Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]






Arquivo



SAPO Codebits

por jonasnuts, em 19.11.07
Não, não vai ser um post redundante. Já li muito sobre o Codebits e tenho a minha opinião, que já partilhei com quem de direito.
No fundo, acho que se semeou. Para o ano será certamente melhor. A organização poderá limar algumas arestas, aprender com esta experiência, e melhorar. Os participantes já terão mais know-how. Já terão tido tempo para pensar em algumas coisas. Não é levar o trabalho feito de casa, mas é amadurecer algumas ideias. Este ano andámos um bocado aos papeis, quer do lado de quem organizou quer do lado de quem participou. Este ano foi muito bom, para o ano será ainda melhor.

Mas este post não tem a ver directamente com o Codebits, mas sim com uma conversa que tive por lá. Alguém falava das vantagens dos super programadores.

E que os super programadores é que eram bons, porque eram uns génios, e porque apesar de terem poucas competências sociais, bem orientados eram capazes de resolver os problemas dos utilizadores. E que por serem génios, e terem a postura de the user is a looser, eram pessoas e mentes superiores e por isso mesmo uma mais-valia para qualquer equipa.

Fiquei estupefacta, embasbacada de espanto, afinal de contas estava ali alguém que alegadamente formava estes super programadores, a tecer-lhes largados elogios a características que eu abomino e dispenso. O que ele achava o supra sumo da farinha amparo eram pessoas com quem eu correria de uma equipa minha na primeira oportunidade.

Ainda tentei argumentar. Mas não, era escusado. Porque na perspectiva do meu interlocutor, a distância entre o utilizador (o tal looser) e o super programador era algo desejável e até louvável.

Ainda meio atordoada levantei-me (estava sentada num puff) e disse que se calhar eram muito interessantes, mas que dispensava de qualquer equipa minha uma pessoa que se achasse superior aos utilizadores. Uma pessoa que se acha superior é porque não compreende os problemas. Até pode ser muito competente, tecnicamente, mas se não percebe os utilizadores não consegue perceber os seus problemas, logo, não os consegue resolver.

O senhor fez um ar igualmente estupefacto, e eu percebi claramente que nunca iríamos conseguir comunicar. Felizmente alguém me chamou, e eu despedi-me, mais delicadamente do que é habitual. No meu caso, a delicadeza é uma ironia. Mas ele não sabe.

Esta interrupção fez com que eu tivesse deixado o meu raciocínio por concluir.

Do que eu gosto é de ter na minha equipa pessoas que sejam competentes, inteligentes e atentas e que, por isso mesmo, percebem os problemas dos utilizadores. Não se sentem superiores, sentem-se úteis. Qualquer pessoa na minha equipa faz apoio a Cliente. É fundamental. Aprendemos todos. Qualquer pessoa na minha equipa usa a plataforma em que trabalha. Ninguém desenvolve uma plataforma durante o dia e vai à noite para casa, dormir com o inimigo. Pelo menos não o faz durante muito tempo.

Não quero geniozinhos excêntricos, que usam as suas competências e a sua linguagem para se distanciarem das pessoas para quem trabalham, tentando sentirem-se superiores. Quero pessoas normais, que dêem o litro, e que pensem, e que se ponham no lugar dos utilizadores, uma e outra e mais uma vez.

E sabem que mais? Mais coisa menos coisa, é isso que eu tenho. :)

Autoria e outros dados (tags, etc)



11 comentários

Sem imagem de perfil

De semnome a 20.11.2007 às 00:27

Não é suposto os super programadores resolverem os problemas dos utilizadores, os super programadores devem ter como ofício resolver os problemas dos programadores que não são super. Aos últimos cabe resolver os problemas dos utilizadores.

Para que conste, detesto o termo "super programador" porque me soa estúpidamente arrogante (uhhhh ele é um s'ppppeeeer programador, vamos pô-lo num altar) e quando alguém tem sequer a ousadia de usar esse termo perto de mim leva imediatamente um caldo. Devias ter feito o mesmo hehe
Imagem de perfil

De jonasnuts a 20.11.2007 às 10:19

Não podia. Para todos os efeitos o meu interlocutor era convidado, e eu pertencia à organização. Seria indelicado tratá-lo mal.

Se eu não tivesse a camisola do SAPO vestida (literalmente) ter-me-ia sentido à vontade para lhe dizer o que pensava. Com a camisola do SAPO, tenho constrangimentos. Não posso ser mau-feitio, quando estou a representar o SAPO :)
Imagem de perfil

De pedrocs a 20.11.2007 às 13:02

Não é mau feitio desancar um imbecil.
Sem imagem de perfil

De Manuel Padilha a 20.11.2007 às 02:09

Tens sorte se tens uma equipa assim. São difíceis de construir e de manter, mas a impressão com que se fica dos Blogs do SAPO é que a equipa é mesmo tudo isso que dizes.

Em relação aos super-programadores, ou gurus, ou génios, acho que - como em tudo - é uma questão de perspectiva.

Os super-programadores seriam terríveis a fazer apoio ao cliente, as suas capacidades sociais subdesenvolvidas não o permitem.

Acontece que nem todo o trabalho na informática envolve apoio (directo) ao cliente. Há muita gente que desenvolve software que não é usado directamente por humanos. Exemplos? serviços de rede, drivers de todos os tipos, o núcleo dos sistemas operativos, etc, etc, etc.

E é precisamente nessas áreas que se encontram o maior número de "super-programadores" por metro quadrado.

Há lugar para todos os macacos e todos são igualmente importantes. Pronto, foi o meu momento marxista.
Imagem de perfil

De pedrocs a 20.11.2007 às 13:05

Se há cultura que desprezo é a da idolatria. E é disso mesmo que se trata quando se fala de super-isto-ou-aquilo.

No meu curso, um fulano teve média de 20. Média, não foi nota numa cadeira ou outra, foi média final de 20 valores no quinto ano de Design de Comunicação.

Ele é um super-designer? Se é, não sei, passa a vida metido na cabeça dele com ideias mirabolantes que não ajudam ninguém. Há dez anos que anda com um projecto espectacular que ninguém entende, porque ninguém é génio como ele.

E para que serve um pessoa assim? Para nada. Prefiro dez bons profissionais a um génio. Any day of the week.
Imagem de perfil

De Ana a 20.11.2007 às 13:38

:) e sabes que mais? é mesmo isso o que tens. sente-se sempre a humanidade. nesta equipa. em vez de laços de sangue, há laços de blog ;) há laços. porque há pessoas :)
Imagem de perfil

De esquisito a 20.11.2007 às 14:15

Os "supers" sempre me meteram alguma impressão. Não compreendo como uma pessoa pode gostar apenas de uma coisa a ponto de se conseguir concentrar apenas nela e ser super. E eles até dão jeito para certas coisas, como já foi dito, mas não em equipas, porque eles não trabalham em equipa. Eu nunca me preocupei (muito) em melhorar as minhas capacidades como programador, ou como qualquer outro tipo de função técnica, mas sim as minhas capacidades de relacionamento, que não começaram muito bem, pelo isolamento em que vivi por ser tímido e introvertido. Agora tenho um cargo que está a meio termo, e assim quero continuar...
Sem imagem de perfil

De Sérgio Carvalho a 20.11.2007 às 19:12

Faltou-te uma constatação importantíssima. Na programação, há uma diferença absurda entre o indivíduo mediano e um indivíduo genuinamente bom. É ao nível de um bom engenheiro render, à vontade, dez vezes mais do que um mediano.

Dito isto, concordo em absoluto com o que dizes relativamente às capacidades sociais. Pode ser excelente programador, mas nesta área se não souber avaliar os problemas, por contacto com os utilizadores, lixo. Não me serve. Serve para escrever drivers, algoritmos de pesquisa, merdices esotéricas, mas código de frontend não.
Sem imagem de perfil

De anon a 21.11.2007 às 16:30

ao termo "super" nem sequer vou comentar... super programador, tipo super homem com super poderes, nunca tinha ouvido/lido... why not "crânio"? super programador soa um bocado a expressão anglo saxónica... em português deveria ser "crânio da informática"... que é uma expressão equivalentemente imbecil!

gostava de perceber porque e que tanta gente concorda com o facto de que alguém com poucas capacidades sociais não consegue por-se no lugar do utilizador... ou extrair o objectivo pretendido pelo cliente ao próprio...

pior ainda é basicamente dizerem que é mau que alguém seja realmente bom numa tarefa ! o que obviamente irá reduzir as suas capacidades noutras áreas...
mas por esse ponto de vista, suponho que toda esta gente se ache "super social"

e em relação ao comentário acima, assumo que seja alguém cuja profissão envolva programação.... como e que um programador pode dizer que nunca quis aprofundar os seus conhecimentos de programação!!??!
é o mesmo que um arquitecto dizer que nunca se interessou em melhorar os seus conhecimentos sobre arquitectura, que prefere melhorar as suas "skills" sociais para falar melhor com o cliente e o mestre de obras...

obviamente que as "skills" sociais são importantes, nesta área, como em todas, mas é ridículo dizer que alguém que seja realmente bom numa única área deverá ser atirado p'ra canto!

penso que há aqui uma grande confusão entre o que está escrito e o que se pretendia escrever...
sim, uma pessoa que não se esforce para resolver o problema do utilizador ou que não se esforce para comunicar com o resto da equipa é um mau profissional... independentemente de programar bem ou mal!
mas o que normalmente acontece com "super programadores" é terem falta de "skills" sociais, não por não se esforçarem ou não quererem, mas por não serem pessoas muito comunicativas....

obviamente que alguém que se torna excessivamente (como se isso fosse possível) bom num área, terá de ter dedicado muito tempo a essa área... esse tempo normalmente é passado sozinho, alem de que são pessoas normalmente introvertidas e por isso mesmo se acabam por isolar no seu próprio mundo

que não queiram ir tomar café com um "uber coder", compreendo... agora não querer trabalhar com alguém que seja bom no que faz é estupidamente ridículo!

sim, tecnologias não são tudo! a resolução do problema do cliente é o mais importante! mas tem de haver um equilíbrio saudável entre as duas partes!

quanto aos "super programadores" fazerem drivers e modulos de kernel é uma bela piada! simplesmente ha varias áreas de programação... certamente esses "bichos raros do mato" estarão espalhados por todas elas :P

(será que os "super médicos" apenas fazem cirurgias?)

tenho dito!

(ps: depois destes relatos todos do codebits tenho pena em não ter ido... pensava que iria ser um evento totalmente diferente do que parece que foi... penso que a divulgação do evento levava a pensar que seria mais uma lan party bastante virada para tecnologias proprietárias e com único objectivo de lamber as botas "aos sapos" para arranjar um empregozito)

(ps2: já que faz parte da equipa do sapo, aproveito para felicitar o grupo... sempre fui um bocado anti-sapo, mas este ano mudei radicalmente de opinião... sem dúvida que estão no bom caminho, acho que como li noutro blog, é preciso inovar e copiar menos... :P mas sem dúvida que estão no bom caminho!)

(ps3: era preciso a apple mudar para intel para se começarem a ver macs nas mãos de developers em Portugal?! mais vale tarde que nunca)
Imagem de perfil

De jonasnuts a 21.11.2007 às 17:24

Eta lecas que grande comentário :)

O comentário acima do seu é de um designer, não é de um programador :)

Acho que começo pelo fim. Nós no SAPO não usamos botas, pelo que precisamos pouco de lambe botas :)
A ideia deste Codebits era, entre outras, responder à comunidade que diz, não copiem, inovem. Teria sido uma oportunidade excelente para que a comunidade nos dissesse, olhem, peguem nisto naquilo e naqueloutro e façam isto assim. Ideias, era o que nós queríamos :)

Para o ano há mais. Contamos consigo nessa altura :)

Quanto aos super programadores, vou tentar explicar-me melhor. Adoro pessoas competentes. Aliás, podem ser uns brutos, mal encarados, respondões e maus-feitios, se forem competentes, servem. Mas a minha definição de competência não passa exclusivamente pela perícia técnica. Se for alguém tecnicamente muito apetrechado, mas não perceber o que eu quero, não me servem de nada as suas competências.

Prefiro pessoas altamente competentes e que falem a mesma linguagem que eu (que falo a linguagem dos utilizadores), para que possamos, em conjunto, desenvolver um projecto melhor. É isso que tenho, na minha equipa :)
Sem imagem de perfil

De Crisálida a 22.11.2007 às 00:33

Adoro a forma como vc escreve. Eu sei, já disse isso, mas digo de novo. Esse post está maravilhoso. Essa frase está perfeita: "Não quero geniozinhos excêntricos, que usam as suas competências e a sua linguagem para se distanciarem das pessoas para quem trabalham, tentando sentirem-se superiores. Quero pessoas normais, que dêem o litro, e que pensem, e que se ponham no lugar dos utilizadores, uma e outra e mais uma vez."

Adorei, de verdade.

Beijos e, por favor, vc fica perfeita quando está indignada. :-)

Comentar post






Arquivo