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Jonasnuts

Destralhar

Panela Cocotte redonda Evolution de ferro fundido

Quem não aproveitou a boleia do confinamento para arrumações?

Eu aproveitei para dar cabo dos últimos caixotes. Mudar de casa tem destas coisas. Os caixotes demoram a desaparecer. Da última vez que mudei de casa, houve caixotes que demoraram mais de 10 anos a ser abertos. Houve até caixotes que nunca foram abertos e foram despachados para a arrecadação. 

Nesta casa é diferente. Há espaço para todas as coisas que eu quero que façam parte da minha vida. A diferença é que agora há muita coisa que já não quero. Digamos que estou a fazer um downsizing. Mais com menos. 

Não é nenhuma filosofia dinamarquesa, nem é influência da kondo, é só mesmo deixar sair o que já não me faz falta. O que já não me acrescenta. O que já não tem peso nem significado. O que já não serve. O que deixou de prestar. Ou nunca prestou, eu é que achava que sim. Deixei de achar :)

Muita coisa foi direitinha para o lixo mas, o que ainda estava em boas condições de uso foi doado (e tenho ali mais uns sacos cheios para levar à Dona Ajuda). Sobram as coisas que, não só estão em boas condições como podem ter alguma valor monetário. Estou a vender. Hoje meti uma catrefada de coisas no marketplace e amanhã conto meter outro tanto. Não tenho pressa, são só coisas que estão ali arrumadas a um cantinho, para despachar no momento certo. 

Nunca tive grande facilidade em desfazer-me de coisas. Não pelo seu valor monetário, mas pelo seu valor emocional, o seu valor estimativo. Nisso sou parecida com a minha mãe, para stress da minha irmã, que nunca percebeu esta mania de nos agarrarmos às coisas. "Ponham-me no lixo", é algo que a minha irmã ouve as coisas a dizer, mas a que eu e a minha mãe fazíamos orelhas moucas.

Agora está a ser diferente. A minha mãe estaria aterrorizada, se aqui estivesse - quem és tu e o que é que fizeste à grande? - a minha irmã está, naturalmente, a achar que é um bom princípio, mas que ainda há muita coisinha a gritar "ponham-me no lixo" e que tenho de ir muito mais longe.

Vai ao meu ritmo. Lá chegarei. Já faltou mais :)

A minha horta

Fui criança de apartamento, nunca tive a possibilidade de ter "terra" de pais, avós ou bisavós (era tudo de Lisboa), tinha uma inveja profunda das minhas amigas que passavam 3 meses de férias na terra, e que tinham sempre batatas, cebolas, azeite e azeitonas, alhos, chouriças, ovos, mel, queijos e fruta, muita fruta, tudo proveniente da terra.

Desde há uns anos para cá que tem crescido em mim o desejo de ter uma casa com terra, a minha cajinha. Já esteve bem mais longe do que está hoje.

E o desejo de terra passa, também, por ter uma horta. 

Morando num apartamento, a horta fica inviabilizada. Ou será que não?
Em alguns apartamentos sim, noutros apartamentos não.

Na minha casa, não existe essa limitação.

Há mais de um ano comecei a namorar a ideia de ter um jardim ou horta vertical. Fiz a minha pesquisa e aterrei nos MiniGarden. Comprei logo dois. E não comprei apenas as estruturas, comprei logo a terra e as esferas de argila e todo o material necessário.

Por motivos que não vêm agora ao caso e que felizmente se resolveram entretanto, não pude montá-los de imediato, pelo que só no mês passado me dediquei à coisa.

Numa das estruturas tenho 18 pés de morangos e na outra tenho uma fileira de alfaces (roxa, frisada e francesa), uma fileira de tomate cherry (6 pés) e uma fileira de tomate coração de boi (3 pés).

As alfaces e os tomates comprei bebés, no Mercado da Ribeira, os morangos vieram do Lidl.

horta1.jpg

horta2.jpg

(A imagem de cima chama-se horta1 por isso, naturalmente, a imagem de baixo chama-se horta2. Porque é que isto é interessante? Por nada. Mas a malta da minha geração sabe bem que o Horta2 não é uma horta de morangos).

Já cresceram muito, desde que chegaram e têm-se aguentado muito bem, tendo apenas sucumbido um tomateiro coração de boi, na tempestade de ontem. 

Isto está a servir de experiência, se correr bem, compro mais unidades e cultivo mais coisas. Não pelo dinheiro que se poupa, porque na realidade isto há-de dar para meia dúzia de saladas e para uma semana a comer morangos e não mais que isso, mas pelo gozo que dá e pela experiência, que será muito útil, quando eu tiver a tal horta a sério que já esteve mais longe :)

E, em cima disso tudo, sabe-me lindamente, estar na minha sala, olhar pela janela e, para além do mar a perder de vista, ver também as minhas alfaces e os meus tomates.

Isto é que é vista.

 

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A nossa casa

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A nossa casa deve ser, em princípio, o sítio onde nos sentimos em casa.

Sempre, claro, mas sobretudo nos dias que correm, porque é aí que passamos grande parte do nosso tempo.

É muito desagradável, passar este (ou qualquer outro) período de reclusão ou simplesmente viver, numa casa de que não se gosta, ou que não é confortável, ou que não tem condições, não nos reflete ou, simplesmente, onde não nos sentimos em casa.

Os detalhes que fazem com que uma casa seja a nossa casa variam de pessoa para pessoa, claro. No meu caso, são coisas simples, meros detalhes, coisas fáceis; uma vista de mar, de jeito, um fogão, as portas dos armários que fecham, as gavetas que deslizam, uma cama quente, um tapete frondoso, os meus livros, objetos desencaixotados depois de anos de pausa, os quadros pendurados, a horta, o eterno work in progress, a possibilidade quase ilimitada de transformação e melhoria, sem limites a travar-me o passo.

 

E é tão bom, estar, finalmente, em casa.`

 

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