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Jonasnuts

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Eleições europeias - Tudo em todo o lugar ao mesmo tempo

Jonasnuts, 21.05.24

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Não tenho visto grandes notícias sobre isto, mas a verdade é que eu não consumo muita comunicação social tradicional, e muito menos a televisiva mainstream, por isso, se calhar, estou a ser injusta.

O estado decidiu chamar-lhe desmaterialização dos cadernos eleitorais o que, para as pessoas normais, tem muito pouco significado. Já se sabe que o estado gosta de usar o complicómetro.

 

Na realidade, traduzindo livremente sem me preocupar com detalhes técnicos, nas próximas eleições europeias o voto vai ser tudo, em todo o lado, ao mesmo tempo, isto é, qualquer pessoa com direito ao voto vai poder votar em qualquer mesa de voto, independentemente da sua localização.

 

Pessoal que vai aproveitar o fim-de-semana grande para fazer umas mini férias, podem votar no sítio das férias (desde que haja uma mesa, se vão para o estrangeiro, informem-se). Prevê-se até uma afluência maior às mesas algarvias, por via dessas mesmas férias.

Tenho dúvidas. Não só isto não está a ter grande divulgação, como as pessoas se estão um bocado borrifando para as eleições europeias (que é onde se decidem de facto as coisas, enfim, vá-se lá entender as pessoas).

 

Desta vez não estarei nas mesas. Quis meter o nariz no processo técnico (que eu sou muito relutante em relação à digitalização da voto) e por isso vou ser TAI - Técnica de Apoio Informático. 

Já fui à sessão de formação. Já identifiquei pontos de falha (é natural, é a primeira vez, está tudo a aprender como é que se faz), e estou muito curiosa em relação à questão tecnológica.

Não em Lisboa ou centros urbanos, mas na vila lá longe, por trás do sol posto, que não tem pauzinhos de acesso à rede, e sem acesso à internet, nos computadores da mesa, não há voto para ninguém.

Diferenças para quem vai votar:

Não vão ver as listas de nomes, nem têm de se dirigir a nenhuma mesa em particular. Vão à que tiver menos gente. (isto fará mais confusão ao pessoal que há 50 anos que vota na mesma assembleia, na mesma mesa).

A mesa terá dois computadores, no sítio onde antes estavam as escrutinadoras, com os cadernos eleitorais, que tinham de dar com o vosso nome, depois da presidente da mesa o ler em voz alta.

 

Nesses computadores haverá um leitor de chip, para identificar os cartões de cidadão (também funciona com os das cidadãs).

 

Para quem, como eu, não gosta de dar o cartão de cidadão, a identificação dos eleitores pode ser feita por pesquisa à base de dados, por número do documento, mostrado à presidente da mesa (ou à vice-presidente). A app id.gov.pt é aceite.

Depois é business as usual. Uma vez validada a pessoa, é-lhe entregue o boletim de voto, vai à cabine, vota, dobra o boletim, sai da cabine, entrega o boletim à presidente da mesa (ou à vice-presidente), recebe o documento de identificação (se o deixou), e segue o seu caminho, com a noção de dever cumprido (as únicas eleições em que são as pessoas a inserir o voto na urna é nas autárquicas, mas quando estou na mesa, deixo as pessoas colocarem o seu voto, se quiserem. Acho que tem um peso simbólico grande).

 

Uma nota final para o site da CNE, que deve ter sido feito algures nos início dos anos 90 e não esconde, não tem motor de pesquisa (sim, eu sei que posso usar o google para pesquisar num site específico, mas muita gente não sabe), não tem informação sobre esta desmaterialização e, em mobile, mostra um suspeito "not secure", para além de não ser responsive. Já tratavam disso, senhores. Dá ideia de que a única coisa que atualizam é o ano no rodapé "©2024 CNE - Comissão Nacional de Eleições" (eu sei que atualizam conteúdo, permitam-me a hipérbole). 

 

Dia 9, tirem 5 minutos e deem (custa-me, não ter ali o ^) um pulo à assembleia de voto que vos der mais jeito, e votem.

 

Não custa nada e, se votarem bem, até faz bem à saúde. Vossa e dos outros.


Para quem tem dúvidas e quer aceder à informação oficial, é clicar aqui.

"Debates"

Jonasnuts, 08.01.21

Não vejo debates. Já não vejo debates. Acompanho, no Twitter e confirmo sempre a minha decisão no fim. Irritar-me-ia muito ver os debates. Da mesma forma que me irritava quando via o Prós & Contras (motivo pelo qual deixei de ver o Prós & Contras muitos anos antes deste ter terminado, com a óbvia exceção daquele em que participei).

 

Porque os debates não servem para aquilo que deviam servir; esclarecer as pessoas quanto às ideias dos candidatos. Não é isso que acontece. Traulitada, punchlines, sounbites, batatada, tudo para ver "quem ganha". Nunca sei quem ganha, mas tenho a certeza sobre quem perde. Perde tempo quem vê e perde quem tem nestes debates a única forma de saber o que pensam os candidatos.

 

Porque é que os debates são uma valente cagada? Porque fazer debates como deve ser dá uma trabalheira desgraçada e as televisões não estão para isso. Não estou sequer convencida de que ainda tenham competências suficientes para o fazer como deve ser.

 

Utopicamente, os debates deveriam ser assim:

 

 

Sim, eu sei, isto é lírico, e não há nenhum sítio do mundo onde isto aconteça, e provavelmente os candidatos não aceitariam um formato deste género. Mas esta seria a única forma de eu os ver e seria a única forma de serem verdadeiramente úteis a quem deveriam ser úteis; os eleitores.

 

Este ano ainda não vi nenhuma das minhas séries. Se calhar começo com Newsroom, este fim-de-semana.

 

Marketing político - Lavando os cestos

Jonasnuts, 02.10.17

Esta é uma questão que me assalta sempre que decorrem eleições em Portugal.

 

O grau de amadorismo, do ponto de vista da comunicação, da grande maioria das candidaturas. É transversal, da esquerda à direita.

 

Quando falo em comunicação, não me refiro a mupis, panfletos, e demais material de suporte. Ou, pelo menos, não me refiro só. Refiro-me também (sobretudo) a consultores/assessores de imagem, consultores/assessores de dicção e colocação de voz, em alguns casos, os problemas são tão gritantes que bastaria alguém com algum senso comum e sem medo de ser despedido.

 

Há muitos anos, entre uma primeira e uma segunda volta das presidenciais, perguntaram a um grupo de publicitários em que é que os candidatos poderiam melhorar a imagem. A minha mãe, que fazia parte do grupo, recomendou vivamente a Jorge Sampaio que abandonasse os fatos beges e cinzento-claro, que optasse por cores menos mortiças, menos font de teint, gravatas um bocadinho mais exuberantes, sem colidir com a personalidade do candidato. 

As instruções foram acatadas.

 

Eu não estou a dizer que os candidatos tenham de deixar de ser quem são para passarem a apresentar-se de forma que colida com o seu padrão. Estou a dizer que há escolhas que se podem (e devem) fazer dentro de um universo compatível com os candidatos. 

 

Esta devia ser, mais do que uma preocupação dos candidatos, uma preocupação dos partidos. Porque a imagem dos partidos fica obviamente contaminada. Por isso é que a roupa de um candidato deve ser uma, em caso de vitória e deve ser outra, em caso de derrota. O tom dos discursos deve ser ensaiado. O improviso deve ser deixado para as ocasiões em que é mesmo necessário, sobretudo se se tratar de um candidato que não tenha o dom da palavra.

 

Os discursos, os debates, as participações em programas de rádio e de televisão têm de ser ensaiados. Não é um trabalho de preparação que se faça durante a campanha. Tem de começar-se antes, muito antes, na construção de um perfil que, no momento em que se inicia a campanha, já esteja completamente à vontade, já tenha incorporado tudo (as aulas de postura, de colocação de voz, de dicção, de comunicação, de falar em público), e na campanha é apenas preciso um complemento aqui e ali para adaptar às necessidades específicas do combate.

 

Como é que isto não é óbvio para a vasta maioria dos políticos e, sobretudo, dos partidos, é um mistério.

 

Tenho este post para escrever há uns anos (mais ou menos desde o famoso caso (auto-link) do "Oh Luís, fica melhor assim, ou assado?"), mas o que fez com que, finalmente, me decidisse, foi isto:

tlc.jpg

A sério gente........ contratem pessoas independentes (mas não antagónicas), que não tenham nada a ganhar nem a perder, que não tenham receio de vos dizer as verdades e que tenham a capacidade de vos propor uma estratégia que vai muito além de gastar milhões em papel, para ver se ganham o campeonato dos confetti.

 

Eu conheço gente competente na matéria. Call me.

 

Aos presidentes das câmaras

Jonasnuts, 23.06.17

De repente, as ruas das cidades adquirem uma nova dimensão. Andar de moto faz isso, traz mais dimensões à nossa vida. Nem todas agradáveis, é um facto.

 

Uma das dimensões é a qualidade do piso ou, mais exactamente, a falta dela, mas esse tema abordaremos noutro post (o fabuloso plural majestático).

 

Circulo em Lisboa (e não só) e reparo que algumas vias para BUS têm lá um boneco duma moto. Acho a ideia excelente. 

 

busmotos.jpg

 

O candidato a presidente da câmara que coloque na sua lista de intenções espalhar este conceito a todas as faixas de BUS, ganha uma catrefada de votos. Vá, se não a todas, à maioria. 

 

Assim como assim, com moto ou sem moto pintada no pavimento, as motos já circulam por lá de qualquer maneira, portanto, é só mesmo uma tecnicidade sem grandes efeitos práticos para além de deixarmos de ser multáveis :)

 

Não?

À atenção da Comissão Nacional de Eleições

Jonasnuts, 22.05.11

Exmos. Senhores,

 

Como portuguesa atenta ao que pensam e sentem os meus concidadão, não posso deixar de constatar que são muitas as pessoas que estão indecisas em relação ao sentido do seu voto nas próximas eleições legislativas de Junho.

 

É, de acordo com o que tenho visto, um número de indecisos muito acima da média.

 

Assim, e de forma a que estes indecisos possam ter tempo e espaço para ponderarem de forma reflectida a orientação do seu voto, venho propor-vos que em vez de um período de reflexão de 24 horas (na véspera do dia das eleições) alarguem este período de reflexão para, pelo menos, uma semana.

 

Só num ambiente de calma e serenidade é que estes indecisos poderão, em consciência, tomar uma decisão tão importante.

 

Agradecem os indecisos e agradecem os decididos. Nem uns nem outros recuperaram ainda da campanha eleitoral das presidenciais e, assim como assim, as campanhas eleitoras servem muito mais para os partidos fazerem barulho do que propriamente para esclarecer as pessoas.

 

Uma decidida agradecida.