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Jonasnuts

A internet, os políticos, as redes sociais e os americanos

É um título difícil de explicar, o deste post, mas vou tentar.

 

De há uns tempos para cá, sempre que há eleições, agitam-se os meios políticos no afã de estarem em todos os meios considerando, e bem, que a Internet é um desses meios. Parece que o que alguns andam a dizer há uns valentes anos, apenas agora faz sentido, depois do caso Obama, nos Estados Unidos. O Obama tem Facebook? Vamos todos ter Facebook. O Obama twitta? Vamos todos twitar. O Obama faz vídeos? Vamos todos fazer vídeos. Parece que funciona. Findo o período eleitoral e eleitoralista, esmorece-lhes a vontade e é ver projectos abandonados, a criar pó e mofo, à espera que o próximo período eleitoral lhes areje os cantos e os links, qual Querido mudei a casa.

 

Esquecem-se de uns poucos detalhes. O primeiro, e mais importante, e que é recorrente nestas lides das internetes tem a ver com as diferentes realidades, portuguesa e americana. Para já, eles são mais mas, mais importante, a sua maturidade enquanto utilizadores da Internet é muito maior. Usam mais, há mais anos. Para eles a Internet é uma commodity. Uma necessidade básica. Da mesma forma que para nós uma casa tem de ter água, electricidade e televisão, para eles tem de ter tudo isso E internet. É uma ferramenta que está mais presente no seu dia-a-dia. Usam-na com mais naturalidade. Cá, não. E isso faz toda a diferença. Disso deriva o facto dos políticos americanos usarem a Internet há mais tempo, e não só em tempo de eleições.

 

Para se usar a Internet como ferramenta de comunicação pessoal, online, é preciso que se tenha uma presença online. E uma presença online não se cria, constroi-se. E dá trabalho. E não é trabalho que possa ser delegado. Tem mesmo de ser a pessoa que assina os conteúdos a escrevê-los. E tem mesmo de ser o autor a responder aos comentários. Mais do que dar trabalho, dá uma trabalheira do caraças, muitos dias, todos os dias. É preciso ser-se consistente. E é preciso saber usar. Aprender a usar.

 

Nisso da aprendizagem os americanos também são diferentes. Porque lá, este tipo de ferramentas são mais importantes, têm pessoas a pensar a sério sobre o tema, estrategicamente, e a saber do que falam.

 

Em Portugal, uma campanha de televisão já não é deixada nas mãos de pessoas que fazem uns vídeos caseiros e que dizem que percebem umas coisas acerca do assunto. Mas no que diz respeito às questões relacionadas com Internet em geral e com redes sociais em particular  o panorama é duma pobreza franciscana, há uns assessores para este tema que parece que percebem, porque usam o Twitter (e vai-se a ver e percebem pouco, porque as suas competências são outras). Lá, há profissionais desta área, cá, há curiosos com mais ou menos jeito.

 

Verdade seja dita que, se um político português quiser contratar um profissional que o aconselhe nesta área, também está lixado. Há dois ou três, e os outros (que os há) são amadores que vingam porque em terra de cegos quem tem um olho é rei, e porque se auto proclamam evangelizadores disto e daquilo, e pioneiros e entrepreneurs (que é sempre mais fashion do que usar o português).

 

Políticos a iniciarem agora a sua presença online devem fazê-lo se:

  • Estiverem dispostos a cometer erros e assumi-los;
  • Estiverem a investir num projecto de continuidade;
  • Estiverem dispostos a ter trabalho;
  • Tiverem pedal para o que vão receber (do melhor ao pior);
  • Tiverem algo para dizer para além de soundbites;
  • Souberem que é um investimento para o futuro, e não para as eleições deste ano.

Porque feitas as coisas assim, de um dia para o outro, sem estratégia a médio/longo prazo, não só não funciona como é contraproducente.

 

E para não dizerem que eu sou mazinha, fiquem com um conselho de borla:

 

Pelo amor de Deus, parem de falar em web 2.0. Não só porque não sabem o que é, mas sobretudo porque é um conceito antigo, já passou. Move on.

Dose diária de desgraça

Acompanho o mais longe possível, tanto quanto me permite o meu dia-a-dia, os casos relacionados com crianças.

 

Não que não me preocupe, pelo contrário, mas porque tenho de me preservar, e acho muitíssimo cínica esta avidez de desgraça.

 

Excluindo os que estão directamente relacionados com as coisas, todos os outros, que falam no café sobre as Joanas, as Maddies, as Esmeraldas e as Alexandras, apenas seguem esses casos para terem a sua dose diária de escândalo e de miséria. São abutres sentimentais. Precisam de olhar para a desgraça alheia para sentirem que, afinal de contas, não estão assim tão mal.

 

E os órgãos de comunicação social, na generalidade, exploram este vício até ao tutano. Afinal de contas, sempre é mais barato comprar um pasquim ou ligar a televisão  do que uma dose de heroína ou cocaína (presumo).

 

A alternativa são as novelas, mas eu acho que as pessoas já não distinguem a realidade da ficção. As novelas e os telejornais são seguidinhos no alinhamento, confunde-se tudo, o tom cada vez menos noticioso e cada vez mais de entretenimento com que nos servem as notícias funciona como uma espécie de aperitivo para a novela que vem a seguir. E as pessoas falam com a mesma normalidade e nas mesmas circunstâncias da criança que foi assassinada e do personagem da novela que foi abusada sexualmente. É um encadeamento. Ficção, realidade, não há distinção, nem é importante que haja......é tudo lá longe, e tudo serve para validar a monotonia da vidinha real.

 

As pessoas gostam de desgraças. Principalmente alheias, mas as própria também. Adoram falar das suas doenças, dos seus problemas, dos seus dramas, adoram receber o olhar de comiseração dos seus interlocutores.

 

E a mim cansa-me, confesso, esta pequenez de espírito.

As pessoas que não existem

Há muitas pessoas que não existem. A sério. Isto ocorreu-me há já algum tempo, no trânsito da A5 a caminho de Lisboa.

 

Por exemplo, eu não conheço ninguém que, em conversa com amigos diga, ah sim senhor, sempre que passo por um acidente, eu paro ou abrando para olhar e ver se há mortos ou feridos, ou para ver o estado em que ficaram os carros para depois poder pensar com os meus próprios botões "eish, o estado em que aquilo ficou, vai ser uma despesa enorme de bate chapas, espero que ninguém se tenha magoado" (e no entanto abranda um pouco mais, à procura do sangue).

 

Também não conheço ninguém que diga, ah, eu sou chico esperto. Quando vejo uma enorme bicha (desculpem, mas para mim é bicha, não gosto do politicamente correcto), quando vejo uma bicha, dizia o meu personagem inexistente, tento sempre encontrar forma de dar a volta ao texto, mesmo que isso passe por meter por uma escapatória e ultrapassar os outros pela direita. Ou ir na faixa rápida e mesmo em cima da saída da auto-estrada, meto-me à frente dos desgraçados que estão à espera há meia hora.

 

Também não conheço ninguém que se vanglorie de passar à frente na bicha do supermercado ou do cinema.

 

Também não conheço ninguém que se assuma como incompetente. Lido com alguns incompetentes, alguns mesmo mais próximos do que o que gostaria, mas não conheço ninguém que assuma e diga "eu sou incompetente".

 

Nunca ouvi uma pessoa dizer sistematicamente "ah, aquela empresa é uma merda e está cheia de incompetentes" e depois, ao primeiro vislumbre de cravar a dita empresa nalguns cobres, é a primeira da bicha (provavelmente passando à frente dos que já lá estavam).

 

No entanto, sei por experiência, que este tipo de pessoas existe. Cruzo-me com eles todos os dias, na estrada, na rua, na empresa onde trabalho.

 

Devo ser eu que tenho uns amigos muito selectos.

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