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Jonasnuts

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Os jornalistas e a gripe

Jonasnuts, 05.05.09

A minha irmã choca-se com a minha visão do jornalismo em Portugal. Diz que é um posicionamento arrogante e presunçoso. Diz que não posso prescindir desse pilar da informação independente, dessa fonte inesgotável de factos e de verdades confirmadas.  Sim, ela não só é mais nova como é menos cínica :)

 

Isto tudo porque eu lhe disse que não sigo a gripe (mexicana, suína, dos porcos, H1N1, há para todos os gostos) através da comunicação social. Faço-o através do site da Organização Mundial de Saúde.

 

Mas é a mesma mana que me envia links dos bons. Neste caso em específico, o de um artigo de um jornalista, no Canadian Journalism Project. Se eu tivesse a certeza de que todos os jornalistas a acompanhar o fenómeno H1N1 seguiam aqueles conselhos, eu era gaja para acompanhar a coisa através da comunicação social tradicional.

 

Até ver, continuo a preferir acompanhar por aqui.

Jornalistas modernos

Jonasnuts, 14.04.09

Este post é capaz de chatear algumas pessoas, em especial alguns dos amigos que tenho e que são, em simultâneo, jornalistas.

 

Considerem o disclaimer do costume, que não se julga o todo pela parte, e que um caso são casos, e coiso e tal.

 

A razão pela qual muitas pessoas querem ser jornalistas passa pela imagem que temos do jornalista. Um gajo, que com o poder da escrita (ou da palavra) nos faz chegar os factos. O quem, o como, o onde, o quando e o porquê. Um gajo que escreve bem, que sabe falar. E que é independente e protege, acima de tudo, a Verdade. Por causa deste retrato, que em tempos pode ter sido realista, temos a tendência para acreditar no que vem escrito nos jornais, ou é dito na rádio. Achamos que a parte da veracidade dos factos, a confirmação dos eventos, e a escolha das fontes são trabalho do jornalista. E são. Achamos bem. Isto é, acharíamos bem, se vivêssemos há uns anos.

 

O problema é que o grau de exigência tem vindo a diminuir, e muitas pessoas que se dizem (ou são consideradas) jornalistas já não preenchem os (meus) requisitos mínimos, alguns são mesmo umas verdadeiras bestas. Não sabem escrever, não sabem falar, não sabem usar da melhor forma as ferramentas que têm à sua disposição (nomeadamente a internet), não sabem seleccionar fontes. Gostam muito do copy paste. A juntar a isto, temos o actual ritmo a que vivemos que é muito, mas muito mais rápido que outros ritmos do passado. Acrescentem-se os donos os órgãos de comunicação social e a sua (às vezes não tão escondida como isso) agenda, mais os ódios de estimação, mais as intrigas palacianas, mais os editores, mais as orientações editoriais, mais as pressões e mais o diabo a sete e estamos lixados. Com f de cama.

 

O nome de um jornal já não me chega para garantir a veracidade e isenção de uma notícia. Nem sequer o nome do jornal conjugado com o nome do jornalista.

 

É engraçado que numa época em que a quantidade de informação é cada vez maior, quando os jornalistas seriam mais necessários enquanto seleccionadores da informação relevante estão, pelo contrário, a perder importância e relevância. Por culpa própria também, mas não maioritariamente.

 

Acho que hoje em dia, para se ser jornalista são precisas 3 coisas, um curso qualquer, uma vontade enorme de seguir esta carreira, e uma lobotomia (para perderem toda e qualquer veleidade de quererem pensar pelas suas próprias cabeças).

 

Como é que me mantenho a par da actualidade, tendo em conta a opinião que tenho dos jornalistas em geral? Faço eu a minha selecção. 99% da actualidade acompanho nos Blogs (muitos desses Blogs são de jornalistas, sem filtros externos). São raros os casos em que recorro a órgãos de comunicação social tradicionais. Só para as breaking news, na maioria dos casos.

 

Construí uma rede pessoal de Blogs, através dos quais sigo as notícias. Não se constrói de um dia para o outro, esta rede. E está em constante transformação, saem uns entram outros. Há mais de 2 anos uso este método. E estou satisfeita.

Cheiro a pólvora

Jonasnuts, 19.03.08


É muito raro falar aqui de Blogs de que gosto. A minha Blogroll é descomprometida, linko os Blogs de malta que trabalha no SAPO. Falo na generalidade, mas não na especificidade. Hoje, abro uma excepção.
Abro esta excepção por duas razões. Para já porque, como leitora, este é um blog que me vai interessar muito, e depois porque tive o prazer de conhecer pessoalmente o autor do Blog, Luís Castro que, tendo o currículo que tem, é de uma simplicidade, delicadeza e cortesia que já caíram (infelizmente) em desuso.

Eu vou passar a ser leitora assídua do Cheiro a Pólvora.

Citizen Journalism - Jornalismo do cidadão

Jonasnuts, 18.02.08
De há uns anos para cá que se ouve falar do jornalismo dos cidadãos. Especialmente quando ocorrem catástrofes ou fenómenos naturais, um pouco por todo o país.

Há 2 anos foi o Nevão, este ano as chuvadas de hoje. A SIC abre o seu jornal referindo as fotos e os vídeos do cidadão jornalista que, um pouco por todo o país faz a foto ou o vídeo do momento e envia para um órgão de comunicação social. No caso, uma televisão.

Não tenho nada contra, acho até lindamente que se usem os recursos disponíveis para melhor ilustrar uma história. Mas daí ao jornalismo vai um passo enorme, gigantesco.

Eu tiro uma foto a um rio que transborda, e envio-a para o jornal local. Isso faz de mim jornalista? Não.

Um jornalista tem (ou deverá ter) uma série de competências e de técnicas que o cidadão comum não tem, nem tem que ter. Às vezes, o simples re-enquadramento de uma foto pode fazer uma enorme diferença. Não percebo porque é que toda a gente acha que é fácil ser jornalista, e que toda a gente pode sê-lo. Se mesmo os que têm carteira de jornalista às vezes são o que são....

Portanto, meus senhores e minhas senhoras, deixem de querer chamar nomes pomposos às coisas, porque uma foto de um cidadão a registar um facto, não é jornalismo do cidadão, é uma foto amadora, e é assim que deve ser tratada, pelos jornalistas.