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Jonasnuts

Fair Play

Ontem, enquanto via (olhava pelo canto do olho) o jogo do Glorioso e ouvia vagamente os "senhores" que faziam os comentários do jogo, ouvi uma pérola.


O Benfica estava numa jogada de ataque. Há um jogador do Setúbal estendido no chão. O Katsouranis que vê o outro caído no chão, chuta a bola para fora, a fim de que a equipa médica do Setúbal possa entrar em campo e assistir o jogador lesionado.

E eu penso: Porra, assim é que é. São cada vez mais raras estas demonstrações de fair play. No fundo, o fair play é uma afirmação de importância, uma atribuição de prioridade a determinados valores que são cada vez mais raros na indústria futebolística (e sim, é uma indústria). Ver um jogador da primeira liga, aliás, do maior clube da primeira ligar a ter uma atitude destas é, para mim, um motivo de regozijo.

Já para os "senhores comentadores" a coisa é diferente, e disseram imediatamente:
Isto não é atitude de um jogador profissional. Estão lá 4 árbitros, é a eles que lhes compete interromperem o jogo. O Katsouranis deveria ter continuado com a jogada até ser interrompido pelo árbitro.

E eu ponho-me a pensar nestes "senhores", e na postura cata-vento de acordo com os seus interesses. E desvalorizo, porque acho que se o Katsouranis tivesse continuado a jogar, os "senhores comentadores" teriam lamentado a sua falta de fair play.

São poucos os comentadores isentos. Prefiro um comentador que assumidamente defenda o seu clube, do que os que se escondem atrás de uma falsa isenção. Os primeiros são honestos.

Tenho saudades do Jorge Perestrelo. Não sei por que clube é que torcia, mas lembro-me de ouvir vários relatos feitos por ele, e pensar sempre "Então mas este gajo é do sporting? Pensei que fosse do Benfica, mas da maneira como está a gritar o golo do sporting significa que só pode ser sportinguista.", mais tarde, noutro relato, o mesmo entusiasmo a gritar pelo golo de outra equipa qualquer.

Tenho esperanças de que tenha sido Benfiquista :)

A minha mãe...

... anda a descobrir Blogs. Depois de se ter iniciado nas lides da escrita de Blogs (que de outras escritas tem ela prática a mais), agora anda a seguir as minhas recomendações.

Há bocado dizia-me no messenger:

"o bitaites já funciona, e o mexia também, mas agora estou no viegas que já me levou para o mar salgado...são como as cerejas. Estou a gostar. Tchau"

Despachou-me olimpicamente.

Anda uma filha a criar uma mãe para isto.


Nota: Ia fazer links para aquela gajada toda, mas depois pensei melhor, e não fiz :)

Smart - Balanço semestral

 Fez no início deste mês 6 meses que fui buscar o meu Smart.

Não andei muito. 5 mil e poucos Km.
Mas a ideia inicial mantém-se.

Arruma-se em qualquer lado.
Anda bastante bem.
Os outros carros acham que não anda bem. Metem-se à frente independentemente da velocidade a que o Smart vá. Nas rotundas é limpinho, se vou com o Audi, posso vir a 500 metros que ninguém se mete à frente, se vou com o Smart, posso estar mesmo em cima da entrada, que eles entram na rotunda de qualquer maneira. Deve ser confiança nos travões do Smart (e têm razão), e fé no baixo volume da buzina (e têm razão, que a buzina mal se ouve).

Continua a gastar demasiado.

Continuo a achar que devia ter optado pelo extra da direcção assistida.

Acho um abuso que um Smart, que ocupa metade do espaço de um carro normal, pague exactamente o mesmo valor pelo estacionamento que um carro que ocupa 1 lugar e meio.

E acho piada às empresas que publicitam em Smarts.
Conheço duas.
Nos dois casos, depois de preenchido o formulário, agradecem muito e......népia.
Nem uma resposta. Nem um "muito obrigado, mas o seu percurso diário é demasiado curto, ou fora de áreas interessantes" (que deve ser provavelmente o caso). Nada. Rien. Nicles.

Devem ter pessoas a mais, o que acho óptimo. Só lamento o chá a menos.

PSP de Cascais

Alguém me explicar porque é que o número de telefone da PSP de Cascais não é atendido por ninguém a não ser um voice mail?
E, cúmulo dos cúmulos, o voice mail está cheio, não permitindo deixar qualquer mensagem.

É o 21 486 11 27

Ainda pensei que por volta das 12h00 já fosse hora do almoço, mas caramba, são 15h30 e continua a atender o voice mail.

Eu sei que é Cascais, mas ainda é muito cedo para o chá das 17h00.


UPDATE: Eu sou do tipo persistente. E a Polícia Municipal de Cascais é eficiente. O número de telefone da PSP de Cascais, que não é fácil de descobrir, é o 21 483 91 00

Giroflé e Adriano Correia de Oliveira

Quando a minha irmã nasceu, em 1971, eu tinha 3 anos. Tinha até à altura vivido no bem bom do colinho da avó e do avô, em vez de ir para o colégio. Mas por motivos vários, os meus pais optaram por espetar com as duas num colégio. Toca de escolher um colégio que fosse perto de uma das avós (a outra avó), e que também fosse mais ou menos perto de casa.

A escolha, que foi feita com base na localização geográfica da escola, recaiu sobre o Giroflé, que era (será que ainda é?) na Pascoal de Melo. Descia-se um bocadinho a rua, e estávamos em casa da minha avó.

Lembro-me que odiava e detestava o Giroflé. Habituada a ser A menina, passei a ser apenas mais uma menina, a quem os outros davam pontapés. Rapidamente aprendi a responder na mesma moeda, ou mesmo a elevar a fasquia.

E o que é que isto tem a ver com o Adriano Correia de Oliveira? Calma, já lá vamos.

O Giroflé tinha uma particularidade que os meus pais orgulhosamente descobriram apenas mais tarde. O Giroflé tinha 2 tipos de crianças. As "normais", como eu e a minha irmã, cujos pais pagavam uma mensalidade no final do mês. As outras, eram filhas de presos políticos, ou filhas de pessoas que andavam na clandestinidade, e não podiam pagar a escola.

O 25 de Abril de 1974 viveu-se, naquela escola, de maneira especial. Muitos meninos conheceram os seus pais apenas naquela altura. E andava toda a gente com um sorriso de orelha a orelha, e eu lembro-me da atmosfera.

Mas onde é que entra o Adriano Correia de Oliveira?
Não entra, mas entram os filhos, principalmente a filha. Mais velha que eu, um ou dois anos. Loira. Feminina. Linda. Chamava-se Isabel (e presumo que ainda se chame). Com a aura de ser não só uma criança lindíssima, mas a filha do Adriano Correia de Oliveira. E, naquele meio, esse facto fazia dela uma estrela cintilante. Pelo menos aos meus olhos.

Eu era maria rapaz, e gostava de ser maria rapaz, mas às vezes queria ser como aquela menina. Tinha portanto, às vezes, um bocadinho de inveja.

Tenho fotografias do recreio do Giroflé (já nessa altura eu gostava de gadgets, e sim, tinha uma máquina fotográfica), e lembro-me de apontar a câmara à Isabel, e tirar-lhe uma fotografia, à socapa. Ainda tenho essa foto. Algures.

Nunca me esqueci daquela menina.

Anos mais tarde, soube que o Adriano Correia de Oliveira tinha morrido. E lembrei-me da Isabel. E deixei de ter inveja.

Honras ao pai da Isabel, por ter cantado uma das músicas que fizeram (fazem) parte da minha infância, Menina dos olhos tristes.

E sempre que revisito esta música, lembro-me da Isabel.

Se fosse a Microsoft, era incompetência

Ó meus amigos.

Comecei agora a ver posts atrás de posts acerca da Apple Store estar em baixo.

Há já imenso tempo que isto me dá a volta à cabeça. Temos portanto uma empresa tecnológica que sempre que pretende actualizar o seu site, tem de o tornar indisponível.

Caramba. Mudem lá o vosso CMS para qualquer coisa de jeito, que isso parece ser uma coisa do século passado, ou mais.

E não me venham com tretas de dizerem que é Marketing, porque nesse caso os senhores da Apple seriam obrigados a ter um produto para lançar, just in case, no dia em que tivessem, de facto, problemas com o site.

Não gosto de poesia, mas sobretudo, não gosto do Alexandre O'Neill

Tenho essa lacuna na minha alma. Não sou uma apreciadora fácil de poesia. Gosto de algumas coisas, mas não é um autor em específico. São umas coisas daqui, outras coisas dali, e não tem a ver com estilos. É-me difícil incorporar a poesia. E depois, precisamente porque o meu sentido artístico no que diz respeito à poesia não é nada apurado, não consigo distinguir a boa da má. É um problema.

Há uma forma de eu gostar de poesia, mas tem de ser com boleia, boleia da música. Se for um poema com música, já gosto, e já consigo distinguir os bons dos maus poetas. Pelo menos no que diz respeito ao meu gosto pessoal. Basicamente, sei o que me toca e o que não me toca.

Depois há um problema. Temos os consensuais. Aqueles poetas que toda a gente louva e toda a gente admira, e quando eu digo toda a gente, refiro-me obviamente a quem tem gosto apurado para esse tipo de coisas. Por exemplo, toda a gente diz, e eu acredito, que o Alexandre O'Neill foi uma dos nossos maiores poetas. E eu volto a acreditar. O problema é que o meu caso com o Alexandre O'Neill é pessoal.

Eu devia ter, vamos, 10 anos. 10 anos é uma idade muito precoce para se reconhecer um poeta. Mas eu reconheci-o. Estava a almoçar com o meu pai na Tasca do João, ali para os lados do Lumiar. Coisa rara, poder almoçar com o meu pai, e ainda por cima fora. Não me lembro se era algum acontecimento especial, mas devia ser, naquele tempo, almoçar fora era significado de um acontecimento muito especial. Não me lembro.

Sei que estava sentada à espera que chegasse a minha comida, e vejo o Sr. Alexandre O'Neill a entrar, acompanhado por uma senhora. Senta-se 2 mesas ao lado da minha. Eu tremia de excitação. Falei com o meu pai e confirmei - Ó pai, é o Alexandre O'Neill, o poeta, não é? O meu pai confirma, com um ar surpreendido do tipo "mas como é que uma miúda reconhece um poeta?".


Eu era uma miúda tímida. Tímida de não falar com estranhos, nem mesmo se eles me dirigissem a palavra. Tímida de me esconder atrás das saias da minha mãe, ou do meu pai (neste caso, das calças), porque tinha vergonha. De tudo, e mais alguma coisa.
Mas achei que um poeta era uma pessoa importante. Achei que ter um autógrafo de um senhor poeta, que eu tinha reconhecido, era um tesouro pelo qual eu estava disposta a ultrapassar a minha timidez.

Perguntei ao meu pai se podia, e ele torceu o nariz - "não vás incomodar o senhor, que ele está a conversar". Eu insisti, e lá veio a autorização. Pedi-lhe uma caneta, peguei num guardanapo (da mesa ao lado, porque queria que o meu futuro tesouro começasse bem, limpo), fiz das tripas coração e lá fui.

10 anos. No tempo em que os 10 anos eram mesmo 10 anos. Vermelha que nem um tomate. Aproximei-me da mesa onde estavam sentados e fui bem educada. No que presumo que fosse uma voz de menina disse "boa tarde", e sorri. Nada de volta. Nem um sorriso, nem um levantar de sobrancelhas, nenhum sinal de que me tivesse ouvido, não fosse estar a olhar para mim. Mais coragem, preciso de mais coragem. Eu reconheci-o, e sei que o senhor é um grande poeta, e gostava de lhe pedir que me desse o seu autógrafo. Pronto. Já está.
Estava certa de que o mais difícil já tinha passado. Que a coisa estava no papo.


E foi nessa altura que caiu o balde de água fria, fria e seca. Não dou autógrafos.
Assim. Sem mais nada. Voltou a cabeça para a frente e continuou a conversa que eu certamente tinha interrompido. Sem parecer sequer dar pela minha existência.

As lágrimas subiram-me aos olhos mas não chorei, (já era orgulhosa na altura). Olhei para o meu pai, à procura de resguardo, à procura de ser salva (na altura em que olhar para o meu pai ainda tinha esse significado). E recebi o resguardo. Um sorriso e um aceno, para me voltar a juntar a ele, na nossa mesa. Enquanto me aproximava, sem chorar, mas cheia de raiva, o meu pai ia dizendo para mim (e tendo em conta o volume da voz, era para o Sr. O'Neill também) - Sabes filha, às vezes as pessoas acham que são muito importantes, e é nessa altura que se vê que afinal, não valem nada. Pagámos e viemos embora.

E eu fui rejeitada pela primeira vez na minha vida, logo por um poeta.

Pode ser que o senhor estivesse em dia não, que os poetas também têm direito. Pode ser que o senhor tivesse acabado de ver rejeitado o seu pedido para sair do país, para ir atrás do amor, mas não, isso foi muitos anos antes. Será que foi isso que o amargou? Pode ser que o senhor tivesse acabado de receber uma notícia terrível.

Mas eu não sabia, e tinha 10 anos, e não tinha a culpa.

E por causa disso, nunca mais gostei de poesia, e nunca mais gostei do Sr. O'Neill

Para que lado roda a menina?

Se vêem a menina a rodar no sentido dos ponteiros do relógio estão a usar uma parte do cérebro, se vêem a menina a rodar no sentido oposto ao dos ponteiros do relógio, estão a usar a outra parte do cérebro.





Não se assustem aqueles que umas vezes vêem a menina a rodar para um lado e outras vezes vêem a menina a rodar para o outro. Somos poucos, mas significa que somos ambidextros de cérebro :)

Tudo ligeiramente mais explicado, aqui.

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