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O artigo do Público

por jonasnuts, em 24.03.08
Era inevitável que falasse dele. Eu já sabia que não resistiria, apesar de, ao contrário do que aconteceria há uns anos, ter tido a capacidade de esperar um bocadinho, para não escrever "a quente".

Nada a apontar a quem foi convidado a comentar. São pessoas com nome na Blogosfera (e fora dela), e que se movimentam num determinado círculo dessa Blogosfera. Não têm a obrigação de conhecer para lá do que é o seu ambiente habitual.

Já no que diz respeito a quem assina a peça tenho opinião diferente. Não percebo nada de jornalismo, mas presumo que, se alguém vai escrever sobre um determinado tema, pretende acrescentar algo ao que já foi feito anteriormente (de outra forma não se justifica, por ser redundante), ou vai dar uma visão diferente, ou vai fazer uma outra abordagem.

O artigo que foi publicado no fim-de-semana passado no Público é mais do mesmo. Se tivesse sido escrito há 2 anos poderia ser exactamente igual. Não se mudava uma vírgula, e bateria certo.

O jornalista não percebeu a que é que José Pacheco Pereira se queria referir, com "redes de blogues que se citam artificialmente uns aos outros para depois serem vendidas a algum operador que se pretenda instalar na blogosfera".

Não percebeu a que rede se referia o autor do Abrupto. Eu percebi. Defendeu-se o jornalista com um grande no-no jornalístico, o "aparentemente".

Respeita-se a opinião de José Pacheco Pereira no que diz respeito às redes de Blogs, que por sinal não são novidade, já não se entende que o jornalista estranhe que as pessoas decidam juntar-se, e agregar os seus Blogs, e potenciarem os seus conteúdos, e trocarem links. Não só não é novidade como, internacionalmente, são muitos os exemplos de casos de sucesso. Os blogs pertencem aos seus autores, são estes que decidem o que querem fazer deles. O próprio Público tem uma rede de Blogs. Acho lindamente.

Não me importa muito nem pouco que não tenha, ao menos, pegado na porra do telefone, para perguntar coisas, para se instruir, para colmatar o (nítido) pouco conhecimento que tem sobre a matéria. Preocupa-me antes que, num jornal de referência, haja espaço para tanta incongruência.

"Fala-se em 200.000 blogs" diz-se algures. Está errado. 200.000 Blogs existem, apenas no SAPO que ainda não é líder de mercado, faltou, lá está, pegar no telefone, e perguntar. Se no SAPO há 200.000, e o SAPO ainda não é líder, quantos haverá? Mais, bastantes mais. Eu aponto para, no total (actualizados e não actualizados) para qualquer coisa entre os 500.000 e os 600.000. Se estiver errada, será por omissão, e não por excesso.

Do que o senhor jornalista se esqueceu, foi de que a Blogosfera não é constituída, exclusivamente, pelos notáveis que escrevem também em órgãos de comunicação social tradicionais. Se calhar não se esqueceu, não sabia. Não perguntou.

Esta Blogosfera mais mediática (porque se perpetua e é perpetuada numa pescadinha de rabo na boca) é mesmo a menos expressiva, se formos fazer a contabilidade da Blogosfera.
E em todos os quadrantes da Blogosfera, há notáveis. Pessoas que escrevem muito bem, sobre o tema que escolheram para o seu Blog. Porque é que ter um blog sobre crianças é menos importante que ter um blog sobre política? Querem à força criar classes de Blogs, a primeira liga e a 2ª divisão. Mas estão enganados. Isto é democrático, meus senhores, e salvo algumas excepções tecnicamente mais apetrechadas, são os bons conteúdos que recebem visitas. Mais visitas.

No "Blogómetro, um ranking de popularidade gerido pelo portal "weblog.com.pt", o senhor dividiu bem a coisa. Os notáveis, e a blogosfera javardola (embora esta expressão não tenha sido usada pelo próprio).

Esqueceu-se de referir outras possibilidades, também presentes no Blogómetro, e também à frente do Abrupto. Assim de repente, e sem ir à procura, ocorre-me o Há Vida em Markl, mas isto sou eu.

Eu entendo que, para quem se movimenta na blogosfera intelectual, todo o resto do que se escreve nos blogs possa ser desinteressante. Não entendo é que o jornalista adopte a mesma postura. É minimalista, e está a prestar um mau serviço aos seus leitores.

Falhou várias Blogosferas:

A do Humor
Há Vida em Markl
Arcebispo de Cantuária
Cavalheiros do Apocalipse
Vendo a minha mãe
Não está fácil
Vida de Casado

A do Craft
Rosa Pomar
Wishes & Heros
Claudia Borralho
Papéis por todo o lado
A loja da Mãe
Avó-Galinha


A dos Babys/Toddlers
Passeai flores
Donas do meu mundo
Mãe-Galinha
Diário de uma gaja (mamã) louca
Crónicas de uma mãe atrapalhada


A da música
David Fonseca
Gonn 1000
Melofobia
Diz que não gosta de música clássica
Sound+Vision

A da tecnologia
Rui Moura
Tecnologia de desinformação
The Tao of Mac
Ramblings about life
iPhil

A do wrestling
Duplo Impacto
Wrestling traduzido
Galáxia Wrestling
Wrestling notícias
Luso Wrestling


A do cinema
Cineblog
Elite Criativa
Cinema Notebook
Deuxieme
Depois falamos

A do urbanismo e arquitectura
O Carmo e a Trindade
Atelier Mob
A barriga de um arquitecto
Intervenção da Maia

A da ciência
De Rerum Natura
Ciência ao Natural
Info-Ciência
Engenharia verde
Nebioq-IP
Vida de um biólogo aplicado

Das letras e da cultura
Livros à volta do Mundo
Ler BD
Poemas de amor e dor
Letra de Forma
Da Literatura
Os Livros


A dos animais
Blog dos Bichos
Fotos da Natureza
A arrelia do Quico
Adoro-vos cães
Focinhos e Bigodes

A da solidariedade
Girassol Solidário
S.O.S. Iris
Eu sou o princepezinho
Bolos da Célia
Leigos Boa Nova

A das fotos
Arte Photográphica
Fotografia de João Palmela
Frozen Flower
Caderno da Lua
Fotoblog do Quico


A do desporto
Tertúlia Benfiquista
Colectividade Desportiva
Blog da Bola
Linha avançada
Desporto Aveiro

A de lá de fora
Miss Londres
Da Rússia
Meia de Leite
Ruinix em Shangai
Escala em Londres
Jogo da Sueca

E eu podia continuar, com a Blogosfera da culinária, dos morangos, dos enfermeiros, de sexo,  de hobbies, e por aí fora. Limitei-me a listar alguns dos que frequento, e cujo endereço, mais coisa menos coisa, sei de cor.

E, por último, a mais expressiva, a que mais Blogs tem, a que não se consegue exemplificar, a  generosfera. Os Blogs pessoais, que falam disto, daquilo e do que lhes apetece, e que tanto pode ser o Glorioso, como o artigo do Público deste fim-de-semana.

Vejo que o Público pretende dar mais visibilidade aos Blogs, porque vai passar a listar nos seus artigos, os Blogs que referem esse artigo. Acho muito bem.

Gosto desta política do Público. Uma no cravo outra na ferradura.

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23 comentários

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De Patti a 25.03.2008 às 00:34

Será que foi desta, que "esta gente" que fala sempre da mesma Blogosfera, entendeu?
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De JBM a 25.03.2008 às 02:57

Basicamente creio que o artigo do "Público" teve toda a superficialidade que seria de esperar quando um jornal dito de "referência" e com normas editoriais tão rígidas se põe a falar de algo tão heterogéneo (e popular) como a Blogoesfera.

Ou seja, "referência" em Portugal quer dizer basicamente "política maçuda". Por isso o raciocínio do jornalista (que claramente não estava para se chatear muito porque já estava a pensar nas férias em Andorra) passou simplesmente por pegar nos intelectuais ligados a essa política maçuda que tinham blogues (os mais óbvios, lá está... ainda tinha que fazer as malas) e resumir a blogosfera a eles.

São os rótulos e os preconceitos. O jornalismo em Portugal (e não só) sempre esteve cheio deles.
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De Daniela a 25.03.2008 às 09:16

Grande post! Era de valor envia-lo para o Público... :)
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De Filipe Marques a 25.03.2008 às 09:28

Bom post, Jonas.

Este jornalismo cheio de conforto e arrogância é deveras interessante: "É assim, está escrito, Pacheco Pereira no artigo... está feito." Jornalismo sem olhar.

Venha de lá o próximo artigo sobre a blogs.
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De pedrocs a 25.03.2008 às 09:39

O que eu nunca consegui perceber é qual é o interesse de ler num blog a mesma trampa que há anos se lê no Expresso e no Público e no DN.

Qual é o interesse de ler os mesmos colunistas de sempre, os mesmos analistas de sempre, os mesmos comentadores de sempre?

Prefiro, de longe, saber o que é que o Chicho tem a dizer sobre o assunto do dia, do que ler mais 520 parágrafos analíticos do JPP.

Quando me pus a fazer um blog e a ler blogs, o gozo era mesmo "ouvir" ideias, opiniões e experiências de pessoas comuns, anónimas e "como eu".

E continua a ser isso que me dá maior gozo - sejam pessoais ou sobre música, crafts, gajas boas ou ilustração: interessa-me o ponto de vista de pessoas sem agenda política, sem imagem pública a defender e sem tiques de anos a mais metidos na peida do poder em Portugal.
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De Marco a 25.03.2008 às 11:42

LOL Macaco Raivoso, é isso mesmo.
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De Paulo a 25.03.2008 às 09:53

Sinceramente, toda esta polémica passa-me ao lado. Porque dar importância a quem, constantemente, se coloca em bicos de pés para reivindicar supremacia sobre os restantes?!
Cada um faz do seu espaço aquilo que quer. Cada um linka e frequenta os blogs que quer.
É assim tão difícil de entender?
E pensar que estamos num país tão pequenino, tão mesquinho e que não consegue reduzir-se à sua insignificância...
Posso dizer: viva a liberdade?
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De Fernando Vasconcelos a 25.03.2008 às 09:56

Concordo consigo quanto à verdadeira natureza da blogosfera se é que se pode resumir algo de tão diverso numa expressão como "verdadeira natureza". Não tive oportunidade de ler o artigo do Público mas gostaria de o fazer ... é possível encontrá-lo na net?
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De Phil a 25.03.2008 às 10:23

Oh se é...

Está aqui o link directo:
http://jornal.publico.clix.pt/default.asp?url=%2Fmain%2Easp%3Ffd%3DNEXT%26page%3D7%26dt%3D20080322%26c%3DC

Para aceder ao texto, será necessário clicar no bloco de texto da imagem que surge do artigo. Automaticamente surgirá o texto completo.
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De Pedro a 25.03.2008 às 10:06

Tens razão quando dizes que o artigo podia ter sido escrito há 2 ou 3 anos. Acho que foi uma oportunidade perdida para perceber como evoluiu desde então. Há temas novos que podiam ter sido abordados.

De resto, a curiosidade relativa às "transferências" para o SAPO anda aí, e teria sido fácil satisfazê-la, levantando o telefone.
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De Phil a 25.03.2008 às 10:50

Eu tinha a convicção que este post ia ser escrito...e que ia ser bom...não sei, tinha essa convicção...

E catano, foi em cheio...

Não há muito mais a acrescentar, o post e os comentários dizem tudo...mas gostaria ainda de abordar um ponto...

Não será relevante, mas demonstra talvez, a forma como JPP se enquadra a ele próprio na blogosfera...a dada altura, surge esta expressão deliciosa no famoso artigo:

"O historiador e colunista do PÚBLICO (Pacheco Pereira) acha que a blogosfera nunca foi especialmente acolhedora - "o Pacheco Pereira gostava era que ela fosse cozy para ele" - e acha que assim é que está bem."

Esta posição, demonstra bem que a presença no blogosfera de JPP, não é unâmine...isto porque, as declarações do próprio, acabam por incendiar a comunidade, seja em consequência de uma tomada de posição, politicamente falando, seja quando este opina sobre a blogosfera, demonstrando na maior parte das vezes um incomprensível desconhecimento da mesma, apesar do historial que já tem.

Obviamente estes factores resultarão numa pouco acolhedora presença na blogosfera.

Outros dirão o contrário...pegando no exemplo muito recente do jornalista Luís Castro. Não terei grandes dúvidas em afirmar que o jornalista, agora em "missão" no Iraque, ficará com uma excelente impressão da blogosfera. A ver pelos posts e pelos comentários, conseguimos ter ali uma experiência muito engraçada, na interacção entre autor de um blog e os seus leitores/comentadores.

Pacheco Pereira opta por não disponibilizar os comentários e o blog (que raramente li) é um pachorrento e monótono blog em jeito de monólogo, daqueles que são verdadeiramente solitários. Até parece que existe a expectativa do autor, que a sua imagem reflectida no seu espelho, possa dar-lhe algumas respostas.

Falando no meu caso pessoal, não tenho problemas em afirmar que tenho imenso gosto em ter o meu blog alojado no Sapo. Dizem as regras, modéstia à parte, que alguém como eu, devia ter um domínio e um alojamento próprio. Contudo, por ser tão bem tratado (o elogio é merecido, acreditem), prefiro manter a ligação com o Sapo e por isso, custa-me ver algumas acusações que são feitas, de forma muito injusta e por isso, o Público devia retratar-se e devia dar ao Sapo o devido destaque e se calhar fazer uma análise de fundo à onda de transferências...fruto do trabalho da excelente equipa liderada pela Jonas...porque em Portugal, a postura passa sempre por dar a palavra aos "Velhos do Restelo" em vez de elogiar quem merece e quem acaba por efectivamente realizar um bom trabalho, trabalho esse que está à vista de todos...apesar da visão ofuscada de alguns...

Xiça...que o comentário vai longo...
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De esquisito a 25.03.2008 às 11:05

É mais um exemplo de jornalismo incompetente e preguiçoso que dá muito mau nome à classe. Infelizmente o bom jornalismo é excepção (exemplo recente, o novo blog do Luís Castro).

Porque de há muitos anos para cá, desde que me lembro, quando leio um artigo (e o mesmo se aplica a outros media) sobre algo que conheço, fico pasmado com os erros, incorrecções, e ignorância geral com que o assunto é tratado.

Quantas vezes não vemos jornalistas a encher chouriços na tv com as expressões "de certa forma" e outras que tais?

Hoje em dia, quer em jornalismo, quer em revistas/sites com análises e testes, e por aí fora, vou sempre começar por algo que eu conheça, para saber o posicionamento e correcção da informação. Jornais, tv? Até nos "factos" coloco um talvez...

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