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Quando a memória nos trai, como educadores

por jonasnuts, em 06.01.09

Tenho uma memória desgraçada. Lembro-me de coisas passadas há MUITOS anos. Lembro-me do meu bisavô Ernesto. Contava-me a história dos 3 porquinhos vezes sem conta, e era um homem muito alto. Não é através das fotos, nem das memórias da minha mãe que me lembro dele, porque, de acordo com a realidade, o meu bisavô Ernesto não era um homem alto, pelo contrário. Mas lá de baixo da altura dos meus 2 anos, parecia-me enorme. Não é uma memória fotográfica, é uma memória real. Todos os outros adultos adultos diminuíram de altura, à medida que eu fui crescendo, o meu bisavô Ernesto conservou-se gigante, na minha memória. O meu bisavô Ernesto morreu poucas semanas depois de eu ter feito 2 anos.

 

Isto tudo para explicar que tenho uma memória, mais do que desgraçada, filha da puta. Com tudo o que isso tem de bom, e com tudo o que isso tem de mau (que me seja conservada, é o que peço).

 

O meu puto tem 10 anos (curioso, lembro-me exactamente do que é que me atravessou o espírito no momento em que estava a soprar as velas do meu 10º aniversário, palavra por palavra). Anda no 5º ano (antigo primeiro ano do ciclo, o ano em que começava a ser a sério). Chegou ontem a avaliação do 1º período.

 

Ora, com uma memória como a minha, com que moral é que lhe repreendo a falta de atenção, a distracção, o ódio figadal à matemática, o desinteresse generalizado por tudo o que tenha a ver com a escola? Percebo agora os meus pais, tanto potencial, tão mal investido. Não é mau aluno (eu também não era má aluna), mas anda ali nos mínimos.

 

Não quero um filho só de 5, não é dele ser de 5, mas também não estava muito a fim de ter um puto a rondar os 3. Muitos 4, um ou outro 3, um ou outro 5, isso é que era. Mas acima de tudo, que gostasse daquela porra. Que se divertisse ou, pelo menos, que não fosse um frete tão grande.

 

Mas com que raio de moral lhe digo eu que a matemática é o máximo, que a escola é 5 estrelas, e que esta é uma das partes divertidas e fáceis, se eu me lembro demasiado bem de me sentir exactamente da mesma forma?

 

Sacana da memória. Esteve sempre a gritar-me "mentirosa, aldrabona", enquanto eu pregava ao meu filho acerca das vantagens, do divertimento e dos méritos da escola, dos professores da aprendizagem e da importância de ter boas notas.


(este corrector ortográfico é muito careta, puta e porra são considerados erros ortográficos).

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9 comentários

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De Clara a 06.01.2009 às 10:51

Com a moral dos pais: faz o que eu digo, não faças o que eu faço (fiz). Porque se não os podemos educar a fazer melhor do que nós por uma questão moral, então estamos só a assistir impavidamente aos nossos erros repetidos.
(a escola é uma coisa muito pouco interessante mesmo, isso aí já não é culpa deles nem nossa).
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De Raquel a 06.01.2009 às 11:15

Ao ler este post pensei em mim...as vezes dou-me conta de dar conselhos á minha filha mais velha, que antes aceitei de mal grado da boca da minha mãe...
Lá diz o ditado, filho és , pai serás (neste caso mãe).
Um bom ano!
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De C. Medina Ribeiro a 06.01.2009 às 12:33

Já folheaste as últimas páginas do antigo LIVRO DA PRIMEIRA CLASSE (*)?

Até tem multiplicações e divisões, daquelas que muitos licenciados, hoje em dia, não sabem fazer...

(*) Hoje vendem-se reedições, mas eu ainda tenho o original, de 1952...
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De KI a 06.01.2009 às 15:08

Engraçado o meu último post chamar-se " Ernesto" e teres um bisavô com esse nome não sendo nada comum.

Eu tb tenho essa memória lixada ( a ver se o corrector ortográfico) e não compreendo mt bem pq se aprende certas coisas assim como tb n comprendia na altura mas ok.

Acho q as disciplinas se fossem mais real life seriam mais interessantes e educativas e o país "produziria" gente mais bem formada como pessoa e daí como profissional. Acredito q o ensino passa mt pela prática e n pela teoria, é por isso q a maioria de nós aprende as coisas a fazê-las e n a ler como se faz, é por isso q acredito cada vez mais no Ensino Profissional e conheço um caso q a mudança do Ensino comum para uma escola profissional acrescentou uns valores às notas daquele aluno, fez dele uma pessoa mais estimulada e interessada e lhe regou as capacidades q tinha no q realmente gosta de fazer e hj é um dos melhores alunos da sua turma com probalidades altas de fazer um estágio 5 estrelas.

Será q o ego de pais e educadores precisa dos 4's ou realmente têm conteúdo educacional e são importantes?


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De pedrocs a 06.01.2009 às 16:54

Curioso como já pensei nisto muitas vezes também, aguardando que a distância que separa o Tiago da escola encurte.

Eu fui aluno só de 5, durante uns anos (dois ou três), depois comecei a escorregar um bocado, depois voltei a tirar uma média de 19 no 12º ano.

Mas detestei aquela trampa do princípio ao fim - andei em montes de escolas e detestei todas, nunca queria ir, nunca queria lá estar e nunca era cedo demais para voltar para casa.
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De Ventania a 07.01.2009 às 23:05

A tua memória é fantástica :)
E tem calma lá com as notas do miúdo porque ele ainda está numa fase de adaptação. 5º ano, 1º período, tá?
Vai com calma.

Abraço,
Clara
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De jonasnuts a 07.01.2009 às 23:11

Aqui posso dizer que há umas transferências que marcam mais que outras :)
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De Ventania a 07.01.2009 às 23:38

Todas as fases de adaptação são bastante úteis. Passamos por experiências que nos ensinam a crescer com bases mais sólidas e para darmos o devido valor à palavra sucesso (e ao esforço que isso implica) é preciso conhecer tb o sabor dos frutos menos doces, penso que isso trabalhará naturalmente o nosso empenho.

Porque não cantas a tabuada com ele de manhã no percurso para a escola? Comigo funcionou... sempre que eu errava - ela ria-se, e foi da forma que decorou a tabuada. :)

P.S. É claro que umas marcam sempre mais que outras :)
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De Q a 09.01.2009 às 17:44

Também há a típica abordagem de que nem tudo o que se faz na vida tem que ser divertido. Tive que atinar com a matemática porque sem ela não entrava p faculdade. Se gostei? Não, não gostei... e voltei a apanhar com ela durante o curso. Assim como mais um montes de coisas manhosas e ranhosas que não interessam a ninguém. Mas no final de contas, o curso até foi bem escolhido e hoje tenho gozo naquilo que faço por isso mesmo.

Vi malta que tinha só 4 e 5 e depois chegou ao secundário e foi abaixo, porque não conseguiram gerir notas mais baixas e começaram a achar que não tinham jeito para nada. Vi os outros dos 3 e até alguns 2 a continuarem, insistirem e persistirem, lá traçaram o seu percurso e hoje têm bons empregos e fazem o que gostam.

Responsabilidade, gestão de prioridades e opções. A conversa do "se és tu que optas por estar o dia inteiro no café, depois não te queixes das más notas" resultou comigo... Agora, que a escola era divertida... essa nunca comprei. :D

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