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Uma das primeiras palavras de ordem de que me lembro, de miúda, é "os ricos que paguem a crise". Nos últimos dias tenho ouvido com mais frequência "a classe média que pague a crise". E está mal. Quem tem de pagar a crise são os chico-espertos, sejam eles ricos, classe média, remediados ou pobres.

 

Eu explico. Quem tem de pagar a crise é o caramelo que em vez de se pré-reformar negoceia com a empresa uma saída (com indemnização), e depois vai receber o subsídio de desemprego, enquanto espera pelo prazo da reforma. Este gajo vai a entrevistas de emprego (que não quer), porque a isso é obrigado pelo centro de emprego. Não só anda a chular o estado (portanto, nós todos), como anda a fazer perder o tempo a recursos que deveriam estar ocupados com coisas mais produtivas e construtivas.

 

Quem tem de pagar a crise é a cabra que tem o exacto número de filhos que lhe garanta a subsistência com base no abono de família e de outros incentivos à natalidade, enquanto o marido (marido não, que se forem casados o esquema não funciona), o "pai dos filhos" usufrui do rendimento mínimo. E não fazem um boi, porque não querem.

 

Quem tem de pagar a crise é a senhora que é fraca dos nervos, e que está de baixa há 10 anos (enquanto vai fazendo a sua vidinha de reformada), e que no dia em que se pode reformar, deixa o trabalho (onde não ia há 10 anos e onde provavelmente já não a conhecem nem se lembram dela) e reforma-se e continua a fazer a mesma vidinha.

 

Quem tem de pagar a crise é o gajo que manda fechar a varanda e que paga em dinheiro, sem recibo, para ser mais barato, sem IVA.

 

Quem tem de pagar a crise é a besta que recebe dinheiro através de manigâncias e engenharias financeiras, para que os rendimentos não sejam apanhados no "radar".

 

Quem tem de pagar a crise é o gajo que recebe uma pipa de massa, mas como é dono da empresa, declara o salário mínimo.

 

E os exemplos podiam continuar, o português é um povo de chico-espertos, cheio de recursos, desenrascados, e eu tenho para mim que deviam ser estes a pagar a crise.

 

Não deviam ser os tansos que fazem a coisa não só de acordo com as regras, mas de acordo com a sua consciência.

 

E não me venham com as tretas das generalizações. Há-de haver muita gente a receber o rendimento mínimo que precisa de facto dele, e por cada exemplo negativo que dei, hão-de existir muitos no sentido inverso, mas a verdade é que toda a gente conhece casos deste tipo, que estão tão generalizados que já nem se estranham.

 

Mas, como sempre. quem vai pagar a crise, são os tansos. Os da mama, vão continuar a mamar.

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18 comentários

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De Joaquim Santos a 11.03.2010 às 14:35

Pela primeira vez, pelo menos que me lembre, concordo contigo em tudo o que dizes, do princípio ou fim do texto.
Concordo que deveriam ser esses chico-espertos a pagar mas também acho que serão os tansos do costume.
Só me preocupa o facto de eu já não me revoltar com isso. Para mim é dado adquirido.
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De jonasnuts a 11.03.2010 às 14:36

Para mim também é dado adquirido, mas ainda me revolta :)
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De Phil a 11.03.2010 às 15:02

Foste influenciada pela entrevista do Soares dos Santos de ontem na SIC Notícias?

Porque em dois dias, leio ou vejo duas opiniões que subscrevo por inteiro!
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De jonasnuts a 11.03.2010 às 15:06

Não a vi, nem ontem nem na versão que disponibilizaste no teu blog :)
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De Phil a 11.03.2010 às 17:22

Então tens que reservar uma horinha da tua agenda para ver...acho que vais gostar!
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De Jorge a 11.03.2010 às 15:17

Nem mais.

Nesta lista falta ainda um género: aqueles que estão à sombra do não poderem ser despedidos e que não mexem uma palha para justificar o que recebem. No privado conheço assim uns pares de jarras.
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De Marco Rodrigues a 11.03.2010 às 15:52

Isto é tudo verdade, o problema é que nada irá mudar em relação a isto e quando uma grande parte dos políticos não dão sequer o exemplo e são eles próprios os primeiros a aldrabar, nada irão fazer para alterar esta situação, portanto vamos continuar igual.
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De Pedro Lopes a 11.03.2010 às 16:14

Problemas:

1) Os chico-espertos são uma minoria = pouca receita.
2) Teriamos de criar um fiscal para cada pessoa para controlar tudo com esse detalhe = mais custos.

A prática geralmente destrói as boas teorias.
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De jonasnuts a 11.03.2010 às 17:16

Nem, na minha opinião, deveríamos optar pela figura do bufo, eu queixo-me é das pessoas chica-espertas e da sua falta de princípios e de ética e de respeito pelos outros.
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De Rui a 11.03.2010 às 22:54

Qual crise? Ass: O xico-esperto.
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De António Bento a 12.03.2010 às 01:48

É um ponto de vista interessante. Os ricos nunca pagaram as crises, pelo contrário, compraram swaps e lucram mais. Classe média não temos, por isso vão promover os "remediados" a "médios" e sugá-los mais um pouquito. Os inúteis que vivem à sombra do Estado sem fazerem peva nem serem responsabilizados vão continuar na mesma - não estou a ver despedirem uns 80% dos funcionários públicos.
Quanto à moral do tipo que não quer factura, pois começo a compreendê-lo. Estou a dar dinheiro a incompetentes bem alimentados, montados em carros de sonho, para adjudicarem obras faraónicas cuja única contrapartida parece ser garantir-lhes um lugar na administração da empresa quando forem escorraçados do poleiro.
Em contrapartida, recebo o quê? Se chegar à idade de reforma não a devo ter, se estou doente nem vale a pena ir aos serviços públicos, e se quero que os meus filhos tenham uma educação decente tenho que os pôr na "privada". Junte-se a isso um país sujo, estradas esburacadas, autoridades sem poder para mais do que passar multas, e uma justiça que demora onze anos a decidir quem fica com a escova de dentes depois dum divórcio.
Eu acho que os chico-espertos não são lá muito chicos. Eu é que sou parvo.
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De 51 Cr a 12.03.2010 às 16:26

Por um lado fico contente por ler este post, por outro fico um bocado desesperado ao saber que um estudo aponta que 63 por cento dos portugueses são tolerantes com a corrupção desde que "produza efeitos benéficos para a população em geral".
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De António Bento a 12.03.2010 às 23:59

Epa, mas para um resultado desses a pergunta devia estar armadilhada. Se me perguntarem se tolero a corrupção desde que produza efeitos benéficos para a população em geral, fico um bocado num impasse. É claro que quero qualquer coisa que produza efeitos benéficos para a população em geral, mas desde quando é que a corrupção faz isso?
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De Fulano a 17.03.2010 às 16:03

 Sou desempregado crónico. Parece que tenho um ar esquisito e muito excêntrico. Sou excluído socialmente. Os  amigos são estrangeiros. Os tugas olham para mim de alto. Em dois segundos já me tiraram a pinta toda! E não presta. Nunca estou à altura. Só lhes conheço campeões. Nos centros de saúde e organismos públicos sou tratado abaixo de cão. (Poupo as discrições). Má sorte! Tenho cabelo comprido, pinta de alternativo e cultivo um ar rústico quiçá fora de moda. Mas herdei. E compro! Práticamente a quase totalidade da gasolina em Espanha, e faço o máximo de compras lá. Em Espanha sinto-me normal e falam comigo direito. Não se importam se sou verde ou amarelo. Dão-me o  BENEFÍCIO DA DÚVIDA!
 Se puder fujo aos impostos todos e mais alguns. Cá prefiro o ALDI e o LIDL. No comércio tradicional não boto os pés (não gosto que me façam o favor de receber o meu dinheiro com ar de desprezo). Se puder comprar estrangeiro, compro. Discrimina-me quem quer. O mesmo faço eu.
 
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De Fulano a 17.03.2010 às 16:09

 E agora uma transcrição do jornal i (faço algumas concessões ao tuguismo- normalmente leio o El País - mas para um jornal como o i esqueço a minha "vendetta". Também faço concessões com música e queijo!) Ora aí vai:
« O máximo responsável da ONU pelo combate ao crime e ao tráfico de droga, o italiano Antonio Maria Costa, acusou o sistema financeiro de ter recebido dinheiro sujo como forma de resolver os problemas de liquidez que enfrentava. "Os empréstimos interbancários foram financiados por dinheiro vindo do tráfico de droga e outras actividades ilegais", acusou ontem em declarações ao "Observer". Ao todo, calcula em 352 mil milhões de dólares (240 mil milhões de euros) o capital ilícito que terá entrado no sistema financeiro durante a crise.

Segundo o mesmo responsável, a ONU já viu provas de que o único "investimento líquido de capital" que foi disponibilizado a alguns bancos veio de gangues de crime organizado, algo para o qual foi alertado por agências de combate ao crime há cerca de 18 meses. "Em muitos casos, o dinheiro da droga era a única liquidez disponível. Na segunda metade de 2008, a falta de liquidez era o maior problema do sistema bancário, logo ter liquidez em capital tornou-se um factor muito importante", salientou ao jornal britânico. Antonio Maria Costa revelou que algumas das provas a que o seu departamento teve acesso mostram que muito deste dinheiro sujo foi mesmo aproveitado para salvar algumas instituições financeiras em risco devido ao congelamento dos empréstimos interbancários. "Há alguns sinais que alguns bancos foram assim salvos", acusa sem pruridos, negando-se porém a nomear bancos ou países que possam estar envolvidos. "O dinheiro faz agora parte do sistema e já foi lavado", aponta mesmo.

"Houve um momento, no ano passado, quando o sistema paralisou devido à falta de vontade dos bancos em emprestar dinheiro ao resto do sector. A progressiva reliquidação do sistema, e consequente melhoria de alguns bancos, veio tornar o problema menos sério do que chegou a ser", referiu o Czar anticrime da ONU, conforme o "Observer" chama Antonio Maria Costa. Segundo estudos da ONU, Grã-Bretanha, Suíça, Itália e Estados Unidos são ser os mercados mais utilizados para lavagens de dinheiro.

Portugal exemplar Questionado pelo i a propósito das acusações da ONU ao sistema bancário, António de Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Bancos, refere que "Portugal é considerado um dos países que cumpre de forma rigorosa todos os aspectos ligados ao branqueamento de capitais". E lembrou ainda a existência de "estudos realizados por organizações internacionais" que atribuem ao país "a melhor classificação nesse âmbito e referem que o nosso país respeita integralmente todas as regras impostas a nível internacional de forma exemplar".

Já a associação britânica de bancos exigiu a apresentação das provas referidas pela ONU.

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