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Por motivos que não interessam nada a ninguém, ando ultimamente debruçada em livros de escola, artisticamente chamados de manuais escolares, mais precisamente do 9º ano.

 

Reparo que muitos têm lá um carimbo, na primeira página, todo catita, muito parecido com este:

 

 

(Tirado daqui.)

 

Pois que me encanita o carimbo, e não é de agora. Encanita-me ao mesmo nível que o spot com a mesma mensagem que me obrigam a ver, sempre que começo a ler um DVD que acabei de comprar. Acho insultuoso, além de idiota. Se eu comprei aquilo, não estou a copiar. Adiante, que o tema não é esse. Fica aqui esclarecidíssimo que uma grande maioria dos manuais escolares que aqui tenho em casa, lançam o apelo "diga não à cópia".

 

Um dos manuais escolares sobre o qual me debrucei mais, nos últimos dias, foi o Viagens - Geografia - 9º ano - Contrastes de desenvolvimento ambiente e sociedade, que, anuncia a capa, até é um manual multimédia. Uma coisa muito à frente, como se vê. Da Texto Editora.

 

Qual não é o meu espanto quando, ao debruçar-me um pouco mais sobre um dos quadros, e, força do hábito, olhar para a fonte referida, me vem aos olhos a palavra Wikipédia. Olá? Estás tão cansada que já vês num livro impresso referências ao online? Esfrega lá os olhos que isso passa.

 

Mas não passou. Juro que li aquilo duas ou 3 vezes "Adaptado de Wikipédia e de Geografia Universal - Grande Atlas do Século XXI, 2005".

Não conheço o Grande Atlas do Século XXI, mas ser uma coisa com quase 10 anos, não me inspira grande confiança, mas lá está, também não é disso que trata este post.

 

 

Do que trata este post é outra coisa.

 

Eu gosto da Wikipédia. A sério que gosto. Consulto-a. Já contribui, quer editando e acrescentado conteúdos, quer com dinheiro. Mas também não é disso que trata este post.

 

Este post trata de duas coisas. A primeira é o facto de achar no mínimo curioso que um manual que se quer científico, se inspire ou adapte conteúdos de uma fonte que, precisamente por causa de ser comunitária, é altamente falível. A segunda, passa pelo facto da Wikipédia ser à borla..... o manual, nem tanto. Não ponho em causa a Wikipédia, que já ensinou mais ao meu filho (e a mim) do que muitos manuais que tenho aqui por casa, alguns dos quais nem sequer são usados como apoio ao estudo, mas ponho em causa que um manual que eu sou OBRIGADA a comprar, se inspire em recursos que são à borla, e que estão acessíveis a todos.

 

Fui ver mais fontes usadas. A Revista Visão é uma das fontes, o "documentário" Uma verdade inconveniente, outra. Nem aprofundei. Já referi aqui (auto-link) que sensações o dito "documentário" me inspirou. Nem procurei mais, que isto de andar à procura de coisas que me encanitam não deve fazer nada bem à saúde.

 

Acho extraordinário que uma indústria, a livreira, que anda a meter carimbinhos de "não à cópia" se inspire depois na Wikipédia e noutras fontes que, de científico têm muito pouco, e que me cobre, por informação a que posso aceder gratuitamente. A mesma indústria que quer que eu pague, para poder tirar fotocópias aos livros que comprei. Meus senhores.... se andam a fotocopiar a Wikipédia para me venderem, porque raio deverei eu pagar-vos por vos tirar fotocópias?

 

Acho que, a partir de agora, vou procurar melhor nos livros, e optarei por comprar aqueles que em vez do carimbo "não à cópia" tenham um carimbo onde diga "não há cópia".

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