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Jonasnuts

Eu vou resolver o problema de trânsito de Lisboa

É a promessa de alguns candidatos à presidência da câmara da capital.

 

É mentira.

 

Nenhum presidente da câmara de Lisboa pode resolver o problema do trânsito de Lisboa.

 

Terá de falar com o presidente da Câmara de Oeiras, com o presidente da Câmara de Cascais, com o presidente da Câmara de Sintra, com o presidente da Câmara da Amadora, já perceberam onde quero chegar, certo? E depois de se porem todos de acordo, têm de ir todos juntos falar com o Governo. Mas isto de se juntarem presidentes de Câmara de "cores" diferentes já é uma impossibilidade, e ainda por cima irem falar com o Governo, que terá uma "cor" diferente da de alguns deles, enquadra-se na categoria dos mitos, neste caso, urbanos.

 

E não me venham com a treta da melhoria dos transportes públicos, e da criação de ciclovias. Em relação ao primeiro,  não pode passar só por isso. Têm de se criar parques de estacionamento nas zonas limítrofes, têm de se criar disparidade de horários, têm de se deslocalizar as empresas para fora de Lisboa, e tem de se melhorar a oferta de habitação em Lisboa. E em relação ao segundo, o maradona explicou tudo num post que já apagou e que eu tive a genialidade de preservar para a posteridade.

 

Não é criar mais entradas em Lisboa, é criar condições para que as pessoas não tenham de ir morar para fora de Lisboa. Casas más, velhas, caras, com a única vantagem de serem em Lisboa, e com o velho a ser classificado de pitoresco em forma de argumento de vendas. Ah, eu moro num bairro típico de Lisboa. Ya, e das duas uma, ou és rico e basicamente reconstruíste a casa para ela não cair com um vendaval e de caminho fizeste a mesma coisa às do lado, pelo sim pelo não, ou és um teso, e está tudo pintadinho e bonito, mas leva com uma rajada de vento mais forte e esburaca-se, e a instalação eléctrica é do tempo da maria cachucha, e as canalizações ainda são no bom velho chumbo, que é para trabalhar para a saúde. Em alternativa, pode-se sempre ir morar para uma casa construída de raiz há relativamente pouco tempo, em Lisboa, mas nesse caso, siga este link e boa sorte.

 

Não é aumentar o parque da carris, é pôr o actual parque a cumprir a porra do horário e, de preferência, alargá-lo, e a ir a sítios onde não vai.

 

É tornar a coisa viável e razoável.. Enquanto nas minhas contas do final do mês, sair ela por ela levar o carro ou não levar, eu vou levá-lo. É mais rápido, é mais confortável, é mais simples.

 

Se eu for buscar o meu filho de transportes, demoro, no mínimo, uma hora a chegar onde ele está. Mais outro tanto até chegar a casa.

 

Se fizer a mesma coisa, de carro, demoro, à mesma hora, 40 minutos.

 

Portanto.....qualquer candidato que tenha como promessa de campanha, resolver o trânsito de Lisboa, mente.

Caros senhores da Emel

Adoro o vosso novo slogan "Há 15 anos que a EMEL trabalha para que ninguém estacione a sua vida” (é irónico, percebem?), mas permitam-me um pequeno esclarecimento.

 

Quem me estaciona a vida não são os condutores que não pagam o papelucho. Esses estão estacionados em lugares que não chateiam. Apenas o estão a fazer à borla, e isso não me estaciona a vida. Pode estacionar a vossa, mas não estaciona a minha.

 

Quem me estaciona a vida são os cabrões que estacionam na faixa de rodagem, transformando vias de duas faixas em vias de faixa única.

 

E eu, que por acaso frequento ali a zona da Fontes Pereira de Melo, fartei-me de ter multas por não pagar a merda do papelucho, mas não vos vejo com o mesmo empenho a multar os carros que estão estacionados atrás da PT, na praça José Fontana, que fodem (não há mesmo outra palavra e eu não gosto de asteriscos) o trânsito todo.

 

Portanto, não me venham com tretas. Vocês não andam atrás de quem estaciona mal. Vocês andam atrás de quem não paga o papelucho.

 

E se me disserem ah, mas isso não é da nossa competência, isso é da competência da polícia de trânsito (ou psp, ou polícia municipal, ou outros quaisquer), então mudem de slogan, que isso é publicidade enganosa.

 

Bem sei que se trata duma campanha para ver se limpam a vossa imagem, mas a imagem não se branqueia com campanhas, branqueia-se com seriedade e competência (e simpatia, já agora) no serviço que prestam. O vosso serviço é o de venda de papeluchos, não é o de melhorar o estacionamento em Lisboa.

 

Ah, e os vossos papeluchos são obscenamente caros.

Ir à praça

Bem sei que falei aqui da praça há pouco tempo, mas não resisto.

 

Saí de casa de manhã, com sítio e hora para estar às 9h15. Lá deixei a encomenda e fui para a praça.

 

Continuam a chamar-me menina. Arranjam-me a carne como eu quero, dizem-me "esse alho francês não, que não é muito tenro, mas a minha colega ali do lado tem um muito bom, vá lá", "feijão encarnado não, que isto é tudo feijão novo, e do encarnado só tinha do velho. O encarnado é o último a sair, não podia pôr aqui feijão encarnado velho, misturado com o feijão novo.".

 

E flores, frescas, à minha escolha, sem ser daqueles arranjos horrorosos dos supermercados. E baratas. E senhoras simpáticas. Leve antes estas que são mais baratas e duram mais.

 

A D. Rosa, com quem desabafei.....isto é tão melhor que ir ao Continente disse-me, mas olhe menina, que isto não dura muito. 90% das nossas clientes são velhinhas. Pessoas da sua geração é raro ver por aqui, só mesmo as que vinham de pequeninas, com as mães. Hoje em dia não há tempo para ir à praça. E as pessoas julgam que poupam, mas não poupam. Pelo mesmo preço, aqui, têm mais qualidade.

 

Enfim, deu-me uma de dona de casa e comprei coisas para a sopa, e comprei peixe fresco, e ovas (eles odeiam, e ainda não sabem que vão ter de levar com as ovas, que eu adoro), e comprei polvo, e galinha daquela com ovos lá dentro, para fazer canja (é a troca com as ovas, que eu odeio canja e eles adoram), e marmelos para fazer marmelada e ver se é este ano que a porra da geleia sai bem que no ano passado ficou horrível, e tomate xuxa para ver se consigo chegar aos calcanhares do doce de tomate da minha avó.

 

E comprei as minhas flores favoritas. E não, contra todas as expectativas, eu, que adoro dormir, não preferia ter passado a manhã na cama.

 


A câmara do Nokia E71 é uma cagada, é verdade.

Anne Frank

Ora aí está um livro que toda a gente devia ler. O Diário de Anne Frank. Devia fazer parte do plano nacional de leitura. Devia ser obrigatório. Fosse em Língua Portuguesa fosse em História. Os miúdos deviam passar pela história. Para que ninguém se possa esquecer. A memória é importante, e os livros são uma parte importante da memória.

 

A 22 de Julho de 1941 as pessoas que viviam na casa ao lado da de Anne Frank casavam-se, e, coisa rara para a altura, filmaram a saída de casa. Anne Frank estava à janela, para ver a coisa, e foi filmada. É o único registo deste tipo que existe, de Anne Frank. Não seria nada de especial, não fosse o resto da História.

 

 

 

 

Para comprar o livro, é aqui.

 

 

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