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Jonasnuts

Descer a avenida, sem sair de casa

250574.jpg

Há já algum tempo que estou apreensiva em relação ao 25 de Abril e à forma como o celebraremos, este ano.

Algures no início do mês passado, andei à procura de sementes de cravos vermelhos, para os plantar e poder ter cravos vermelhos sem sair de casa. Debalde. (Adoro a palavra debalde).

Ocorreu-me há pouco que há uma forma porreira e pedagógica de celebrar e assinalar o 25 de Abril, sem sair de casa, digitalmente.

No Twitter, where else, há uma conta que, de há mais de uma década para cá, tweeta a par e passo todos os momentos da revolução, à hora a que eles aconteceram. Não é a primeira vez que falo desta conta (auto-link), mas acho que vale a pena a repetição.

Este ano temos mais tempo e temos os putos em casa, pode ser que seja uma forma gira de lhes dar a conhecer a revolução dos cravos.

Assim, no próximo dia 24, por volta das 21h30, sigam com atenção a conta de twitter @25Abril1974

Começam normalmente assim:

25 de Abril de 1974 on Twitter_ _Major Otelo Sarai

Para quem não tem conta de Twitter e queira começar a ter, depois de criada a conta, sugiro a instalação de uma app, seja o Tweetdeck seja outra qualquer. Alguma coisa, sou a @jonasnuts, por lá.

 

 

 

A minha horta

Fui criança de apartamento, nunca tive a possibilidade de ter "terra" de pais, avós ou bisavós (era tudo de Lisboa), tinha uma inveja profunda das minhas amigas que passavam 3 meses de férias na terra, e que tinham sempre batatas, cebolas, azeite e azeitonas, alhos, chouriças, ovos, mel, queijos e fruta, muita fruta, tudo proveniente da terra.

Desde há uns anos para cá que tem crescido em mim o desejo de ter uma casa com terra, a minha cajinha. Já esteve bem mais longe do que está hoje.

E o desejo de terra passa, também, por ter uma horta. 

Morando num apartamento, a horta fica inviabilizada. Ou será que não?
Em alguns apartamentos sim, noutros apartamentos não.

Na minha casa, não existe essa limitação.

Há mais de um ano comecei a namorar a ideia de ter um jardim ou horta vertical. Fiz a minha pesquisa e aterrei nos MiniGarden. Comprei logo dois. E não comprei apenas as estruturas, comprei logo a terra e as esferas de argila e todo o material necessário.

Por motivos que não vêm agora ao caso e que felizmente se resolveram entretanto, não pude montá-los de imediato, pelo que só no mês passado me dediquei à coisa.

Numa das estruturas tenho 18 pés de morangos e na outra tenho uma fileira de alfaces (roxa, frisada e francesa), uma fileira de tomate cherry (6 pés) e uma fileira de tomate coração de boi (3 pés).

As alfaces e os tomates comprei bebés, no Mercado da Ribeira, os morangos vieram do Lidl.

horta1.jpg

horta2.jpg

(A imagem de cima chama-se horta1 por isso, naturalmente, a imagem de baixo chama-se horta2. Porque é que isto é interessante? Por nada. Mas a malta da minha geração sabe bem que o Horta2 não é uma horta de morangos).

Já cresceram muito, desde que chegaram e têm-se aguentado muito bem, tendo apenas sucumbido um tomateiro coração de boi, na tempestade de ontem. 

Isto está a servir de experiência, se correr bem, compro mais unidades e cultivo mais coisas. Não pelo dinheiro que se poupa, porque na realidade isto há-de dar para meia dúzia de saladas e para uma semana a comer morangos e não mais que isso, mas pelo gozo que dá e pela experiência, que será muito útil, quando eu tiver a tal horta a sério que já esteve mais longe :)

E, em cima disso tudo, sabe-me lindamente, estar na minha sala, olhar pela janela e, para além do mar a perder de vista, ver também as minhas alfaces e os meus tomates.

Isto é que é vista.

 

iPhone - Photo 2020-04-15 16_21_42.jpeg

 

 

A nossa casa

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A nossa casa deve ser, em princípio, o sítio onde nos sentimos em casa.

Sempre, claro, mas sobretudo nos dias que correm, porque é aí que passamos grande parte do nosso tempo.

É muito desagradável, passar este (ou qualquer outro) período de reclusão ou simplesmente viver, numa casa de que não se gosta, ou que não é confortável, ou que não tem condições, não nos reflete ou, simplesmente, onde não nos sentimos em casa.

Os detalhes que fazem com que uma casa seja a nossa casa variam de pessoa para pessoa, claro. No meu caso, são coisas simples, meros detalhes, coisas fáceis; uma vista de mar, de jeito, um fogão, as portas dos armários que fecham, as gavetas que deslizam, uma cama quente, um tapete frondoso, os meus livros, objetos desencaixotados depois de anos de pausa, os quadros pendurados, a horta, o eterno work in progress, a possibilidade quase ilimitada de transformação e melhoria, sem limites a travar-me o passo.

 

E é tão bom, estar, finalmente, em casa.`

 

A invasão dos perfis falsos

No dia 18 de outubro de 2018, o Seufert fez um tweet.

tweet1.jpg

 

O tweet teve algumas respostas, um RT, 19 likes e ficou por ali.

Eis senão quando, anteontem, entra uma conversa estranha nas minhas mentions que, seguindo a thread, desembocava no tweet de 18 de outubro.

Era uma resposta semi-incendiária, que tentava ser provocatória.

Fui ver. A conta de twitter em causa foi criada em fevereiro de 2020. Referencia um blog, com imensos posts e imagens e tudo e tudo e tudo, mas é monotemático e relativamente recente; como se sabe, qualquer plataforma de blogs permite a publicação de posts com data passada. Num blog que suscite dúvidas quanto à sua data, normalmente o tira teimas passa pela data dos comentários. Este blog não tem comentários.

E depois, há o cheiro. Cheira a perfil falso.

A minha reação foi imediata.

tweet2.jpg

Não recebi qualquer resposta, mas os tweets (eram dois) foram apagados. Mas a conta não.

Mais gente se tem queixado da pouco subtil proliferação de perfis falsos de twitter. 


No Twitter são mais fáceis de identificar, mas também no Facebook passei a receber, nas duas últimas semanas, mais pedidos de amizade e, como já não sou a meretriz de outros tempos, agora escrutino os perfis que me pedem amizade e são mais os que declino do que os que aceito.

Para que se estará esta gente a preparar? 

Não sei, mas preparemo-nos nós também.

Feministas de Lisboa - Pior a emenda que o soneto

Isto vai ser comprido, vou já avisando.

As feministas do título são as que compõem o coletivo "Assembleia Feminista de Lisboa", que tem uma página de Facebook e uma conta de Twitter.

Ontem no final da tarde, comecei a ver, em ambas as redes, partilhas de um cartaz.

(36) Assembleia Feminista de Lisboa on Twitter_ _#

Achei a campanha interessante, embora me faça sempre alguma confusão este tipo de comunicação, porque ao comunicarem massivamente estão a informar todos, mesmo os agressores, o que faz com que o código deixe de fazer sentido, porque passa a ser do conhecimento de todos. 

De qualquer forma, a lógica e as premissas por trás da campanha pareceram-me óbvias; tudo fechado em casa, tudo mais irritado, menos hipóteses de fuga, menos hipóteses de contacto com pessoas a quem pedir ajuda...... é um momento ainda mais difícil para quem é vítima de violência doméstica.

No geral, achei que a iniciativa era positiva e alavancava na proximidade que as farmácias (ainda) têm e no facto de estarem abertas e de ser verosímil uma ida à farmácia, sob um pretexto qualquer.

No entanto.......uma das partilhas que vi fazia perguntas..... isto é onde? Está a ser feito com a Associação Nacional de Farmácias? De quem são os logótipos no fundo do cartaz, que não se percebem bem? A Shyznogud foi a primeira a fazer estas perguntas.

Fui ver.


Vai-se a ver e a iniciativa é promovida por esta "Assembleia Feminista de Lisboa" para UMA farmácia, no Porto.

 

Quem ler o post todo que publicaram no Facebook, percebe o contexto e percebe que se trata da farmácia do hospital de S. João, no Porto. 

Mas, quem partilha, quer no Facebook quer no Twitter, partilha o cartaz, a imagem, que é o que a grande maioria das pessoas vê e lê.

No momento em que este post foi escrito, havia 147 retweets do post. Os RTs partilham, obviamente, o cartaz, ficando tudo a pensar que se trata de uma iniciativa nacional.

RTs.jpg

 

No Facebook, a mesma coisa. A esta hora vai com quase 500 shares.

Rapidamente começam a ver-se os comentários a chamar a atenção para o erro e para o problema. Quer no Twitter, quer no Facebook.

E qual é a reação das senhoras às chamadas de atenção para a dimensão do erro e para as potenciais consequências?

Remetem a iniciativa e a responsabilidade da campanha para o Centro Hospitalar Universitário de S. João, no Porto, apesar de eu não conseguir encontrar, por parte desta instituição, qualquer referência à campanha.

Em cima disso respondem torto, não percebem o erro, não compreendem a dimensão do disparate nem a irresponsabilidade e escondem os tweets que não lhes agradam, e os comentários de Facebook que lhes chamam a atenção para o erro. E banem quem lhes faz perguntas.

(20) Assembleia Feminista de Lisboa on Twitter_ _#

 


Enfim, uma ideia que tinha potencial e que podia ir muito mais longe, lixada à partida por uma Assembleia de Palermas com excesso de voluntarismo e falta de dois dedos de testa e que não percebe que com esta campanha, é pior a emenda que o soneto. Não saber aproveitar aquilo que a comunidade lhes está a dizer para melhorar a coisa é só a cereja no topo do bolo.

Palermas pá.

Fake news

Não gosto do termo "Fake news" porque é enganador. Prefiro a versão portuguesa, "desinformação" porque é mais esclarecedora.

Mas o "Fake news" pegou e as pessoas acham que o seu significado é literal, e que se trata de notícias falsas. Mentiras. Erros crassos. Aldrabices. Não é disso que se trata.

 

Trata-se de veicular informação, e não é preciso que sejam notícias, que manipula a opinião pública, normalmente com alguma relação com a verdade, e com objetivos pouco óbvios. Podem ser económicos, sociais, políticos ou todos os acima referidos.

Vem isto a propósito de algo que vi partilhado no Facebook ontem, por várias pessoas (uma das quais não acho que seja imbecil).

 

Miguel Torres Marques.jpg

Ora..... esta pessoa, e mais as 44 que partilharam a coisa, só neste post, defendem que os países que usam máscaras são os que mostraram mais eficácia a limitar a propagação do vírus. À pergunta, "então e a China, que quando alguém espirra corre tudo a máscaras?" respondem que é diferente, porque "o que quer que lhes ocorra no momento".

O gráfico é produzido pelo Financial Times, e com um contexto completamente diferente, como é óbvio. 

A partilha vem com link, para um site chamado, muito apropriadamente, Masks Save Lives com um endereço maskssavelives.org (sem link que eu não contribuo diretamente para estes merdas). 

Uma investigação básica a este "site" mostra-me que não tem um "about", mostra-me que tem um endereço de mail de contacto que é um gmail e mostra-me que é um domínio criado há 3 dias.

whois.jpg

E as pessoas, mesmo com estas pistas todas a gritar "desinformação" decidem partilhar, achando que correlação é causalidade.

 

Reparem...... não estou a falar do zé das iscas.....estou a falar de pelo menos um professor universitário e de pelo menos um advogado e não tive pachorra para andar a chafurdar nos perfis daquela gente toda que partilhou a coisa, para descobrir o que fazem na vida.

 

A sério..... esta gente existe? Esta gente vota? Esta gente reproduz-se?

 

Já que pelos vistos sim, eu conheço um príncipe nigeriano que gostava de lhes apresentar.

Amém

Se as missas fossem todas assim, eu nem me importaria muito......(SQN).

Isto é maravilhoso.

E, para quem percebe italiano, mais maravilhoso ainda. O coitado do senhor não se apercebeu de que tinha sido ele próprio a ativar os filtros, e está a dar um pequeno responso no senhor que gosta de desenhos e que está a desenhar por cima da cara dele. 

 

Saberes antigos

Os meus feeds inundam-se de fotografias de pão. Provavelmente à mesma velocidade com que o fermento para pão e a farinha desapareceram das prateleiras dos supermercados.

Muita gente a descobrir o prazer de fazer pão, ou de ter uma casa a cheirar a pão acabado de fazer. E, há poucas coisas melhores do que uma bela fatia pão quente, feito por nós, carregado de manteiga da que engorda com sal.

Faço pão há muito tempo, comecei noutra vida, recomecei há uns meses, aqui na casa nova. Mas não vou mostrar uma foto do pão, porque como se acabou o fermento aqui de casa e eu não fui de açambarcar, fiquei sem. A massa-mãe ainda vai demorar uns dias até ficar pronta.

Opto por outros regressos, a outros saberes antigos.

Amanhã ao fim do dia vai haver uns quantos frascos de doce de abóbora com noz aqui em casa.
Receita da minha tia Helena, transcrita pela minha mãe, melhorada por consultoria direta com a autora da coisa, aqui há uns meses. 

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Os morangos são a sobremesa do jantar :)

 

 

 

 

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