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A economia é como o football

por jonasnuts, em 30.04.10

Agora que fiquei com umas luzes muito básicas, depois das explicações que tiveram a paciência de me dar, reparo que isto da economia e da crise e os jargões e coiso e tal, é muito semelhante ao football (sim Macaco, eu sei que embirras com o football e preferias futebol, atura-me lá esta mania).

 

Há muitos treinadores de bancada, muitos usam jargões para fingir que percebem quando na realidade andam tão às aranhas como eu, mandam-se muitos bitaites (e nem sequer são dos bons) numa de se atirar barro à parede, para que, num golpe de sorte, algum do barro cole e com a "façanha" surja um novo guru com coluna no jornal.

 

São poucos os que não se tentam pôr em bicos dos pés, para ver se a crise, no seu caso, não é uma oportunidade.

 

Curiosamente (ou não), do que tenho lido, prefiro os que andam de saltos rasos, e os que falam deste tema antes dele estar na moda.

 

Gosto pouco de pessoas que querem ser gurus e que disparam em todas as direcções para ver se têm a sorte de acertar em qualquer coisa de jeito. E conheço algumas assim, que fazem disto a sua regra de vida :)

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Campanha da Sumol

por jonasnuts, em 30.04.10

Anda para aí meio mundo entusiasmado com a campanha da Sumol, porque é inovadora, porque é inspiradora, porque é sei lá mais o quê.

 

E eu, que até sou apreciadora e consumidora de Sumol, acho que eles erraram o alvo.

 

Senão vejamos.

 

Quem é o target do refrigerante Sumol? Teenagers, certo? É para eles que a marca comunica.

 

Mas as mensagens que usa são para maiores de 30 (ou mesmo de 40).

 

 

"Um dia vais achar que tens de ir para onde toda a gente vai"

Quem é que anda em manada? São os teenagers. Só mais tarde na vida é que a maioria(?) das pessoas deixa de ser influenciada pelos seus pares.

 

É uma campanha derrotista, a tentar dizer aos jovens que o seu prazo de validade enquanto pessoas originais, diferentes e livres é curto. E no entanto, é tão mentira.

 

Os teenagers não são originais, nem diferentes (uns dos outros), nem livres (da manada), só mais tarde na vida é que se alcança essa originalidade, essa diferença, e essa liberdade. Às vezes.

 

 

 

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Tenho estado atenta às emissões da TV da Assembleia da República.

 

Na minha opinião isto está a correr mal para os deputados, pelo menos na minha perspectiva.

 

O que se tira é que a grande maioria (sim, há excepções) não sabe falar. Regras de concordância então.....é mentira.

 

E o que se tira em segundo lugar é que os senhores deputados não fazem a mínima ideia de como funcionam as empresas em Portugal, pelo menos a julgar pelas perguntas completamente básicas que fazem a todos os intervenientes.

Ou isso ou são ingénuos.

 

Não sei o que é que prefiro, alheamento da relidade ou ingenuidade.

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Verdadeiramente Gago

por jonasnuts, em 30.04.10

Leio no Público que Mariano Gago disse que "a indústria cultural não deve ver a pirataria como um inimigo, “visto que foi uma fonte de progresso e de globalização".

 

Minutos mais tarde, leio no mesmo jornal que, afinal, parece que não disse nada disso e que os espanhóis é que perceberam mal.

 

O que vale é que não sou de entusiasmos, senão, a queda tinha sido grande.

 

Arrependeu-se? Fez mal.

 

Falta de cojones, como diriam os mesmos espanhóis e alguns portugueses, eu incluída.

 

ADENDA: Pronto, vão ao Bitaites ver o que realmente foi dito, e em que contexto, que ele é que sabe ir ao fundo destas coisas :)

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The crise for dummies

por jonasnuts, em 29.04.10

Então, depois do meu pedido de esclarecimento, foram várias as almas caridosas que se chegaram à frente e tentaram explicar a coisa.

 

Chamo particular atenção para duas contribuições, a da Catarina Campos, e a da A. na Jugular.

 

Mas não foram as únicas.

 

O Martim explica:

 

"Então vamos lá por partes... Imagina que pediste dinheiro emprestado para comprar a casa. Os ratings são uns bichos que aumentam ou baixam a euribor ". Se os bichos são bonzinhos tipo AAA ++ a euribor " seria baixinha e pagavas menos pelo dinheiro que queres pedir emprestado. Se por acaso andaste na borga, gastaste mais do que devias, recebes menos do que gastas e ainda assim arranjaste dinheiro para alimentar os bichos depois da meia noite, eles transformam-se nuns bichos maus que te baixam o tal rating para A- e ficas a pagar mais pelo dinheiro que queres pedir emprestado. A diferença é que tu pagas a Euribor e o Estado paga uma outra taxa, mas o funcionamento será o mesmo.
O que fazer agora? Bem, preparar para pagar mais impostos, seja directos ou indirectos, e na próxima oportunidade votar em alguém que consiga reduzir a despesa do estado (e não aumentar) e que consiga dinamizar a economia. Só conseguimos mesmo andar para a frente quando aprendermos a não gastar mais do que recebemos."

 

E o Tiago Carvalho diz:

 

"Não sei como é que se explica tudo de uma vez, parece-me complicado, mas comecemos pelo básico, o rating. Se quiseres depois perguntas mais coisas, e continuamos...

O estado Português costuma ter défice orçamental. Isto é dizer que quase todos os anos gasta mais dinheiro do que aquele que colecta via impostos (os tais 5% que parece que afinal vão ser 9%, para 2010). Como é que é possível? Emite divida, sobre a forma de bonds. Certificados de aforro. Eu dou agora ao estado, e estado devolve no futuro, com juros.


Como é que se define que percentagem pagar de juros? Com base no rating.
Num sistema capitalista temos que ver sempre o par risco/retorno. Parece complicado, mas no fundo já todos sabemos isto: se eu estiver disposto a arriscar mais, tenho o potencial de ganhar mais, mas também posso perder. Em alternativa, posso ganhar um bocado menos, mas mais seguro.
No caso de emprestar dinheiro ao estado português, como é que posso perder dinheiro? Fácil, se o estado entrar em falência. Isso é possível? Claro. Se algum dia o estado não conseguir colectar dinheiro suficiente para pagar juros de dividas passadas, entrou tecnicamente em falência, porque a duvida nunca mais vai parar de subir.


Podemos ver a coisa desta forma: Imaginemos que a Alemanha e o Uganda pagam os mesmos juros pelos seus "certificados". Alguém vai comprar os certificados do Uganda? É muito mais provável que a Alemanha pague de volta. Qual é a forma do Uganda conseguir emitir divida? Paga juros mais altos, de modo a compensar o risco.


O rating não é mais que isto. Um pais com um rating elevado tem "boa fama no mercado", e consequentemente pode pagar juros baixos. Paises com um rating mais baixo têm um custo de divida mais elevado.


Naturalmente quando a Grécia diz que está à rasca e pede dinheiro à UE as agências de rating adequam o rating grego para baixo.


O estado portugues sofre do mesmo problema, como baixou o rating, custa mais hoje em dia ao estado pedir dinheiro do que antes.
O que são as casas de rating? São instituições privadas que fazem uma análise fundamental do estado financeiro do país e definem aquela que é, na sua opinião, a credibilidade do país como bom pagador.
(não têm muito jeito para o que fazem, como se viu na crise que começou nos EUA, com bancos a falir, apesar de terem um bom rating).


O que é que nós, como indivíduos, temos a ver com isso? Um estado em falência gera o caos. Leia-se o caso da argentina. No limite podemos ficar sem o dinheiro que temos em contas a prazo, se chegar a tal.


Isto depois torna-se uma espiral. O pessoal recebe um choque, com a descida do rating, e fica com medo da falência. Começa a poupar, protela compras maiores, pensa em trocar de carro para o ano, afinal. Isto só piora as coisas: as empresas portuguesas dependem muito do consumo interno. Quando o pessoal se amedronta, elas vendem menos, perdem valor em bolsa e, acima de tudo, perdem facturação. Baixar a facturação reflecte-se no ... PIB! O PIB é o total de produção do país, e é aquilo sobre o qual o estado recebe impostos. Quando o PIB baixa (ou cresce menos, vá), o estado fica em piores lençóis do que estava antes, porque ainda tem menos dinheiro para gastar...  "

O Alcides contribuiu com um link para este vídeo:

 

 

A Helena acrescentou:

 

"eu passo a informação ao preço a que a comprei no noticiário alemão de há dois ou três dias:

 

Aqui.

 

Acrescento que hoje o noticiário das 8 da noite (que é extremamente sintético, porque só tem 15 minutos) mostrou imagens do encontro entre Sócrates e "Paxux Coelho" - tanto tempo dedicado a Portugal, só pode ser sinal de que a coisa está mesmo preta.

O Jorge Bateira também traça hoje um quadro bastante dramático da situação no ladrões de bicicletas.


O pior de tudo é que temo que ele tenha muita razão.
Não sei se punha o filho na escola pública, mas há uma coisa que neste momento não faria: comprar a crédito"

 

 

Fiquei esclarecida, pelo menos bastante mais do que estava antes, e agradeço a todos os que gastaram o seu tempo para partilhar informação :)

 

Um crédito e agradecimento especial para o autor da imagem que ilustra este post, que é o Zentopeia :) No dia em que e escrever o tal livro, esta será a capa :)

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Esclarecida

por jonasnuts, em 28.04.10

Depois faço aqui um apanhado das várias informações que me chegaram (primeiro vou a uma editora tentar vender um "Crise para Totós), mas assim de repente, a primeira coisa que retiro de todas as informações é a de que é preciso refrear os grandes investimentos, pedir crédito só se for mesmo imprescindível, e poupar.

 

Nessa perspectiva, conto lançar aqui uma nova rubrica neste Blog, com pequenas dicas de como poupar.

 

Se calhar convém explicar que não percebo nada de poupanças, tenho à ordem uns trocos que se calhar devia ter a prazo (ou debaixo do colchão, já nem sei), e que neste momento a luz da cozinha está acesa, apesar de não estar lá ninguém. Mas quero contribuir.

 

Aqui fica a primeira dica:

 

"Carregue o telemóvel no trabalho".

 

Pronto, serão destas dicas que poderão encontrar por aqui, e não aquelas politicamente correctas do "ande de transportes públicos" que isso já há muita gente a fazer. Eu pretendo inovar, e por isso vou dar dicas que eu própria dificilmente seguirei.

 

Porque, afinal de contas, a situação é grave e há que tratá-la com a seriedade que se impõe, mas se a malta não se ri, pelo menos um bocadinho, isto fica tudo muito mais difícil.

 

E sim, esta semana jogo no euromilhões :)

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Expliquem-me como se eu fosse muito burra.

por jonasnuts, em 28.04.10

Por motivos profissionais (e não só) é necessário que me mantenha atenta ao dia-a-dia e à actualidade noticiosa (embora nem sempre jornalística) do país e do estrangeiro. Assim sendo, tem sido incontornável, de há uns tempos para cá, esta coisa da crise.

 

E eu leio os blogs políticos, e os blogs de economia, e os blogs que não são nem uma coisa nem outra mas que também mandam os seus bitaites sobre o que deve ser feito e o que não deve ser feito, mas fico sempre com a mesma dúvida, e assalta-me sempre a mesma pergunta:

 

A dúvida é "mas que raio se está a passar?", e a pergunta é "mas estes gajos acham que as pessoas normais percebem o que eles dizem?"

 

Bom, no fundo são duas perguntas.

 

É para os autores desses posts, e desses twits, e dessas notícias que gostava que servisse este post.

 

Especulação, ratings, bolsa, manobras, estratégia, despesa, mercados, e demais jargões económicos são palavras que os portugueses conhecem, mas noutros contextos.

 

Especula quem inventa coisas, os ratings são rankings e os que importam são os da UEFA, a bolsa é onde se guardam os trocos, as manobras são de diversão, a estratégia é a que o Jesus vai adoptar para o porto-Benfica, os mercados abrem duas vezes por ano e é onde os clubes compram jogadores, ou então são aqueles onde as mulheres vão às compras do peixe.

 

Ainda não vi (se calhar é erro meu) alguém que explicasse isto de forma a que os comuns mortais conseguissem perceber, sem dogmas do "é assim porque é assim", ou sem paternalismos "isso é muito complicado e por isso não interessa".

 

Eu gostava que alguém explicasse (ou me indicasse o link onde se explica) esta coisada toda, em termos que eu consiga perceber e apreender. Usem analogias, metáforas não, que dá muito trabalho e baralha.

 

Uma coisa simples que meta galinhas e porcos, ou jogadores de futebol, ou economia doméstica básica, um "the crise for dummies" (tenho boas experiências com o "Knitting for dummies"). Uma coisa para as pessoas simples, como eu.

 

Eu não sou burra, já percebi que é mau, e já percebi que vai custar a todos (bom, a uns mais do que a outros, e eu devo estar no grupo dos uns), e que a coisa está preta. Ainda não percebi é o que é que posso ou devo fazer. Comprar casa? Vender casa? Arranja um cão? Será preferível um gato? Trocar de carro? Pôr o puto no ensino público? Levantar o dinheiro do banco? (não faria diferença a ninguém, infelizmente), jogar no euromilhões? Aumentar a dose do anti-depressivo? Ter mais filhos para assegurar a minha velhice? Emigrar?

 

Ou viver a minha vidinha como tudo corresse normalmente, fingindo que percebo tudo, mas sem perceber uma porra do que se passa?

 

É que se querem que eu faça sacrifícios, é bom que me contem a história desde o princípio. Não é que não faça os sacrifícios na mesma, já que, cheira-me, vão ser mais impostos (nas duas acepções da palavra) do que propriamente pedidos, mas se calhar, terei mais disponibilidade para os fazer, se perceber porque é que são necessários.

 

Muito agradecida.

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Ofertas

por jonasnuts, em 27.04.10

Fica a informação de que trabalhei uns anos valentes em publicidade, portanto não me venham com tangas.

 

Este post é inspirado pelo som da televisão que está ligada porque ele está a ver, enquanto eu estou no computador.

No intervalo dum programa qualquer são vários os spots cuja locução anuncia que oferecem, que dão, que apoiam, que contribuem.

 

Eu não percebo porque é que não há alguém a fiscalizar esta merda (e a multar os erros de ortografia e de mau português na publicidade, que dava cá uma receita que dava para nos tirar da crise).

 

Tirando os familiares e amigos (e em elguns casos nem mesmo esses), ninguém dá nada a ninguém. Eu repito. Ninguém dá nada a ninguém, muito menos as donas dos produtos que compramos nos supermercados (nem os supermercados, já agora).

 

Os brindes, as ofertas, as prendas, o grátis, o pague dois e leve 3, os cartões de pontos, são iscos, são falaciosos, e são, na sua totalidade, pagos (provavelmente com lucro) por quem compra o que quer que seja que venha colado ao "brinde".

 

Como é que as pessoas são tão ingénuas que ainda acreditam que quem quer que seja lhes ofereça seja o que for?

 

Burros!

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Como dar a volta à greve

por jonasnuts, em 27.04.10
É um truque simples. 1 - Saber que ela vai existir (eu costumo ser muito distraída e só dou por elas quando noto diferença no trânsito). 2 - Trabalhar com Internet. 3 - Ter um chefe que diz que sim a tudo o que a malta lhe comunica que vai fazer. 4 - Ter pessoal na equipa que mora do lado de lá do rio. 5 - Decidir que "amanhã trabalhamos todos a partir de casa a não ser que alguém lhe apeteça o passeio". Está feito.

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Todos os anos tento escrever sobre o 25 de Abril de 1974, no dia próprio. Mas este ano não via nada de jeito para escrever para além do óbvio, onde estava, onde estaríamos, os blogs não existiam, enfim, tudo coisas que eu própria já referi ou alguém o fez melhor que eu.

 

 

E, embora não consiga ultrapassar o "alguém o fez melhor que eu", surgiu dele a pergunta que inspira este post.

 

E se o gajo tem cumprido a ordem e tem disparado?

 

Todos falam do herói que foi Salgueiro Maia (e foi), e muitas vezes, demasiadas vezes, é esquecido o homem que estava do outro lado. O que não cumpriu a ordem. O que não disparou.

 

Nunca o vi em discursos, nunca o vi chegar-se à frente, nunca o vi à procura de protagonismo. E no entanto, merecê-lo-ia. Porque é preciso tomates para disparar, mas são precisos os mesmos tomates (ou maiores) para não disparar.

 

O Alferes Miliciano Fernando Sottomayor recebeu a ordem e não a cumpriu. Disseram-lhe para disparar, e ele não disparou. E se tivesse disparado?

 

Há pouca coisa sobre ele, online. Uma referência num artigo do Diário de Notícias do ano passado, (os senhores do DN mudaram de site, e quebraram o link, ver mais informação aqui) e um PDF, escrito na 1ª pessoa.

 

Pela parte que me toca, obrigada por não ter cumprido a ordem. Obrigada por não ter disparado. Obrigada por ter corrido o risco.

 

25 de Abril sempre!

 

 

Adenda: Do outro lado da mira, Salgueiro Maia.

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