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Dar

por jonasnuts, em 10.11.10

 

Gosto de dar, mas não dou a qualquer pessoa. Gosto de, quando dou, saber que estou a dar a quem precisa.

 

Não gosto de dar dinheiro, principalmente porque o dinheiro nunca se sabe muito bem para onde é que vai, e tirando a AMI e pouco mais, não dou dinheiro.

 

Dou regularmente os brinquedos do meu filho e os livros e a roupa (que estejam em condições de ser dados, evidentemente, não dou lixo). Mas estas dádivas, por importantes que sejam, não correspondem necessariamente ao que os miúdos querem.

 

 

No ano passado descobri os Anjinhos. E gostei da ideia. Ajuda muito o facto de "conhecer" e confiar na pessoa que está a promover esta iniciativa (há-de haver mais, mas eu conheço-a a ela). Sim, é uma acção do Exército de Salvação. Sim, chamam-se anjinhos às crianças. Sim, deve ser uma coisa católica e tal. Mas, o conceito agrada-me, porque as crianças têm um nome, uma idade, e um pedido específico.

 

Crianças que não têm presentes de Natal e que pedem aquilo que gostavam de ter (e de caminho também levam com um fato de treino). Quando compramos as coisas sabemos que estamos a comprar exactamente aquilo que aquela criança deseja e que não terá, se não formos nós. São crianças sem presentes de Natal. Tudo isto, misturado com a imagem de excesso de presentes lá em casa, que todos os anos tentamos, debalde, reduzir (este ano é que é, andamos a dizer ao tempo), faz com que eu queira aderir, de novo, a esta acção.

 

No ano passado fi-lo já muito em cima da hora (e atrasei-me e tudo) e "apadrinhei" 4 ou 5 anjinhos. Este ano está mais difícil, acho que não consigo chegar a tantos (e este "tantos" parece tão pouco, face à minha vontade), mas já angariei o meu filho para o processo (eu compro o fato de treino, ele paga o presente), e vou angariar mais pessoal (família e meninos do SAPO). Até já recomendei a coisa via Facebook, imagine-se, eu que quase nunca facebuco, e que acho que nunca usei as recomendações daquela coisa.

 

Enfim, está tudo explicado aqui, ou aqui.

 

Garanto que quando entregamos os presentes, sabendo que eles vão ser, de facto, dados a quem os pediu, nos sentimos muito bem. Este é o presente que vou oferecer a mim própria neste Natal. É, ao contrário do que parece, um presente egoísta.

 

 

(Os mais desconfiados podem ver aqui algumas fotos referentes à acção do ano passado)

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5 comentários

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De I. a 10.11.2010 às 10:45

O ano passado também aderi em cima da hora, e foi uma correria. E sim, deu-me mais prazer do que seria decente confessar. Recebi mais do que dei, apesar de nem ter visto sequer as caritas dos "meus" miúdos.
Este ano já pedi dois, mas estou aqui a pensar que às tantas ainda peço mais um (tantos como os meus sobrinhos).
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De RM a 10.11.2010 às 11:59

Obrigado por ter partilhado. Sou um leitor "irregular" do blog e, apesar de não  ter a disponibilidade financeira ideal (quem é que tem nos dias de hoje?), acho esta uma ideia excelente à qual eu e a minha mulher vamos aderir.
Há uns tempos a esta parte que comecei a ver a vida de forma diferente. Quero ser uma pessoa melhor para aqueles à minha volta, sejam conhecidos ou não. Esta iniciativa não é ainda aquilo que vai preencher o "vazio" de querer ajudar, mas ajuda a sentir-me melhor. No fundo, estas ofertas acabam por ser um acto de egoísmo. Queremos sentir-nos melhor ajudando os outros. E não há mal nenhum nisso.
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De Flavia Paluello a 10.11.2010 às 14:26

Obrigada Jonas.
Assim já sei como posso ajudar!
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De Maria S a 10.11.2010 às 16:08

Já angariaste uma mais... e vou arrastar mais uns quantos comigo!
Obrigada por divulgares!
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De PortoMaravilha a 10.11.2010 às 23:37

Não sei se vou dizer besteira, mas acho que a piedade nada tem a ver com a solidareadade nem com a fraternidade.

Nós temos várias organizações : Secours Catholique, Secours Populaire ( laico ) , Armée du Salut, Emaus ... Damos os brinquedos, roupa, mobília livros... às organizações citadas. Estas, por sua vez, põe-los à venda para todos por um preço simbólico, o mesmo, para todos. Os pais menos favorecidos não se sentem assim descriminados. Já que o preço é o mesmo, para quem tenha posses ou não. Por um euro, por exemplo,  é possível comprar brinquedos.

E por outro lado também existe a ideia de dignidade : eu também posso comprar.

Esta rede ou ideia nasce com a Frente Popular em 1936 ( tal como as férias pagas e a semana das 40 horas). O Secours Populaire, será em seguida acompanhado pelo Secours Católico, a Igreja não querendo deixar espaço aos laicos.

Espero não ter estado fora do tema !

Nuno

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