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Se és marinheiro ou marinheira de primeira viagem, e esta é a primeira semana da tua vida em que contactas com o mundo universitário, lembra-te que:

 

1 - Estás a criar histórias para contar em família, no Natal, onde toda a gente, e tu também, se rirá às gargalhadas.

 

2 - Estás, tu e toda a gente, com medo. 

 

3 - Aquela pessoa que também está nas mesmas circunstâncias que tu, mas que parece dominar a coisa, e está cheia de à vontade, e sabe tudo e tem um ar descontraído. Está pior que tu, mas usa a estratégia da fuga para a frente.

 

4 - Se ainda não assististe a uma aula do curso errado, ou do ano errado, ou da turma errada, estás a fazer alguma coisa mal.

 

5 - Se ainda não te perdeste nos corredores, pátios, ruas, caminhos e edifícios, também estás a fazer alguma coisa mal.

 

6 - Se fizeste perguntas e raramente percebeste as respostas que te deram, não estranhes, é mesmo assim.

 

7 - Se estás preocupado porque ainda não conseguiste ir a uma aula certa, não te preocupes, a primeira semana não serve para nada.

 

8 - Se já olhaste mil vezes para o horário e não consegues decifrar as siglas e os acrónimos que a faculdade propositadamente ali escreve porque acha que toda a gente tem de saber que S38 não é sala 38, mas sim semana 38, pensa que não estás só.

 

8 - Se ainda não te enturmaste, não te preocupes, pensa que para quem vai entrar só na 2ª fase, tu serás um experiente aluno que já tem mais 1 semana e meia de aulas, portanto, um veterano. Ajuda-os, quando chegarem.

 

9 - Se ainda não desesperaste, nem choraste, nem pensaste em desistir, nem quiseste fugir, não és normal.

 

Relax. Have fun. Se no futuro tiveres filhos, estás a criar as histórias que vão servir para lhes desfazer os nós, quando chegar a vez deles. 

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Cara Lusófona

por jonasnuts, em 25.05.16

Foi com muito gosto que soube que andam a fazer a ronda das escolas secundárias, dando a conhecer os serviços que prestam, no ensino superior, e explicando os cursos, de forma contextualizada, aos alunos do 12º ano, para cada uma das áreas.

A sério que gostei.

 

Achei um bocadinho estranho o material promocional, por ser num suporte "analógico", mas percebi que todas fizeram mais ou menos a mesma coisa.

 

O vosso "folheto" era, de longe, o mais luxuoso. Quadricromia frente e verso, papel com, no mínimo 180gr./M2, pelo menos 4 dobras, um luxo. Vê-se que têm dinheiro para investir. Excelente.

 

lusofona.jpeg

E, no entanto, o meu filho disse-me à cabeça que não queria ir para a Lusófona, pelo que perderam um freguês. E como eu acredito nas críticas construtivas, até vou explicar porquê, quais as razões que ele deu, e que eu subscrevo.

 

O vosso folheto é capaz de funcionar para os finalistas de ciências ou de economia, ou mesmo de letras. Mas, o meu filho escolheu artes. E não escolheu artes por ser mais fácil, ou por achar que teria menos trabalho (quer dizer, também teve a sua importância, mas não foram os principais motivos). O meu filho escolheu artes porque é essa a vocação dele. Desde sempre.

 

E ele explicou-me porque é que a Lusófona não fazia parte da short list das escolhas dele.

 

Mãe, eu estou em artes, é uma área em que me quero especializar. Uma universidade que me apresenta como cartão de visita um folheto cheio de erros, é sinal de que pode ser boa noutras áreas, mas na área do Design, não presta para nada.

 

E que erros são esses, perguntam vocês?

 

lusofona2a.jpg

Estão a ver a imagem bucólico campestre, a da vaca com um casal em que a menina tem um gato ao colo? Pode ser que funcione para potenciais alunos de veterinária mas, para um aluno de artes, aquele intervalo entre o topo dessa imagem e a foto de cima, a das boazonas, aos olhos de um aluno de artes, é um erro.

 

Ainda na mesma montagem de fotos, e voltando à imagem da vaca, se olharem para o alinhamento dessa foto, com as duas fotos dos nerds que estão à esquerda, reparam que há ali um gap, que colide também com a do Humphrey Bogart wannabee.  

 

E, por último, o texto.

 

lusofona2b.jpg

Estão a ver o ponto no i? Não me refiro ao acento, mas ao ponto. Reparem que está por baixo do "e"da palavra "Teu". A curva do ponto podia acompanhar a curva do "e". E não acompanha.

E pronto, o meu filho diz que não confia numa universidade que parece ser tão fraca nas competências que se propõe a ensinar. Não confia.

 

E eu estou com ele.

 

Espero ter ajudado.

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