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Jonasnuts

Jonasnuts

Desculpem qualquer coisinha

Jonasnuts, 10.10.07
Os senhores e senhoras que aqui vieram porque eu coloquei um post, que me desculpem, mas o post anterior foi só para mostrar como é que funcionava o envio de uma foto directamente do telemóvel para o Blog.

Um dia destes digo-vos de quem é aquela parede.

Tudo a seu tempo, que eu não sou de inconfidências :)

Obrigadinho, ó Markl

Jonasnuts, 08.10.07
Eu e o meu puto de 9 anos temos algumas rotinas.
De manhã, no carro, a caminho da escola, ouvimos Rádio Comercial. Comecei por ser eu, por causa do Pedro Ribeiro que é divertido, e depois passou a ser ele. Eu já não tenho voto na matéria. Qualquer que seja a rádio que esteja sintonizada (Marginal, Radar, Antena 3, Europa-Lisboa), o puto entra no carro, e sintoniza a Comercial.

Há excepções, claro. Ele sabe que no momento em que tocam determinadas músicas, ele tem que mudar, Já nem preciso de dizer nada. É o caso do Pedro Abrunhosa, do Olavo Bilac, do André Sardet e do Paulo Gonzo, entre outros. Não tenho nada contra os senhores, mas não aprecio a sua música.

Foi o que aconteceu hoje ao fim do dia. Entrou no carro, e carregou no botaneco da Comercial. 30 segundos depois, começa o Pedro Abrunhosa a cantar, e eu caladinha, e ele vai direitinho ao botaneco da Antena 3. Tiro e queda, está a dar o genérico do Há Vida em Markl (que ele conhece das viagens de fim de semana, em que aproveitamos para ouvir o podcast). Olha para mim, com um ar cúmplice, ri-se e diz: Fixe, é o Markl.

Ora o Markl descrevia uns assaltos de que foi vítima. E uma das expressões que usou para descrever a forma como se vestia nos idos anos  80 (ou seriam os 90?) foi "eu vestia-me como uma lésbica".

Aproveitei a visão periférica para escrutinar a cara do puto. Estava interrogativa. Mas calou-se. Mas a piada correu bem, houve reacção das restantes pessoas em estúdio, e o Markl não vai de modas. Repete a dose "...sim, meus senhores e minhas senhoras, eu vestia-me como uma lésbica".

Olá.....se ele repetiu, é porque é importante, e eu não sei o que isto é. Vai daí, pergunta-me o puto: Ó mãe, vestia-se como uma quê?
Pronto. Bonito serviço. Ó filho,  o Markl disse que se vestia como uma lésbica.
Visão periférica, ar pensativo. Ó mãe, mas o que raio é isso?

Ó Markl, e se fosses dar banho ao cão, e sangue para chouriços, disse eu, para os meus botões, que por acaso não tinha, entre outros mimos que, silenciosamente, lhe dediquei.

E agora Markl? O puto está à espera da tua resposta.


Brincadeira, já lhe respondi e já está esclarecido.

Estupefacção

Jonasnuts, 08.10.07
Gosto da palavra estupefacção. Porque, nos dias que correm, é raro ficar estupefacta seja com o que for. A idade vai acrescentando algo ao cinismo e à antecipação que fazemos do que vai acontecer. É raro surpreender-me e mais raro ainda, estupefactear-me (sim, eu sei que não existe a palavra).

E isto a propósito de ter dado por um Blog que referiu este. O Slleping Mühe. Imaginem lá isto, que eu não sei sequer o que é que significa o nome do Blog. Mas, dizia eu, este estaminé vem lá referido na secção de "bah...força do hábito".

A minha estupefacção não vem desse link, embora eu continue a surpreender-me sempre que vejo um link para aqui. A minha estupefacção vem da vizinhança. Quase tudo Blogs que consumo, alguns Blogs que admiro.

Tendo em conta a vizinhança, o que eu pensei foi, bom, este gajo  esta gaja deve ser meu amigo minha amiga, não há outra explicação para eu estar ali, junto de parte da realeza. É meu amigo  minha amiga ou é da minha família. O perfil não me diz muita coisa, portanto estou às escuras.

Fico à espera de ver o que se diz por lá, para ver a quem é que telefono a agradecer o privilégio de me ter colocado ao lado de tão magnífica vizinhança. Agradeço, e aproveito a boleia para o a convidar para os Blogs do SAPO, evidentemente :)

O único higiénico que se aproveita, é o papel

Jonasnuts, 07.10.07
Este disclaimer começa a tornar-se um hábito no início dos posts, mas é importante fazê-lo. Este é o meu Blog pessoal, aqui são expressas única e exclusivamente as minhas opiniões pessoas que não reflectem necessariamente (e provavelmente não reflectem de todo) as opiniões dos que me rodeiam, da empresa onde trabalho, etc.


Diz-nos o Priberam que higienizar é:
 
tornar higiénico;
aplicar a higiene a;
sanear.
E vem isto a propósito de quê?

A propósito de uma discussão que é recorrente. Acompanha-me desde que ando nestas coisas da Internet, há mais de 15 anos.

Sempre que um serviço começa a ter alguma popularidade junto dos utilizadores, e passe a alojar conteúdos de muita diversidade, levantam-se de imediato as vozes da higienização. É preciso manter o serviço completamente higiénico. Em nome da moral e dos bons costumes, é preciso assegurar que as maminhas e os rabos (e mais que haja) sejam excluídos, saneados, filtrados e censurados.

No Terràvista, o ministro mandou tirar a ficha da tomada (sic) porque o serviço não era suficientemente higiénico de acordo com os seus padrões (na realidade não era suficientemente higiénico para os padrões (?) do Tal & Qual, mas ia dar ao mesmo).

Tenho uma vaga ideia de, no tempo da outra senhora, haver uma comissão de higienização. Só passava o que era higiénico. Se formos mais longe ainda, à época da 2ª guerra mundial, também havia quem quisesse higienizar, mas levavam ainda mais longe o conceito.

E isso leva-nos a uma questão importante. Quem é que define o que é higiénico e não é? Eu já tive essa missão, em vários serviços online e, garanto, não é fácil. O que é higiénico para mim não é higiénico para a pessoa do lado.

Na minha opinião, cada um deve escolher o que quer ver. Não deve haver comissões de filtragem ou de lápis azuis a escolher o que é que os outros podem ver. Não se deve ir pela negativa, pela exclusão. Destaquem-se os conteúdos que têm qualidade, mas permitam-se todos os conteúdos (legais).  Dêem às pessoas o direito de escolherem o que querem e o que não querem ver.

Em última análise, se há menores envolvidos, devem ser os pais, os professores e os encarregados de educação a fazer esse filtro. O meu filho pode ver maminhas, não sei se o filho da vizinha poderá ver maminhas. A responsabilidade da educação dos menores pertence, em primeiro lugar, à sua família. Eu não delego as minhas responsabilidades em terceiros.

Faço parte da equipa que gere os Blogs do SAPO. Desde que lançámos esta nova plataforma, apagámos (apaguei) um blog. Era um Blog com conteúdos ilegais, que ofendiam a constituição portuguesa. Mas mesmo nesse caso, que era gritante, tive dúvidas. Acabei por apagá-lo, mas ainda hoje tenho dúvidas. Se fosse hoje voltava a fazê-lo, voltava a apagar o Blog? Não sei. Na altura (e ainda hoje) várias vozes se levantaram. Uns apoiaram, outros condenaram.

Acredito que não me cabe a mim (nem a nenhuma pessoa) o papel de seleccionar o que os outros devem poder dizer,  o que os outros devem poder ver.

Tenho sempre muitas suspeitas e reservas acerca de pessoas que apoiam a higienização.  Normalmente são pessoas que acham que sabem mais que os outros, que se acham superiores e detentores da razão. Eu acredito mais no discernimento pessoal, na liberdade de escolha e na liberdade de expressão. Foi isso que os meus pais me transmitiram, é isso que transmito ao meu filho.

O mal das janelas abertas, no Expresso

Jonasnuts, 06.10.07



Na revista Única desta semana, há um "artigo", sob a designação genérica de "Bem estar" que tem o título deste post, "O mal das janelas abertas".

O artigo vem assinado por Nelson Marques, que não conheço, não sei portanto qual a sua nacionalidade. Mas sei que escreve num jornal português, o Expresso.

Nessa perspectiva, ficaria bem se usasse o português de Portugal. Reparem, não tenho nada contra o português do Brasil. Não sou sequer da opinião que o português de Portugal seja melhor que o português do Brasil. São diferentes, e são ambos igualmente bons. Cada um no seu país, obviamente.

Assim, se na "Veja" eu ler: "E ainda há tempo e espaço para consultar três blogues, comunicar com quatro ou cinco pessoas no Messenger e baixar as músicas do computador para o leitor de MP3." eu não estranho.

Acho normal, porque no Brasil, não se transfere, baixa-se. No Brasil, não é um ficheiro, é um arquivo. E mais diferenças há. Saudáveis, respeitáveis, ditadas muitas vezes pela proximidade geográfica dos EUA, ou de quaisquer outras influências menos lusas. 

Mas, a verdade é que eu não estava (desta vez) a ler a Veja, estava a ler a Única, do Expresso.

Um jornal português, de Portugal. Onde se deveria usar o português, de Portugal.

Em Portugal, não baixamos nada a não ser, talvez, as calças. Eventualmente, no contexto do artigo, poderemos transferir as músicas do computador para o leitor de MP3, mas, definitivamente, não as baixamos.

E pronto....depois de ler isto, que vem logo no início do artigo, deixei de acreditar no que ali estava escrito ou, melhor, o meu sentido crítico perspectivou-se de outra forma.

Assim, informo o autor do artigo que, em primeiro lugar, para estar a fazer aquelas coisas todas ao mesmo tempo, o "Daniel" seria obrigado a ter um super computador, com um processador muito acima da média. Como há poucos computadores desses em Portugal, para estar a fazer aquilo tudo ao mesmo tempo, o "Daniel" teria de esperar tempos infinitos pela resposta do computador, pelo que, nada mais natural do que empregar esse tempo para se distrair.

A saber, o personagem da história estaria a elaborar a monografia de final de curso em aplicação não especificada, mas era provavelmente o curso de gestão, portanto estaria a usar o power point e o excell, estava também a aceder ao mail, num site de fotos, num site de vídeos, a consultar um PDF, a fazer o download de músicas, em 3 blogs, na conversa, via messenger com 5 pessoas diferentes, e a transferir músicas do computador para o leitor de MP3. Tudo isto em Windows descrito como o "programa estrela" da Microsoft.

Por último, o "Daniel" e o Nelson são homens o que justifica a dispersão. As mulheres têm ma capacidade de multitasking muito maior do que os homens.

Porque é que, tal como acontece no football, toda a gente acha que sabe escrever sobre tecnologia? Bem sei que a tecnologia está, hoje em dia, ao alcance de todos, mas dá algum trabalho. O facto de chamarem programa a um sistema operativo, usarem terminologia técnica errada (pelo menos em Portugal), tem dois maus resultados:
1 - Descredibilizar completamente o Jornal/Revista/Rádio/Televisão/Site onde tais barbaridades vêm escritas, pelo menos junto de uma comunidade mais tecnologicamente competente.
2 - Para os que têm menos competências tecnológicas que (ainda) são a maioria, está a dar-se informação errada. O que, num órgão de informação, me parece contraditório.

Estão a lançar e a perpetuar o erro. Pela parte que me toca, estão a descredibilizar-se, ainda mais.