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Jonasnuts

A Caça

Gosto de os encontrar. Ou reencontrar. Vasculhar-lhes as entranhas. Esmiuçar tudo. Conhecer a fundo. A minha prodigiosa memória, para estas coisas, ajuda. Demoro tempo. Vou devagar. Para isto tenho eu paciência. É o jogo do gato e do rato. Mas o rato não sabe que é rato. Não sabe que está a ser preparada uma emboscada, lenta, muito lentamente. De tempos a tempos transformo-me em presa, amedronto-me. Vou, não vou? É agora? Não, espera. O momento certo é o segredo. O método tem resultado. Só caças quem gostas. Quando caçaste quem não gostavas, só pelo tamanho da presa, saiu-te o tiro pela culatra. É agora. Pausa. Respira fundo. Prepara o tiro.

 

Espera, espera. Espera tudo o que tiveres de esperar. Nem mais nem menos. E no fim, no momento de saltar, o peso da responsabilidade, a descarga de adrenalina. Pode demorar. Quando se clica em "enviar" não se pode voltar atrás, e é naquele disparo que se gastam todas as munições, é naquele botaneco que está o tudo ou o nada, o sim ou as sopas. O gozo ou a desilusão. Mais gozos que desilusões, até hoje, até ver.

 

Gosto de os encontrar. Hoje encontrei mais um.

 

 

 

Bichos do mato

Sempre fui bicho do mato. E sempre fui impaciente. Sempre preferi ficar em casa, ouvir a minha música e dançar na minha sala, a ir para a bicha da discoteca in, fazer olhinhos ao porteiro, para que este me deixasse entrar. Aliás, com um destes simpáticos agentes da autoridade privada tenho uma história que ilustra bem o ponto de vista que pretendo expressar neste post.

 

Ia eu toda lampeira a entrar pelo Plateau adentro (quando estava na moda, parece), e o senhor aproxima-se de mim, barra-me a entrada, põe-me a mão no ombro e diz com aquele arzinho de administrador de condomínio recém-eleito "penso que não nos conhecemos". Não gostei do ar, nem da mão no meu ombro (vai lá pôr a mãozinha no ombro da puta que te pariu, espera aí que eu já te lixo), e limitei-me a sorrir de volta, retorquindo-lhe "é natural que não nos conheçamos, eu não me dou com porteiros". Obviamente nem tentei entrar depois disso. Dei meia volta e fui-me embora. No dia seguinte expliquei às pessoas com quem ia ter o que se tinha passado, e recebi de volta uma expressão que conheço há muito, rolar de olhos, suspiro, esta gaja não tem cura.

 

Aliás, a minha mãe e a minha irmã passam a vida a olhar, cúmplices, uma para a outra, quando digo qualquer coisa que lhes faz cair a ficha, aquele ar de "pois, não há nada a fazer".

 

Podia ser que a minha alma gémea me contrabalançasse, me pusesse ali uma meia medida qualquer, me adoçasse os modos, me açaimasse a impaciência, me tolhesse o mau-feitio no fundo. Felizmente que não. Muito pelo contrário. Um diz mata, outro diz esfola, se um tem pouca paciência, o outro tem menos paciência ainda. Bichas,  filas, trânsito, ajuntamentos, aglomerados, manifs, carneiradas, e é vê-los a olharem um para o outro e, muitas vezes sem ser preciso dizer uma palavra, dar meia volta e ir noutra direcção qualquer. Não sabemos para onde vamos, mas sabemos que não queremos ficar ali.

 

Assim que começa a Primavera, começa mais um ciclo. As esplanadas da linha de Cascais começam a encher-se. É o início de dieta de esplanadas, para nós. Porque o que nós gostamos nas esplanadas é da calma, poder fazer uma pausa, olhar para o mar, assim, sem ser de repente. Chegar e estar às moscas. Sentar numa mesa, ser atendidos, esperar o razoável, comer sem stress "ah, há ali pessoas que se querem sentar, vamos lá a despachar", saborear a comida (que é pouco mais que um pretexto), beber um café, fumar um cigarro sem ter de me preocupar com o facto do fumo ir para cima de quem está na mesa do lado. Mais um café. A conta. Bora? Bora.

 

Assim sendo, no Outono começamos a entrar e estado de graça e no Inverno é que é.

 

E esta é a única justificação para que, no último fim de semana de Novembro, quando estavam certamente temperaturas negativas, nós, que não saímos de casa para ir à praia, tivéssemos saído para ir à Marina de Cascais e à esplanada de S. Pedro. Chovia a cântaros. Foi tão bom.

 

 

Respondendo ao meu desafio

Depois de me inspirar no Chachimbo de Magritte, decidi lançar o desafio no Blog dos Blogs. O Pedro já tinha em tempos sugerido que lançássemos temas, propostas de posts, mas eu torci o nariz, sempre achei que nos devíamos afastar da sugestão de conteúdos. Mas, um desafio é diferente (vá, deixem lá passar esta).

 

Então propõe-se que cada um contribua com a sua opinião, sobre a melhor canção de amor de sempre. Claro que é tarefa impossível, cada um tem a sua, ou as suas, mas o giro é isso mesmo. E também é giro ver as diferentes gerações a referirem nomes diferentes. Curiosamente, as gerações mais velhas são mais consensuais e andam ali à volta dos mesmos nomes. Se calhar não são mais consensuais, tinham era menos diversidade na oferta.

 

Bom, era chato lançar um desafio e não contribuir. Portantos...... aqui fica a minha contribuição. A minha canção de amor é:

 

It had to be you. Há muitas versões, devo tê-las todas, mas a minha favorita é a do Harry Connick jr  que faz parte da banda sonora do When Harry Met Sally, que tem aquela fabulosa tradução para português de "Um amor inevitável".

 

 

 

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