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Jonasnuts

Jonasnuts

Contraciclo

Jonasnuts, 31.12.20

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2020 foi um ano em que andei em contraciclo com o resto do mundo. 

Tudo a despencar-se e a tentar ajustar-se aos desafios da covid-19 (e eu também, naturalmente) e eu naquele que foi, de longe, o melhor ano da última década. 

Um ano de recomeços, de investimento, de introspeção, de pausa para balanço, de golpe de rins, de (re)construção, de tomadas de decisão arriscadas, com miufa mas com certeza, curiosamente, com cada vez menos certezas, com objetivos identificados e alcançados, com surpresas boas e com pessoas boas. 

Um ano de crescimento e conhecimento pessoal, e muito por fazer, ainda, mas tanto que foi feito. Um ano de orgulho, em mim e nos meus. 

Um ano que termina com uma imensa vontade de regressar a sítios onde já fui muito feliz, e onde já comecei a passar mais tempo, mas também de visitar sítios desconhecidos e novos e de viver novas aventuras.

 

2020 trouxe-me pessoas novas. Boas, já disse? Trouxe-me o remo, trouxe-me a carta de moto (mas ainda não a moto nova, isso é para 2021), trouxe-me de volta o prazer da cozinha e o da escrita, trouxe-me medidas novas, e trouxe-me o resgate de muita música que tinha deixado de me pertencer. E dúvidas, muitas dúvidas. A certeza de que o mundo não é a preto e branco e de que é no dégradé de cinzentos que está o sal da vida.

Uma reta final absolutamente maravilhosa, transformadora, comovente.Trouxe-me erros com que pude aprender. Com que aprendemos. O agridoce da coisa. Trouxe ternura e carinho e é isso que interessa, porque é isso que fica. 

 

2021 promete, porque, apesar de tudo, dei pela falta de coisas que não sabia que me faltavam. Os abraços, por exemplo. Tenho mais do que um abraço em atraso. Lá chegarei. Lá chegaremos. Não hoje, mas um dia destes.

Que 2021 seja tudo aquilo que promete e que, desta vez, eu não esteja em contraciclo e estejamos todos juntos no mesmo barco, a remar ao mesmo ritmo, mesmo que seja contra a maré.

Bom 2021, Malta.

Uma década de Ensitel

Jonasnuts, 27.12.20

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Há 10 anos, como hoje, estava de férias.

Estava preocupada. Uns dias antes tinha recebido uma convocatória, para ir a tribunal, porque a Ensitel, uma empresa com que eu tinha tido um conflito de consumo, dois anos antes, queria que eu apagasse os posts em que tinha descrito a situação e, em cima disso, queria ser indemnizada pelos danos causados pelo facto dos primeiros 5 resultados da pesquisa à palavra Ensitel fossem os meus posts (nada abonatórios - mas verdadeiros).  Eu não queria apagar os meus posts, mas, acima de tudo, não queria pagar nenhuma indemnização, porque, sendo uma tesa, já me estava a ver a ter de pedir um crédito pessoal, que passaria o resto dos meus dias a pagar. Por contar a minha história.

Escrevi um post (auto-link) sobre o assunto e fiz um tweet para o Pedro Aniceto, no Twitter (sempre o Twitter, não é?). O Pedro perguntou o que se passava. Dei-lhe o link do post. Ele leu e decidiu fazer um tweet. O rastilho.

Depois disto, todo e qualquer controlo que eu tivesse sobre a situação, deixei de ter.

O que se seguiu foi absolutamente épico, avassalador, assustador, divertido, comovente, e à nossa dimensão, um ponto de viragem na forma como muitas marcas passaram a encarar a importância das gestão profissional das suas redes sociais.

Para quem não sabe, ou não se lembra, a história pegou fogo, primeiro no Twitter, depois passou para o Facebook, Blogs (a blogosfera, na altura, tinha muito mais importância e vigor do que o que tem hoje) e, da Blogosfera para a comunicação social tradicional, foi um tirinho, de repente eu estava nos telejornais (todos menos a sic), e nas rádios, e a dar entrevistas para jornais e o diabo a sete. A marca insistiu, durante uns dias, no processo de tribunal, mas não aguentou a enorme pressão a que foi sujeita (online e offline) e acabou por pedir desculpas e retirar a queixa (auto-link), no dia 31.

 

Nunca escrevi sobre o tema, visto de fora. Na altura por achar que não tinha distanciamento suficiente (e não tinha, embora a minha análise técnica não andasse muito longe da realidade), mais tarde porque andava ocupada a palestrar sobre o assunto em tudo o que eram pós-graduações e gabinetes-crise de empresas (devia ter cobrado  - não devia nada :) e depois porque não fazia sentido, já tinha passado algum tempo, não havia razão para regressar ao um assunto que já estava encerrado.

Uma década parece-me suficientemente efemérico para que eu partilhe, agora com a devida  distância, a minha leitura sobre os fatores que foram fundamentais para que se criasse a tempestade perfeita.

 

Foram 5 fatores. Todos fundamentais:

Timing. Empatia. Reputação. Posicionamento. Network.

 

Timing - Esta é a mini silly season do ano, não é? Aquela semana entre o Natal e o fim-do-ano em que, do ponto de vista mediático raramente algo de transcendente acontece. 2020 está a provar ser a exceção à regra, porque pandemia e vacina, mas há 10 anos, nada estava a acontecer. Foi portanto muito fácil que os órgãos de comunicação social tradicionais pegassem no assunto e lhe dessem uma visibilidade que, de outra forma, dificilmente teria conseguido ter.  Uma semana depois, Carlos Castro era brutalmente assassinado. Se o homicídio tivesse acontecido uma semana antes, o caso Ensitel não teria acontecido com a mesma violência mediática.

 

Empatia - Esta era uma situação David versus Golias. Muitas pessoas acharam que se tratava de um conflito de consumo. Escapou-lhes a nuance de que era um tema de liberdade de expressão. Mas ainda bem, na parte que me tocou, porque, tratando-se de um conflito de consumo, foi-lhes fácil colocarem-se no meu lugar. É sempre mais fácil empatizar com o que nos é familiar, e com aquele que, para além de nos representar é também, aparentemente, o elo mais fraco. A corrente de solidariedade foi extraordinária e manifestou-se das mais diferentes formas. Ainda hoje é o que me comove. Voltava a passar pelo mesmo (e olhem que apanhei mesmo um valente susto), porque o saldo foi positivo, à conta da solidariedade de pessoas que, na sua grande maioria, não me conheciam de lado nenhum.

 

Reputação - O único ponto para o qual contribuí um bocadinho. A situação estava explicada no meu blog e eu usava o Twitter e o Facebook de forma assídua. Não era uma pessoa completamente desconhecida, não era uma presença online criada especificamente para tratar daquele tema. Quem optou por um posicionamento de "deixa lá ver quem é esta caramela, e se não é uma oportunista a tentar sacar um smartphone à Ensitel" encontrou o meu blog, que já levava 5 anos de posts frequentes (muito mais frequentes do que hoje e dia), em que falava de tudo e um par de botas, este blog sempre foi estéreo temático. Puderam assim perceber que não se tratava de uma coisa oportunista, e que eu era uma pessoa real. A minha reputação jogou a meu favor. 

 

Posicionamento - Arrogante e ignorante da Ensitel. Logo à partida por ter optado pela via judicial, mesmo depois de terem sido aconselhados a optar pela via das relações públicas (Portugal é um T0, soube pouco depois com quem é que falaram para se aconselhar e que recomendações decidiram ignorar). Em segundo lugar, o posicionamento de amadorismo na gestão dos seus canais de comunicação, nomeadamente a página de Facebook. Isto começou na noite de segunda-feira 27. As redes sociais não dormem. Quando os senhores da Ensitel chegaram à sua página de Facebook no dia 28 a meio da manhã ficaram, em primeiro lugar, agradavelmente surpreendidos com o enorme salto no número de likes/seguidores, para depois ficarem aflitos com o teor do que os novos seguidores lhes tinham escrito nos comentários e, pior, na própria timeline (que estava aberta, permitindo posts de pessoas estranhas à organização). E olhem que alguns desses comentários eram...... vá....... muito gráficos :) A primeira reação foi a reação errada. Apagar. Foi lançar gasolina para as chamas. Acicatou a raiva das pessoas. Confirmou a censura. Foi pior a emenda que o soneto, claro. A segunda reação não foi melhor, começaram a responder aos posts e aos comentários, atacando-me e dizendo que eu era uma oportunista, sem perceberem que não podiam porque, ver mais acima - reputação - quem me conhecia, conhecia-me, quem não me conhecia já tinha tido tempo para formar opinião. Este posicionamento arrogante e amador foi fundamental. 

 

Network - Eu não era (e não sou) uma figura pública. Não era (e não sou) uma pessoa com meios pessoais e profissionais à disposição para combater uma coisa destas em igualdade de circunstâncias. Mas tinha (e tenho) um network cheio de pessoas poderosas, por um motivo ou por outro. Teria bastado à Ensitel fazer uma pesquisa sobre mim para concluir que eu não seria, à partida, grande ameaça mas que, se calhar, conhecia gente suficientemente relevante para que tratassem da coisa com mais cuidado. Ou, teria bastado isso, tivessem ouvido o conselho e a recomendação das pessoas com quem falaram inicialmente "olhem lá que isso é a Jonas - se calhar não é boa ideia".

 

Estes foram, para mim, os 5 fatores que, em conjunto, permitiram que se criasse o circo mediático que, para mim, terminou como começou, com o Pedro Aniceto, que foi quem me telefonou (eu tinha decidido afastar-me um bocadinho do teclado - e tinha saído de casa). "Acabou. Eles desistem e vão retirar a ação" - não disse nada eu, só suspirei. Um longo suspiro de alívio. E de vitória. Mas sobretudo de alívio.

Regressei a casa. A primeira coisa que fiz foi tirar o botão de donativos que tinha, renitentemente, colocado na noite anterior para aceitar ajuda no que eu previa que ia ser uma longa e cara batalha judicial. A segunda coisa que fiz foi agradecer e devolver, até ao último tostão, todo o dinheiro que tinha recebido. Dádivas desde €1 até €150 (acho, não fui confirmar - mas ainda tenho todos os registos), por todas elas estive (e estou, e estarei) muito grata. Pessoas que não conhecia de lado nenhum que me quiseram ajudar. Nunca conseguirei retribuir.

Os senhores da Ensitel confirmaram o que tinham escrito na sua página de Facebook, enviando um mail (falharam até ao fim, nem na porcaria do telefone tiveram pedal para pegar) e pude descansar. 

Escrevi um post a encerrar o assunto (auto-link). E encerrei. Não voltei a falar sobre o tema específico aqui, até agora.


Foi há uma década. Dez anos é muito tempo, dizia o outro senhor. Por um lado parece que foi ontem, por causa das pessoas. Por outro lado, parece que foi há muito mais tempo. Foi avassalador, para mim, a título pessoal e também profissional. Dei (e continuo a dar) muita formação sobre posicionamento e reputação, estratégia de comunicação digital, gestão de crises (sobretudo porque já estive dos vários lado da crise) e gestão profissional de redes sociais. São, ainda hoje, das minhas formações as que mais procura têm, sobretudo agora, que começa a haver a noção de que todos somos (ou podemos ser) uma marca, e que a nossa reputação digital faz parte da nossa identidade e pode ser um fator fundamental no nosso posicionamento online com repercussões no offline. Válido para pessoas e para marcas.

 

O que me ficou disto tudo? Um episódio para contar aos mais novos (o puto só tem uma vaga ideia - assim como assim, tentei poupá-lo), a suspeita de que posso ter contribuído para mudar alguma coisa no panorama da comunicação digital em Portugal e, sobretudo, acima de tudo, a generosidade das pessoas. Só por isso, valeu a pena. 

 

Obrigada.

Why I love Twitter

Jonasnuts, 16.12.20

Tiago André Alves on Twitter.jpg

Não é segredo para ninguém que o Twitter é, desde há muitos anos, a minha rede favorita, já aqui proclamei esse meu amor, várias vezes.

Posso até dizer que teve mais do que um grande impacto na minha vida,  tenciono falar sobre um desses impactos, o mais distante, antes do fim do mês, assinalando uma efeméride pessoal e não só.

Gosto que não seja massivo, gosto que seja mais qualidade do que quantidade (enfim, vá, pronto), gosto dos códigos partilhados que só se alcançam em redes nicho e que fazem com que haja o sentimento de pertença (uma das características que define uma comunidade - não consigo desligar a técnica que há em mim, nem mesmo num post mais emotivo :)

Para quem (ainda) está de fora, um pequeno exemplo que é absurdamente delicioso.

Por causa de um tweet palerma da Sofia Vala Rocha, o Tiago André Alves respondeu com um "Cara Sandra Vala Rocha, tenha juízo", a senhora põe-se a jeito e responde com "A quantidade de vezes que me chamam Sandra, não faz ideia. Eu replico “ É SOFIA, significa sabedoria...” e, rapidamente o Tiago André Alves devolve um assassino: "Eu sei que Sofia significa sabedoria, daí achar mais apropriado chamar-lhe Sandra."

 

Ora, isto é frequente no Twitter, estas picardias, estas tiradas mordazes, sarcásticas e assassinas (enfim, nem todas com a qualidade das do Tiago, mas tenta-se). Mas não é (só) isto que me atrai, e não é à tirada que me refiro neste post.

O que me atrai é que, de uma forma absolutamente orgânica, a comunidade, ou parte significativa dela, tenha adotado o nome Sandra.  De tal forma que, por causa duma segunda palermice (é prolífera) a senhora já esteve nos Trendind Topics, aqui há atrasado, como Sandra.

Quem está de fora, não percebe, a coisa passa ao lado, mas, para quem pertence, para quem conhece os códigos, para quem consegue traduzir, a simples referência à Sandra, em determinados contextos,  identifica uma origem comum, e reforça o sentimento de pertença. Lá, como fora.

 

I love Sandra.

Uma questão de língua

Jonasnuts, 15.12.20

Não é de agora que me preocupam as questões de género, (também) na linguagem, por achar que a língua que falamos é, ela própria, formativa e uma das bases das pessoas que somos e que podemos vir a ser. 

A língua pode fazer-nos crescer, como nos pode diminuir. Queremos sempre crescer, não é? Ou devíamos, pelo menos.

 

Como é que era aquela coisa da minha arma ser uma caneta? Funciona a todos os níveis.

Somos animais comunicantes, era bom se comunicássemos de forma inclusiva, pelo menos que tentássemos.

Pena que muitas pessoas e, sobretudo, muitas marcas, não percebam isto.

 

Este vídeo chegou-me no twitter, via Vanessa Silva. Obrigada :)

Grupo profissional de varrimento de votações

Jonasnuts, 30.11.20

Este é o tipo de coisa que me diverte muito.

Chego a este tema por via do João Almeida, o atleta português, do ciclismo, que andou meia volta à Itália com a camisola cor-de-rosa.

Uma conta/site especialista em conteúdos de ciclismo decide lançar uma votação, em várias mãos, que se destina a eleger o melhor rider de 2020. O esquema é sempre o mesmo, colocam nome de dois ciclistas numa poll e o que tiver mais votos, passa à eliminatória seguinte.

Ora, isto não tem nada a ver com competências atléticas ou desportivas, pois não?  Isto são votações no Twitter. Valem o que valem. Bora lá votar no João Almeida, que ainda por cima nasceu em 98. Entusiasmei-me com a coisa e comecei a fazer campanha.

Nesse momento constato que, longe de estar só, estou mesmo muito bem acompanha por pessoas que parecem profissionais da coisa.

É nessa altura que sou apresentada ao grupo informal mas profissional de varrimento de votações. Sempre que há um português a votos, este grupo mobiliza-se para divulgar a votação, apelando ao voto nos portugueses a concurso.

 

Com a ajuda do Michael Seufert chego à origem deste grupo. Consta que tudo começou em finais de março, com uma votação sobre futebol, dos Les Réservistes, em cujo início foi tudo apanhado um bocadinho de surpresa, como se nota.

 

(24) Les Réservistes on Twitter_ _Seizième de

Na mesma altura do torneio, Vítor Baía foi nomeado nos 16 avos de final e é nessa altura que as pessoas acordam para a coisa. E por pessoas, não me estou a referir a mim, ou a qualquer vulgar user de Twitter, estou a referir-me a (ia dizer influencers, mas depois eles davam-me um tiro), estou a referir-me a pessoas bem abonadas, do ponto de vista dos followers. O Sir_Bronn_ o insoniascarvao, o rsaraiva, o aquilespintoPT,EuSouZarolho, o seufert para citar apenas alguns. Ora, o resultado deste envolvimento começou por ser o do Baía ganhar ao Buffon. AO BUFFON!

(30) Les Réservistes on Twitter_ _Quart de final

A diferença de votos entre votações onde participa um português e votações onde não participam portugueses é considerável.

(30) Micha - pessoa que escreve cenas on Twitter_

Claro que, melhor ainda do que os concorrentes portugueses ganharem, foram os comentários. Quer do portugueses que votavam, quer do resto do mundo, absolutamente pissed.

Nessa votação, que não consigo recuperar, todos os jogadores portugueses a concurso ganharam as polls em que participaram. 

Regressemos às polls do João Almeida.

À medida que vão sendo ganhas mãos, a dificuldade vai aumentando.

(25) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20

 

(6) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(7) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(9) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(9) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

Muitas têm sido as contas que alinham na divulgação de cada votação. Para além das já citadas, há outras como a Paula Neves, a Ana Ni Ribeiro (que foi quem me deu o título do post), a Raquel Shelby Vaz Pinto, a Umbelina, para me manter agora num universo feminino e isto é sempre injusto, porque é tanta gente que não dá para referir todas as contas.

Mas, o melhor disto tudo são os tweets, o humor, os códigos que se criam, as cumplicidades. E o facto do resto do mundo estar pissed, claro :)

Como diz o Sir Bronn, "Vencer polls é bom mas dar-lhes cabo da moral dessa forma é magnífico."

Apareceu neste processo uma frase que colou e que é usada por todos, com ligeiras variações que lhe conferem maior ou menor portugalidade, nomeadamente a presença ou não da última palavra. 

É a minha próxima t-shirt (a frase tem de ser mais genérica, tem de ter outra fonte e falta-lhe um ponto final - e nunca deixei de ser produtora).

 

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(A t-shirt é da autoria do Edu)

Já estão anunciados os concorrentes para os 16 avos de final, o que significa que mais daqui a bocadinho, recomeça tudo de novo.

Bora lá overperformar mais esta. Bora lá ganhar isto outra vez. 

:)

 

Abracemo-nos, portanto

Jonasnuts, 28.11.20

Hoje acordei com esta atravessada.

A falta que sinto dos abraços. 

 

O abraço é o gesto universal do amor, da paixão, do carinho, da ternura, do aconchego. É o colo sem braços, é o beijo sem boca, é o sexo sem cópula. É maternal, é fraternal, é sexual e é visceral.

É uma dança ritmada. Marca o ritmo. Eu acompanho. É diverso e poderoso para acomodar tudo e todos. 

Quando gostamos mesmo de alguém, queremos o seu abraço e queremos abraçá-lo.

Não é desde sempre, que tenho esta noção. Ou melhor, é desde sempre que tenho esta noção, mas não o seu usufruto. Nunca fui de grandes abraços.

Tenho alguns abraços no meu currículo, que tenho, mas, por exemplo, o meu melhor abraço, o que está em primeiro lugar destacadíssimo no top de todos os meus abraços memoráveis, é um abraço que vivi do lado de fora. E tenho tantas saudades desse abraço.

Temos também os abraços irrepetíveis, porque a vida é feita de irreversibilidades. São os que custam mais, naturalmente. É difícil não ter saudades do que se teve e que já não se pode ter.

E, neste momento, claro, os abraços que gostaríamos de dar e não podemos, por uma razão ou por outra. Há mais do que uma razão. Esquisito, estranho, contraditório, que um gesto de amor possa também ser um princípio de um fim.

Estes abraços que andamos a acumular, alguns desde março, alguns desde muito antes, e que estão ali, pendentes, a pesar-nos cada vez mais nos braços. Cada vez mais amontoados. Cada vez mais urgentes. Cada vez mais prementes.

Dei alguns abraços, mesmo assim. O desgraçado do puto é o destinatário de todos os abraços que já não consigo deixar de dar. Tem-se portado muito bem. Suspeito até de que gosta um bocadinho.

Também há os abraços virtuais, claro. Não sendo a mesma coisa, que não são, podem ser, mesmo assim, muito aconchegantes e transmitir exatamente aquilo que se pretende. Fica a faltar o calor, a força, o toque, a urgência, mas o sentimento está todo lá. Tenho recebido alguns. Ficam ali a meio caminho entre os que estão na fila dos pendentes e os que demos de facto. 

Ando a acumular abraços na lista dos pendentes há muito, muito tempo. 

Quando tudo isto terminar, e o meu isto é mais do que o isto que nos toca a todos neste momento, acho serei muito mais abraçadora.

Tenho muita escrita para pôr em dia. Muito abraço em atraso. Muito abraço atravessado.

E isto não é um post "dá-me um abraço", é um post "encosta-te a mim".

 

Abracemo-nos, portanto.

O pacote de sal

Jonasnuts, 27.11.20

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Sou uma pessoa rápida. A velocidade atrai-me, em quase tudo. A condução é um exemplo óbvio, mas não é dessa velocidade que falo. 

Velocidade de pensamento. É essa a velocidade a que me refiro. Velocidade na tomada de decisões. Decido muito rapidamente. Sempre foi assim. E gosto de pessoas rápidas. 

Um jogo de ping-pong entre duas pessoas com a mesma velocidade é muito estimulante.

Tenho aprendido ultimamente que ter alguma calma nas decisões que tomo tem as suas vantagens. Identificar um dilema, um problema, uma dúvida, uma hesitação e, em vez de tomar a decisão rápida que me apetece e ir por aí afora, passo agora, às vezes, a travar-me, a obrigar-me a ter calma, a identificar todos os cenários possíveis, todos os desfechos, todas as vantagens e desvantagens, todos os meus possíveis estados de espírito e emoções. Porque às vezes, naquele momento, não estou a ver as coisas com toda a clareza, ou estou no calor do momento, ou sou, simplesmente, precipitada.

 

Não é fácil, este treino, por isso desenvolvi uma estratégia. Implica só um bocadinho de disciplina, mas nessa matéria não tenho grandes dificuldades. E só se aplica às coisas sobre as quais tenho poder de decisão. Há coisas que são decididas fora de mim, quanto a essas, nada a fazer, é acompanhar o ritmo da música que toca. Há decisões em que não sou eu o maestro.

Mas, para as decisões em que sou eu que mando e que tenham um impacto razoável na minha vida, a estratégia é simples, uso o método do saleiro.

Sobre o que tenho a decidir, só decido definitivamente, quando tiver terminado todo o sal que está no saleiro da cozinha. E o meu saleiro é grande, leva 1kg de sal.

Se num dado momento me apetece antecipar o prazo, cozinho com mais sal, se me apetece demorar-me um bocadinho mais, cozinho com menos sal. 

Este método tem-se revelado muito interessante, sobretudo se eu comparar a decisão que me apetece tomar no imediato com a decisão que acabo por tomar quando o sal chega ao fim. Às vezes é a mesma, e o processo apenas a reforça. Às vezes é diferente.

No limite, até posso perceber que não havia nenhuma decisão para tomar.

Acabei o sal ontem. Já voltei a encher o saleiro. Sem decisões pendentes.

 

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Personal trainer, procura-se, enfim, mais ou menos

Jonasnuts, 22.11.20

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Com tanto personal trainer por aí, esta agora vai escrever um post à procura de um personal trainer?

 

Nim.

 

Porque eu não quero uma pessoa que, depois de conhecer os meus objetivos, me diga que exercícios devo fazer, e me acompanhe nesse processo, corrigindo-me as posições. Já tive disso. Não adorei a experiência. Odeio fazer exercício com pessoas a olhar para mim.

 

Eu quero muito mais que isso, acho até que quero algo que não existe.

Eu quero alguém que olhe para mim, para a minha compleição, para o meu estilo de vida, hábitos alimentares, etc..., e me oiça sobre o que quero em termos de saúde,  em termos atléticos e estéticos, e debata comigo, que contribua para a identificação de objetivos exequíveis e respetivos prazos.

Alguém que saiba que quero remar e que me ajude a treinar para conseguir remar melhor enquanto, de caminho, me explique o que devo fazer para gerir as epicondilites. Alguém que me diga para tirar o cavalinho da chuva nas coisas em que for para tirar o cavalinho da chuva, e que me diga quais são os cavalinhos que posso e devo pôr à chuva. Alguém que vá comigo ao ginásio que frequento e me desenhe planos de treino que vão ao encontro dos meus objetivos e que eu possa fazer naquelas máquinas. Eu, específicos para mim. De preferência, de que eu goste. 

Alguém que perceba que eu gosto de dar chutos no saco de box (herança dos anos de karaté), e me desenhe um esquema que integre este tipo de exercício, por exemplo. Alguém que perceba que as minhas articulações são uma bosta e que impactos não são uma boa escolha (corrida é uma impossibilidade, para os meus joelhos de cocó).

 

Alguém que veja se preciso de suplementação (preciso) e possa fazer recomendações (eu depois cruzo com o as recomendações da minha nutricionista).

 

E me explique quais são os prazos mais razoáveis para alcançar esses objetivos e me ajude a identificar pontos intermédios. Reparem, eu quero que me expliquem, não quero que me digam. Eu sou uma freguesa que dá trabalho. Preciso de perceber as coisas.

 

E depois me desampare a loja durante 2 meses. 

Voltamos a encontrar-nos, avaliamos progressos, corrigimos, limamos arestas, e fico novamente por minha conta. De dois em 2 meses. Ou de 3 em três.

Este tipo de acompanhamento existe? Alguém tem uma pessoa assim? 


Porque isto é mais do quem um PT, não é? É assim, um bocadinho de tudo, PT, fisiatra, especialista em medicina desportiva, preparador físico, fisioterapeuta, nutricionista, e creio que algumas coisas mais.

Todas as pessoas com quem tenho falado, na minha procura por algo deste género, são ótimas, e bem intencionadas, mas só tratam do rame-rame, e querem muito tirar medidas e pesar e coiso e tal, e sugerem-me esquemas que já têm na sacola, iguais para toda a gente e, para isso, faço eu, que até agora tem estado a funcionar lindamente.

Alguém sabe do que falo? 

Alguém tem alguém assim?

Isto existe?

I'm on a mission :)

Mais vinho

Jonasnuts, 20.11.20

Não vos falei ainda do vinho que tem entrado na minha vida.
É um desejo antigo, saber um bocadinho mais sobre vinho, aprender a gostar sem exageros, para poder partilhar com amigos o prazer de beber um bom vinho. Diz que é fixe e eu quero experimentar.

A pandemia e o confinamento não ajudam, claro, que isto é uma coisa social, e a malta neste momento corta-se aos sociais mas, nada me impede de ir construindo a experiência, que é o que tenho feito, com ajuda de quem gosta de mim, e que me vai oferecendo o material. Os copos (tinto, branco e espumante), presentes surpresa que chegam de além fronteiras, aconselhamento especialista no Twitter e aquilo que me traz aqui hoje, uma descoberta recente de cujo conceito já estou fã e que mão amiga me fez chegar aqui a casa.

A WOME é, de acordo com o site,  a forma mais fácil e confortável de conhecer e beber bom vinho português. 

Ora, o conceito agrada, não é? Não pescando um boi de vinhos, é bom saber que há quem separe o trigo do joio, para que eu não tenha de me preocupar com essa parte. 

Eles escolhem, nós só temos de esperar pela entrega, para nos surpreendermos.

"A WOME Mystery Box nasceu para dar resposta a esse problema universal e que se torna também num momento de alguma ansiedade: a escolha de um vinho."

A tal mão amiga ofereceu-me um sneak peek que foi entregue aqui em casa há uns dias.

Fiquei fã. Porque não é só o salero de receber uma caixa toda catita, cheia de promessas de bons momentos, lá dentro vêm fichas informativas sobre cada um dos vinhos da caixa. Para quem gosta de saber mais ou para quem, como eu, está a aprender, é um luxo.

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Adorei e já acrescentei estas garrafas à minha garrafeira. 

Gostei muito da apresentação e do cuidado com que tudo está feito, com bom gosto e sem aquele palavreado demasiado técnico, que distancia uma pessoa do vinho que vai beber, que intimida. Nada disso, tudo muito boa onda.

Gostei tanto que vou usar para oferecer a grande maioria dos meus presentes de Natal. 
Bom gosto, requinte, e uma experiência. Eu ando numa de oferecer menos coisas e mais experiências, e a wome parece ser perfeita para isso.

Como calcularão, este post não foi pago, porque os senhores vendem vinho, mas não estão grossos, e não lhes passaria pela cabeça pagar a uma influencer que não influencia, porque não tem audiência deste segmento :)

Gostei do conceito, recomendo e vou usar para o meu Natal, é só :)