer que isto começou por ser um comentário a este post, e que depois, quando percebi que me ia alongar, achei que era melhor poluir o meu próprio espaço, e não o espaço alheio :)

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Os juízes copiões

por jonasnuts, em 15.06.11

Anda por aí tudo muito inflamado com os juízes (ou futuros juízes) que copiaram num teste, ah, e na justiça não se devia copiar, e devem ser todos muito honestos e impolutos e o diabo a sete.

 

A mim, pessoalmente, não me faz confusão nenhuma que copiem (toda a gente aldraba ou aldrabou, duma maneira ou doutra, e que atire a primeira pedra aquele que NUNCA aldrabou exames de nenhuma forma).

 

A mim, o que me faz verdadeira confusão e, fosse eu mandar corria tudo a chumbo, é que com idade para terem juízo, não saibam fazer de forma competente, o que qualquer aluno do secundário faz com toda a limpeza (e estou a dizer do secundário, só para ser simpática).

 

Uma coisa tão elementar, porra.

 

Caraças...... não saber copiar devia dar direito a terem de repetir o curso de direito, a partir do zero.

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Periferias

por jonasnuts, em 04.06.11

 

 

As periferias são, habitualmente, mal estimadas, mal amadas, desvalorizadas e, quem vem das periferias tem de levar com um habitual preconceito de quem não as habita.

 

Eu própria já sofri desse mal, confesso. Curei-me. A idade abriu-me os olhos. Mas isso agora não interessa para nada.

 

Porque eu cheguei à conclusão, e não foi hoje, até já escrevi sobre isso, algures neste espaço (adoro dizer "neste espaço" como se isto fosse uma coisa em grande), ia eu na conclusão a que cheguei; nós vivemos numa enorme periferia. Essa é que é essa.

 

Se no passado escrevi sobre sermos periféricos sob o ponto de vista tecnológico, hoje escrevo sob o ponto de vista culinário.

 

A modos que ando interessada cá nuns temas que envolvem uns doces, que se fazem, e que são muito bons (dizem, eu ainda não consegui lá chegar), e vai de comprar um livro. Duma americana. O livro é muito bonito, e coiso e tal, mas, para já, vem tudo naquelas medidas esquizitóides que eles usam em terras de Tio Sam, abençoado conversor do Mac, mas, mais grave, 99% dos ingredientes não existem por cá.

 

Portanto.... se eu quiser fazer aquilo, tenho de me deslocar aos states já que, encomendar alimentos online, vindos de fora da Europa, não tem sido uma possibilidade. Hoje passei em 2 lojas da especialidade, em Lisboa e, meus senhores...... que pobreza franciscana. Meia dúzia de frasquinhos de confetti (e quando eu digo meia dúzia, não é figura de estilo), uns moldes, uns cutters, umas bases, MUITA pasta de açúcar, muita coisa esgotada. Isto tudo em menos de 10m2.

 

E eu penso, que gostava de ter uma loja assim:

 

 

Mas depois percebo que, em Portugal, não há massa crítica (portanto, potenciais clientes) para que uma loja destas funcione e tenha lucro.

 

Se, do ponto de vista tecnológico eu disse que "somos penalizados por vivermos nos subúrbios da acção, na periferia da informação, na trafaria dos happenings." do ponto de vista culinário digo que somos penalizados porque vivemos nos subúrbios da acção, na periferia do açúcar, na trafaria dos buttercream frostings.

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Acabadinho de receber

por jonasnuts, em 02.06.11

 

Dúvida que me assalta...... faço reply to all a insultar o remetente, entrego uma queixa na comissão nacional de protecção de dados, ou pego no telefone?

 

Dúvidas, dúvidas, dúvidas.

 

(E o mais engraçado é que no meio de tanto forward e de tanto manuseamento, a mensagem original perdeu-se, e eu não sei o que é que se passa com a filha dos amigos da coordenadora).

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