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Hackers FTW

por jonasnuts, em 17.06.16

Islamic State Twitter accounts.jpg

 

Há muitos anos, ainda longe de me meter nestas coisas das internetes aprendi algo que me tem sido muito útil, ao longo dos anos.

 

Um hacker que diga que é hacker, não é um hacker. Pode ser um habilidoso. Pode ser um sobrinho com jeito para computadores. Pode ser um espertalhão da engenharia social. Pode ser muita coisa. Mas se diz que é hacker, é porque não é.

 

Até hoje, não conheci ninguém que contradissesse esta minha teoria.

 

Isto vem a propósito da última acção de um alegado membro dos anonymous, que hackou uma série de contas de Twitter associadas ao daesh e que em vez de lhes dar o tratamento do costume (expulsar os followers, apagar a conta, denunciar a coisa ao twitter, etc...), decidiu proporcionar-lhes um facelifting. Na minha opinião, esta alternativa, ainda mais subversiva, é muito mais eficaz.

Fico na dúvida se este WauchulaGhost diz que é hacker, ou se nem por isso. 

 

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Microsoft Excel.jpg

 

Cá por casa, andamos na cena das médias, e dos exames, e das décimas e das variações.

 

Aquela coisa do, quanto é que é preciso ter no exame de Português, para a média calhar acima dos valores mínimos de acesso à faculdade escolhida? E quem diz Português, diz outra coisa qualquer.

 

Ando portanto naquela fase do "olha, estudasses".

 

As variantes são muitas e precisei de ajuda.

 

Passei pelo site da Direcção Geral do Ensino Superior, que tem uma coisa complexa, que pede imensos dados, e na qual me perdi ao segundo campo de preenchimento. Precisava de algo mais prático.

 

Ora, se eu precisei de ajuda, presumo que haja quem mais a agradeça e decidi partilhar a minha ajuda, que chegou por via de muitas pesquisas (e de experimentar muita porcaria mal feita que por aí se encontra). Acabei por escolher uma folha de cálculo pré-preenchida com as fórmulas, e que permite escolher o curso, as bienais, as disciplinas de opção do 12º, a percentagem que o exame final conta para a média, se inclui educação física ou não e parece-me que está tudo.

 

Não fui eu que fiz, foi o Colégio D. Dinis, que não conheço, mas que pelo menos para isto, tem jeito.

 

Pré-preenchi tudo com notas 10 (e 100 nos exames), por achar que se percebe melhor assim.

 

Quem quiser, pode fazer download da folha de cálculo, aqui

 

 

 

 

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Manipulando (e não de forma agradável)

por jonasnuts, em 10.06.16

Quanta da informação e conteúdos que consumimos é MESMO aquela que queremos e não algo que nos põem à frente, sabe-se lá com que interesses?

 

Um tema ao qual tenho dedicado uma fatia razoável de tempo, muito por causa dele, que é mais fundamentalista do que eu, mas que sempre me vai abrindo a pestana para isto e para aquilo.

 

 

UPDATE: sem desdizer o que eu digo mais acima na introdução deste post, vale a pena ver o vídeo ali de cima, desmontado, neste artigo.

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Walk down memory lane

por jonasnuts, em 10.06.16

SAPO - Paginas Gratuitas (1).jpg

 

Quem me conhece sabe que sou uma maricas. Sou uma maricas com pessoas, e sou uma maricas com projectos que de alguma forma marcaram. Sou uma maricas com os meus meninos. Sejam pessoas, sejam serviços.

 

Há projectos nos quais estive envolvida que fazem parte da minha vida. O Terràvista, claro, mas também as Homepages do SAPO, os Blogs do SAPO, a MEO Cloud e, num patamar um bocadinho diferente, o SAPO Fotos.

 

De todos, o único de cujo falecimento tive de tratar, foram as Homepages do SAPO. Já aqui falei disso (auto-link).

 

Fui para o SAPO em 2000, fazer as Homepages, juntamente com o Eduardo. Contrataram-me para fazer a coisa, e depois disseram, "não temos equipa técnica, trate disso". E eu tratei. Foi um no-brainer.

 

Parte do código já estava feito (e teve de ser refeito, diga-se), encomendado a uma empresa externa. Era uma bosta, percebemos logo. Com base na bosta de código que nos deram para trabalhar, renegociei logo o orçamento. Ainda me lembro, acabadinha de sair do ministério da cultura, onde todos os tostões eram contados, a minha alegria em reduzir o orçamento das Homepages numa catrefada de milhares de contos (era o que se usava na altura). Ninguém, no SAPO percebia porque é que eu estava tão satisfeita. Ok, o dinheiro não era um problema para eles, mas eu vinha formatada doutra maneira. O mail com a redução do preço esteve colado na parede atrás de mim durante uns anos. Ainda o devo ter por aí algures, numa gaveta.

 

Uma das coisas de que gostei no SAPO foi da autonomia Deram-me uma coisa para fazer, deram-me um prazo, que eu aceitei, e depois foram à sua vidinha e deixaram-me a trabalhar, sem grandes interferências.

 

O serviço foi lançado dentro do prazo estipulado, e foi um sucesso imediato. Claro. Pusemos ao nosso serviço aquilo que tínhamos aprendido no Terràvista, e pudemos fazer a coisa de raiz. Cometemos erros, evidentemente, mas foram erros diferentes dos primeiros.

 

Chateou-me o nome. Eu tinha anti-corpos com o SAPO. Porque o SAPO dizia que era o site português mais visitado, e na altura não era, na altura era o Terràvista :) Homepages do SAPO não era uma marca, ou melhor, era, mas era uma marca branca. Gostava que o serviço se tivesse chamado Páginas Tantas. Era para ter sido, mas o Dr. Baldino na altura tinha uma visão para os serviços do SAPO. E ele era tão teimoso como eu. E chefia. Homepages do SAPO ficou.

 

Aquela era uma altura (2000) em que a gestão de produto fazia mais ou menos tudo, excepto o design e o código. Os textos, o customer care, a promoção e comunicação, a dinamização da comunidade, a especificação de novas funcionalidades, a avaliação dos números. Tudo era feito por mim. Continuo a gostar de meter a mão na massa em todas as áreas de todos os projectos em que me envolvo. Continuo a fazer customer care (acho que toda a gente envolvida num projecto deve fazer customer care). Nas Homepages do SAPO nunca deixei de o fazer. Sou a única pessoa com acesso à conta de mail das Homepages (embora haja outras formas de contactar a equipa de customer care do SAPO).

 

Há muitas histórias. Muitas noitadas. Alguns dramas de utilizadores (dramas mesmo). Muitas alegrias. Muitos mails simpáticos. Alguns antipáticos, mas poucos. Muitas explicações do que raio era o html. E o Front Page. 

 

A autonomia nunca se perdeu. Houve um momento, algures entre 2002 e 2003 em que o Celso Martinho (fundador do SAPO, na altura director técnico, mas metia o nariz na parte da estratégia dos serviços propriamente ditos) queria capitalizar para o SAPO o sucesso das Homepages. As homepages do SAPO, o seu conjunto, tinham mais visitantes que a Homepage do SAPO. O Celso achou que seria boa ideia colocar uma "marca de água" em todas as páginas das Homepages do SAPO. Portanto, as pessoas tinham lá os seus ficheiros e os seus sites, e a plataforma colocaria uma marca de água com o logótipo do SAPO, que apareceria por cima (ou por baixo, como quiserem) de todas as páginas desse site. Um disparate.

 

Expliquei ao Celso que era um disparate e que as pessoas iriam reclamar (e com razão) e que em user generated content nunca queremos colocar a imagem da nossa marca, porque nunca sabemos o que é que lá vai aparecer. Os meus argumentos não o convenceram, e as várias reuniões que tivemos acerca desse assunto acabaram sempre da mesma forma "faz lá o que te estou a dizer, e põe a marca de água" e eu respondia, "ok, vou então tratar disso". Até hoje. De tempos a tempos lá voltava o Celso à carga, e eu dizia que havia muito para fazer (e havia), mas que trataria assim que possível. Pelos vistos, nunca foi possível. Hoje é brincadeira entre ambos. Às vezes pergunta-me "já trataste da marca de água?" e rimo-nos, ambos. Ainda hoje não concordamos sobre o impacto e a razoabilidade do pedido :)

 

A exploração comercial das Homepages também foi uma luta. Tantas visitas chamaram a atenção do Director Comercial, o João Paulo Luz, que queria à força banners, e pop-ups e pop-unders, e skyscrapers e o raio que o parta, a que eu sempre fui alérgica, sobretudo em user generated content. Neste caso a estratégia da promessa não cumprida não iria funcionar, e a recusa teve de ser feita de outra forma, sobre a qual não posso falar, mas que foi eficaz. Até ao fim, as Homepages do SAPO nunca tiveram nem publicidade nem marca de água.

 

Os destaques e as categorias eram uma labuta. Toda a gente queria destaque (ainda hoje, noutros serviços), e era frequentemente acusada de serem sempre os mesmos destaques (uma acusação comum, para quem quer que seja que faça destaques), e até acusações de receber subornos para atribuir categorias "óptima" e "excelente". Uma vez dei uma desanda tão grande a um utilizador que me telefonou com essa acusação, que todo o open space parou e ficou a ouvir, a achar que eu ia ter um ataque cardíaco de tão alterada que eu estava.

 

As Homepages autenticavam usando o NetBI. A única razão pela qual os servidores do NetBI ainda estão em funcionamento, é a existência das Homepages. Acho que agora o NetBI pode morrer também.

 

Aprendi muito, com as Homepages e com os seus utilizadores. Foram as Homepages que me permitiram, no SAPO, ganhar know how (e capital político) para fazer outras coisas, os Blogs do SAPO, por exemplo e, mais tarde, a MEO Cloud. 

 

Agora que estamos na fase final de descontinuação do serviço (ainda não terminou, ainda há customer care para fazer, tentando que o encerramento tenha o menor impacto possível), este post serve de homenagem ao serviço (eu avisei que sou maricas), de registo de algumas das peripécias e lutas de que os utilizadores não se aperceberam (nem tinha de se aperceber), e para agradecer, a todos os que de alguma forma me ajudaram a levar este serviço a bom porto.

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IAVE __ Contactos.jpg

 Aqui há uns tempos falei (auto-link) sobre a minha tentativa de encontrar os enunciados completos (com modelos tridimensionais) dos exames de desenho do 12º ano.


No sítio onde era suposto estarem, no site do IAVE, apenas dois ou três enunciados estavam completos.

 

Obviamente contactei o IAVE, avisando que muitos enunciados estavam incompletos, e perguntando se iriam corrigir e quando.

 

E recebi resposta. E nem sequer demorou muito tempo (3 dias).

 

"Em resposta ao V. e-mail, informamos que deve recorrer ao arquivo de Escola."

 

Pronto, é oficial. O IAVE vai fechar aquela secção do site, porque, já se sabe, todos os enunciados de todos os exames estão no arquivo da escola, pelo que não precisam de estar duplicados online.

 

Se me dissessem, vamos corrigir, mas enquanto não corrigirmos, pode recorrer ao arquivo da escola. Muito bem, seria uma excelente resposta.

 

Agora este "vai mazé ao arquivo da escola e não chateies mais" encanita-me.

 

Mas eu sou esquisita.  

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Ciclos e contraciclos

por jonasnuts, em 01.06.16

Homepages.jpg

 

Faz em Dezembro 16 anos que comecei a trabalhar no SAPO. 

 

Vim sem conhecer ninguém. Candidatei-me espontaneamente, alguém viu o meu CV e chamou-me para vir fazer o serviço de alojamento gratuito de páginas pessoais do SAPO. Por causa da minha experiência com o Terràvista.

 

O serviço foi definitivamente terminado hoje, depois de muitos avisos, e de marcha-atrás para que nenhum utilizador ficasse demasiado prejudicado.

 

Foi comovente, para mim, receber muitas mensagens de "foi nas homepages do SAPO que comecei a fazer experiências com html, adolescente, e hoje trabalho nesta área, obrigado", ou "melhor serviço do SAPO desde sempre, obrigado por terem estado desse lado". Foram muitos os mails deste tipo que recebi. Também recebi uns menos simpáticos, mas com a mesma intenção.


Um serviço com tantos anos, e que há já alguns que não tinha qualquer desenvolvimento ou evolução (não fazia sentido), mantido exclusivamente para que os utilizadores não perdessem conteúdo e endereços, e vá, um bocadinho de dificuldade minha em acabar com coisas com as quais tenho relações emocionais.

 

As Homepages foram o primeiro serviço que fiz no SAPO. 

 

O ano de 2015 deu início a uma série de encerramentos de ciclos da maneira mais dramática possível. Pessoais e profissionais. 2016, apesar de mais light, felizmente, está a continuar a tendência.

 

Muitos ciclos que se fecham. Pessoais e profissionais.

 

No entanto, ao contrário de 2015, 2016 está também a ser um ano em que há ciclos que se iniciam.

 

Ciclemos.

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