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Cara SPA,

 

Como sou uma curiosa recente acerca do tema da Lei da Cópia Privada, foi com muita satisfação que vi que tinham elaborado um guia, com "informações" acerca deste tema. Pode ser visto aqui.

 

Mesmo sendo curiosa recente, reparei que em TODAS as respostas que deram às perguntas que vocês próprios formularam, conseguiram aldrabar ou dizer inverdades, como está na moda dizer-se ultimamente. Forte e feio. Ou, alternativamente, lançar dados que se baseiam exclusivamente em wishfull thinking, e não em estudos, ou em factos.

 

Decidi então refutar o vosso documento, e às mesmas perguntas, responder com factos, ou questionar os dados que apresentam. Bora lá.

 

1 - Qual é o motivo pelo qual a tarifa tem que ser aplicada aos equipamentos e suportes se os mesmos também podem ser usados apenas para fins pessoais?


Excelente pergunta. Para a qual não há resposta, na realidade. Sobretudo porque, ao contrário do que vocês querem passar, não é verdade que "os novos suportes e equipamentos são hoje utilizados, maioritariamente e em larga escala, para armazenar e reproduzir obras e prestações protegidas.". Sobretudo desde que se iniciou a massificação de venda de aparelhos que transformam toda a gente, não apenas os autores e artistas, em produtores de conteúdos. Já ninguém vende, em larga escala, máquinas fotográficas "analógicas", apenas se vendem máquinas fotográficas digitais. Câmaras de Vídeo. Telemóveis. Gravadores de som, digitais. Onde é que as pessoas que têm contribuído furiosamente para o crescimento da indústria de produção deste tipo de equipamentos guardam os conteúdos que produzem? Em cassetes?

 

Dizer que " Os casos particulares de equipamentos exclusivamente utilizados para a reprodução e armazenagem de “conteúdos” próprios não são um “comportamento-padrão”" é falacioso, para nao dizer que é mentira.

 

Mas sou indulgente. Convençam-me. Em que estudo se baseiam para proferir tal afirmação? Onde é que estão os dados que consubstanciam as vossas conclusões? Um estudo independente, de preferência? Não há, claro.

 

2 - Portugal é o primeiro país a aplicar tarifas sobre os novos equipamentos e suportes?


 

Errada a vossa resposta. Esqueceram-se do Luxemburgo, por exemplo. Esqueceram-se também de referir a Espanha, que tem um tipo semelhante de taxas, mas que vai deixar de ter (compromisso eleitoral do partido no Governo, para o primeiro semestre deste ano). Mas, nem sequer vou tão longe. Nós, portugueses, que nos orgulhamos de ter sido um dos primeiro países a abolir, legalmente, a escravatura e a pena de morte, damos agora como exemplo as leis dos outros países? É que se vamos comparar com outros países, mesmo da Europa....temos muito por onde escolher, não é? É, mas não vos interessa. Podemos, por exemplo, ir à Austrália, onde as levies (vulgo PL118) foram declaradas inconstitucionais.

 


3 - A aplicação das taxas aos equipamentos está associada a um aumento de preço?

 

Vocês respondem que não, que é uma taxa para ser cobrada ao fabricante, ou importador, do aparelho para o território nacional e não ao consumidor final. Mas vocês acham que as pessoas são burras? Desde quando é que uma taxa aplicada a um fabricante/importador não se reflecte depois no preço final?

 

As margens de lucro neste tipo de equipamento estão totalmente esmagadas, no máximo, com sorte, rondam os 5% ou 10%. Onde é que os comerciantes encaixam taxas de 20% ou de 30% ou, daqui a meia dúzia de anos de mais de 100% Não se reflectem no comprador final? Um bocadinho de honestidade não vos ficava mal.

 

Mais, se não se vão reflectir os preços no produto final, para que serve a enorme lista de isenções que constam do Artº 6º do PL118? Não vejo lá nenhum produtor deste tipo de equipamentos, só vejo potenciais clientes. Da indústria, claro.

 

 

 

4 - As tarifas propostas são equivalentes às praticadas na União Europeia?

 

Respondem vocês que não, que "as tarifas propostas são inferiores à média praticada nos outros países da UE.".

 

Não é verdade, mais uma vez. Ou ainda não perceberam a lei de Moore, o que é grave, ou já perceberam e estão a ver se passa, o que é mais grave ainda. Remeto-vos para um post sobre os preços que são usados nos países que têm este tipo de taxa (que são menos do que aqueles que vocês dizem que são).

 

 

5 -Quais são os equipamentos e suportes actualmente abrangidos pela lei em vigor?

 

Vocês respondem "Cassetes Áudio, Cassetes Vídeo, CRDs, CDRWs, DVDRs e DVDRWs". Deixaram muita coisa de lado nomeadamente "todos e quaisquer aparelhos mecânicos, químicos, electrónicos ou outros que permitam a fixação e reprodução de obras e, bem assim, de todos e quaisquer suportes materiais virgens analógicos das fixações e reproduções.."

 

6 - Quais são os equipamentos e suportes propostos também abrangidos?

 

Vocês respondem: " Cartões de Memória e Memória USB, Discos Rígidos, Leitores, Gravadores de MP3 e MP4"

Na nota introdutória do PL118, está escrito: "De forma a acompanhar a realidade e as incessantes inovações do mercado tecnológico, o presente projecto considera que o regime deve abranger não só os aparelhos e suportes analógicos mas também os digitais". E no anexo que descreve os suportes, estão especificados os seguintes:

 

"a)Suportes materiais analógicos, como cassetes áudio ou similares – €0,06 /hora de gravação;

b) Suportes materiais analógicos, como cassetes vídeo ou similares – €0,08 /hora de gravação;

  1. a)  Discos compactos (CD) não regraváveis – €0,03 por cada GB de capacidade de armazenamento;

  2. b)  Discos compactos regraváveis (CD-RW) – € 0,05 por cada GB de capacidade de armazenamento;

  3. c)  Discos versáteis não regraváveis - € 0,03 por cada GB de capacidade de armazenamento;

  4. d)  Discos versáteis regraváveis - € 0,05 por cada GB de capacidade de armazenamento;

  5. e)  Memórias USB e outros suportes como cartões de memória não integrados noutros dispositivos - € 0,06 por cada GB de capacidade de armazenamento;

  6. f)  Memórias USB e outros suportes como cartões de memória integrados noutros dispositivos - € 0,06 por cada GB de capacidade de armazenamento;

  7. g)  Para suportes ou dispositivos de armazenamento, como discos externos denominados multimédia, ou outros que disponham de uma ou mais saídas e entradas de áudio e ou vídeo, que permitam o registo de sons e ou imagens animadas sem que seja necessário utilizar um microcomputador ou quaisquer outros equipamentos ou aparelhos para desempenhar a função de reprodução de obras – €0,06 por cada GB de capacidade de armazenamento;

  8. h)  Discos rígidos ou outros tipos de memórias não voláteis, integrados em equipamentos ou aparelhos, com capacidade a partir de 150 GB e que permitam o armazenamento de dados em massa – 0,02 por cada GB de capacidade, mais 0,005 por cada GB que acresça a capacidade de 1TB;

  9. i)  Outros tipos de suportes ou dispositivos de armazenamento, como os discos rígidos externos ou SSD, com ou sem saídas áudio e ou vídeo e que dependam do emprego de um microcomputador ou de outros equipamentos ou aparelhos para desempenhar a função de reprodução de obras - 0,02 por cada GB de capacidade, mais 0,005 por cada GB que acresça a capacidade de 1TB;

  10. j)  Dispositivos de reprodução de fonogramas, videogramas ou outros conteúdos sonoros, visuais ou audiovisuais em formato comprimido, integrados ou não noutros aparelhos ou equipamentos, como os telemóveis – € 0,50 por cada GB de capacidade de armazenamento."

Esta lista, que é a que vem no PL118, é um bocadinho maior que a vossa, parece-me. Mesmo incluindo os suportes já previstos na lei actual, parece-me que vocês se esqueceram de referir todo e qualquer equipamento que tenha armazenamento integrado. Isto inclui uma série de electrodomésticos.... chegando mesmo ao sector da refrigeração caseira, sim, frigoríficos. Portanto, a lista de equipamentos que vocês apresentam é redutora. Em última análise, é falsa.

 

 

 

7 - Os equipamentos vão ser tarifados de forma proporcional à sua capacidade de armazenamento?

 

 

Vocês dizem que "As tarifas propostas, nos casos em que são aplicados escalões sobre o mesmo suporte, são regressivas e não progressivas." E novamente vos remeto para a Lei de Moore. Não há nada de regressivo, na taxa que propõem, antes pelo contrário. É sempre a subir. Dizer o contrário é ignorância ou falácia. Como já disse antes, não sei o que é que é mais grave. Se se estão a referir ao facto do valor por GB baixar, à medida que aumentam os TB, nova falácia, porque os TB vão continuar a aumentar. Não é num futuro longínquo, é já, é ontem. Em que século vivem vocês?

 


8 - Um disco rígido de 500 Gb pode vir a custar cerca de 150 Euros em dois anos, mas hoje 1Tb custa 90 Euros e estima-se que, em 2020, 14Tb possam custar cerca de 30 Euros. As tabelas que forem aplicadas agora terão em linha de conta a evolução tecnológica?


O início da vossa rsposta é esclarecedor: "É provável que novos suportes e equipamentos venham a ser inventados, introduzidos no mercado e a generalizarem-se como instrumentos utilizados para efectuar cópias privadas." Tenho novidades para vocês. Não só esses equipamentos já existem, como são usados, em larga escala, para objectivos que nada têm a ver com a cópia privada.

 


 

9 - Este PL tem o consenso dos vários intervenientes do sector?

 


Vocês respondem: "O Projecto Lei agora em análise é já o resultado de uma ampla concertação de interesses entre os criadores e produtores de bens culturais e os consumidores. " Expliquem-me lá em que altura do debate é que os consumidores, ou os seus representantes, foram ouvidos e consultados? É que se foram, gostava de saber quais, e quando, já que, em toda a documentação que consultei, apenas encontro os representantes da indústria, nada de representantes dos consumidores. E, já agora, os autores parecem estar bastante mal informados, a julgar pelo que escrevem e pelo que não escrevem.


 

10 - Porque é fundamental a Lei da Cópia Privada?


E a vossa (quase) última tirada é fascinante:  "A necessidade de ressarcir e compensar os titulares de direitos pelos prejuízos resultantes da cópia privada pode, e deve, ser efectuada através da extensão das tarifas aos equipamentos e suportes efectivamente utilizados para a reprodução de obras. A única alternativa viável, face ao direito europeu, seria a de proibir toda e qualquer reprodução, mesmo para uso privado."

Gostava que me explicassem onde é que estão os estudos onde baseiam a vossa afirmação de que a cópia privada causa prejuízo seja a quem for. Eu comprei um CD de música, legalmente, faço uma cópia para usar no carro. Onde é que está o prejuízo? Ou os senhores acham que eu iria comprar um CD para ouvir em casa e outro, igual,  para ouvir no carro?
E, uma vez que eu não compro CDS (DRM, remember?), compro tudo no iTunes, o disco onde vou armazenar (porque tenho de o fazer) a música que comprei, paga taxa porque razão? Não paguei já os direitos de autor?
Dizem vocês que "A única alternativa viável, face ao direito europeu, seria a de proibir toda e qualquer reprodução, mesmo para uso privado."

Ok. Bring it on. Em Inglaterra essa é a regra em vigor, e não me parece que eles se dêem mal com ela. Assim como assim, o DRM e os formatos proprietários já nos impedem de fazer cópia privada de qualquer maneira. Não vos interessa, esta solução, pois não? Bluffs? I'm  in.

E por último....a cereja, a pérola, o atirar o barro à parede a ver se cola; " Um estudo recentemente realizado pela Intercampus...."
Qual estudo? Onde é que está a ficha técnica do estudo? Sobre que amostra? Foi lá em casa à hora do almoço? Foi na cantina da universidade? Foi à saída da sede da SPA? Estudos sem ficha técnica, sem seriedade, sem transparência, não são estudos, são soundbites. Fácil de fazer o spin.

E endereçarem o tema do Artº 5º, sobre Inalienabilidade e irrenunciabilidade? Caladinhos, não é?

Por último....sabem o que é que eu gostava que a SPA fizesse, porque eu tentei e não consegui? Que me dissesse, com base num disco de €100 em que €20 são de taxa, como é que é feita a distribuição desses €20.
Andam a dizer que é para proteger os autores, e por mais apelos que vocês façam no vosso site, ainda não vi autores a defender esta lei, mas já que o dinheiro é para os autores, expliquem-me lá, em €20 de taxas, quanto é que chega aos autores, e a quais.
Muito agradecida.
Não tem de quê.

 

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38 comentários

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De João Tomé a 23.01.2012 às 23:10

Foi uma pena não ter lido isto há umas horas. Estive a escrever um artigo para o jornal sobre o PL118, que sai amanhã, e tentei resumir o tema para quem ainda não ouviu falar do assunto. Mas algumas das coisas que falas, teria sido interessante colocar.

Mesmo assim, acho que no meu artigo se percebe que o que motiva este projecto de lei não é propriamente ter razão. É acima de tudo justificado com um "não deixar a produção de conteúdos em Portugal morrer". Pouco convincente, de resto.

Mas pelo que me disseram (inclusive Gabriela Canavilhas), existe abertura para mudar bastante o projecto de lei. A JS quer propor alterar o PL118 para criar excepções, tectos máximos e outras regras para evitar que os preços sejam altos.

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De jonasnuts a 23.01.2012 às 23:15

Pois claro que estão disponíveis para mudar a lei, tendo em conta a quantidade de disparates que lá estão escritos.

O problema, é que não rompem com a premissa, que já está desactualizada. Os maiores produtores de conteúdos não é a indústria do entretenimento, é a avó cm uma câmara fotográfica digital, o pai com a câmara de vídeo. Somos nós todos. Aquilo que gravo nos meus armazéns de dados, fazendo as contas pelo sucesso da indústria que massificou os equipamentos caseiros de produção digital, é meu, não é cópia privada.

A cópia privada é um conceito que pode (e atenção, que este pode é especulativo) ter feito sentido há 20 anos, vá, há 10 anos.

Nos dias que correm, não faz qualquer sentido.
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De João Tomé a 23.01.2012 às 23:19

Concordo plenamente. Infelizmente é um tema que mexe com muitos interesses, anos de hábitos e muita gente a esgravatar porque não acompanhou as alterações que vieram com as novas tecnologias/internet.
Vai demorar...
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De AB a 23.01.2012 às 23:59

Parabéns Jonas pelo teu esforço e dedicação. Há quem não veja mesmo o futuro. Eu sou contra a pirataria, e sou contra este aborto de Projecto_Lei, que não só não acabará com a pirataria, como parece até legitimá-la. Além de, corrige-me se estou errado, o Quim Barreiros vir a receber royalties por obras dos U2.
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De jonasnuts a 24.01.2012 às 00:04

A verdade é que, como digo no final do post, é tal a estrutura de distribuição, que é impossível saber a quem, como, de que forma e sob que regras, chega o dinheiro seja a quem for.

Daí o meu pedido final à SPA, que troquem por miúdos o sistema de pontos que elaboraram para distribuir estes valores.
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De Jose Gaspar a 24.01.2012 às 00:07

Estava aqui a ler o teu fantástico post, ao mesmo tempo que vejo na RTP1 o programa prós e contras... A Fátima é capaz de gostar do tema. just saying :)
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De jonasnuts a 24.01.2012 às 00:16

Esteve a ser debatido no programa Justiça Cega, da RTP Informação. Mas os comentadores não fizeram o trabalho de casa, acrescentaram pouco ao debate.

Talvez a Fátima pegue no tema, mas fica a dúvida....quem é que iria representar os que estão contra o #pl118?

:)
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De Jose Gaspar a 24.01.2012 às 00:24

De certeza que já tens crédito para pelo menos, ter direito a falar a partir da plateia, senão mesmo no palco.
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De jonasnuts a 24.01.2012 às 00:33

Não...porque os senhores não brincam em serviço, e se começarem a falar em Decretos Lei, e em Direito de Autor e direitos Conexos, eu não tenho pedal. Eu já me vi à rasca para perceber todas as implicações disto, e andar à cata nas leis originais para onde estas vão remetendo.....

Há muita gente, envolvida nesta batalha, há muito mais tempo do que eu, e tecnicamente muito mais competente. Eu sou uma emotiva com blog, e quando se debatem leis, ou políticas, não se pode meter emoção ao barulho.

Por exemplo, este post, foi escrito duma tirada....com imensa raiva pela falta de honestidade. A política é a arte de conceder, fazer concessões, para se chegar a uma merda que é menos má, e eu sou pouco de concessões e de cedências. Não sirvo para esse tipo de batalha :)

Os emotivos raramente ganham debates :)
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De João Tomé a 24.01.2012 às 19:55

O meu contributo para a discussão é este (feito a pensar mais em quem ainda não conhece o tema):
http://www.destak.pt/artigo/116037-projecto-de-lei-diz-que-todos-fazemos-copias-de-obras-de-autores

E foi complicado ler aquele projecto de lei e ao mesmo tempo ouvir os argumentos legais da SPA.

Perguntei ao administrador da SPA quando ele me disse que 99% das pessoas têm música nos seus computador, se é justo as pessoas terem 90% de conteúdos estrangeiros nos seus discos e serem os autores portugueses a receberem o dinheiro.
O argumento foi simples mas sem dados concretos: "nós pagamos alguns valores a sociedades estrangeiras". Pelos vistos até a imprensa recebe valores desta Lei, mas não sabe dizer qual nem quanto recebe.

Enfim.

Beijos.
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De m4x a 24.01.2012 às 22:20

Muito bem. Que lógica que essa gentinha tem, é impressionante.

Trabalho na industria 3D e de Efeitos Especiais na Alemanha, trabalho em filmes e jogos.

Obviamente visto que é na Alemanha não se aplica a mim ou à empresa este problema mas vamos imaginar que a empresa era em Portugal ou que a lei passava para a Alemanha também.

Posso-vos dizer que onde trabalho temos Petabites em discos (para quem não sabe petabyte é o que vem depois do terabyte, portanto um milhar de terabytes), tenho trabalhos individuais que depois de completos por todos os departamentos chegam aos 100 Terabytes.
Nem quero pensar nos valores de taxa a que isto chegava lol.

Agora digam-me la a lógica da empresa passar a pagar mais do dobro por discos? O conteúdo é todo feito por nós.
Para isso têm que pagar à minha empresa essa diferença, pois eles são os detentores do copyright. E o mesmo se aplicaria a todas as pessoas privadas que têm fotos tiradas por elas próprias dentro dos discos, e vídeos e musicas etc etc etc etc.

Ridículo.... isto está a chegar a um ponto...
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De Maria a 28.01.2012 às 00:31

Retirando os factos pessoais, ia comentar exactamente o mesmo. Acrescento apenas, que o medo de uma empresa que actualmente já não tem estrutura, para se manter na actualmente, procura sofregamente uma formula. Mas naturalmente sempre À custa de quem produz.
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De pedrocs a 24.01.2012 às 22:35

Plural de "levy" é "levies". De nada.
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De jonasnuts a 24.01.2012 às 22:40

Não tem de quê :)
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De Pedro Freire a 25.01.2012 às 10:17

Excelente exposição. O conceito de cópia privada tem como base o modelo em que os direitos de autor são pagos associados à venda do suporte.
Na actualidade este modelo está ultrapassado, mas é mais fácil para as sociedades de autores fazerem lobby para passarem este tipo de leis absurdas para taxar "universalmente", do que mudarem o modelo que deixaram caducar...
Só tenho duas objecções mais a fazer:
1- É totalmente desajustado e constitui um péssimo exemplo que para se proteger os interesses económicos de um grupo, se baseiem na presunção de culpabilidade.
2- Se a presunção é que as pessoas copiam várias vezes os conteúdos que compraram legalmente e que portanto pagaram os respectivos direitos autorais, então eventuais compensações por essas cópias privadas deveriam ser reflectidas sobre a compra destes conteúdos. Assim, pelo menos não teríamos que pagar taxas pela cópia das nossas fotos, vídeos, ... (È claro que às sociedades autorais não lhes interessa esta opção pois ao aumentar o preço dos conteúdos, provavelmente iriam assistir a uma diminuição das vendas e ao aumento da pirataria)
No fundo as sociedades de autores devem é ter um problema com as editoras, que ficam com o grosso da facturação e se desculpam com a pirataria para esmagarem os direitos de autor e a maneira mais fácil de resolverem o problema é, com a conivência de governantes inqualificáveis, lançarem um imposto para o povo pagar, quer copie, quer não copie...
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De jonasnuts a 25.01.2012 às 10:34

Mas a lei vai passar.... Os lobbies têm feito um bom trabalho a vários níveis, mas sobretudo ao nível de baralhar a comunicação social, despejando press releases cheios de mentiras, sobre os quais não são feitas quaisquer perguntas. A nossa "comunicação socila" (emfim, com algumas excepções) tem engolido anzol, isco e chumbo.

Uma alegria.
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De Pedro Freire a 25.01.2012 às 10:54

A nossa comunicação social, como na maioria dos países, está "vendida" aos interesses dominantes. São empresas privadas detidas por grupos económicos que dificilmente vêm o interesse público como uma prioridade. E viva a internet livre e eis porque há muito quem não a queira livre... O povo que não se deixe enganar.
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De jonasnuts a 25.01.2012 às 10:58

O povo anda anestesiado....... e há pouca mobilização do que é vulgarmente chamado de "sociedade civil". As únicas associações que têm estado a bater-se pelo consumidor, neste tema, são a ANSOL (Associação Nacional para o Software Livre), a Creative Commons PT e pouco mais. Já da indústria do entretenimento....estão lá todos.
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De Flávio a 26.01.2012 às 00:13

Olá,

devo desde já dizer que estou de acordo com a maioria do que tem sido dito pela blogosfera nacional sobre este escândalo, no entanto não sei se a questão da lei de moore é o melhor ponto de atacar este projecto de lei.

Por exemplo eu não acho justo que seja a SPA a receber o dinheiro desta extorção que pretende indeminizar os autores, até porque a maior parte do material "pirateado" é estrangeiro. Se nos querem extorquir ao menos que indeminizem as devidas instituições.

Maior escândalo é, a meu ver, a fraca cobertura dada pela comunicação social a este problema, diria que fruto da pressão natural que existe nestes meios pelos agentes culturais deste país. Por agentes referio-me a todo o tipo de agentes.

Tendo em conta que eu vejo este projecto de lei a ser eventualmente aprovado queria só lançar o seguinte desafio: porquê é que a comunidade de bloquers não se reune e cria um documento conjunto para enviar às devidas instituições da união europeia? Podia ser um documento editado por todos, moderado por uma mão cheia de bloggers com mais experiência na escrita de documentos, poderia ser o resultado de um movimento auto-organizado de consumidores portugueses.

Eu acho que é evidente que existe um problema de mobilização em torno deste tema. Todos os dias falo deste assunto às pessoas que me rodeiam e muitas são as que ouvem falar disto pela primeira vez da minha boca.

Como disse a comunicação social não toca no assunto, por outro lado penso que esta gente morre de medo que os consumidores se auto-organizem e boicotem em massa a compra destes materiais. Porque eu sinceramente vejo as coisas da seguinte forma: se me obrigarem a pagar mais 20% por um HD eu mando-o vir da Amazon, conclusão o estado deixa de ganhar 23% de IVA. Ou seja boicotar esta proposta de lei significa apenas mudar hábitos de consumo não deixar de consumir estes produtos.

cheers
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De jonasnuts a 26.01.2012 às 00:16

Só uma pequena correcção :)

O PL118 nada tem a ver com pirataria, mas com a permissão de fazer cópias de conteúdos a que acedeu pela via legal :)

Isto é, comprou um CD de música, para passar esse CD para um disco rígido, acham os senhoes que é devida uma compensação, em função do prejuízo que lhes causou. A taxa é para isso, e apenas para isso :)

É inacreditável, não é?
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De Anónimo a 26.01.2012 às 00:22

hum! eu não me dou ao trabalho de copiar.... nem de comprar originais de cds porque me canso depressa e prefiro variar e conhecer novos projectos.
Quando compro muito raramente ultrapasso a barreira psicológica dos 10€, e às vezes é mais pelo grafismo ou por financiar alguma instituição social. Por isso, não é por aí que dou a vida a ganhar aos autores... porém, PAGO, e bem pago, por música ao vivo. Daquela que fiquei a conhecer porque me foi divulgada na rádio e/ou sites e/ou blogs e/ou disponibilizada para download legal e gratuito.
Se começar a haver essas taxas todas, prevejo «mais do mesmo» sempre os mesmos projectos a passar em todo lado :-(

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