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Jonasnuts

Caro Tó Zé Brito

Tenho por si um carinho especial, uma vez que faz parte das minhas memórias de infância, primeiro com a abelha maia e mais tarde com a participação no festival da canção, no tempo em que o festival da canção era relevante. Daí esta minha cartinha.

 

Escrevo-lhe porque através da comunicação social tive acesso a umas declarações que prestou, no âmbito do workshop A Indústria da Música em Portugal. E uma vez que a sua área é a música, não entendo porque é que optou por um discurso eminentemente tecnológico, que não é o seu mister. O seu mister é a música e a forma como ela chega aos seus clientes. Presumo que enquanto intermediário entre o artista e o consumidor tenha o difícil trabalho de agradar a 2 clientes, os artistas e quem consome a música, mas em última análise, quem paga as continhas, é quem compra a música. Nesse sentido, tenho visto a indústria a que pertence a tratar muito mal a sua clientela. Seja através dos preços ridículos que cobra, quer pelo facto de tratar como ladrões todos aqueles que são (eram) os seus clientes.

 

Veja o meu caso. Há anos que não compro um CD. E nem é só pela questão do dinheiro. Os últimos CDs que comprei, não os consegui ouvir nos vários equipamentos de que disponho. Ora se eu compro um CD, é para eu ouvir quando quiser, onde quiser, como quiser, e não é o revendedor que deve decidir isso por mim.

 

Não me admiro muito com os números que partilhou connosco, onde refere que no espaço de 6 ou 7 anos as vendas de discos e DVDs que atingiam os 100 milhões de euros/ano caíram para metade. O que faltou dizer foi que muitas das pessoas que deixaram de comprar CDs passaram a adquirir os mesmo conteúdos, legalmente, sem recorrer ao suporte físico do CD ou DVD. Mais, tendo em conta a forma paupérrima das edições portuguesas dos DVDs, inclua também as pessoas que, como eu, passaram a comprar as edições estrangeiras, via Amazon (ou outra).

 

Não queiram pôr os fornecedores do acesso à Internet a fazerem o push do vosso negócio. Os ISPs não sabem, de facto, o que é que são downloads ilegais (quem determina a legalidade ou ilegalidade são os tribunais, não são ISPs).

 

Não queira transformar os ISPs em polícias da Internet, porque não é essa a sua competência. Ou vai pedir aos fabricantes de automóveis que reportem à polícia todos os veículos que circulem acima da velocidade legal? Ou vai pedir à indústria farmacêutica para reportar os casos em que o consumo de um determinado fármaco ultrapassou o receitado pelo médico?

 

Não peça aos outros para fazerem o trabalhinho sujo. O problema foi criado pela indústria, e pela forma arrogante e prepotente como andou a tratar as pessoas durante anos. Há formas inteligentes (e lucrativas) de resolver o problema a gosto de todos. Se calhar a indústria intermediária não vai ter os mesmo lucros milionários, é um facto, mas ainda será um negócio lucrativo e interessante.

 

A prisão da tal meia dúzia de pessoas, que é a sua recomendação, é palerma, desculpe-me a frontalidade. Por duas razões. Porque para substituir essa meia dúzia aparecerão 2 dúzias, e porque essa meia dúzia são potenciais grandes clientes seus. Quer mesmo que os telejornais abram com as imagens da Judiciária a prender meia dúzia de adolescentes com um ar imberbe e inofensivo, em nome da indústria discográfica? Eu, se estivesse no seu lugar, não quereria.

 

É que nem sequer é esse o caminho. A sério.

 

Sabe, é que não é com vinagre que se caçam as moscas.

Ainda nas livrarias....

Gosto de livrarias. Só compro na Amazon o que de todo em todo não consigo encontrar por cá. Não sei porquê, mas gosto. Assim, quando chegam encomendas da escola do puto, por causa das leituras obrigatórias, percorro as livrarias até encontrar aquilo de que preciso.

 

O problema é que este ano já vai no terceiro ou quarto livro, do plano nacional de leitura, que está esgotadíssimo em todo o lado. O último foi este "guardei as lágrimas no bolso". Esgotado em todo o lado. Na zona do Saldanha não há. No Oeiras Parque também não. Fui a mais de 6 livrarias.

 

 

Prazos? Não sei, podemos encomendar, mas demora entre 1 a 2 semanas.

 

Ora o puto tem um prazo para ler aquilo.

 

Pego em mim, sem sair do meu lugar, e compro online.

 

Caramba.....não ando à procura duma raridade, ando à procura de livros que fazem parte do plano nacional de leitura. Custa assim tanto? É que assim não têm lá muita moral para falarem da crise, e que o negócio dos livros está mau. Eu quero comprar, os senhores é que não têm para vender.

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