Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Jonasnuts

Jonasnuts

Uma década de Ensitel

Jonasnuts, 27.12.20

Logotipo Henricartoon.jpeg.jpg

Há 10 anos, como hoje, estava de férias.

Estava preocupada. Uns dias antes tinha recebido uma convocatória, para ir a tribunal, porque a Ensitel, uma empresa com que eu tinha tido um conflito de consumo, dois anos antes, queria que eu apagasse os posts em que tinha descrito a situação e, em cima disso, queria ser indemnizada pelos danos causados pelo facto dos primeiros 5 resultados da pesquisa à palavra Ensitel fossem os meus posts (nada abonatórios - mas verdadeiros).  Eu não queria apagar os meus posts, mas, acima de tudo, não queria pagar nenhuma indemnização, porque, sendo uma tesa, já me estava a ver a ter de pedir um crédito pessoal, que passaria o resto dos meus dias a pagar. Por contar a minha história.

Escrevi um post (auto-link) sobre o assunto e fiz um tweet para o Pedro Aniceto, no Twitter (sempre o Twitter, não é?). O Pedro perguntou o que se passava. Dei-lhe o link do post. Ele leu e decidiu fazer um tweet. O rastilho.

Depois disto, todo e qualquer controlo que eu tivesse sobre a situação, deixei de ter.

O que se seguiu foi absolutamente épico, avassalador, assustador, divertido, comovente, e à nossa dimensão, um ponto de viragem na forma como muitas marcas passaram a encarar a importância das gestão profissional das suas redes sociais.

Para quem não sabe, ou não se lembra, a história pegou fogo, primeiro no Twitter, depois passou para o Facebook, Blogs (a blogosfera, na altura, tinha muito mais importância e vigor do que o que tem hoje) e, da Blogosfera para a comunicação social tradicional, foi um tirinho, de repente eu estava nos telejornais (todos menos a sic), e nas rádios, e a dar entrevistas para jornais e o diabo a sete. A marca insistiu, durante uns dias, no processo de tribunal, mas não aguentou a enorme pressão a que foi sujeita (online e offline) e acabou por pedir desculpas e retirar a queixa (auto-link), no dia 31.

 

Nunca escrevi sobre o tema, visto de fora. Na altura por achar que não tinha distanciamento suficiente (e não tinha, embora a minha análise técnica não andasse muito longe da realidade), mais tarde porque andava ocupada a palestrar sobre o assunto em tudo o que eram pós-graduações e gabinetes-crise de empresas (devia ter cobrado  - não devia nada :) e depois porque não fazia sentido, já tinha passado algum tempo, não havia razão para regressar ao um assunto que já estava encerrado.

Uma década parece-me suficientemente efemérico para que eu partilhe, agora com a devida  distância, a minha leitura sobre os fatores que foram fundamentais para que se criasse a tempestade perfeita.

 

Foram 5 fatores. Todos fundamentais:

Timing. Empatia. Reputação. Posicionamento. Network.

 

Timing - Esta é a mini silly season do ano, não é? Aquela semana entre o Natal e o fim-do-ano em que, do ponto de vista mediático raramente algo de transcendente acontece. 2020 está a provar ser a exceção à regra, porque pandemia e vacina, mas há 10 anos, nada estava a acontecer. Foi portanto muito fácil que os órgãos de comunicação social tradicionais pegassem no assunto e lhe dessem uma visibilidade que, de outra forma, dificilmente teria conseguido ter.  Uma semana depois, Carlos Castro era brutalmente assassinado. Se o homicídio tivesse acontecido uma semana antes, o caso Ensitel não teria acontecido com a mesma violência mediática.

 

Empatia - Esta era uma situação David versus Golias. Muitas pessoas acharam que se tratava de um conflito de consumo. Escapou-lhes a nuance de que era um tema de liberdade de expressão. Mas ainda bem, na parte que me tocou, porque, tratando-se de um conflito de consumo, foi-lhes fácil colocarem-se no meu lugar. É sempre mais fácil empatizar com o que nos é familiar, e com aquele que, para além de nos representar é também, aparentemente, o elo mais fraco. A corrente de solidariedade foi extraordinária e manifestou-se das mais diferentes formas. Ainda hoje é o que me comove. Voltava a passar pelo mesmo (e olhem que apanhei mesmo um valente susto), porque o saldo foi positivo, à conta da solidariedade de pessoas que, na sua grande maioria, não me conheciam de lado nenhum.

 

Reputação - O único ponto para o qual contribuí um bocadinho. A situação estava explicada no meu blog e eu usava o Twitter e o Facebook de forma assídua. Não era uma pessoa completamente desconhecida, não era uma presença online criada especificamente para tratar daquele tema. Quem optou por um posicionamento de "deixa lá ver quem é esta caramela, e se não é uma oportunista a tentar sacar um smartphone à Ensitel" encontrou o meu blog, que já levava 5 anos de posts frequentes (muito mais frequentes do que hoje e dia), em que falava de tudo e um par de botas, este blog sempre foi estéreo temático. Puderam assim perceber que não se tratava de uma coisa oportunista, e que eu era uma pessoa real. A minha reputação jogou a meu favor. 

 

Posicionamento - Arrogante e ignorante da Ensitel. Logo à partida por ter optado pela via judicial, mesmo depois de terem sido aconselhados a optar pela via das relações públicas (Portugal é um T0, soube pouco depois com quem é que falaram para se aconselhar e que recomendações decidiram ignorar). Em segundo lugar, o posicionamento de amadorismo na gestão dos seus canais de comunicação, nomeadamente a página de Facebook. Isto começou na noite de segunda-feira 27. As redes sociais não dormem. Quando os senhores da Ensitel chegaram à sua página de Facebook no dia 28 a meio da manhã ficaram, em primeiro lugar, agradavelmente surpreendidos com o enorme salto no número de likes/seguidores, para depois ficarem aflitos com o teor do que os novos seguidores lhes tinham escrito nos comentários e, pior, na própria timeline (que estava aberta, permitindo posts de pessoas estranhas à organização). E olhem que alguns desses comentários eram...... vá....... muito gráficos :) A primeira reação foi a reação errada. Apagar. Foi lançar gasolina para as chamas. Acicatou a raiva das pessoas. Confirmou a censura. Foi pior a emenda que o soneto, claro. A segunda reação não foi melhor, começaram a responder aos posts e aos comentários, atacando-me e dizendo que eu era uma oportunista, sem perceberem que não podiam porque, ver mais acima - reputação - quem me conhecia, conhecia-me, quem não me conhecia já tinha tido tempo para formar opinião. Este posicionamento arrogante e amador foi fundamental. 

 

Network - Eu não era (e não sou) uma figura pública. Não era (e não sou) uma pessoa com meios pessoais e profissionais à disposição para combater uma coisa destas em igualdade de circunstâncias. Mas tinha (e tenho) um network cheio de pessoas poderosas, por um motivo ou por outro. Teria bastado à Ensitel fazer uma pesquisa sobre mim para concluir que eu não seria, à partida, grande ameaça mas que, se calhar, conhecia gente suficientemente relevante para que tratassem da coisa com mais cuidado. Ou, teria bastado isso, tivessem ouvido o conselho e a recomendação das pessoas com quem falaram inicialmente "olhem lá que isso é a Jonas - se calhar não é boa ideia".

 

Estes foram, para mim, os 5 fatores que, em conjunto, permitiram que se criasse o circo mediático que, para mim, terminou como começou, com o Pedro Aniceto, que foi quem me telefonou (eu tinha decidido afastar-me um bocadinho do teclado - e tinha saído de casa). "Acabou. Eles desistem e vão retirar a ação" - não disse nada eu, só suspirei. Um longo suspiro de alívio. E de vitória. Mas sobretudo de alívio.

Regressei a casa. A primeira coisa que fiz foi tirar o botão de donativos que tinha, renitentemente, colocado na noite anterior para aceitar ajuda no que eu previa que ia ser uma longa e cara batalha judicial. A segunda coisa que fiz foi agradecer e devolver, até ao último tostão, todo o dinheiro que tinha recebido. Dádivas desde €1 até €150 (acho, não fui confirmar - mas ainda tenho todos os registos), por todas elas estive (e estou, e estarei) muito grata. Pessoas que não conhecia de lado nenhum que me quiseram ajudar. Nunca conseguirei retribuir.

Os senhores da Ensitel confirmaram o que tinham escrito na sua página de Facebook, enviando um mail (falharam até ao fim, nem na porcaria do telefone tiveram pedal para pegar) e pude descansar. 

Escrevi um post a encerrar o assunto (auto-link). E encerrei. Não voltei a falar sobre o tema específico aqui, até agora.


Foi há uma década. Dez anos é muito tempo, dizia o outro senhor. Por um lado parece que foi ontem, por causa das pessoas. Por outro lado, parece que foi há muito mais tempo. Foi avassalador, para mim, a título pessoal e também profissional. Dei (e continuo a dar) muita formação sobre posicionamento e reputação, estratégia de comunicação digital, gestão de crises (sobretudo porque já estive dos vários lado da crise) e gestão profissional de redes sociais. São, ainda hoje, das minhas formações as que mais procura têm, sobretudo agora, que começa a haver a noção de que todos somos (ou podemos ser) uma marca, e que a nossa reputação digital faz parte da nossa identidade e pode ser um fator fundamental no nosso posicionamento online com repercussões no offline. Válido para pessoas e para marcas.

 

O que me ficou disto tudo? Um episódio para contar aos mais novos (o puto só tem uma vaga ideia - assim como assim, tentei poupá-lo), a suspeita de que posso ter contribuído para mudar alguma coisa no panorama da comunicação digital em Portugal e, sobretudo, acima de tudo, a generosidade das pessoas. Só por isso, valeu a pena. 

 

Obrigada.

Grupo profissional de varrimento de votações

Jonasnuts, 30.11.20

Este é o tipo de coisa que me diverte muito.

Chego a este tema por via do João Almeida, o atleta português, do ciclismo, que andou meia volta à Itália com a camisola cor-de-rosa.

Uma conta/site especialista em conteúdos de ciclismo decide lançar uma votação, em várias mãos, que se destina a eleger o melhor rider de 2020. O esquema é sempre o mesmo, colocam nome de dois ciclistas numa poll e o que tiver mais votos, passa à eliminatória seguinte.

Ora, isto não tem nada a ver com competências atléticas ou desportivas, pois não?  Isto são votações no Twitter. Valem o que valem. Bora lá votar no João Almeida, que ainda por cima nasceu em 98. Entusiasmei-me com a coisa e comecei a fazer campanha.

Nesse momento constato que, longe de estar só, estou mesmo muito bem acompanha por pessoas que parecem profissionais da coisa.

É nessa altura que sou apresentada ao grupo informal mas profissional de varrimento de votações. Sempre que há um português a votos, este grupo mobiliza-se para divulgar a votação, apelando ao voto nos portugueses a concurso.

 

Com a ajuda do Michael Seufert chego à origem deste grupo. Consta que tudo começou em finais de março, com uma votação sobre futebol, dos Les Réservistes, em cujo início foi tudo apanhado um bocadinho de surpresa, como se nota.

 

(24) Les Réservistes on Twitter_ _Seizième de

Na mesma altura do torneio, Vítor Baía foi nomeado nos 16 avos de final e é nessa altura que as pessoas acordam para a coisa. E por pessoas, não me estou a referir a mim, ou a qualquer vulgar user de Twitter, estou a referir-me a (ia dizer influencers, mas depois eles davam-me um tiro), estou a referir-me a pessoas bem abonadas, do ponto de vista dos followers. O Sir_Bronn_ o insoniascarvao, o rsaraiva, o aquilespintoPT,EuSouZarolho, o seufert para citar apenas alguns. Ora, o resultado deste envolvimento começou por ser o do Baía ganhar ao Buffon. AO BUFFON!

(30) Les Réservistes on Twitter_ _Quart de final

A diferença de votos entre votações onde participa um português e votações onde não participam portugueses é considerável.

(30) Micha - pessoa que escreve cenas on Twitter_

Claro que, melhor ainda do que os concorrentes portugueses ganharem, foram os comentários. Quer do portugueses que votavam, quer do resto do mundo, absolutamente pissed.

Nessa votação, que não consigo recuperar, todos os jogadores portugueses a concurso ganharam as polls em que participaram. 

Regressemos às polls do João Almeida.

À medida que vão sendo ganhas mãos, a dificuldade vai aumentando.

(25) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20

 

(6) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(7) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(9) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(9) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

Muitas têm sido as contas que alinham na divulgação de cada votação. Para além das já citadas, há outras como a Paula Neves, a Ana Ni Ribeiro (que foi quem me deu o título do post), a Raquel Shelby Vaz Pinto, a Umbelina, para me manter agora num universo feminino e isto é sempre injusto, porque é tanta gente que não dá para referir todas as contas.

Mas, o melhor disto tudo são os tweets, o humor, os códigos que se criam, as cumplicidades. E o facto do resto do mundo estar pissed, claro :)

Como diz o Sir Bronn, "Vencer polls é bom mas dar-lhes cabo da moral dessa forma é magnífico."

Apareceu neste processo uma frase que colou e que é usada por todos, com ligeiras variações que lhe conferem maior ou menor portugalidade, nomeadamente a presença ou não da última palavra. 

É a minha próxima t-shirt (a frase tem de ser mais genérica, tem de ter outra fonte e falta-lhe um ponto final - e nunca deixei de ser produtora).

 

nexttshirt-1.jpg

(A t-shirt é da autoria do Edu)

Já estão anunciados os concorrentes para os 16 avos de final, o que significa que mais daqui a bocadinho, recomeça tudo de novo.

Bora lá overperformar mais esta. Bora lá ganhar isto outra vez. 

:)

 

Amém

Jonasnuts, 30.03.20

Se as missas fossem todas assim, eu nem me importaria muito......(SQN).

Isto é maravilhoso.

E, para quem percebe italiano, mais maravilhoso ainda. O coitado do senhor não se apercebeu de que tinha sido ele próprio a ativar os filtros, e está a dar um pequeno responso no senhor que gosta de desenhos e que está a desenhar por cima da cara dele. 

 

Jon Stewart

Jonasnuts, 22.08.18

Uma pessoa ainda está furiosa por ele nos ter abandonado num momento de tanta necessidade.

Uma pessoa ainda não lhe perdoou ele ter desaparecido.

Uma pessoa ainda está ressentida e ávida de tudo o que sejam oportunidades de matar saudades (mas não chegou a tempo dos bilhetes no Royal Albert Hall).

 

Mas depois descobre que o gajo anda ocupado com este tipo de coisas:

 

 

 

E uma pessoa pensa....... porra Jon, tu conseguias fazer as duas coisas ao mesmo tempo, caraças.

 

As saudades que eu tenho deste gajo........

 

A notícia completa, aqui.

#jonasnacarris

Jonasnuts, 30.05.16

Por motivos que agora não interessam (mas de que não me esqueço), passei a ir de transportes públicos para o trabalho.

 

Todos os dias de manhã saio de casa, de carro, levo o puto à escola, deixo o carro por lá e apanho o autocarro para o trabalho. Ao fim do dia, é o percurso inverso.

 

Ainda estou na fase em que consigo achar piada às coisas, e vou comentado o que me rodeia, à medida que vai acontecendo, no Twitter. Uso a hashtag #jonasnacarris

 

Mas, brevemente, vai esgotar-se a piada da coisa. E isto da nossa relação com os transportes públicos é como qualquer outra relação, tem de ser alimentada e acarinhada, senão cai-se na monotonia.

 

Por isso, quando as coisas começarem a esfriar, e a piada começar a esfumar-se, será necessário fazer algo que reacenda a chama. Não é uma questão de "se", é uma questão de "quando", pelo que já comecei a pesquisar. E em boa hora o fiz. 

 

Já tenho a ideia que vai reactivar a minha relação com os transportes públicos em geral, e com a Carris em particular.

 

Provavelmente depois das férias, investirei em algo deste género:

 

 

Terei, no entanto, de descobrir forma de levar uma go-pro atada à cabeça, para filmar as reacções das pessoas. Ideias procuram-se :)