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Se não percebem da poda, não podem

por jonasnuts, em 30.08.11

Duas notícias que me assustam e preocupam, nos últimos dias.

 

A primeira, tem a ver com o desejo do Governo em criar uma base de dados que cruze os dados dos cidadãos, entre o Serviço Nacional de Saúde e as Finanças.

 

A segunda (e isto é visto como uma boa notícia, pela maioria das pessoas), que o Serviço Nacional de Saúde vai deixar de ter os resultados das análises e exames em papel, optando pela via electrónica, quer para os enviar aos médicos quer aos utentes.

 

E estas notícias, que estão relacionadas por ambas envolverem o serviço nacional de saúde, estão também relacionadas doutra forma, nomeadamente, porque em ambos os casos, as grandes costas largas que são os "meios electrónicos" são atirados para cima da mesa, sem grandes explicações.

 

Para que raio quer o governo criar uma base de dados que cruze informação clínica e fiscal dos utentes?

 

E quem é que teria acesso a esta base de dados que, tendo informação clínica, está ao abrigo do sigilo médico/paciente?

 

O mesmo se aplica ao envio de informação clínica por meios electrónicos, quer aos médicos, quer aos utentes. Quem é que tem acesso a esta informação? Não nos casos em que tudo corre bem, e como é suposto que corra, mas nos outros casos todos, os hackers que com maior ou menor facilidade conseguem ultrapassar as barreiras. A equipa técnica responsável pela infra-estrutura tem acesso a tudo.

 

E eu não quero que informação sensível minha (e do meu filho, já agora), esteja ao alcance de pessoas que não conheço e que não são os meus médicos.

 

E não me venham com tretas sobre a segurança dos dados, porque, para cada modelo seguro que me apresentem, eu arranjo com facilidade milhentas fragilidades e portas de entrada.

 

Portanto, senhores do governo, brinquem com o que quiserem, com as vossas pilinhas se vos aprouver, nada contra, mas deixem em paz a minha informação clínica, que nessa, mexo eu e o médico que eu escolher. Vocês não têm nada a ver com o assunto.

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A caçadora de pérolas*

por jonasnuts, em 26.08.11

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Explicam-me que não há erro neste anúncio, porque esta parte do cartaz é complementar do que está do outro lado da esquina mas, para mim, que desço a Fontes Pereira de Melo, é isto que vejo. E com certeza, os senhores publicitários e os senhores da marca, não estão à espera que eu ande a dar a volta aos edifícios para lhes olhar para a comunicação, pois não?

 

Para mim, isto é uma ideia mal concebida, mal produzida, mal aprovada.

 

A sorte é que com a confusão que grassa nos portugueses em geral no que diz respeito à utilização do à e do há, a maioria não dará pelo erro. Persistirá nele.

 

Não é de agora que defendo uma multa para publicidade com erros de ortografia, este cartaz só vem confirmar a minha teoria. Portugal estaria rico, com uma lei que multasse quem dá erros de ortografia.

 

O título do post é descaradamente roubado a uma secção do Blog Cão e Pulgas, que recomendo vivamente, o Caçador de Pérolas.

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Fazendo meias

por jonasnuts, em 21.08.11

Deu-me para aqui, nas férias. Bom, não foi bem nas férias, que já tinha comprado material há muito tempo, na Retrosaria (e com o material umas instruções). Mais um presente de Natal da minha irmã (um livro e lã de meias). Já tinha começado mesmo uma das meias, mas levantou-se um valor mais alto.

 

De modos que foi nas férias. Tricotar meias. Com 5 agulhas de duas pontas. À partida parecem ser agulhas a mais, mas é fácil de apanhar o jeito. As primeiras 2 meias foram feitas com terminadores no início. Já tenho um par feito e outro meio feito.

 

Confesso que, chamar um par às 2 meias que emparelham é uma força de expressão. Não só porque o fio que escolhi vai mudando de cor, como ficaram com tamanhos diferentes. E ficaram aldrabadas, cada uma à sua maneira. Portanto, é um par que não emparelha e que vai confundir a já confusa mente da minha empregada (a tal que arruma cuecas do meu filho na minha gaveta de roupa interior).

 

Há muita coisa online que ajuda. Mas a prática é a melhor professora. A 1ª meia ficou uma merda, a 2ª ficou um bocadinho menos mal, a terceira já está apresentável, e a quarta, que vou iniciar daqui a bocadinho, espera-se que seja um pouco melhor ainda.

 

Há muitas meias por fazer e algumas são bem giras. Se a coisa continuar a correr cada vez melhor, e uma vez que estamos em crise, vão sair meias giras, feitas por mim, para todos os adultos da família, no Natal. Não é que saiam baratas, mas têm um efeito anti-stress extraordinário. É muito relaxante, fazer meias. Quer dizer.... a partir do meio da terceira, pelo menos, que nas primeiras duas, a malta anda ali um bocado aos papéis.

 

 

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O Meu Pipi

por jonasnuts, em 19.08.11

Só os mais antiguinhos compreenderão. Apesar deste blog estar a banhos, há serviços públicos que têm de ser prestados e é nessa perspectiva que faço este post.

 

Se tem menos de 7 anos na Blogosfera portuguesa (ou mais, mas ando desatento), siga este link, e leia tudo, tudo, tudo.

 

Vem isto a propósito de um post do Carlos Vaz Marques no Facebook. Como é tudo muito melhor do que eu poderia escrever, transcrevo na íntegra (depois de ter pedido autorização, obviamente).

 

"Há muito que não havia notícias dele. O Meu Pipi parece ter perdido a tusa e desapareceu de circulação. Agora, surpreendentemente, mão amiga fez-me chegar a prova de que o Pipi continua vivo e atento. Ao deparar-se na revista The Printed Blog, da empresa Jacaré na Lua, com a utilização de um dos seus textos, terá mantido a troca de correspondência que a seguir se transcreve. Não tive possibilidade de verificar a autenticidade destas mensagens mas o estilo parece não deixar dúvidas: O Meu Pipi anda por aí.

 

 

Exmos. Cabeças de Caralho,  

Posso saber quem é que vos autorizou a publicar um texto meu na vossa revista de merda? Só para eu perceber qual é a peida desrespeitadora dos direitos de autor que o marsapo judicial vai escaqueirar, com o pedagógico objectivo de punir o atrevimento chico-esperto e burlão.  

Sem outro assunto,

Pipi  

 

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Bom dia.  

Meu caro, o que fizemos foi referir o blogue "o meu pipi" numa rubrica que intitulamos de "A Antiguidade é um post", com um dos muitos textos disponíveis em open source na internet. Consideramos que tal procedimento não é passível de qualquer ilegalidade. É a nossa avaliação e de quem nos aconselha jurídicamente.  

Gostaría, ainda assim, de lhe transmitir que este é um projecto que pretende trazer para papel muita da qualidade do que existe na blogosfera, sendo esse blogue em particular uma escolha da Directora da Revista como sendo uma referência e tendo aberto um caminho. É o entendimento dela e o meu, como Publisher da mesma. A nossa intenção foi, obviamente, fazer um elogio ao mesmo, e não a de qualquer tipo de aproveitamento ou burlice (para usar as suas palavras). Não nos foi possível falar consigo a priori, pelo anonimato do mesmo, mas muito gostaríamos de o ter feito.  

É meu desejo que um dia mude a sua opinião, quer sobre nós que a editamos, quer sobre a própria revista.  

Estou ao dispôr para qualquer outra acção ou intenção que deseje prosseguir.  

Melhores cumprimentos,  

Luís Gomes

Jacaré na Lua - Comunicação

 

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"Meu caro"? Mas que tipo de pessoa é que recebe um mail endereçado a cabeças de caralho e responde com "meu caro"? Já vi que temos fanchono. Neste momento, estou com saudades do tempo em que achava que o meu interlocutor era um vigarista. Soubesse eu que se tratava de um rabeta e não me teria incomodado. Para sua ilustração, assinalo os traços mais amaricados do seu estilo, a fim de que futuramente possa moderar essa exuberante panasquice, pelo menos em público. Não tem nada que agradecer.

Primeiro: apresenta-se como Publisher. Desempenhar cargos em estrangeiro é roto. Publique merdas, pá. À homem. Não publishe.

Segundo: tem entendimentos que coincidem com os entendimentos de gajas. Roto.

Terceiro: pretende elogiar um blogue. Roto.

Quarto: deseja que eu mude de opinião sobre si. Extremamente roto.

Quinto: Jacaré na Lua. Julgo que não é preciso dizer nada.

Creio que se trata de um contributo valioso para despaneleirizar a sua existência.

Estimando melhoras,

Pipi"

 

 

Nota pessoal minha: Gosto muito da leitura que o Luís Gomes o "publisher" faz do conceito de Open Source, na frase "com um dos muitos textos disponíveis em open source na internet". Está na Internet? É para roubar. Tudo o que está na internet é open source. Se por acaso o "publisher" por aqui passar, pode serguir este link, para perceber um bocadinho melhor o que é o open source, e já agora, que se instrua um pouco mais, e aprenda sobre o Creative Commons que provavelmente era o que queria dizer, embora o conceito também não se aplique. Tudo isto me parece espectacularmente grave, sobretudo quando se trata de um "publisher" duma publicação chamada "The Printed Blog".Tanta gente tem falado tanto desta revista, e tão bem, que eu estava quase a ultrapassar a minha descrença e incompreensão em relação ao projecto, e a comprar uma. Mas depois disto, e da cena com o Júlio Machado Vaz....... acho que não..

 

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Dúvidas

por jonasnuts, em 09.08.11

De férias, e com pouca disponibilidade mental para o Blog (embora os comentários tenham andado animados), sou confrontada com as imagens de Londres. Sim, de férias, mas não me desligo. Não me desligo quando vou de férias para longe de casa, por maioria de razão não me desligo quando vou de férias e fico em casa, que é o que acontece este ano, a crise toca a todos.

 

E acontece-me sempre o mesmo, quando vejo estas cenas, sejam em França, em Inglaterra, na Noruega ou na Cochinchina. A mãe que há em mim, divide-se e enche-se de (ainda mais) dúvidas.

 

O que é que devo ensinar ao meu filho? Se o meu papel, enquanto mãe, é apetrechá-lo de ferramentas que lhe permitam sobreviver (e já agora, ser feliz) quando for adulto, devo passar-lhe os valores (os meus valores), ou devo ensinar-lhe técnicas de guerrilha e de sobrevivência?

 

As imagens que vemos não deixam dúvidas, valores, daqueles básicos do não matar, não roubar, não destruir, ajudar o próximo, ser boa pessoa, são, pelos vistos, valores ultrapassados e em franco desuso. São os meus valores mas, pelos vistos, estão desactualizados.

 

Mesmo nas coisas mais simples e corriqueiras, estou desactualizada. Aquela cena de não fazer barulho no cinema, não passar à frente nas filas, não ser chica-esperta no trânsito, essas coisas pequeninas de respeitar o outro mesmo que não o conheçamos, são decadentes. Há uns anos, um chiu mais veemente no escurinho do cinema, resultava. Agora olham para mim de lado, como se eu fosse maluca, e continuam a conversar alegremente.

 

Pergunto-me se não estou a ensiná-lo a ser um tanso, com a minha mania do respeito pelos outros, e com aquele ditado que me disseram tantas vezes "a tua liberdade termina onde começa a dos outros". Quando os outros se estão a cagar para a tua liberdade, porque é que hás-de tu pensar na liberdade deles?

 

A crise económica preocupa-me ligeiramente. A crise de valores preocupa-me violentamente. Não me importo de deixar ao meu filho um mundo mais pobre de dinheiro, mas chateia-me muito que tudo indique que lhe esteja a deixar um mundo drasticamente mais pobre de valores. Pelo menos dos valores que são os meus.

 

Acho que lhe vou transmitir os valores, enquanto o inscrevo num curso de sobrevivência. Uma no cravo uma na ferradura.

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