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Jonasnuts

Os pais do Magalhães

Anda por aí meio mundo escandalizado porque o computador Magalhães que está a ser disponibilizado desde hoje a muitas das crianças em idade escolar, não vem o controlo parental activado.

 

Parece que vai ser a notícia do dia, e no que diz respeito à Blogosfera, a notícia da semana (aqui essas coisas arrastam-se).

 

Acho muito bem que tenha controlo parental. Como acho bem que tenha outras aplicações. Ora essas aplicações vão ser usadas, chamam-se ferramentas e, em última análise, é para isso que serve o computador, para ser usado.

 

Ora, um computador não funciona sozinho, é uma ferramenta, precisa de alguém que a opere.

É uma ferramenta que pode dar acesso a conteúdos e, como tal, cabe aos pais, definirem quais os conteúdos a que os filhos podem aceder. Não cabe a uma ferramenta (que é falível, como todas as ferramentas) definir o que é que os meninos podem ver ou não.

 

Chamam-se ferramentas de controlo parental por alguma razão. É suposto que haja alguém a fazer o controlo.

 

É suposto que seja o Governo a fazê-lo? Deus me livre. Não quero esse grau de intromissão por parte do Governo.

 

Ah, mas os pais não sabem mexer no computador, dirão os mais assanhados. E eu digo que, se quiserem, portanto, se se interessarem, aprendem, ou vão à cata de informação que lhes permita assumirem a responsabilidade que é, em grande maioria, deles.

 

É a mesma coisa com a televisão. Lá em casa os putos não podem pegar no comando da televisão e começar a fazer zapping. Não podem. É uma regra. Nos computadores lá de casa, existem configuradas umas cenas que lhes barram o acesso quando estão a ser encaminhados para sites que apresentam conteúdos que nós não queremos que eles vejam, ainda.

 

Mais formação para os pais? Sim senhor, acho importante e fundamental. Cursos de técnicas básicas de como consumir conteúdos online? Sim senhor. Evangelizar para a protecção dos dados pessoais como se fossem sagrados? Imprescindível.

 

O difícil, difícil mesmo, seria encontrar pais interessados em adquirir estas competências. As pessoas preferem pôr a culpa em terceiros (seja no governo, nas escolas, nas empresas, nos vizinhos, em qualquer lado) menos assumi-las.

 

Falta dizer que este post começou aqui.

O estado da Blogosfera

Agora que o Technorati publica o seu (agora parece que é anual) Estado da Blogosfera, já sei que serão alguns os meios de comunicação social a pegarem no tema, e nos números astronómicos ali expostos e farão umas peças "giras", porque é moderno e é fashion, falar de Blogs (sim, ainda é).

 

E, aposto, vão falar dos blogs do costume, e vão resumir e reduzir a blogosfera portuguesa à blogosfera mais mediática, porque a outra, nem a conhecem, não sabem da sua existência. A fatia grande da Blogosfera portuguesa passa por baixo do radar da maioria das pessoas, mesmo (sobretudo) às que já andam nestas lides de Blogs há mais tempo.

 

Vão falar dos rendimentos que os Blogs podem proporcionar. Imagine-se, sentado à sua secretária, em sua casa, e a poder ganhar, com o seu Blog, milhares de euros por mês. Vão-se esquecer (se é que sabem), que em Portugal não conheço ninguém a viver exclusivamente do seu Blog (e pode ser que haja um ou dois, mas são uma minoria clara), não há Blogs profissionais, em Portugal.

 

As empresas cada vez mais querem encarar a Blogosfera como um meio de comunicarem com os seus utilizadores, clientes, etc., é legítimo, mas esbarram no amadorismo da coisa. Não só amadorismo do ponto de vista de quem lhes gera a comunicação (o que não faltam são exemplos atabalhoados de empresas a entrarem mal, na blogosfera), amadorismo também de quem tem Blogs. E por amadorismo, neste segundo caso, não se entenda como depreciativo. É amadorismo porque são amadores, os Blogs são um Hobby, e nessa perspectiva não podem ser considerados um meio. Os Blogs profissionais raramente são trabalho de uma pessoa só. A partir de um determinado momento passam a ter uma equipa editorial.

 

Não há disso em Portugal. Se eu, enquanto empresa quiser convidar autores de Blogs para estarem presentes numa conferência de imprensa esbarro, habitualmente, nos horários de trabalho. As conferências de imprensa são durante o horário de expediente. Ou se trata de um Blog profissional, ou dificilmente poderá comparecer.

 

Mas, voltando ao estado da Blogosfera, do Technorati, vai dar para uns artigos de jornal, quiçá uma ou outra peça de reportagem, sobre os Blogs, convidarão naturalmente Moita Flores para dar a sua opinião, e pronto. Não vão saber que os hábitos dos americanos são muito diferentes dos nossos e que, mesmo na Europa, os hábitos são muito díspares.

 

E os "estudos" que se fazem sobre Blogs em Portugal pecam pela falta de seriedade, ou de conhecimentos, ou de ambos. Posso estar enganada, mas não conheço nada de jeito ou minimamente fiável e actual. Alguém sabe?

Ver ou não ver, eis a questão

Este post resulta do Naruto e dos Sigur Rós, e do debate que se gerou nos comentários.

 

O que é que se deixa os putos verem na televisão? Confesso que sou conservadora neste tema. Não gosto de jantar com a banda sonora dos assaltos, e das misérias, e das guerras e das fomes e da pedofilia. Sobretudo não quero que essa seja a banda sonora do jantar do meu filho.

 

Consigo evitar que ele, mais tarde ou mais cedo, saiba das coisas? Não. Mais tarde ou mais cedo ele vai saber. Mas porque é que tem de ser mais cedo? Não estou a tentar tapar o sol com a peneira, acho é que, para alguns temas (principalmente da forma como nos são mostrados pelas nossas televisões), mais tarde é melhor.

 

 

Sei que nem toda a gente pensa assim, mas quando há uns meses, no auge do caso da Maddie, escuto na escola do meu filho uma conversa (que não era para os meus ouvidos), entre duas coleguinhas de sala do meu filho, e dizia uma delas para a outra "ah, esta noite tive um pesadelo terrível que depois até acabou bem. Sonhei com esta história horrível da Maddie, mas depois eu abria a porta de minha casa e encontrava-a".

 

Que raio (pensei eu, mas por outras palavras). O que é tu sabes da Maddie? pergunto-lhe. Sei o que vejo nos telejornais à hora de jantar. Quais telejornais? Os da TVI. Pronto, está explicado (embora no caso da Maddie todas se tenham portado pessimamente).

 

Acho que o meu filho não sabe quem é a Maddie. Espero que não saiba. Pelo menos para já.

 

Porque é que raramente assino petições

Chegam-me praticamente todos os dias, mails com pedidos para assinar petições. Seja a criança que precisa de ir a Cuba fazer um tratamento, seja a ajuda em K7 de vídeo para a pediatria do IPO, seja para acabarem com o cultivo de gatos bonsai, há-os para todos os gostos.

 

Se é algo que me interessa, aprofundo. Por exemplo, no caso das K7 de vídeo do IPO, o número de telefone disponibilizado no mail não funcionava, mas bastou um telefonema para o IPO para descobrir que já tinham até coisas a mais, e que o pedido estava desactualizado há pelo menos 3 anos.

 

O último mail deste tipo que deu entrada falava do assassinato da obra que Maria Keil tinha oferecido ao Metro de Lisboa. Incendiou-se a Blogosfera, e ataques ao Ministro da Cultura, e à Administração do Metro, e é uma vergonha, e já há uma petição (neste momento com cerca de 2.000 assinaturas) a pedir sabe deus o quê.

 

No entanto, a coisa não é bem assim. A autora do post que deu origem ao incêndio, explica.

 

O problema é que estas coisas são fáceis de começar, mas tão, tão, tão difíceis de extinguir. Cara Júlia, prepare-se para, daqui a 10 anos ainda receber mails a pedir-lhe a assinatura da petição que a leitura diagonal  seu post originou.

Esta é a minha singela contribuição para remar contra o sentido da maré. Mas não tenho esperanças.

 

Falta dizer que cheguei à Júlia através da Joana.

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