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Sexta-feira, 8 de Janeiro de 2010
Hoje é dia de festa

E desenganem-se aqueles que acham que hoje é dia de festa só para os homossexuais.

 

Hoje é dia de festa para todos, mesmo para aqueles que não sabem que devem festejar, sobretudo para esses. A descendência agradecerá.

 



publicado por jonasnuts às 21:18
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8 comentários:
De PortoMaravilha a 9 de Janeiro de 2010 às 18:05
Notícia muito comentada nos mídia fr. Nos jornais que também estão em linha as caixas de comentários atingiram um número impressionante de comentários.

Gostei deste comentário que li no Liberation ( por causa dos parabéns e do trocadilho )

Assim :

"Félicitations : Portu-gays et Portu-gayses "

Nuno


De António Bento a 10 de Janeiro de 2010 às 17:07
Demorei um pouco a perceber o motivo de tanto júbilo. Interessante, está tudo feliz, um pouco por todos os blogs, mas curiosamente ninguém é gay, o que não me parece bom sinal. É claro que também comecei a receber mails que dão vontade de imprimir só para poder rasgar.
Eu não sou gay e não estou feliz. Devia ter havido referendo (parece que houve uma petição e isso ofendeu muita gente), e se houvesse eu votava a favor, mas assim a coisa foi impingida, o que me ofende a mim. O povo inculto, violento, grosseiro e iletrado parece que só é chamado a dar opinião quando convém a algumas almas iluminadas, ou a ir morrer quando há guerra, o que torna a democracia uma farsa. Os casais gays vão ter que viver no meio desse povo, e a lei é irrelevante. Que eu saiba nunca foi ilegal ser negro e o racismo existe. Desejo-lhes boa sorte, com os rácios actuais acho que garantiram mais o direito ao divórcio que outra coisa.
Jonasnuts, eu não sei se a minha filhoca me vai agradecer. Não sei se o facto de herdar uma dívida pública monstra, Lisboa aí com metade debaixo de água, falta de água para beber, e tudo a morrer à volta será justificado pelo facto de poder casar com a prima.
E ainda censuro o legislador pela hipocrisia que o levou ficar por aqui, já que estava com a mão na massa. A moldura técnica, moral e biológica do casamento gay não difere muito de outras questões relativas às relações interpessoais. Por que é ilegal a poligamia? O incesto entre adultos com idade de consentimento deve ser reconhecido como relação marital? São coisas que existem, são estigmatizadas, fazem tanto mal ao mundo como o casamento gay, só não contam com a famigerada popularidade. Tal como no caso dos gays, não me revejo nessas minorias, mas reconheço-lhes os mesmos direitos.
Abraço.


De jonasnuts a 10 de Janeiro de 2010 às 18:48
A orientação sexual não tem nada a ver com a luta pela igualdade. A minha orientação sexual não interessa e eu estou feliz apesar de não ter sido aprovada uma lei que me satisfizesse por completo (eu iria mais loge, iria à adopção).

A coisa não foi impingida na medida em que fazia parte do programa do PS para as eleições legislativas, e foi um tema amplamente debatido. Nessa medida o referendo não fazia sentido, como não fazia sentido mesmo que não tivesse a medida estado anunciada pelo programa do governo. Se fizessem um referendo na África do Sul, no tempo do aprtheid, perguntando se concordavam com o sistema, quem é que acha que ganharia? As minorias protegem-se.

Quanto às demais questões, poligamia, incesto, debatam-se, cheguem-se à frente os activistas como se chegaram à frente os activistas que defendiam o casamento entre pessoas do mesmo sexo (eu não lhe chamo casamento gay). Eu sou a favor do debate. Pessoalmente não conheço ninguém que seja a favor de e viva em poligamia, mas hey, nada contra, desde que todos os envolvidos saibam ao que vão.

Eu estou convencida que o meu filho me agradecerá por todas as coisas boas que eu lhe deixar, e, na minha opinião, uma lei mais respeitadora de todos e que não trate os cidadãos de forma diferenciada, é uma coisa boa.


De António Bento a 11 de Janeiro de 2010 às 00:11
Não sabia que fazia parte do programa de Governo do PS, desta vez não prestei a devida atenção aos programas eleitorais - e devia tê-lo feito nem que fosse para reconfirmar que nunca são cumpridos - e como não tenho TV o debate passou-me ao lado. Realmente assim não se justifica o referendo. A minha opinião sobre o referendo foi formada por reacção a outras opiniões de quem, certamente, também não conhecia o programa, mas opinou sobre as mentalidades retrógradas que se opunham e que não o deviam fazer. E que, claro, também têm o direito à opinião.
Um referendo nos tempos do apartheid seria apenas uma antecipação do que acabou por suceder. Hoje percebe-se o tempo que se perdeu por não ter sido feito. Mas não era aí que eu queria chegar; O facto de se legalizar o casamento entre pessoas do mesmo sexo não as vai livrar da discriminação. O tempo, e sobretudo uma educação que falta é que lá chegarão. Espero. No caso do racismo ainda falta tanto.
Sobre poligamia acompanhei mais ou menos de perto um caso que começou com uma conversão ao Islão, mas que acabou por não dar certo, mas há casos de poligamia clandestina que às vezes parecem funcionar muito bem. De incesto só conheço os casos tristes, mas deve ser possível haver casos não traumáticos. A minha conclusão é que o modelo de contrato social que é o casamento tal como o conhecemos parece estar a esgotar-se, e o casamento entre pessoas do mesmo sexo (irra, que casamento gay escreve-se mais depressa!) é mais do mesmo. Podiam ter ido mais longe e dar de vez uma lição ao mundo. Talvez seja cedo, mas os impossíveis acontecem cada vez mais depressa...


De jonasnuts a 11 de Janeiro de 2010 às 09:16
É verdade o que dizes, que a lei não muda mentalidades e que é em matéria de mentalidades que é preciso mudar. Concordo. Mas, neste caso em específico, se a mentalidade que exclui não estiver protegida pela lei, perde força e importância. Neste momento, é só, mesmo, um caso de mentalidades, enquanto que, antes era também a lei. Perdeu força o movimento (e as mentalidades) que defendiam uma coisa só para alguns.

As mentalidades não se mudam de um dia para o outro. O exemplo que dás, do racismo, é a prova, se fossem necessárias provas, mas aos poucos, lá chegaremos e as leis que nos regem fazem parte dessa mudança. Depois, cabe-nos a nós, pais e educadores, fazermos o trabalho de casa, no dia-a-dia. É mais difícil e é lento, mas é é preciso que se faça.


De pedrocs a 11 de Janeiro de 2010 às 12:15
Wee, tá tudo feliz porque uma proposta foi aprovada na generalidade e pode ser que demore só um ano ou dois a ser lei... :-P


De jonasnuts a 11 de Janeiro de 2010 às 12:22
É um passo. Faltam outros, mas este, que era importante, está dado :)


De pedrocs a 11 de Janeiro de 2010 às 18:26
ok, vamos ver.



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