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Jonasnuts

Jon Stewart

Uma pessoa ainda está furiosa por ele nos ter abandonado num momento de tanta necessidade.

Uma pessoa ainda não lhe perdoou ele ter desaparecido.

Uma pessoa ainda está ressentida e ávida de tudo o que sejam oportunidades de matar saudades (mas não chegou a tempo dos bilhetes no Royal Albert Hall).

 

Mas depois descobre que o gajo anda ocupado com este tipo de coisas:

 

 

 

E uma pessoa pensa....... porra Jon, tu conseguias fazer as duas coisas ao mesmo tempo, caraças.

 

As saudades que eu tenho deste gajo........

 

A notícia completa, aqui.

#jonasnacarris

Por motivos que agora não interessam (mas de que não me esqueço), passei a ir de transportes públicos para o trabalho.

 

Todos os dias de manhã saio de casa, de carro, levo o puto à escola, deixo o carro por lá e apanho o autocarro para o trabalho. Ao fim do dia, é o percurso inverso.

 

Ainda estou na fase em que consigo achar piada às coisas, e vou comentado o que me rodeia, à medida que vai acontecendo, no Twitter. Uso a hashtag #jonasnacarris

 

Mas, brevemente, vai esgotar-se a piada da coisa. E isto da nossa relação com os transportes públicos é como qualquer outra relação, tem de ser alimentada e acarinhada, senão cai-se na monotonia.

 

Por isso, quando as coisas começarem a esfriar, e a piada começar a esfumar-se, será necessário fazer algo que reacenda a chama. Não é uma questão de "se", é uma questão de "quando", pelo que já comecei a pesquisar. E em boa hora o fiz. 

 

Já tenho a ideia que vai reactivar a minha relação com os transportes públicos em geral, e com a Carris em particular.

 

Provavelmente depois das férias, investirei em algo deste género:

 

 

Terei, no entanto, de descobrir forma de levar uma go-pro atada à cabeça, para filmar as reacções das pessoas. Ideias procuram-se :)

O Charlie é mais sexy que o Carlos

Já se escreveu tudo o que havia para escrever sobre o ataque terrorista à revista Charlie Hebdo, pelo que não vale a pena estar aqui a escrever sobre o assunto.

 

Vale a pena, para mim, escrever sobre dois temas relacionados, nenhum deles propriamente novidade aqui na chafarica.

 

A primeira, e mais rápida, tem a ver com a forma como tive conhecimento do que estava a acontecer. Pelo Twitter, evidentemente, uma boa hora e meia (para ser simpática) antes de ver a coisa referida em qualquer órgão de comunicação social tradicional. Ao longo do dia (e do dia seguinte e, provavelmente hoje também), sempre me mantive actualizada pelo Twitter, e sempre soube mais e mais cedo do que teria sabido se tivesse acompanhado a coisa de outra forma. Não é novidade, mas fica a nota.

 

A segunda tem a ver com a quantidade de "Je suis Charlie" que vi espalhados pelo Facebook e pelo Twitter e pelos Blogs e pelos jornais e em todo o lado. Muito bem, acho lindamente que nos solidarizemos com as vítimas do ataque. Quer as vítimas humanas quer as não humanas (a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, o islão, etc....).

Mas gostava que, além de serem Charlie, as pessoas também fossem, no seu dia-a-dia, sem ser preciso que morra gente, Carlos.  

 

É que defender a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa lá nas franças é fácil, e bonito, e hipster (e importante), mas mais difícil é fazê-lo no seu dia-a-dia, por estes lados.

 

Ao longo dos anos que levei a gerir serviços de user generated content foram inúmeras as tentativas de remoção de opinião alheia, com que não se concorda. Não havia semana em que não se recebesse um mail, a pedir para que se removesse a Homepage A, o Blog B, ou o comentário C porque aquilo que lá estava escrito insultava (o autor do mail, o seu partido, a sua religião, a sua empresa, a sua mulher, a vizinha, o gato, o cão, whatever).

 

As pessoas gostam muito da liberdade de expressão, desde que a liberdade expresse opiniões politicamente correctas e com as quais estejam de acordo. É fácil defender a liberdade de expressão, assim. Difícil é quando não concordamos.

Portugal é uma democracia muito nova. Demasiado nova. Longe de estar amadurecida. Um programa como o do Jon Stewart, o do Stephen Colbert, o do Bill Maher, ou mesmo o do John Oliver seria impossível em Portugal. Não só isto é muito pequenino e toda a gente conhece toda a gente, mas também não temos maturidade democrática para conviver pacificamente com a mordacidade que pode morder-nos os calcanhares.

Pior ainda quando as coisas não são feitas às claras. Não há um mail, há um telefonema, para pessoas, a exigir que se apague isto ou aquilo ou aqueloutro, com ameaças veladas, mas com um sorriso nos lábios.

 

Gostava muito que todos os Charlie que nasceram ontem, pudessem ser mais Carlos, no seu dia-a-dia.

 

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