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Jonasnuts

O poder das palavras

Escrevi um desabafo no Facebook, face para os íntimos.

 

Confesso que não sou do Facebook, sou do Blog, um bocadinho do Twitter (mais por dever profissional que outra coisa), mas não sou do Facebook.

 

Vou lá uma vez por semana, ignorar a grande maioria dos convites de "amizade", aceitar os que acho que devo aceitar, e pouco mais. Misturam-se ali demasiadas coisas. Pessoal, familiar, profissional, tudo ao molho e fé em Deus. Não tenho tempo, nem pachorra. O mail daquela porcaria nem funciona como deve ser.

 

Escrevi um desabafo, dizia eu, e escrevi como falo. De coração na boca, à flor da pele, sempre a abrir.

 

Eu sou assim e, as minhas desculpas a quem não conhece esta minha faceta, eu digo muitos palavrões quando falo. Digo. Reforça a mensagem. Não digo palavrões por tudo e por nada. Não digo palavrões em casa. Não digo palavrões ao volante quando há menores dentro do carro. O meu filho nunca me ouviu dizer um palavrão (a não ser que me tenha apanhado quando eu julgava que ele estava a dormir). Conscientemente, o meu filho nunca ouviu um "merda" sair-me boca fora.

 

Mas, nas outras circunstâncias, e quando estou rodeada de pessoas que conheço e com as quais tenho confiança, uso palavrões. De novo, reforça a mensagem. São muito eficazes os palavrões, principalmente se proferidos por uma mulher.

 

A minha mãe e a minha irmã ouvem-me falar, sabem que falo com palavrões, mas fez-lhes confusão verem o palavrão escrito.

 

Lamento imenso, mas eu escrevo como falo. Este falo, não tem segundo significado. Mas podia ter.

Ter medo das palavras

Por causa do vídeo que anda nas bocas do mundo, lembrei-me de vários professores de língua portuguesa que tive ao longo dos tempos. Bons e maus.

 

No 7º ano do ciclo a professora recomendou a leitura do Kurika, a história de um leão, na altura gostei imenso, mas já não me lembro da história. A recomendação da leitura chegou com um aviso. Não leiam da página tantas à página tantas. Parece que era a parte em que o leão descobre o sexo. Obviamente toda a gente foi ler essa parte em primeiro lugar.

 

No 9º ano, para os Lusíadas, leiam, mas saltem o 5º canto. Odiei os Lusíadas, e não li a maior parte, mas o 5º canto marchou todo, em primeiro lugar (já não me lembro de nada, mas sei que foi assim).

 

No 10º ano, a mesma coisa, com Os Maias, lembro-me que havia umas secções que era suposto não lermos. Li tudo, e adorei (ao contrário do resto da turma, que achou uma seca). Já nem me lembro o que é que era suposto não lermos.

 

Eu era muito boa aluna e, por isso, tinha maior atitude por parte dos professores, pelo que me lembro de ter perguntado (em todas as circunstâncias) porque é que não podíamos ler aquelas partes (o que fazia de mim a heroína da turma, do ponto de vista dos meus colegas). Se não eram só palavras? E se a disciplina não era Língua Portuguesa, e se na disciplina em causa não era suposto aprendermos palavras, e se havia palavras de primeira e palavras de segunda. De todas as vezes a resposta foi a mesma: mais tarde compreenderás (penso que é desde aí que embirro solenemente com essa justificação adiada, com base numa hipotética maturidade futura).

 

 

Com o professor que me deu Gil Vicente, a história foi diferente. Lia tudo, quando não nos dizia para sermos nós a ler, alto, durante as aulas e explicava-nos as coisas. Não há que ter medo das palavras. Há palavras que não usamos no dia a dia, mas não é por isso que deixam de existir e podem ser úteis, em certos contextos.

 

Era meio esquisito, este professor, e tinha uma panca mal explicada pela Florbela Espanca, mas perdoávamos-lhe a panca (e as secas que nos dava com a dissecação exaustiva dos poemas da Florbela), porque, de todos, era o que nos compreendia melhor, e não tinha medo das palavras.

 

Não percebo porque é que, ainda hoje, alguns professores não perceberam duas coisas:

1 - As palavras devem ser usadas, todas.

2 - Dizer a um aluno para não fazer algo, é meio caminho andado para que este o faça, rapidamente, e antes de fazer qualquer outra coisa.

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