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Jonasnuts

Caro Observador

Gosto muito do teu formato (embora, não necessariamente do teu conteúdo, sempre). Acho que estás no grupo da frente dos órgãos de comunicação social tradicionais, no que ao online diz respeito. É um caminho que não fazes sozinho, mas ao qual chegaste há pouco tempo, pelo que estares no grupo da frente é bom sinal.

 

O teu clickbait, que, convenhamos, existe, é, normalmente inteligente, apesar de um ou outro artigo que roça o boçal. Pronto, uma andorinha não faz a Primavera. O saldo é, quanto a mim, positivo.

 

Mas não serve de nada teres em rodapé das notícias um "Proponha uma correção, sugira uma pista: endereço@de.mail"  se depois não dás uso à informação que te chega por essa via. Por via do mail, esse sim, filho do falecido, ao contrário do @.

 

Na notícia de 6/03/16 reportando a morte de Raymond Tomlinson, referes logo no título um erro básico. 

Morreu o pai da tão usada arroba - Observador.jpg

Ora..... o homem tem descendência muito mais importante e, acima de tudo, mais real. A descendência que lhe apontas, é bastarda, portanto.

 

O famoso @ não foi inventado por Tomlinson. Este deu-lhe o uso a que hoje estamos mais habituados, é um facto, mas está longe de ser o pai da coisa, como, aliás, uma rápida pesquisa poderia ter confirmado.

 

Mas pronto...... errar é humano. 

 

Errar e persistir, quando alertado para o erro através dum mecanismo que tu próprio disponibilizas no rodapé da notícia também é humano, mas é em simultâneo, vá, burro.

 

Podes dizer que o tema é pouco importante, e que o que interessa é o sentido lato da coisa, e que não é o pai mesmo pai, mas que anda lá perto. E não estarás errado. Mas eu também avalio as coisas simples. Porque se um meio não acerta nas coisas simples, como é que vai acertar nas complicadas?

 

Muda lá a paternidade do @ na notícia. É fácil. Pões umas aspas, ou substituis pai por padrasto ou, melhor ainda, fazes como o Público, e referes a invenção que realmente importa. A do mail. Mas, lá está, tu não vês mails.

Grammar nazi

Sim, sou eu.

 

Não escrevo sem erros. Mas tento. A maioria dos meus erros é constituída por gralhas, embora não todos. 

 

Sempre defendi que, quem, em nome duma empresa, contacta directamente com o público, tem de escrever irrepreensivelmente.

Este meu fundamentalismo nem sempre é compreendido. Normalmente, quem gere equipas de customer care não valoriza a correcção ortográfica, e torce o nariz, quando escrevo na descrição "deve saber escrever sem erros de português, sejam ortográficos, sejam de construção, sejam de concordância, etc.". Das minhas entrevistas, faz parte uma redacção e/ou um ditado. Toda a gente estranha muito. 

 

Há certos erros com que embirro particularmente. A mistura entre o HÁ e o À é uma dessas embirrações. A utilização errada do hífen é outra.

 

Vejo sempre os mails que nos "meus" serviços são trocados com os utilizadores. Para avaliar (e corrigir, se for caso disso) a resposta técnica, e o português.

 

As pessoas primeiro estranham, e depois entranham.

 

Sabe bem, por isso, receber de alguém que trabalhou comigo (e não para mim, como, erradamente, diz) uma imagem reveladora de que o meu radicalismo, ainda que de forma ténue, surte algum efeito, mesmo quando as pessoas já não trabalham comigo :)

 

Ana Sofia.jpg

 

 

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