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Jonasnuts

Thank you, but no thank you

Acompanho as várias Blogosferas à distância. Há Blogs que acompanho por motivos meramente profissionais, há outros que acompanho por mais motivos, para além dos profissionais. Hesito sempre muito em fazer links para Blogs que acompanho. Principalmente se são Blogs famosos porque parece que estou a dizer "olhem para mim, olhem para mim" Detesto que olhem para mim. Nessas coisas sou muito parecida com a minha mãe (desculpa lá o link, mãe).

Mas hoje li n'A Blasfémia algo que não podia deixar de referir.

Trata-se de um desabafo, que chegou por mail, de uma senhora que está descontente com as conquistas que o seu género tem alcançado nas últimas décadas.

A senhora refere, assim resumidamente, que gostava de ser a minha avó. Dedicar-se aos bordados e às lides caseiras, ter um homem que tomasse conta dela, que lhe pagasse os chás e as frivolidades, e a quem ela pagaria.....em géneros, pois então.

Três questões.

Em primeiro lugar, labora num erro. A vida de uma doméstica, já que é disso que se trata, não é uma vida de pouco trabalho. A não ser que seja uma doméstica dondoca, que tenha empregadas para fazer tudo e mais alguma coisa. Nesse caso já não erra.

Em segundo lugar, reconheço-lhe o direito de querer ser quem muito bem entender. É uma escolha para a qual é livre. Dependa de quem quiser, pague como puder. Não tenho nada contra, nem faço juízos de valor. Cada um tem de encontrar o seu próprio caminho, e se o caminho desta senhora passa pelos bordados e pelos chás, assiste-lhe esse direito.

Em terceiro lugar, obrigada, mas não obrigada. A minha avó, que adoro, e respeito e da qual tenho muito orgulho (aliás, tenho muito orgulho em ambas as minhas avós), toda a vida trabalhou em casa porque não teve outra escolha. Era assim que era suposto ser. Não escolheu. Foi-lhe imposto. Pela família, pela sociedade, no fundo, por ela própria.

Gosto muito da minha vidinha, e gosto muito de usufruir das conquistas que outras, antes de mim, alcançaram.

Não quero dominar o meu marido. Não sou casada, desafio algumas convenções. Muito menos quero dominá-lo. Nem quero um "marido" que dependa de mim para "parecer bem" à frente dos amigos. Aliás, não quero um marido que queira parecer bem à frente dos amigos. Não quero saber dos outros.

Eu não quero deixar-me guiar pela vida, quero ser eu a ter o leme nas mãos, partilhá-lo, mas nunca largá-lo.

Não quero ser frágil.

Por outro lado, não me sinto obrigada a ser magra (e não sou), nem me sinto obrigada a reunir determinadas características físicas. Não morro de fome, não ponho hidratantes nem anti-rugas (e tenho-as), não ponho pinturas na cara e, definitivamente, não tenho o cabelo impecável.

Não preciso.

Gosto de poder escolher, que era algo que a minha avó não podia. Hoje, uma mulher pode escolher, e se escolher ficar em casa e depender de quem a sustente, muito bem, mas pode também escolher outra alternativa, e decidir pela sua própria cabeça.

Prefiro a minha opção, mas defenderei sempre a liberdade de escolha.

Parece que a senhora que enviou o mail não compreendeu ainda o alcance do legado que lhe foi deixado por tantas outras mulheres. Escolha. Não esconda a sua falta de coragem para escolher debaixo do manto das conquistas femininas. A maior conquista é mesmo essa, poder escolher.

Ubuntu e outros bichos

Antes que se ponham com tretas de fundamentalismos de sistemas operativos aviso desde já que eu sou do tipo ecuménico.

Uso, neste momento, o Mac OS, o XP e o Ubuntu, em máquinas diferentes. Usei o Vista durante uns tempos, mas aquilo atascava-me a máquina, fiz o "downgrade" para XP.

Ora, quando eu digo "fiz" quero na realidade dizer que alguém fez.

Isto porque, para espanto de muitos dos que sabem o que eu faço na vida, eu não pesco muito de informática. Não sei o que é se passa por trás do teclado (sim, já sei, por trás do teclado não se passa realmente nada, mas é uma metáfora), não sei escrever uma linha de html, e, mais grave, não quero saber.

Uso a tecnologia para ela me facilitar a vida (e facilita), não para ter de memorizar ou aprender coisas de que não preciso, de que não quero precisar.

Portanto, ele, é o pioneiro cá de casa (e não só, mas fiquemos por aqui), é ele que compra o último modelo disto, o último gadget daquilo, eu "limito-me" a ficar com o excesso, o que tem dado imenso jeito. Fico com os gadgets e fico com a experiência de utilização. Não, isto ainda está muito beta, sim, isto já dá para usar.

Mas isto tudo para dizer que do ponto de vista do utilizador comum (que sou eu), o tal do Ubuntu ainda tem de caminhar um bocado, e já agora o tão histericamente aguardado Leopard a mesma coisa. Tudo o que oiço à minha volta é que dão uma trabalheira a instalar, e que tiveram de fazer assim, e assado, e safe mode, e compatibilizações de placas gráficas, e reposição de ficheiros e outros números que não compreendo, e que me passam ao lado.

Ah e tal, mas depois de instalados funcionam muito bem, não precisam de reboots, e são lindos.

Se fosse eu a tratar dessas coisas, aqui em casa, ainda estávamos com o Windows 3.11.

Eu quero carregar num botão e que aquillo funcione tudo, sem complicações.

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