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Tenho andado a ler umas coisas, sobre cópia privada. Manias.

 

Vejo que os dos sectores que mais se queixa, é o dos livros técnicos e científicos, porque as pessoas necessitadas de consultar esses manuais, mais facilmente fazem fotocópias, do que compram os livros, queixam-se os livreiros.

 

Não sei o que é que os faz ter essa leitura, e tenho, obviamente, como referência, as minhas experiênciais pessoais.

 

Esta, que passo a relatar, teve o seu desfecho hoje, à hora do almoço.

 

Há cerca de um mês, um familiar, a frequentar o ensino superior, referiu que, de acordo com o professor, precisava de ler e ter disponível para consulta, o livro, Zbroing, de Fulano da Silva, Editora Assírio e Alvim.

 

Começa-se pelos sítios óbvios, as Fnacs e a Wook, e a resposta é unânime, ahhhhh, o Zbroing, pois, isso está esgotadíssimo há imenso tempo.

 

Segue-se para as livrarias locais, mais pequenas, eventualmente mais especializadas. A resposta é idêntica. Está esgotado, estamos à espera duma nova edição há muito tempo.

 

Recorre-se a amigos e familiares que tenham frequentado o mesmo curso, e a resposta é generalizada, epá, isso já no meu tempo era difícil de arranjar. Vai à biblioteca da escola e tira fotocópias.

 

Mas a malta é teimosa, e depois de telefonemas para esta livraria e para aquela e para a editora, lá conseguimos descobrir, e comprar, o Zbroing, de Fulano da Silva.

 

Se a malta não tem sido teimosa, tinha feito as fotocópias. Mas apenas e só porque a porcaria do livro não existe para compra.

 

Se calhar, a forma mais eficaz de prevenir o uso eventualmente abusivo do conceito de cópia privada, passa pela facilidade de aquisição legal dos conteúdos. E-books, PDFs, online, à distância de um clique, que se partilha online, olha, vai aqui, pagas um valor x, e fazes de imediato o download, ou mandam-te o livro para casa, ou seja lá o que for, dão-te acesso ao conteúdo de que precisas/queres.

 

Enquanto continuarem a dificultar o acesso aos conteúdos, não podem querer que as pessoas não usem o conceito de cópia privada de forma aparentemente abusiva. E digo aparentemente porque, em muitos casos, não há alternativa.

 

Qual é a alternativa que a indústria está a proporcionar?

 

Neste caso, nenhuma.

 

Trabalhem. Já toda a gente percebeu que vocês têm conteúdos que nos interessam, falta encontrarem uma forma de nos darem acesso legal, fácil e cómodo a esse conteúdo. Quando conseguirem perceber este ovo de Colombo, estarão no bom caminho.

 

Não tem de quê.

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8 comentários

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De Phil a 30.01.2012 às 16:01

Ora nem mais.

De resto, o modelo apresentado pela Apple nos últimos anos, através do iTunes demonstra isso mesmo.

Facilidade de aquisição e download de música, filmes, séries, aplicações e mais recentemente livros e livros escolares, é devidamente compensada em termos de retorno financeiro.

E se mais conteúdos chegassem até nós através do iTunes, mais dinheiro estávamos dispostos da pagar.
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De Jorge a 30.01.2012 às 17:01

É de lamentar a falta de conteúdos digitais em Português na área dos livros/ebooks. Não faço ideia quanto custa transformar um livro de papel numa edição electrónica para Kindle ou para Ipad. Mas não deve ser assim tão caro.
Eu pessoalmente gostaria de ter acesso às edições digitais dos livros mais recentes, em português, e estaria disposto a pagar exactamente o mesmo valor que pago pelas edições em papel.
E ainda não percebi porque é que essa oferta não existe.
Será que é por falta de mercado? Será por medo da pirataria? Ou é por um comodismo suicida e autista para "defender" até à última um modelo de negócio obsoleto e que favorece só alguns?
Será que aqueles que podiam disponibilizar no mercado as edições electrónicas dos livros não se apercebem do mercado potencial que existe, e, acima de tudo, não se apercebem do sucesso da Amazon, do iTunes, etc? Será que não veem onde está o futuro? Será que não veem a frequência de utilização de gadgets e equipamentos electrónicos por uma população cada vez mais jovem?
A minha filha de 3 anos navega num iPad sem grandes problemas, utilizando os jogos infantis instalados sem necessitar de ajuda alguma.
Nos dias de hoje, a inexistência de ofertas de conteúdos digitais em Português é um mistério para mim.
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De DJ Puto_P a 30.01.2012 às 21:25

http://www.spautores.pt/comunicacao/noticias/aumentam-as-adesoes-de-autores-ao-abaixo-assinado-da-copia-privada

Que a PL#118 não tinha nada a ver com pirataria... É de mim ou a SPA já anda a meter os pés pelas mãos?
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De jonasnuts a 30.01.2012 às 21:50

O conceito de cópia privada é algo que já faz parte do nosso dia a dia, e ninguém consegue explicar onde é que está o prejuízo causado pela cópia privada, que obriga à compensação (taxas e afins).

Assim sendo, é interessante associar os dois conceitos, e, com sucesso, captar a atenção da comunicação social. Juntar #pl118 e pirataria tem sido, desde o início, a estratégia de comunicação das várias entidades com interesses directos na aprovação da lei.
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De Gilberto Pereira a 30.01.2012 às 22:41

este exemplo que dás encaixa perfeitamente no conceito "print-on-demand". Uma coisa simples e eficaz que qualquer editora poderia implementar! Formatos-padrão, encadernamento-padrão. conceito de utilizador-pagador no seu esplendor! Porque não? O e-book também não é um bicho de sete cabeças... não vai ser por vender um ficheiro digital que só vão vender um e depois vai ser um fartote de partilhas... há é que ter noção do que se está a vender! Não tem cabimento, por exemplo, vender um e-book ao preço de capa do que se vê nas prateleiras!
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De AB a 30.01.2012 às 23:42

Mas nem é preciso o livro Zboinng. Nem Agatha Christie se arranja, ou Le Carré. Está sempre tudo indisponível.
Também me custa a crer que livros que estão traduzidos e não disponíveis não possam ser impressos na hora.
A solução muitas vezes é a Amazon.
O que não deixa de ser irónico. Os últimos DVDs que adquiri começam com um lindíssimo "by purchasing this DVD you're supporting your local film industry - thank you!". Nem mais!
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De Zzay a 02.02.2012 às 02:45

Na mouche...
Excelente exemplo!!!

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