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Não interessa como, mão amiga fez-me chegar às mãos o estudo que a AGECOP vos apresentou (e cujos soundbites espremidos tem andado a plantar na comunicação social).

 

Fiquei muito satisfeita por ter tido acesso ao estudo, para já porque gosto de saber coisas, e depois porque confirmou aquilo que eu pensava. Confesso que não passei das primeiras páginas. Não precisei de ir mais longe. Presumo que não vos tenha passado ao lado, o "pequeno" detalhe, que faz com que o estudo apresentado seja absolutamente inútil, como contributo para o tema em questão, o PL118. Não, não me refiro ao facto de se um estudo com um trabalho de campo de recolha quase com 3 anos (nesta área, 3 anos representam vários ciclos de desenvolvimento, qualquer coisa com mais de 6 meses, já não serve de nada).

 

Refiro-me ao universo.

 

 

Portanto, o universo sobre o qual incidiu o estudo, refere-se única e exclusivamente, sobre pessoas que fazem gravações de conteúdos de media.

 

Entrevistaram uma catrefada de gente, a quem fizeram as perguntas de despiste, e depois, apenas fizeram as restantes perguntas aos 1.000 que disseram fazer gravações de conteúdos de media.

 

Não é, portanto, um estudo relevante para o tema em apreço, na medida em que não incide sobre os hábitos da população em geral, mas apenas dos indivíduos que disseram ter o hábito de gravação de conteúdos de media.

 

Uma vez que as taxas propostas pelo PL118 incidem sobre todos, encomendem um estudo que incida sobre o mesmo universo, e não apenas no universo que pretendem taxar.

 

Muito agradecida. Não tem de quê.

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16 comentários

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De RuiSeabra a 11.02.2012 às 21:06

Eu diria que há mais alguns fatores perversos no estudo:

1. assume-se cmo um trabalho por encomenda feito "a partir dos objetivos enumerados e com base nas indicações do cliente".

"do cliente" é preciso dizer mais alguma coisa?

Mas sigamos...

2. este estudo tem 0% a ver com cópia privada

Quando a AGECOP se atreve a dizer na sessão parlamentar que #pl118 nada tem a ver com cópia privada e apresenta este estudo como justificação para a lei da cópia privada, o jogo da hipocrisia autoserviente é automaticamente revelado.

Sinceramente, ou a AGECOP espera que os deputados sejam muito burros ou a AGECOP tem à sua frente gente muito burra.

Não sei o que é pior...
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De jonasnuts a 11.02.2012 às 21:32

Bom..... a encomenda tem de ser feita, as empresas de estudo de mercado não trabalham porque são curiosas :)

E a enumeração de objectivos também não me parece mal, dependendo do que são os ditos cujos. A saber, se os objectivos forem: saber isto, perceber aquilo, compreender aqueloutro, faz todo o sentido.

Portanto, depende da malícia e do dolo e da intenção com que se faz a coisa.

O problema, é que há muitos estudos que são feitos com esses objectivos, e depois as respostas contrariam os desejos de quem os encomendou, por isso, são metidos na gaveta :)

Era o que deviam ter feito com este. Basicamente, deitaram dinheiro à rua, e tentam deitar poeira para os olhos das pessoas. Até agora, empoeirados, só vi jornalistas :)
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De RuiSeabra a 11.02.2012 às 22:22

Claro, mas esquece qualquer ideia de um estudo *independente*. Este claramente não é (aliás, as empresas de estudos de mercado são consultoras em spin doctoring, na prática).

De qualquer das formas, por comentários que ouvi, também só há jornalistas "enganados"...
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De Nelson Cruz a 11.02.2012 às 22:17

Este estudo é simplesmente brilhante. É como se se fizesse uma sondagem em Portugal sobre parque automóvel, se limitasse à partida o universo aos proprietários de veículos Renault, e depois se concluísse com pompa e circunstância que quase 50% dos portugueses têm um Mégane. Big #FAIL

Ou melhor, em grande parte a culpa até nem será do estudo e de quem o fez, mas sim de quem anda a apresentar e distorcer os resultados. O estudo serve para avaliar o hardware usado (em 2009) por quem fazia na altura "gravações de conteúdos", e que tipo conteúdos eram gravados. Não diz nada porém (zero mesmo) sobre a utilização global dos produtos de armazenamento de dados. Quem os usa/usava para outros fins, foi excluído à partida.

Acho também curioso que conste dos objectivos a determinação do "de onde gravam", e depois... nada. Nem uma pergunta sobre isso.

Perguntaram às pessoas se tinham internet, de que tipo e se tinham ou não limites de tráfego... perguntas que nem se percebe a relevância. Perante tudo o resto, parece ali caído do céu.
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De Bruno Gomes a 12.02.2012 às 23:43

Joana, este tipo de desinformação a descarada, não terá algum enquadramento no quadro legal? Espera-se algum tipo de respeito pela instituição. Uma coisa são opiniões/interpretações. Mas quando se trata de factos quase científicos , como um estudo, e deixar de fora estes "pormenores" (devil in the details) ... parece demais ....
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De jonasnuts a 12.02.2012 às 23:52

Eu quando comecei a informar-me sobre este processo e sobre este projecto de lei, também achava que era desconhecimento.

Quanto mais aprofundo o meu conhecimento sobre o tema, mais acho que o desconhecimento é pouco, a falta de vergonha e a ganância é que são muito grandes.

E não sou Joana :) Ou Jonas ou Maria João :)
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De jorge a 13.02.2012 às 02:09

A cada tiro, cada melro. Os defensores do #PL118 mentem descaradamente e nem se preocupam muito com a qualidade das mentiras. Porquê? Erro de cálculo ou acharão que os media - e os políticos, consequentemente - irão fechar os olhos?

A deputada Canavilhas agora iniciou uma segunda abordagem ao tema, limitando as taxas. Prepara-se uma nova investida, com taxas que possam passar no parlamento como "razoáveis". A questão é que não importa se são 5 cêntimos, ou se são 50 euros. É o princípio que está errado. Não se pode assumir que as pessoas serão infractoras por regra.

Mas esta gente nunca teve pejo em chamar ladrões aos consumidores e a prova está no clip anti-pirataria que descaradamente metem nos DVD que *compramos*. Este #PL118 é apenas mais um episódio, potencialmente lucrativo, desse comportamento.
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De Alex a 13.02.2012 às 09:48

Cada vez se percebe mais que o interesse aqui é sacar o máximo possível aos Portugueses. E esse estudo é ridículo e ultrapassado. É que nem querem saber se vêm protegido (DRM) as coisas. Pois hoje em dia pouca coisa se consegue efectuar a dita copia privada.
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De Miguel a 13.02.2012 às 10:49

Hoje encontrei este texto no jornal publico:

http://alturl.com/b5hdw
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De jonasnuts a 13.02.2012 às 11:11

Obrigada :)

Já adicionei ao post dos links na comunicação social.
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De Joaquim Santos a 13.02.2012 às 12:02

Mais uma se interessar:

http://www.jn.pt/PaginaInicial/Tecnologia/Interior.aspx?content_id=2301318
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De Paulo Fontes a 14.02.2012 às 09:59

Para além da questão do universo da amostra, mesmo no universo escolhido existe alguma manipulação de dados... por exemplo os valores máximos indicados para downloads... aqueles valores num estudo estatístico sério seriam removidos por serem outliers. Como são considerados provocam uma distorção enorme das médias.
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De António a 14.02.2012 às 23:42

Para mim há algumas questões a ter em conta:

-se a spa e afins, se referem quase sempre a copias piratas, quer dizer que esta taxa é uma legitimação do download ilegal?

-considerando a foco real do projeto de lei, se pagamos uma taxa nada simbolica e daqui a uns anos até bastante significativa pelo direito às cópias privadas, isso não torna ilegal a venda de cds e dvds com drm?

-continuando: se comprei um cd/dvd, gravei um filme/série da tv que pago quer ao operador quer na factura da edp, e como os suportes estão inestados de drm e como PAGUEI a taxa isso quer dizer que posso ir buscar ESSES conteúdos à net?

é que não é só cobrar por um direito que estamos impedidos de fazer por causa dos drm e depois acusarem-nos de sermos ladrões e ameaçarem com prisão de cada vez que vamos ao cinema ou vemos um dvd que comprámos.
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De jonasnuts a 15.02.2012 às 08:32

Vamos por partes :)

Muitos dos intervenientes têm tentado (com relativo sucesso) incluir a palavra pirataria no tema do pl118, apesar deste nada ter a ver com pirataria. Na minha opinião, esta atitude prende-se com o facto das pessoas não conseguirem conceber o conceito de cópia privada, pelo que mais rapidamente concordam com a lei, se acharem que sendo aprovada, passaria a legalizar o acesso a conteúdos pirata. Nada disso.

A questão do DRM não é ilegal. Uma vez que a cópia privada é uma excepção ao direito de autor, o DRM apenas exclui essa excepção.

Não pode ir buscar esses conteúdos à net, a não ser que o faça de forma legal, pagando por eles. Independentemente de já ter pago por eles originalmente.

Último parágrafo...... completamente de acordo. Só faltou referir outro momento em que nos chamam de ladrões, que é quando compramos um livro, e temos lá escarrapachado um selo "não à cópia".
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De António a 15.02.2012 às 12:40

Então deixa ver se eu entendo:

Sou obrigado a pagar pelo direito à copia privada em tudo quanto seja objeto que armazena dados, MAS, só se o autor quiser, vendendo conteúdos sem drm, porque estou legalmente proibido de copiar cds e dvds protegidos, também não posso ir buscar copias desses conteudos a outros sitios.

como desde a massificação do drm não me lembro de alguma vez ter comprado cds e dvds sem essa proteção, não sei para que serve a taxa?

E mais: com isto tudo qual a legalidade ou ética que tem um autor, que vende os seus conteudos protegidos, querer uma fatia desta taxa?
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De jonasnuts a 15.02.2012 às 12:51

Entendeste :)

A taxa serve para encher os bolsos de intermediários, e para extorquir o consumidor de bens alheios (diga-se).

Por último..... usar a palavra ética, neste debate, só se for como metáfora.

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