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Jonasnuts

Jonasnuts

Bora à #Fachina ?

Jonasnuts, 28.01.21

(55) Insónias em Carvão on Twitter_ _@AdrianFCardoso Por mim tiramos as teimas e bloqueamos todonjunto. Amanhã às 15, um mass block e mute. E depois vemos se continuam a falar dele._ _ Twitter.jpg

Ontem (na realidade hoje, porque já passava da meia-noite, mas ainda não tínhamos ido dormir, portanto, ontem), no calor de mais uma indignação/provocação (os paspalhos que foram para o restaurante LAPO, confraternizar em manada, aparentemente ao abrigo da exceção ao confinamento para trabalho político) no calor, dizia eu, de mais uma indignação, e de mais uma chegada a um beco sem saída "o que é que podemos fazer em relação a esta merda?" e num dia marcado por um novo recorde de mortes, e de notícias de que o SNS já está muito para além da capacidade máxima, e de pessoas que conhecemos e que estão doentes e aflitas, e no rescaldo do resultado que o outro paspalho conseguiu, o Insónias, em conversa, saiu-se com uma proposta/desabafo (é ler a thread). 

 

Como o #movember, um mês de sensibilização para problemas de saúde especificamente masculinos, o Insónias sugeriu que se criasse um mês de limpeza mediática, de ignorar, bloquear, deixar de dar palco a tudo o que sejam conteúdos daqueles imbecis (tweets, notícias, posts, clips, podcasts, etc...).

 

A lógica é simples.

1- Técnica. Sempre que fazemos RT (ReTweets, no Twitter o equivalente ao share), ou fazemos like, ou respondemos, ou mencionamos um determinado conteúdo (ou um handle), sobretudo (mas não só), por parte de contas que têm bastantes seguidores, estamos a dizer ao algoritmo do Twitter que aquele conteúdo é relevante, é importante, gera tráfego. O Twitter reúne essa informação e coloca-a ao serviço da plataforma, e expõe aquele conteúdo a mais pessoas. E mais pessoas falam do conteúdo e, de repente, criou-se um trending topic. Do trending topic à "mainstream media" é um pulinho pequeno.

2 - Social. O Twitter não é uma rede de massas. Não tem em Portugal, comparativamente com outras redes sociais, o mesmo volume de utilizadores e tráfego. Mas tem uma coisa que os outros não têm, ou têm mais diluída; qualidade. Há mais opinion makers, há mais decisores, há mais influenciadores, daqueles que influenciam mesmo a agenda mediática, e não a fila de pessoas que se mete nos saldos da zara. Há muitos jornalistas, advogados, opinadores, bloggers (sim, ainda existem, ainda contam, não como noutros tempos, mas ainda), podcasters (sorry Bronn). São pessoas com poder de decisão sobre o que vai sair da bolha, para a famosa "mainstream media". E decidem com base no que lhes dará mais tráfego. Não nos iludamos. Podem mascarar a coisa como quiserem mas, tal como o twitter quer mais users e mais tráfego, os órgãos de comunicação social querem exatamente a mesma coisa e vão espremer todo e qualquer conteúdo (verdadeiro, falso, assim-assim, relevante, irrelevante, dispensável) até ao máximo da audiência e engajamento desse conteúdo. 

Quantas vezes não ouvimos uma notícia na televisão e na rádio "As redes sociais dizem que......" ou "esta notícia teve origem no site Twitter" (que se transformou num clássico instantâneo)? E às vezes vamos ver, e foram meia dúzia de tweets, originados por meia dúzia de contas provocadoras (outro post sobre isso, para breve), e que viralizaram porque, lá está, o pessoal adora fazer RT a dizer "estes gajos são do pior", sem se aperceberem de que estão, inadvertidamente, a fazer-lhes o joguinho e as vontades.

 

Assim que o Insónias fez aquele tweet e disse mata, a malta aderiu e disse esfola. A John sacou imediatamente duma hashtag fabulosa, #fachina e foi assim que se deu início à coisa. 

 

Portanto, a partir das 15h00 de hoje, 28 de janeiro, e durante um mês, não responder, não dar visibilidade, não interagir, não nomear, não partilhar, não porra nenhuma a conteúdo daquela proveniência. Se precisarem mesmo de referir a coisa, olha, façam como com a outra, usem o sandra, em vez do sofia (auto-link). Bloqueiem, façam mute se for essa a vossa estratégia para não interagir, a contas, a temas, a hashtags. Whatever works.

 

É uma experiência. De recondicionamento do algoritmo e de verificar se tem impacto na agenda mediática. 

 

"Ah, mas isso é o mesmo que não fazer nada e não é por ignorares um problema que ele deixa de existir". Pois não, mas ninguém está a sugerir que se ignore o problema. Ninguém está a sugerir que se baixem os braços ou que se deixe de lutar, noutras frentes, com menos visibilidade, mas de eficácia mais direta. Ninguém está a sugerir que nos enfiemos numa bolha. É apenas uma luta menos visível.

 

Bem sei, bem sei, esta estratégia não dá tanta visibilidade, não gera tantos likes. Nada como um belo RT de um conteúdo chegófilo, com o comentário "estes gajos são do pior", para gerar de imediato uma onda de likes e de shares e de comentários "you go, girl". São as putas das endorfinas, não é? É a porra do umbigo. É o tamanho da pila. E depois explicamos, olha...... se calhar fazias isso com um screenshot, porque KPIs e algoritmos, não? E a resposta é "ah, vocês levam-se demasiado a sério, eu estava só a brincar" ou "é preciso não deixar passar para eles perceberem que não estamos de acordo".

Eles estão-se cagando para que estejas de acordo ou não, lindinha. Já lhes serviste os propósitos, já lhes fizeste share ao conteúdo, amplificando a mensagem e, sobretudo, reforçando o algoritmo. Espero que os likes e os shares que a coisa te rendeu em massagem ao ego compensem a contribuição que fazes para a ascensão da extrema direita. Bom trabalho.

 

Portanto, e porque isto já vai longo, bora à #fachina 

From Twitter with love

Jonasnuts, 12.01.21

Jonasnuts on Twitter_ _O Boni tem a conta habitualmente fechada. Escreve, com muita frequência, aqta aberta apenas por 24h. Leiam. Porque vale muito a pena. É exatamente o que eu penso._ _ Twitter.jpg

Não é a primeira vez que tento preservar aqui textos de outras pessoas. Mas é a primeira vez que o faço por motivos egoístas e preguiçosos. O Boni escreve com muita frequência, exatamente aquilo que eu penso. Como tem a conta privada, nunca posso fazer RT. Chateia, pois claro.

Hoje publicou, mais uma vez, uma série de tweets que  podiam ter sido escritos por mim, se eu escrevesse como ele, que não escrevo. Aparentemente, mais pessoas lhe pediram para partilhar e, durante 24 horas, o Boni desbloqueou a conta, para que pudéssemos fazer RT. 24 horas é pouco, na minha opinião, para a visibilidade que aquele texto merece pelo que, depois de obtida a devida autorização (Faz o que quiseres com isso.), heize-li-o, sem qualquer edição para além da introdução de parágrafos:


"Tenho visto alguns tweets a escarnecer da teoria de JMT de que o voto no Chega é um voto de protesto anti-sistema.

 

Mas tudo o que li desde que este fenómeno do neo-fascismo se mediatizou com Trump, e quando digo li refiro-me a artigos na imprensa sobre estudos feitos sobre o fenómeno indicam que, sim, os votos nos partidos ou figuras neo-fascistas (de Trump ao Brexit) são votos anti-sistema: pessoas que antes tinham um emprego para a vida graças à indústria e perderam empregos ou viram as suas terras tornarem-se um deserto sentem-se abandonadase revêem-se no tipo desbragado, que diz «as verdades» e vem «de fora de sistema».

 

O facto de se reverem, antes de mais, num discurso de uma pessoa (e não numa ideologia firme) torna maior a fidelidade ao fenómeno, por ser menos racional - o que é natural em quem vive num misto de pânico (pela sua sobrevivência, pela sobrevivência dos seus filhos) e rancor social que facilmente se torna em comportamento agressivo.

 

Estas pessoas, mais ou menos conservadoras, desprezam os MeToo e BlackLivesMatter desta vida porque não compreendem porque raio se está agora a discutir uma revolução social quando eles passam fome ou podem passar fome a qualquer momento.

Foi o que aconteceu nas zonas mineiras dos EUA, na periferia de Bristol, em que o Brexit foi buscar votos aos idosos que antes eram Labour.

 

Claro que cada país tem o seu faxo e cada país tem a sua demografia que se arrasta para o partido pró-facho. Lembro-me de ler que em Portugal havia indícios de uma valente percentagem dos apoiantes do Chega serem quadros médios, aquelas pessoas com o 9º ao 12º anos que encontraram lugar numa empresa e depois nunca mais subiram.

 

Seria importante conhecermos melhor a demografia do Chega para entendermos os motivos destas pessoas, mas convém lembrar que nós temos uma história em que à monarquia se segue quase de imediato uma ditadura imperialista e profundamente corrupta (profudamente amiguista, por assim dizer), o que significa que levamos séculos de fome - se há país em que (tirando a década em que a UE despejou dinheiro no país) nunca houve bem-estar material e em que a desconfiança nas instituições faz sentido é em Portugal, que se tornou uma democracia mas permaneceu pobre.

 

Claro que termos consciência disto não significa que possamos partir daqui para afirmar que 50% do país trabalha e a outra metade chucha na mama do estado. Isso é uma ficção que os números demonstram com facilidade - mas o que os números não desmontam é o sentimento de quem já está propenso a acreditar que se vive mal é porque outros (ladrões) o roubaram do que merece (uma vida boa).

 

Não menosprezemos o rancor social, nem partamos do princípio que o rancor social não tem razão de ser. Os Bourdieus deste mundo dão a entender , pelo menos para um leigo curioso como eu, que sim, esse rancor tem razão de ser e que sim, a imobilidade social é um facto.

 

À partida a única forma de resolver isto seria redistribuir melhor a riqueza, criar ainda mais oportunidades para quem vem "de baixo", mas sejamos honestos: enquanto uma empresa poder "contratar" uma empresa fantasma para fazer nada, transferindo para esta (devidamente sediada num paraíso fiscal) os lucros sobre os quais, agora, já não terá de pagar impostos, enquanto isto acontecer será difícil sonhar com um pouco menos de desigualdade.

 

A ironia disto é que estes sujeitos, estes salvadores providenciais, nunca são realmente fora do sistema - são usados pelo sistema para criar caos social, porque o caos social favorece as grandes empresas: se o Chega for governo, torna-se mais fácil travar uma subida do salário mínimo, por exemplo.

 

Como é que se explica às pessoas que o seu salvador não é um Cristo mas um Pilatos? É dificílimo.

 

Quando o Chega surgiu muitos de nós apelaram de imediato à ilegalização do partido por ter apresentado nomes falsos. E continuamos a apelar ao mesmo tendo em conta a enormidade de enormidades que os seus membros dizem: mandar deputadas portuguesas para a sua terra porque são negras, dizer que ladrões merecem ver as suas mãos cortadas, ter nas suas fileiras neo-nazis e ex-condenados por crimes de ódio devia ser mais que suficiente para ilegalizar um partido.

 

Podem dizer-me: mas isso não resolve o descontentamento das pessoas. Certo, mas resolve a forma como essas pessoas exprimem o descontentamento. Parecendo que não vivemos em sociedade; temos certos pensamentos que sabemos ser melhor não verbalizar. Não verbalizamos e não agimos sobre eles, porque é isso que a sociedade nos ensina.

 

Mas eis que de repente surge alguém com um tempo de antena desmedido (que ainda está por explicar) e que legitima o discurso de ódio, tocando nos pontos fracos daqueles que se sentem enganados pelo sistema. E de repente uma não despicienda percentagem da população diz coisas inacreditáveis, xenófobas.

 

Ninguém nasce racista, não há um gene do racismo. As pessoas dizem coisas racistas porque as pessoas que admiram - seja o pai, o tio ou o vizinho - têm actos e palavras racistas. Nem sequer o racismo é uma "posição" racional ou que dure a vida inteira - eu conheço uma data de ex-skins que votam hoje à esquerda e que têm vergonha da sua juventude. Claro que essa malta não teve a mais fácil das infâncias - ser skin era um meio de se integrarem, de pertencerem a qualquer coisa, de controlarem qualquer coisa na sua vida. Nuns passou, noutros não.

 

O que me parece óbvio é que quanto mais deixarmos a população ser exposta a este traste mais gente ele arrastará. O que me leva a concluir que a ilegalização do Chega é uma obrigatoriedade moral e cívica (pelo atrás exposto e pela Constituição).

 

A democracia não é a aceitação de tudo - é a aceitação de todos os que aceitam as suas regras, coisa que o Chega não faz.

 

É obrigação da democracia não permitir que um tiranete se disfarce de democrata para instalar o caos social, lançar as pessoas umas contra as outras e corroer a democracia. Mas isto não pode ser feito sem que de facto percamos tempo com quem vota Chega. Temos de saber quem eles são, a sua escolaridade, o seu salário médio, o que os leva a votar Chega - e temos de ter soluções para os seus problemas.

 

Uma das coisas que me fez impressão nos debates presidenciais é que estavam todos muito preocupados com a sua quota de mercado mas ninguém (excepto o próprio AV) falou para a quota de mercado do Chega.

 

Talvez algumas dessas pessoas sejam irrecuperáveis, já sejam racistas há demasiado tempo, sei lá.

Mas não serão todas irrecuperáveis. Não todas escória humana que esteve estes anos todos à espera da escória-alpha que os guiasse.

 

Há um défice, nessas pessoas, de capacidade de interpretação: não são capazes de perceber que são vítimas de um embuste, não são capazes de perceber que as soluções que pedem não são frases de ordem simplistas mas alterações complexas de ordem financeira, de redistribuição de dinheiro, de educação.

 

Temos de chegar a essas pessoas."

 

Sim, faltam umas palavras aqui e ali, é assim, no Twitter, com a pressa escapam-nos, de vez em quando. Sim, há erros e atropelos. É lidar. Se eu percebo, vocês também percebem :) 

Antecipando desde já a pergunta do costume (porque já ma fizeram no Twitter), não, não sei quem é o Boni, não sei se o conheço pessoalmente ou não, não sei sequer se é um gajo, presumo que sim. Pela parte que me toca é só alguém que diz muitas vezes aquilo que eu penso. E que me diverte :)

Este é um dos raros posts do meu blog que está sujeito a remoção. Não é meu, este texto. Estará aqui enquanto o seu autor o permitir. No dia em que o Boni disser: apaga. Eu apago. Fica a nota.

"Debates"

Jonasnuts, 08.01.21

Não vejo debates. Já não vejo debates. Acompanho, no Twitter e confirmo sempre a minha decisão no fim. Irritar-me-ia muito ver os debates. Da mesma forma que me irritava quando via o Prós & Contras (motivo pelo qual deixei de ver o Prós & Contras muitos anos antes deste ter terminado, com a óbvia exceção daquele em que participei).

 

Porque os debates não servem para aquilo que deviam servir; esclarecer as pessoas quanto às ideias dos candidatos. Não é isso que acontece. Traulitada, punchlines, sounbites, batatada, tudo para ver "quem ganha". Nunca sei quem ganha, mas tenho a certeza sobre quem perde. Perde tempo quem vê e perde quem tem nestes debates a única forma de saber o que pensam os candidatos.

 

Porque é que os debates são uma valente cagada? Porque fazer debates como deve ser dá uma trabalheira desgraçada e as televisões não estão para isso. Não estou sequer convencida de que ainda tenham competências suficientes para o fazer como deve ser.

 

Utopicamente, os debates deveriam ser assim:

 

 

Sim, eu sei, isto é lírico, e não há nenhum sítio do mundo onde isto aconteça, e provavelmente os candidatos não aceitariam um formato deste género. Mas esta seria a única forma de eu os ver e seria a única forma de serem verdadeiramente úteis a quem deveriam ser úteis; os eleitores.

 

Este ano ainda não vi nenhuma das minhas séries. Se calhar começo com Newsroom, este fim-de-semana.

 

Hoje é dia de copos

Jonasnuts, 05.01.21

Digital Drink Online - Janeiro 2021 - Digital Marketers.jpg

 

Copos digitais, vá, não se arrebitem.

A Associação de Marketing Digital - Digital Marketeers convidou-me para o início das hostilidades de 2021, e desafiou-me a escolher o tema da conversa. Havia tanto tema interessante que tardei na minha escolha, mas acabei por regressar a um dos amores da minha vida, o apoio a cliente ou, para ser mais fashion, o customer care (que, na minha perspetiva, inclui customer delight), o tema é: "Customer care – o parente pobre do marketing"

É hoje ao fim do dia, 19h00, no zoom, aberto a associados e a não associados, portanto, se têm interesse pela coisa, se têm opinião para partilhar, e se querem participar na conversa, join in é MESMO para ser uma conversa, não um monólogo.

Até logo.

Contraciclo

Jonasnuts, 31.12.20

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2020 foi um ano em que andei em contraciclo com o resto do mundo. 

Tudo a despencar-se e a tentar ajustar-se aos desafios da covid-19 (e eu também, naturalmente) e eu naquele que foi, de longe, o melhor ano da última década. 

Um ano de recomeços, de investimento, de introspeção, de pausa para balanço, de golpe de rins, de (re)construção, de tomadas de decisão arriscadas, com miufa mas com certeza, curiosamente, com cada vez menos certezas, com objetivos identificados e alcançados, com surpresas boas e com pessoas boas. 

Um ano de crescimento e conhecimento pessoal, e muito por fazer, ainda, mas tanto que foi feito. Um ano de orgulho, em mim e nos meus. 

Um ano que termina com uma imensa vontade de regressar a sítios onde já fui muito feliz, e onde já comecei a passar mais tempo, mas também de visitar sítios desconhecidos e novos e de viver novas aventuras.

 

2020 trouxe-me pessoas novas. Boas, já disse? Trouxe-me o remo, trouxe-me a carta de moto (mas ainda não a moto nova, isso é para 2021), trouxe-me de volta o prazer da cozinha e o da escrita, trouxe-me medidas novas, e trouxe-me o resgate de muita música que tinha deixado de me pertencer. E dúvidas, muitas dúvidas. A certeza de que o mundo não é a preto e branco e de que é no dégradé de cinzentos que está o sal da vida.

Uma reta final absolutamente maravilhosa, transformadora, comovente.Trouxe-me erros com que pude aprender. Com que aprendemos. O agridoce da coisa. Trouxe ternura e carinho e é isso que interessa, porque é isso que fica. 

 

2021 promete, porque, apesar de tudo, dei pela falta de coisas que não sabia que me faltavam. Os abraços, por exemplo. Tenho mais do que um abraço em atraso. Lá chegarei. Lá chegaremos. Não hoje, mas um dia destes.

Que 2021 seja tudo aquilo que promete e que, desta vez, eu não esteja em contraciclo e estejamos todos juntos no mesmo barco, a remar ao mesmo ritmo, mesmo que seja contra a maré.

Bom 2021, Malta.

Uma década de Ensitel

Jonasnuts, 27.12.20

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Há 10 anos, como hoje, estava de férias.

Estava preocupada. Uns dias antes tinha recebido uma convocatória, para ir a tribunal, porque a Ensitel, uma empresa com que eu tinha tido um conflito de consumo, dois anos antes, queria que eu apagasse os posts em que tinha descrito a situação e, em cima disso, queria ser indemnizada pelos danos causados pelo facto dos primeiros 5 resultados da pesquisa à palavra Ensitel fossem os meus posts (nada abonatórios - mas verdadeiros).  Eu não queria apagar os meus posts, mas, acima de tudo, não queria pagar nenhuma indemnização, porque, sendo uma tesa, já me estava a ver a ter de pedir um crédito pessoal, que passaria o resto dos meus dias a pagar. Por contar a minha história.

Escrevi um post (auto-link) sobre o assunto e fiz um tweet para o Pedro Aniceto, no Twitter (sempre o Twitter, não é?). O Pedro perguntou o que se passava. Dei-lhe o link do post. Ele leu e decidiu fazer um tweet. O rastilho.

Depois disto, todo e qualquer controlo que eu tivesse sobre a situação, deixei de ter.

O que se seguiu foi absolutamente épico, avassalador, assustador, divertido, comovente, e à nossa dimensão, um ponto de viragem na forma como muitas marcas passaram a encarar a importância das gestão profissional das suas redes sociais.

Para quem não sabe, ou não se lembra, a história pegou fogo, primeiro no Twitter, depois passou para o Facebook, Blogs (a blogosfera, na altura, tinha muito mais importância e vigor do que o que tem hoje) e, da Blogosfera para a comunicação social tradicional, foi um tirinho, de repente eu estava nos telejornais (todos menos a sic), e nas rádios, e a dar entrevistas para jornais e o diabo a sete. A marca insistiu, durante uns dias, no processo de tribunal, mas não aguentou a enorme pressão a que foi sujeita (online e offline) e acabou por pedir desculpas e retirar a queixa (auto-link), no dia 31.

 

Nunca escrevi sobre o tema, visto de fora. Na altura por achar que não tinha distanciamento suficiente (e não tinha, embora a minha análise técnica não andasse muito longe da realidade), mais tarde porque andava ocupada a palestrar sobre o assunto em tudo o que eram pós-graduações e gabinetes-crise de empresas (devia ter cobrado  - não devia nada :) e depois porque não fazia sentido, já tinha passado algum tempo, não havia razão para regressar ao um assunto que já estava encerrado.

Uma década parece-me suficientemente efemérico para que eu partilhe, agora com a devida  distância, a minha leitura sobre os fatores que foram fundamentais para que se criasse a tempestade perfeita.

 

Foram 5 fatores. Todos fundamentais:

Timing. Empatia. Reputação. Posicionamento. Network.

 

Timing - Esta é a mini silly season do ano, não é? Aquela semana entre o Natal e o fim-do-ano em que, do ponto de vista mediático raramente algo de transcendente acontece. 2020 está a provar ser a exceção à regra, porque pandemia e vacina, mas há 10 anos, nada estava a acontecer. Foi portanto muito fácil que os órgãos de comunicação social tradicionais pegassem no assunto e lhe dessem uma visibilidade que, de outra forma, dificilmente teria conseguido ter.  Uma semana depois, Carlos Castro era brutalmente assassinado. Se o homicídio tivesse acontecido uma semana antes, o caso Ensitel não teria acontecido com a mesma violência mediática.

 

Empatia - Esta era uma situação David versus Golias. Muitas pessoas acharam que se tratava de um conflito de consumo. Escapou-lhes a nuance de que era um tema de liberdade de expressão. Mas ainda bem, na parte que me tocou, porque, tratando-se de um conflito de consumo, foi-lhes fácil colocarem-se no meu lugar. É sempre mais fácil empatizar com o que nos é familiar, e com aquele que, para além de nos representar é também, aparentemente, o elo mais fraco. A corrente de solidariedade foi extraordinária e manifestou-se das mais diferentes formas. Ainda hoje é o que me comove. Voltava a passar pelo mesmo (e olhem que apanhei mesmo um valente susto), porque o saldo foi positivo, à conta da solidariedade de pessoas que, na sua grande maioria, não me conheciam de lado nenhum.

 

Reputação - O único ponto para o qual contribuí um bocadinho. A situação estava explicada no meu blog e eu usava o Twitter e o Facebook de forma assídua. Não era uma pessoa completamente desconhecida, não era uma presença online criada especificamente para tratar daquele tema. Quem optou por um posicionamento de "deixa lá ver quem é esta caramela, e se não é uma oportunista a tentar sacar um smartphone à Ensitel" encontrou o meu blog, que já levava 5 anos de posts frequentes (muito mais frequentes do que hoje e dia), em que falava de tudo e um par de botas, este blog sempre foi estéreo temático. Puderam assim perceber que não se tratava de uma coisa oportunista, e que eu era uma pessoa real. A minha reputação jogou a meu favor. 

 

Posicionamento - Arrogante e ignorante da Ensitel. Logo à partida por ter optado pela via judicial, mesmo depois de terem sido aconselhados a optar pela via das relações públicas (Portugal é um T0, soube pouco depois com quem é que falaram para se aconselhar e que recomendações decidiram ignorar). Em segundo lugar, o posicionamento de amadorismo na gestão dos seus canais de comunicação, nomeadamente a página de Facebook. Isto começou na noite de segunda-feira 27. As redes sociais não dormem. Quando os senhores da Ensitel chegaram à sua página de Facebook no dia 28 a meio da manhã ficaram, em primeiro lugar, agradavelmente surpreendidos com o enorme salto no número de likes/seguidores, para depois ficarem aflitos com o teor do que os novos seguidores lhes tinham escrito nos comentários e, pior, na própria timeline (que estava aberta, permitindo posts de pessoas estranhas à organização). E olhem que alguns desses comentários eram...... vá....... muito gráficos :) A primeira reação foi a reação errada. Apagar. Foi lançar gasolina para as chamas. Acicatou a raiva das pessoas. Confirmou a censura. Foi pior a emenda que o soneto, claro. A segunda reação não foi melhor, começaram a responder aos posts e aos comentários, atacando-me e dizendo que eu era uma oportunista, sem perceberem que não podiam porque, ver mais acima - reputação - quem me conhecia, conhecia-me, quem não me conhecia já tinha tido tempo para formar opinião. Este posicionamento arrogante e amador foi fundamental. 

 

Network - Eu não era (e não sou) uma figura pública. Não era (e não sou) uma pessoa com meios pessoais e profissionais à disposição para combater uma coisa destas em igualdade de circunstâncias. Mas tinha (e tenho) um network cheio de pessoas poderosas, por um motivo ou por outro. Teria bastado à Ensitel fazer uma pesquisa sobre mim para concluir que eu não seria, à partida, grande ameaça mas que, se calhar, conhecia gente suficientemente relevante para que tratassem da coisa com mais cuidado. Ou, teria bastado isso, tivessem ouvido o conselho e a recomendação das pessoas com quem falaram inicialmente "olhem lá que isso é a Jonas - se calhar não é boa ideia".

 

Estes foram, para mim, os 5 fatores que, em conjunto, permitiram que se criasse o circo mediático que, para mim, terminou como começou, com o Pedro Aniceto, que foi quem me telefonou (eu tinha decidido afastar-me um bocadinho do teclado - e tinha saído de casa). "Acabou. Eles desistem e vão retirar a ação" - não disse nada eu, só suspirei. Um longo suspiro de alívio. E de vitória. Mas sobretudo de alívio.

Regressei a casa. A primeira coisa que fiz foi tirar o botão de donativos que tinha, renitentemente, colocado na noite anterior para aceitar ajuda no que eu previa que ia ser uma longa e cara batalha judicial. A segunda coisa que fiz foi agradecer e devolver, até ao último tostão, todo o dinheiro que tinha recebido. Dádivas desde €1 até €150 (acho, não fui confirmar - mas ainda tenho todos os registos), por todas elas estive (e estou, e estarei) muito grata. Pessoas que não conhecia de lado nenhum que me quiseram ajudar. Nunca conseguirei retribuir.

Os senhores da Ensitel confirmaram o que tinham escrito na sua página de Facebook, enviando um mail (falharam até ao fim, nem na porcaria do telefone tiveram pedal para pegar) e pude descansar. 

Escrevi um post a encerrar o assunto (auto-link). E encerrei. Não voltei a falar sobre o tema específico aqui, até agora.


Foi há uma década. Dez anos é muito tempo, dizia o outro senhor. Por um lado parece que foi ontem, por causa das pessoas. Por outro lado, parece que foi há muito mais tempo. Foi avassalador, para mim, a título pessoal e também profissional. Dei (e continuo a dar) muita formação sobre posicionamento e reputação, estratégia de comunicação digital, gestão de crises (sobretudo porque já estive dos vários lado da crise) e gestão profissional de redes sociais. São, ainda hoje, das minhas formações as que mais procura têm, sobretudo agora, que começa a haver a noção de que todos somos (ou podemos ser) uma marca, e que a nossa reputação digital faz parte da nossa identidade e pode ser um fator fundamental no nosso posicionamento online com repercussões no offline. Válido para pessoas e para marcas.

 

O que me ficou disto tudo? Um episódio para contar aos mais novos (o puto só tem uma vaga ideia - assim como assim, tentei poupá-lo), a suspeita de que posso ter contribuído para mudar alguma coisa no panorama da comunicação digital em Portugal e, sobretudo, acima de tudo, a generosidade das pessoas. Só por isso, valeu a pena. 

 

Obrigada.

Why I love Twitter

Jonasnuts, 16.12.20

Tiago André Alves on Twitter.jpg

Não é segredo para ninguém que o Twitter é, desde há muitos anos, a minha rede favorita, já aqui proclamei esse meu amor, várias vezes.

Posso até dizer que teve mais do que um grande impacto na minha vida,  tenciono falar sobre um desses impactos, o mais distante, antes do fim do mês, assinalando uma efeméride pessoal e não só.

Gosto que não seja massivo, gosto que seja mais qualidade do que quantidade (enfim, vá, pronto), gosto dos códigos partilhados que só se alcançam em redes nicho e que fazem com que haja o sentimento de pertença (uma das características que define uma comunidade - não consigo desligar a técnica que há em mim, nem mesmo num post mais emotivo :)

Para quem (ainda) está de fora, um pequeno exemplo que é absurdamente delicioso.

Por causa de um tweet palerma da Sofia Vala Rocha, o Tiago André Alves respondeu com um "Cara Sandra Vala Rocha, tenha juízo", a senhora põe-se a jeito e responde com "A quantidade de vezes que me chamam Sandra, não faz ideia. Eu replico “ É SOFIA, significa sabedoria...” e, rapidamente o Tiago André Alves devolve um assassino: "Eu sei que Sofia significa sabedoria, daí achar mais apropriado chamar-lhe Sandra."

 

Ora, isto é frequente no Twitter, estas picardias, estas tiradas mordazes, sarcásticas e assassinas (enfim, nem todas com a qualidade das do Tiago, mas tenta-se). Mas não é (só) isto que me atrai, e não é à tirada que me refiro neste post.

O que me atrai é que, de uma forma absolutamente orgânica, a comunidade, ou parte significativa dela, tenha adotado o nome Sandra.  De tal forma que, por causa duma segunda palermice (é prolífera) a senhora já esteve nos Trendind Topics, aqui há atrasado, como Sandra.

Quem está de fora, não percebe, a coisa passa ao lado, mas, para quem pertence, para quem conhece os códigos, para quem consegue traduzir, a simples referência à Sandra, em determinados contextos,  identifica uma origem comum, e reforça o sentimento de pertença. Lá, como fora.

 

I love Sandra.

Uma questão de língua

Jonasnuts, 15.12.20

Não é de agora que me preocupam as questões de género, (também) na linguagem, por achar que a língua que falamos é, ela própria, formativa e uma das bases das pessoas que somos e que podemos vir a ser. 

A língua pode fazer-nos crescer, como nos pode diminuir. Queremos sempre crescer, não é? Ou devíamos, pelo menos.

 

Como é que era aquela coisa da minha arma ser uma caneta? Funciona a todos os níveis.

Somos animais comunicantes, era bom se comunicássemos de forma inclusiva, pelo menos que tentássemos.

Pena que muitas pessoas e, sobretudo, muitas marcas, não percebam isto.

 

Este vídeo chegou-me no twitter, via Vanessa Silva. Obrigada :)

Grupo profissional de varrimento de votações

Jonasnuts, 30.11.20

Este é o tipo de coisa que me diverte muito.

Chego a este tema por via do João Almeida, o atleta português, do ciclismo, que andou meia volta à Itália com a camisola cor-de-rosa.

Uma conta/site especialista em conteúdos de ciclismo decide lançar uma votação, em várias mãos, que se destina a eleger o melhor rider de 2020. O esquema é sempre o mesmo, colocam nome de dois ciclistas numa poll e o que tiver mais votos, passa à eliminatória seguinte.

Ora, isto não tem nada a ver com competências atléticas ou desportivas, pois não?  Isto são votações no Twitter. Valem o que valem. Bora lá votar no João Almeida, que ainda por cima nasceu em 98. Entusiasmei-me com a coisa e comecei a fazer campanha.

Nesse momento constato que, longe de estar só, estou mesmo muito bem acompanha por pessoas que parecem profissionais da coisa.

É nessa altura que sou apresentada ao grupo informal mas profissional de varrimento de votações. Sempre que há um português a votos, este grupo mobiliza-se para divulgar a votação, apelando ao voto nos portugueses a concurso.

 

Com a ajuda do Michael Seufert chego à origem deste grupo. Consta que tudo começou em finais de março, com uma votação sobre futebol, dos Les Réservistes, em cujo início foi tudo apanhado um bocadinho de surpresa, como se nota.

 

(24) Les Réservistes on Twitter_ _Seizième de

Na mesma altura do torneio, Vítor Baía foi nomeado nos 16 avos de final e é nessa altura que as pessoas acordam para a coisa. E por pessoas, não me estou a referir a mim, ou a qualquer vulgar user de Twitter, estou a referir-me a (ia dizer influencers, mas depois eles davam-me um tiro), estou a referir-me a pessoas bem abonadas, do ponto de vista dos followers. O Sir_Bronn_ o insoniascarvao, o rsaraiva, o aquilespintoPT,EuSouZarolho, o seufert para citar apenas alguns. Ora, o resultado deste envolvimento começou por ser o do Baía ganhar ao Buffon. AO BUFFON!

(30) Les Réservistes on Twitter_ _Quart de final

A diferença de votos entre votações onde participa um português e votações onde não participam portugueses é considerável.

(30) Micha - pessoa que escreve cenas on Twitter_

Claro que, melhor ainda do que os concorrentes portugueses ganharem, foram os comentários. Quer do portugueses que votavam, quer do resto do mundo, absolutamente pissed.

Nessa votação, que não consigo recuperar, todos os jogadores portugueses a concurso ganharam as polls em que participaram. 

Regressemos às polls do João Almeida.

À medida que vão sendo ganhas mãos, a dificuldade vai aumentando.

(25) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20

 

(6) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(7) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(9) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

(9) La Flamme Rouge on Twitter_ _#LFRBestRider20 -

 

Muitas têm sido as contas que alinham na divulgação de cada votação. Para além das já citadas, há outras como a Paula Neves, a Ana Ni Ribeiro (que foi quem me deu o título do post), a Raquel Shelby Vaz Pinto, a Umbelina, para me manter agora num universo feminino e isto é sempre injusto, porque é tanta gente que não dá para referir todas as contas.

Mas, o melhor disto tudo são os tweets, o humor, os códigos que se criam, as cumplicidades. E o facto do resto do mundo estar pissed, claro :)

Como diz o Sir Bronn, "Vencer polls é bom mas dar-lhes cabo da moral dessa forma é magnífico."

Apareceu neste processo uma frase que colou e que é usada por todos, com ligeiras variações que lhe conferem maior ou menor portugalidade, nomeadamente a presença ou não da última palavra. 

É a minha próxima t-shirt (a frase tem de ser mais genérica, tem de ter outra fonte e falta-lhe um ponto final - e nunca deixei de ser produtora).

 

nexttshirt-1.jpg

(A t-shirt é da autoria do Edu)

Já estão anunciados os concorrentes para os 16 avos de final, o que significa que mais daqui a bocadinho, recomeça tudo de novo.

Bora lá overperformar mais esta. Bora lá ganhar isto outra vez. 

:)