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Lisboa parece a casa da D. Lídia

por jonasnuts, em 14.11.10

Por motivos profissionais, durante a semana passada passei algum tempo na expo, sim, parque das nações é como lhe chamam, mas para mim aquilo é a expo e mais nada.

 

Morando no outro extremo e tendo de deixar o meu filho na escola, andei a fazer piscinas, o que me permitiu perceber que Lisboa está a engalanar-se para a cimeira da NATO.

 

Ele é bandeiras, ele é buraquinhos de estrada arranjados (mas apenas nos sítios por onde vão passar os VIPs, claro), ele é os jardins tratados, uma festa.

 

Isso recorda-me a casa da D. Lídia. Em dias normais, embora a D. Lídia não deixasse o lixo acumular-se até ao tecto, a casa estava mais ou menos, pronto, boa para os que lá viviam. Mas em dia de receber pessoas, havia longos trabalhos de preparação, arrumação, exposição de bibelots (de preferência ainda com o preço) que voltavam para as prateleiras no minuto seguinte à saída dos convidados.

 

E foi isto que me ocorreu durante as minhas viagens por Lisboa. Uma cidade pimba, que no seu dia-a-dia se borrifa nos seus cidadãos e utentes, mas agora, que vêm aí os estrangeiros, tem de estar em condições para os receber, dando-lhes aquilo que não se esforça por dar a quem cá anda todos os dias.

 

Isto é serôdio, bacoco, saloio, além de pouco inteligente. A minha casa não é o cúmulo da arrumação (longe disso), mas se me serve a mim, serve a quem lá vai. Não ando à pressa a tirar os bibelots (que não tenho), para os expor estrategicamente, nem tiro o serviço de pratos (que não tenho) ou o serviço de copos (que também não tenho) para as pessoas especiais.

 

Especiais somos nós, seus palermas, não são as visitas.

 

E se estamos em contenção, pergunto-me para que é que serve o bandeirame que vejo espalhado pela cidade, senão para gastar dinheiro.

 

Mas pronto, isto devo ser eu e o meu mau-feitio, que gostamos pouco de festas e de nos engalanarmos para as ocasiões.

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11 comentários

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De AB a 15.11.2010 às 01:31

E não esqueçamos o perigo imenso que representa levar os estrangeiros a pensar que ainda temos dinheiro para boas estradas, cuidar de jardins, etc. Neste momento era boa política levar qualquer estrangeiro pelas ruas mais decrépitas, e enchê-las de sem-abrigos com cartazes a dizer "sou professor universitário, ajudem-me".
PS
Então já temos iPhone?
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De jonasnuts a 15.11.2010 às 11:11

O meu orçamento, ao contrário do da cidade, não estica :)
Não tenho orçamento para ter um iPhone :)
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De zeferreira a 15.11.2010 às 10:46


Uma vez, numa aula de psicologia da moda, creio, numa escola acreditadíssima desta cidade(?), perguntaram-me se eu guardada a escova dos dentes quando tinha visitas em casa. Não percebi a pergunta e disse isso mesmo. A professora repetiu a pergunta mais devagar e soletrando as palavras como se eu fosse mentecapto ou tivesse dificuldades auditivas, ou ainda como quem fala portunhol para nuetros hermanos.
Quanto a ela seria normal deixar os objectos pouco estéticos espalhados à nossa vista enquanto não tivessemos em casa estranhos.
Resumindo, esta atitude bimba está enraizada desde a D.Lidia ao mais dondoco dos governantes. Somos assim, saloios e subservientes. Para nós qualquer coisa serve, mas temos que nos armar em pagens meticulosos para os outros. E quanto aos nossos politicos já conhecemos. M...para os que cá pagam os impostos e trabalham, sorbet para quem nos visita, mesmo que quem pague o sorbet sejam os que viveram o ano inteiro com a m.....
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De Claudia Paiva Silva a 15.11.2010 às 11:04


Olá Joana... só para a informar que gostei de tal maneira dos seus textos que, caso não se importe, vou adicionar o seu blog à listagem do meu..

Obrigada,

Claudia
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De jonasnuts a 15.11.2010 às 11:14

Adiciona o que quiseres, que é para isso que servem os Blogs, mas eu não sou Joana, sou Jonas (ou Maria João, se preferires :)
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De Anónimo a 15.11.2010 às 11:15


Vai falar mal do teu país para o requinto c...
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De jonasnuts a 15.11.2010 às 12:45

Porquê? É proibido? Que eu saiba, no meu país, ainda há liberdade de expressão. Isto significa que podemos dizer o que quisermos e, mais, até podemos assinar com o nosso próprio nome, em vez de sermos cobardes anónimos :)

Para a próxima já sabe :)
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De Claudia Paiva Silva a 15.11.2010 às 13:33


OK.. Tem de me dar um desconto. É segunda-feira e este fim de semana soube-me a férias (que não as tenho há já dois anos e, se tudo correr bem, ou seja, se conseguir mais um ano de contrato de trabalho - a crise toca aos jovens estagiários também.. ah pois é!-, continuarei sem ter) e o tico e teco estão como os do Governo.. lentos lentos...
Peço desculpa pela troca de nomes... ehehe!

Obrigada! =)
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De jonasnuts a 15.11.2010 às 13:34

Percebo bem o tico e o teco, também tenho uns desses :)
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De Veny a 18.11.2010 às 22:17

Preparar a casa para as visitas é tão portugaaaa. É um habito tão enraizado que até mete confusão. Cá em casa há serviços de copos que só devem ser usados em ocasiões especiais, que ainda não descobri quais são, pois não são utilizados, ao menos, em dias de aniversário nem em jantares de família. Mesmo assim tenho mudado um pouco a mentalidade dos meus país que ainda preservam algumas ideias incutidas pelos meus avós.
Nunca tinha pensado nestes hábitos a uma escala maior, mas realmente é isto que fazemos quando recebemos visitas no nosso país. Pois somos um dos países mais afectados pela crise a nível europeu, mas Deus nos livre que o sôr Obama, e outros que tais, se apercebam de tal facto.
Infelizmente ainda somos um povo que vive muito da imagem e das parecenças...
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De pedro a 31.12.2010 às 00:18

Uau! muito bem dito!

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