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Jonasnuts

Caro Tozé Brito (claro que mete a #pl118)

É com muito gosto, e penalizando-me pela demora, que retomo a nossa correspondência. (Ver 1ª carta, ver 2ª carta).

 

Gostei muito da entrevista que deste ao Jornal i, e gostei, sobretudo, porque significa que te encontras bem de saúde. Quanto ao resto, como já sabes, estamos em lados opostos da barricada.

 

Gostaria de te felicitar, também, pelo oportuno e espectacular sentido de oportunidade, uma sorte, um acaso, que o Jornal i tenha decidido, de repente, entrevistar-te, bem como a outros tubarões (e o termo é carinhoso, evidentemente) da indústria fonográfica. Ser media bitch não é para todos.

 

A entrevista que deste, carece de muitas coisas, nomeadamente de factos reais, completos, verdadeiros e honestos. Por exemplo, a quebra de 38% nas vendas de CDs, vinis e DVDs musicais não teve qualquer impacto na venda das músicas. Não sei se sabes, mas há uma coisa chamada iTunes (para dar apenas um exemplo), que vende música, sem que seja necessário um suporte físico. Há também serviços como o do Spotify (para dar apenas um exemplo), em que tu pagas para ter o direito a ouvir música, sem que tenhas de ter qualquer suporte físico, e há, ainda, a Amazon (para dar apenas um exemplo), onde muitos portugueses (yours truly, por exemplo) compra os poucos CDs que lhe apetece comprar. Há anos que não compro CDs. E DVDs, musicais ou dos outros, vêm de fora. Mais variedade, mais qualidade, sobretudo, menos DRM. Nunca deixei de comprar música. Confundir-me com pirata, ou querer fazer-me passar por criminosa é coisa que me irrita. Solenemente.

 

Também não concordo contigo, quando dizes que daqui a 10 ou 15 anos não haverá pessoas a viver da música. Eu reescreveria a tua frase, dizendo que, espero ardentemente que, daqui a 10 ou 15 anos, as únicas pessoas a viver da música sejam aqueles que de facto estão envolvidos na criação e interpretação da música, dispensando as indústrias parasitas que a evolução do tempo, da tecnologia e das mentalidades se encarregará de expulsar de um processo com o qual já nada têm a ver, e onde estão apenas para tentar preservar, à força da legislação, um modelo de negócio que já não faz sentido.

 

Até há uns anos, os autores, criadores, artistas, sabes, aqueles que de facto produzem aquilo que as pessoas querem consumir, dependiam das grandes empresas. E dependiam de várias formas. O equipamento profissional para gravação das músicas estava nessas grandes empresas, a distribuição passava por essas grandes empresas, e a promoção, a mesma coisa.

 

Mas, a evolução tecnológica, mudou radicalmente o panorama que em cima te descrevi (e que tu tão bem conheces), hoje, qualquer pessoa pode ter em casa um estúdio onde produz e grava com muita qualidade. Com a Internet, pode fazer o seu site, promovendo o seu trabalho. Pode pegar no mail, e mandar samples das suas músicas para as rádios. E pode criar a sua legião de fãs (umas maiores, outras mais pequenas), à medida que o seu trabalho vai sendo conhecido e divulgado, pelas redes sociais, a famosa web 2.0 é uma importante ferramenta de comunicação, e vocês, não a dominam. Um autor, pode fazer tudo isto, sem que haja um CD envolvido, sem que vocês sejam necessários, transformaram-se num peso morto.

 

O vosso modelo de negócio, tornou-se obsoleto; o da exploração de conteúdos alheios, e em vez de evoluirem, vocês optaram por estagnar, cobrir a cabeça com os cobertores, e usar lobbies para que a legislação proteja o vosso negócio (e estilo de vida, convenhamos), já completamente ultrapassado.

 

 

Por último, um desabafo. Que merda de jornalista te tocou na rifa. Sem fazer quaisquer perguntas de jeito, oportunas, aquilo que qualquer pessoa com dois dedos de testa teria perguntado, nesta altura do campeonato, com a PL118 em cima da mesa e nas bocas do mundo, enfim, tu deves ter gostado, foi fácil, lá está, foi meter a K7 e dizer aquilo que já dizes há uns anos, mas a verdade é que trabalho jornalístico, ali, não há. Bem sei que não tens culpa, que uma pessoa não escolhe nem encomenda as perguntas que lhe fazem.

 

Ou será que escolhe?

 

Um abraço, e um dia destes tomamos um café.

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