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Jonasnuts

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A (nossa) #fachina está a resultar

Jonasnuts, 12.03.21

VisãoIgnorar em vez de responder_ Como fintar o algoritmo para não alimentar o ódio nas redes.jpg

 

aqui falei da #fachina (auto-link), mas a Visão decidiu aprofundar a coisa e publicou hoje o resultado duma conversa entre mim e a jornalista Sara Borges dos Santos, sob o título Ignorar em vez de responder: Como fintar o algoritmo para não alimentar o ódio nas redes.

Um mês de #fachina que impacto teve? Conseguiu-se ensinar alguma coisa ao algoritmo mesmo em tão pouco tempo? (conseguiu). Há resultados práticos desta ação? (há).

 

Um dia destes falo mais sobre o tema, mas para já, a Visão fez um ótimo trabalho, ainda que seja um bocadinho autofágico, ser eu a dizê-lo :)

 

 

 

Agitadores profissionais

Jonasnuts, 16.02.21

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Eu não sou da rua. Nunca fui. Enfim, tirando descer a Avenida, claro, mas mesmo aí, caladinha. Faz-me confusão a manada. Faz-me confusão as palavras de ordem. Dificilmente é para mim, a rua. Participo e luto de outras formas (auto-link).

Mas, às vezes, é mesmo preciso. E algures em 2013, lá fui com a minha irmã, acho que do marquês à Assembleia da República. Nós e mais uma catrefada de gente, claro. Chegadas à Assembleia, como vínhamos relativamente no início, ficámos mesmo lá à frente, quase na primeira linha junto das barreiras e da polícia.

 

Como é habitual nestas coisas, os ânimos à frente estavam mais exaltados e o pessoal estava a começar a perder a cabeça, e as barreiras tinham começado a abanar forte e feio. Conseguir passar aquelas barreiras é medalha, não é? É uma conquista simbólica de um espaço que nos está vedado.

 

Eu e a minha irmã quietinhas, só na observação. Enfim, eu mais quietinha que ela. De repente, atrás de nós surgem vozes de incitamento; "vai", "salta", "p'ra cima deles". Olho para trás e está um grupo de 3 pessoas, tão quietinhos como eu e como a minha irmã, mas substancialmente mais participativos, pelo menos do ponto de vista vocal. Passado um bocado, a mesma coisa, muito empertigados e impulsionadores dos outros, mas ir lá para a frente para o meio da confusão, está quieto.

 

Aquilo durou mais um bocado, até que me irritei, virei-me para trás e, dando-lhes passagem disse qualquer coisa como "querem quebrar as barreiras? Querem ir lá para a frente? Podem passar, não há ninguém a impedir-vos". Entreolharam-se, calaram-se e, claro, ficaram quietinhos. Foram-se afastando e passado um bocado lá os reencontrei, à distância, a incitar à quebra das barreiras e a acicatar e agitar ânimos de pessoal de cabeça mais perdida, mais à frente junto à polícia, mas os próprios, quietinhos e sossegados, resguardados da confusão.

 

Eram agitadores profissionais. Pessoal que está ali de propósito para fazer aquele trabalho, tendo recebido instruções de pessoas, entidades, organizações, eminências pardas, a quem interessa um determinado tipo de comportamento, para fundamentar uma determinada retórica. Ou para abrir um telejornal. Ou para a foto do jornal. Ou, nos dias que correm, para um vídeo provavelmente viral.

 

Já sabia da sua existência, já tinha ouvido falar, já tinha visto vídeos, mas nunca tinha assistido à coisa em direto, ao vivo e a cores. 

 

Tudo o que acontece irl (in real life) acontece online. TUDO. Natureza humana é natureza humana. Só mudam as plataformas e as ferramentas. Por isso, tal como irl, também nas redes sociais há agitadores profissionais. E que ocupados têm andado, ultimamente.

 

Há-os em todas as redes mas eu debruço-me (sem cair) sobre os do Twitter, naturalmente. 

Sobretudo porque são habitualmente muito fáceis de identificar (mas nem sempre, porque há uns mais espertalhões).

 

Então, uma conta de twitter de um agitador profissional reúne algumas (não necessariamente todas) destas características:

É uma conta recente (tudo o que tenha menos de 1 ano, é recente)

É uma conta sem handle personalizado.

É uma conta sem avatar ou com avatar genérico (ou falso).

É uma conta com poucos seguidores.

É uma conta com poucos tweets.

É uma conta em que muitos dos poucos tweets, são RTs.

E, por fim, muito importante, é uma conta que entra na conversa com um tom provocatório e beligerante. Muitas vezes agressivo. O que estas contas pretendem é provocar uma reação, de preferência em cadeia. 

Os seus alvos preferidos são contas com muitos seguidores, porque é onde conseguem impactar mais gente, com menos esforço, mas se, e só se, o interpelado morder o isco. O que vale é que a maioria do pessoal com contas grandes, tipo Insónias, não anda aqui há 3 dias e já sabe da poda, raramente caem na esparrela. 

Daí que os principais alvos sejam pessoas com contas médias, acima dos 5.000 followers. Sobretudo se forem contas que falem habitualmente de política, temas fraturantes, economia, etc....

O que querem estes agitadores profissionais? Depende de quem as manda, não é? Uns querem umas coisas, outros querem outras, mas todos querem desestabilizar. 

 

E se o ambiente anda propício à desestabilização. A malta anda ansiosa. Nervos à flor da pele. Tudo a deitar confinamento pelos olhos, tudo pronto a deitar as mãos ao pescoço uns dos outros. Basta assistir a uma noite de bola. É fácil ser-se agitador profissional, nos dias que correm.

 

Então, e o que fazer com os agitadores profissionais?

 

A instrução não é nova, pois não? Do not feed the trolls.

Cada qual faz como muito bem entender, naturalmente, mas eu faço como fiz naquela manifestação, sempre que os apanho a meter o nariz em conversas em que estou envolvida. Desmascaro e ignoro toda e qualquer resposta que seja dada depois disso. Não bloqueio (gosto de ver por onde andam, o que fazem, o que dizem e a quem). 

Há vários exemplos disso aquiaquiaqui. Todos recentes..

Muitas vezes, depois de confrontados, mudam de handle, o que faz com que uma pessoa lhes perca o rasto, como aqui ou aqui. Recomeçam noutro sítio, mais à frente, como os da Assembleia da República.

 

Então e este relambório todo serve para quê?

 

Para que toda a gente os saiba reconhecer. Para ter um link para onde encaminhar quem me faz estas perguntas. 

Mas, sobretudo, para desmascarar.

 

Porque esta também é uma forma de fazer a #fachina

 

Bora à #Fachina ?

Jonasnuts, 28.01.21

(55) Insónias em Carvão on Twitter_ _@AdrianFCardoso Por mim tiramos as teimas e bloqueamos todonjunto. Amanhã às 15, um mass block e mute. E depois vemos se continuam a falar dele._ _ Twitter.jpg

Ontem (na realidade hoje, porque já passava da meia-noite, mas ainda não tínhamos ido dormir, portanto, ontem), no calor de mais uma indignação/provocação (os paspalhos que foram para o restaurante LAPO, confraternizar em manada, aparentemente ao abrigo da exceção ao confinamento para trabalho político) no calor, dizia eu, de mais uma indignação, e de mais uma chegada a um beco sem saída "o que é que podemos fazer em relação a esta merda?" e num dia marcado por um novo recorde de mortes, e de notícias de que o SNS já está muito para além da capacidade máxima, e de pessoas que conhecemos e que estão doentes e aflitas, e no rescaldo do resultado que o outro paspalho conseguiu, o Insónias, em conversa, saiu-se com uma proposta/desabafo (é ler a thread). 

 

Como o #movember, um mês de sensibilização para problemas de saúde especificamente masculinos, o Insónias sugeriu que se criasse um mês de limpeza mediática, de ignorar, bloquear, deixar de dar palco a tudo o que sejam conteúdos daqueles imbecis (tweets, notícias, posts, clips, podcasts, etc...).

 

A lógica é simples.

1- Técnica. Sempre que fazemos RT (ReTweets, no Twitter o equivalente ao share), ou fazemos like, ou respondemos, ou mencionamos um determinado conteúdo (ou um handle), sobretudo (mas não só), por parte de contas que têm bastantes seguidores, estamos a dizer ao algoritmo do Twitter que aquele conteúdo é relevante, é importante, gera tráfego. O Twitter reúne essa informação e coloca-a ao serviço da plataforma, e expõe aquele conteúdo a mais pessoas. E mais pessoas falam do conteúdo e, de repente, criou-se um trending topic. Do trending topic à "mainstream media" é um pulinho pequeno.

2 - Social. O Twitter não é uma rede de massas. Não tem em Portugal, comparativamente com outras redes sociais, o mesmo volume de utilizadores e tráfego. Mas tem uma coisa que os outros não têm, ou têm mais diluída; qualidade. Há mais opinion makers, há mais decisores, há mais influenciadores, daqueles que influenciam mesmo a agenda mediática, e não a fila de pessoas que se mete nos saldos da zara. Há muitos jornalistas, advogados, opinadores, bloggers (sim, ainda existem, ainda contam, não como noutros tempos, mas ainda), podcasters (sorry Bronn). São pessoas com poder de decisão sobre o que vai sair da bolha, para a famosa "mainstream media". E decidem com base no que lhes dará mais tráfego. Não nos iludamos. Podem mascarar a coisa como quiserem mas, tal como o twitter quer mais users e mais tráfego, os órgãos de comunicação social querem exatamente a mesma coisa e vão espremer todo e qualquer conteúdo (verdadeiro, falso, assim-assim, relevante, irrelevante, dispensável) até ao máximo da audiência e engajamento desse conteúdo. 

Quantas vezes não ouvimos uma notícia na televisão e na rádio "As redes sociais dizem que......" ou "esta notícia teve origem no site Twitter" (que se transformou num clássico instantâneo)? E às vezes vamos ver, e foram meia dúzia de tweets, originados por meia dúzia de contas provocadoras (outro post sobre isso, para breve), e que viralizaram porque, lá está, o pessoal adora fazer RT a dizer "estes gajos são do pior", sem se aperceberem de que estão, inadvertidamente, a fazer-lhes o joguinho e as vontades.

 

Assim que o Insónias fez aquele tweet e disse mata, a malta aderiu e disse esfola. A John sacou imediatamente duma hashtag fabulosa, #fachina e foi assim que se deu início à coisa. 

 

Portanto, a partir das 15h00 de hoje, 28 de janeiro, e durante um mês, não responder, não dar visibilidade, não interagir, não nomear, não partilhar, não porra nenhuma a conteúdo daquela proveniência. Se precisarem mesmo de referir a coisa, olha, façam como com a outra, usem o sandra, em vez do sofia (auto-link). Bloqueiem, façam mute se for essa a vossa estratégia para não interagir, a contas, a temas, a hashtags. Whatever works.

 

É uma experiência. De recondicionamento do algoritmo e de verificar se tem impacto na agenda mediática. 

 

"Ah, mas isso é o mesmo que não fazer nada e não é por ignorares um problema que ele deixa de existir". Pois não, mas ninguém está a sugerir que se ignore o problema. Ninguém está a sugerir que se baixem os braços ou que se deixe de lutar, noutras frentes, com menos visibilidade, mas de eficácia mais direta. Ninguém está a sugerir que nos enfiemos numa bolha. É apenas uma luta menos visível.

 

Bem sei, bem sei, esta estratégia não dá tanta visibilidade, não gera tantos likes. Nada como um belo RT de um conteúdo chegófilo, com o comentário "estes gajos são do pior", para gerar de imediato uma onda de likes e de shares e de comentários "you go, girl". São as putas das endorfinas, não é? É a porra do umbigo. É o tamanho da pila. E depois explicamos, olha...... se calhar fazias isso com um screenshot, porque KPIs e algoritmos, não? E a resposta é "ah, vocês levam-se demasiado a sério, eu estava só a brincar" ou "é preciso não deixar passar para eles perceberem que não estamos de acordo".

Eles estão-se cagando para que estejas de acordo ou não, lindinha. Já lhes serviste os propósitos, já lhes fizeste share ao conteúdo, amplificando a mensagem e, sobretudo, reforçando o algoritmo. Espero que os likes e os shares que a coisa te rendeu em massagem ao ego compensem a contribuição que fazes para a ascensão da extrema direita. Bom trabalho.

 

Portanto, e porque isto já vai longo, bora à #fachina