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Ontem foi dia de dar

por jonasnuts, em 22.06.12

Já tinha escrito sobre a acção de recolha de potenciais dadores de medula, que decorreu ontem, no SAPO, quer para pessoas do SAPO, quer do resto da PT quer de pessoas de fora.

 

Tendo estado envolvida noutras acções deste género, para ser precisa, mais uma, há cerca de 3 anos, são inevitáveis as comparações e, já agora, algumas dicas para quem esteja a fim de promover ou dinamizar acções semelhantes nos respectivos locais de trabalho.

 

A metodologia

Em primeiro lugar, estas coisas só são possíveis, se a empresa onde trabalharem tiver abertura para este tipo de acções, e consiga disponibilizar os recursos (um gabinete com uma secretária  e algumas cadeiras) e, mais importante, que permita que os seus colaboradores gastem aquele tempo, mais a azáfamas e corrupio que obviamente provoca uma acção deste género.

 

A organização da coisa propriamente dita não é difícil, contacta-se o CEDACE e agenda-se a acção. Eles são impecáveis. O difícil não é isso. O mais complicado é levar as pessoas ao local onde é feita a recolha. Não basta um mail para a lista de distribuição de mail da empresa, nem basta afixar cartazes a dar conta da acção. Eu acredito numa sensibilização mais personalizada. Para este efeito, dá jeito haver uma ou duas pessoas chatas, que se disponham a não fazer mais nada durante o tempo de duração da recolha. Estas pessoas têm de estar informadas, porque as questões são muitas, e é preciso desmistificar alguns preconceitos (já lá vamos). Depois, basta garantir que a equipa que faz a recolha não tem momentos parados. Se há apenas 2 ou 3 pessoas na fila, é preciso ir buscar mais. Dar o formulário para preenchimento, para que seja só chegar, falar com quem estiver a fazer a triagem, para ver se o formulário está correctamente preenchido e para algumas perguntas sobre situações que constam da lista de exclusão, e depois, se passar na triagem, passar ao 2º membro da equipa do CEDACE para fazer a recolha propriamente dita. Não demora mais do que 10 minutos por pessoa, em média.

 

Os preconceitos

Curiosamente, há muitos. Importa por isso esclarecer os potenciais doadores. No SAPO tivemos sorte, porque da recolha de há 3 anos, resultaram 2 doações, portanto, 2 pessoas que já passaram pelo processo de doar (e de salvar uma vida), e que, ao partilharem a experiência, e a facilidade com que todo o processo decorre, ajudaram a sensibilizar os que ainda não eram dadores.

 

As grandes dúvidas prendem-se com o processo de recolha, na eventualidade de virmos a ser chamados.

Para já, mesmo depois de inscritos como potenciais dadores, ninguém é obrigado a dar. Pode mudar de ideias mais tarde.

Depois, importa dizer que a probabilidade de se vir a identificar alguém compatível, é muito reduzida. Para muitas pessoas isto é um alívio, para outras um stress. Eu, por exemplo, gostava, verdadeiramente de poder ajudar alguém quem precisasse. Não me interessa quem, adulto, criança, velho, novo, português, estrangeiro, branco, negro, homem, mulher..... indiferente.

É também importante referir que esta inscrição, com a posterior inserção numa base de dados da nossa ficha genética é apenas um primeiro passo na cena da compatibilidade. Caso sejamos identificados como potenciais dadores de uma pessoa em específico, há mais despistes, para se verificar se a compatibilidade é mesmo mesmo mesmo, ou se é só assim-assim. Em última análise, de acordo com o relatório dos que já doaram, faz-se um check-up completo. À borla :)

 

E agora....... o preconceito-mor. "Ai meu deus, nem pensar porque depois se for mesmo preciso doar, enfiam-nos uma agulha gigante na espinha". Esta é a reacção generalizada, por parte dos que não querem inscrever-se. Eu respeito, obviamente, a opção de cada um, mas ao menos que a opção seja baseada em informação correcta. Há 3 métodos de recolha de medula, e cada caso é um caso:

 

 

Células Progenitoras Periféricas:

Colheita feita no sangue periférico, geralmente a partir de uma veia do braço, através de um processo chamado aférese, em que o dador tem de tomar previamente um medicamento que é um factor de crescimento que vai fazer aumentar a produção e circulação de células progenitoras no sangue periférico.

 

Cordão Umbilical

Há outra fonte de células progenitoras que são as células do cordão umbilical. Neste caso, após consentimento prévio da mãe, quando o bebé nasce são colhidas do cordão umbilical. O cordão umbilical tem uma percentagem muito elevada de células progenitoras mas como a quantidade geralmente é pequena, são utilizadas, sobretudo, na transplantação de crianças.

 

Colheita a partir da Medula Óssea:

Células progenitoras colhidas do interior dos ossos pélvicos. Requer geralmente anestesia geral e uma breve hospitalização.

 

As duas pessoas do SAPO que foram dadores, usaram o processo de recolha periférico, portanto, o primeiro da listinha ali de cima. Basicamente o sangue sai de um lado, passa numa máquina que lá tira o que tem a tirar, e é devolvido à procedência. No fundo, uma espécie de sessão de hemodiálise em que tiram mais qualquer coisa ao sangue. Esta é, obviamente, a explicação não técnica :)

 

A acção foi um sucesso. Apareceram 118 pessoas, com 106 a poderem registar-se, tendo as outras sido excluídas por motivos vários (o mais comum é a hérnia discal). De referir a frustração de quem queria inscrever-se como dador e não conseguiu. É uma merda, querermos ajudar, sentimo-nos bem, mas porque há uma hérnia discal, ou porque fizemos um traumatismo craniano em criança, não podemos.

 

Quanto às comparações com a acção de recolha de há 3 anos, são gritantes, as diferenças. Fez-se notar, e muito, aquilo a que chamei de "o efeito Carlos Martins". Eu explico. Há 3 anos, a grande maioria dos inscritos, eram mulheres. E quando eu digo grande maioria, refiro-me a mais de 90%. Há  anos, a acção decorreu muito pouco tempo depois de ter sido noticiado um caso mais mediático (não por causa dos seus intervenientes, mas por causa do seu poder de mobilização nas redes sociais), o caso da Marta. Mas, depois da Marta, aconteceu um caso ainda mais mediático, o do filho do Carlos Martins. Muito recente, muito divulgado, mesmo em órgãos de comunicação social tradicionais. Isso fez com que esta temática abrangesse um público eminentemente masculino, o do futebol. Não terá sido só isso, evidentemente, mas creio que terá contribuído. Espero que o Carlos Martins saiba que esse foi um efeito colateral positivo do drama que viveu. Nesta acção de ontem, inverteu-se a tendência, e apareceram muitos homens.

Gostei muito de ver o esforço que algumas pessoas fizeram, para superar as suas dificuldades (deve haver uma mística qualquer com as agulhas e a com a recolha de sangue para análises - que é o que aquilo é), e mesmo estando, claramente, à rasca, quiseram passar pelo processo, porque querem ajudar.

 

Correu muito bem, e já está prometida outra, para quando houver mais pré-candidatos.

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Comovida

por jonasnuts, em 31.12.10

Têm sido dias cansativos e de sentimentos contraditórios. Por um lado, uma embrulhada na qual me vi envolvida, que me está a causar stress e preocupações, por outro, a onda gigantesca de solidariedade que recebi aqui, no Twitter, no Facebook, por SMS (sim, no telemóvel do momento, é ainda o que uso), pessoalmente, por mail, etc...

 

Têm sido centenas de contactos, aos quais não estou a conseguir responder mas que me deixam surpreendida e, sobretudo, comovida. Os mais atentos terão reparado que coloquei um botão de donativos ali na barra lateral do Blog. Hesitei bastante antes de fazê-lo, pois sabia que algumas pessoas certamente me acusariam de oportunismo.

 

No entanto, pelo facto de já ter pago à advogada, e porque alguns amigos mo pediram, lá me decidi. No entanto, é para mim muito importante que o processo seja o mais transparente possível. Daí que darei contas de todos os donativos que receber (sem personalizar, evidentemente, os agradecimentos faço-os em privado), de forma a que todos possam acompanhar todos os valores, sem que haja margens para quaisquer dúvidas.

 

Assim, até ao momento em que escrevo, foram doados €514.22 distribuídos por 35 doadores.

 

A eles, a todos os que aqui vieram e participaram (independentemente da opinião que expressaram), a todos os que me contactaram ou se solidarizaram comigo, o meu sincero agradecimento e, sobretudo, votos de um excelente 2011 :)

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Solidariedade sexual

por jonasnuts, em 16.11.10

Pronto, eu confesso que o título do post foi clara e propositadamente para chamar a atenção, que aviso já que não vão encontrar neste post as imagens/textos que esperavam e, cheira-me, daqui a uns tempos ainda há-de ser pela pesquisa dos termos "solidariedade sexual" que vêm uns incautos parar aqui.

 

Sou, desde há poucos momentos, rena oficial dos Anjinhos de Natal e, ao andar para cima e para baixo da página dos Anjinhos no Facebook, vejo mulheres, gajas, mulherio, gajedo. Um ou outro gajo lá diz qualquer coisa, lá faz um like e coiso e tal, mas a chegarem-se à frente, só gajas.

 

Porquê? Os homens são menos solidários que as mulheres? Ou quem decide estas coisas são sempre elas, e eles, a única coisa que fazem, é acartar com os saquinhos enquanto elas andam nas compras?

 

Há mais homens que mulheres, no Facebook. Porquê esta ausência de gajos a chegarem-se à frente na acção dos Anjinhos?

 

Amanhã quero ver se corro o departamento técnico (gajos, gajos e mais gajos) do sítio onde trabalho, a ver se os convenço a pedirem autorização às mulheres/namoradas para participarem.

 

Cheguem-se à frente, senhores.

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Solidariedade social

por jonasnuts, em 11.10.09

Não, não é imposto ou o ministério, é esta nova forma, tão fashion, de solidariedade através das redes socias.

 

Qualquer caramelo com perfil numa rede social está a jogar o joguinho para ajudar os recifes, ou as vaquinhas, ou o efeito estufa, ou tem uns botanecos no perfil, que linkam para as causas que "apoia". E eu ponho-me a pensar. Que raio de apoio é este, em que basta clicar num botão e já está, apoiamos.

 

Apoiamos como? Com um clique num botaneco? E isso materializa-se em quê? Ah, em divulgação, dirão  alguns. Mas divulgação para que mais uns carreguem no mesmo botão?

 

É tão fashion ter umas causas politicamente correctas, que nos podem dizer mais ou menos, mas que estão ali, servem, acima de tudo, para nos desresponsabilizarmos. Para dormirmos mais tranquilos, porque apoiamos uma causa, estamos a fazer o bem.

 

Uma merda. Não estamos a fazer porra nenhuma. Eventualmente estaremos a dormir um bocadinho melhor, ou a preencher as nossas quotas de "boas pessoas", mas isso serve-nos a nós, não serve os outros. Querer dormir melhor não faz de nós boas pessoas, faz de nós pessoas com vontade de dormir mais descansadas.

 

Gostava de saber quantas pessoas é que carregaram no botaneco do Ajudar a Marta e quantas dessas pessoas, quando chegou a altura de ir lá pôr o bracinho para dar uma amostra, deram mesmo o corpo ao manifesto. Muitas passaram de fininho, porque já tinham ajudado, com um clique do rato. Tiro e queda. Já ajudei. Já fiz a minha parte, não preciso de me preocupar mais, e ainda passo por boa pessoa.

 

Andamo-nos a enganar. Clicar em botões a dizer que apoiamos e que somos solidários não serve de porra nenhuma.


Os botões em que carregamos para "apoiar" causas são os nossos blue pill, e não, não me refiro a esses.

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Toca a telefonar

por jonasnuts, em 27.08.09

 

 

Pronto. Agora mesmo os mais comodistas têm uma forma de colaborar com a União Zoófila. É só pegar no telefone e ligar o 760 50 10 15. Sem ser preciso ir comprar a ração e ir entregá-la a um qualquer abrigo que ajuda os animais, é só pegar no telefone e ligar.

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Da próxima vez que for dar sangue....

por jonasnuts, em 20.07.09

Sou dadora de sangue. Tenho daquele tipo de sangue esquisitóide, que é raro e muito apreciado, e desde que soube disto, passei a ser dadora. Dou sempre que posso. Para amigos, familiares, conhecidos, desconhecidos ou só para reforçar os bancos. Faz parte. Também estou inscrita como dadora de medula e, quando eu for desta para melhor, espero que aproveitem o que houver para aproveitar, e despachem o que já não der serventia a ninguém.

 

À conta da recente polémica levantada pelos novos critérios do IPS, ocorreu-me uma sugestão.

 

Todos os dadores, no momento do preenchimento do formulário antes da doação, deveriam escrever que são homens, e homossexuais. Isto resulta melhor se se for, de facto, um homem, mas acho que mesmo assim eles perceberiam a dica.

 

Bora? Toca toda a gente a sair do armário, no momento de dar sangue?

 

Quando lhes começar a faltar sangue, a ver se não mudam logo os critérios.

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Hoje é dia de dizer obrigada

por jonasnuts, em 19.06.09

Ontem quase não trabalhei. Estive quase todo o dia a acompanhar a acção de recolha de registo de potenciais dadores de medula óssea.

 

E quando digo "acompanhar" refiro-me a acampar à porta da sala onde eram recolhidas as amostras de sangue, para ver se o tráfego estava bom ou se era preciso ir "evangelizar" mais pessoas.

 

Correu muito bem, a equipa móvel do Centro de Histocompatibilidade estava satisfeitíssima, a final do dia. A afluência foi tanta que ultrapassaram largamente o horário previsto. Eram quase 5 da tarde e ainda lá estavam. Foram recolhidas 110 amostras, houve bastantes pessoas que quiseram participar e não puderam. O objectivo diário considerado razoável é de 30 pessoas. Quase quadruplicámos esse número ontem.

 

Quero agradecer a todos, em especial aos que "arrastei" até à porta do gabinete e que, apesar do esforço visível que representava para eles, conseguiram ultrapassar as dificuldades e tornaram-se potenciais dadores. Segurei algumas mãos, aliás, em alguns casos quase consegui sentir-me como o futuro pai, que agarra a mão da mãe que está em trabalho de parto.

 

Foi giro ver, ao final do dia, enquanto dava mais umas voltas pelo 5º piso, à procura de mais participantes, assim que me aproximava das secretárias, estendiam-me os braços, mostrando o penso que assinalava a sua participação "eu já lá fui" :)

 

Obrigada a todos aqueles que me telefonaram, por causa de trabalho, e que não pude atender. Vou devolver chamadas hoje.

 

E obrigada ao SAPO e à PT por proporcionarem um ambiente de trabalho que permite, de vez em quando, fazer coisas destas.

 

Isto já parece um discurso de agradecimento de um Óscar. Que seca. Os que se "safaram" não julguem que é definitivo. A coisa correu tão bem que o Centro está a fim de marcar mais uma acção. Lá mais para depois das férias. Encontramo-nos nessa altura :)

 

Para quem tem dúvidas quer sobre a recolha quer sobre uma posterior doação há informações muito completas aqui, mas aviso já que não custa mesmo nada, e que a doação de medula (caso venha a ser necessária) não é o bicho de 7 cabeças que habitualmente se vê nas séries dos médicos. Portanto, fãs de House, E.R., Grey's Anatomy, Scrubs, Clínica Privada e demais americanadas que nos mostram processos altamente invasivos, não tem nada a ver. Embora eu suspeite que se fosse o House ou McDreamy a fazer a recolha, a adesão seria ainda maior.

 

Vou tentar agendá-los para a próxima sessão.

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Hoje é dia de dar

por jonasnuts, em 18.06.09

UPDATE - A carrinha não chegava para as encomendas. A equipa de recolha está instalada no 5º andar do Fórum Picoas. Sala 5.02. Quem for de fora da P e quiser colaborar basta que chegue a uma das portarias (a melhor é a que fica mais próxima do Saldanha) e peça para falar comigo (Mª João Nogueira/Jonas). Eu trato do resto.

 

 

Bem sei que todos os dias são dias de dar, mas hoje é especial, principalmente para quem trabalha na PT, em Picoas.

 

Lembram-se da Marta? Procurava-se desesperadamente um dador compatível. No âmbito desse esforço organizámos juntamente com o Centro de Histocompatibilidade do Sul uma recolha especial. Hoje, entre as 10h00 e as 16h00 vai estar lá em baixo, à porta do Fórum Picoas, uma carrinha de recolha de amostras de sangue, para que, quem queira, se possa inscrever como dador de medula óssea.

 

Bem sei que já foi encontrado, felizmente, um dador compatível com a Marta. O problema é que há mais Martas a precisar de ajuda, e se calhar não têm a mesma capacidade de mobilização. É preciso não abrandar o esforço.

 

Este post é para quem trabalha na PT, mas também para quem queira dar um pulo a Picoas. Não custa nada. Se imprimirem e preencherem esta folhinha informativa, não demora nada, e a coisa resume-se a uma picadela. Bora?

 

Para quem trabalha no SAPO, lamento informar que a minha acção de divulgação não se resumirá a este post, e andarei de secretária em secretária a fazer uma das coisas que melhor se fazer; ser chata.

 

Bora ajudar mais Martas?

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Apelo à Geekosfera

por jonasnuts, em 21.04.09

Caros Geeks,

 

Sei que gostam de zeros e uns (embora ainda não tenham decido bem se o 0 é par ou não), e sei que se sentem mais à vontade no meio de teclados, máquinas, servidores, routers e mais coisas assim esquisitas para o comum dos mortais. Mas também sei que são sensíveis a pedidos de ajuda.

 

Assim sendo, chamo a vossa atenção para isto. Se repararem, há ali dois posts com as várias localizações dos centro de recolha, espalhadinhos pelo país.

 

Não quererão soltar o empreendedor que há em vós e pegar numa api ou num webservice ou em qualquer coisa desse género, seja o SAPO Mapas seja do Google Maps, não me interessa, e fazer uma coisita que facilite a pesquisa do centro mais próximo a um potencial dador?

 

Qualquer coisa do género "insira aqui a sua localização", e nos resultados os 3 centros mais próximos, com indicação da distância?

 

Isso é que era.

 

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A crise

por jonasnuts, em 24.12.07
A crise foi de férias, durante o Natal.

Moro ao lado de um centro comercial, o que durante quase todo o ano, é uma vantagem. Ter as coisas perto, e uma disponibilidade de horários grande.

Mas em finais de Novembro, até ao dia 24 de Dezembro, essa vantagem torna-se numa enorme desvantagem. O Oeiras Parque fica completamente atulhado. E quando eu digo atulhado, refiro-me a que anda-se de t-shirt lá dentro, tal é o calor humano que tanta gente junta emite. Dizia-me noutro dia um membro da equipa do centro comercial que no Natal o ar condicionado refresca, como no Verão, em vez de aquecer.

As filas são mais que muitas, e apesar de haver uma catrefada de lugares de estacionamento, vêem-se carros até à entrada da auto-estrada.

Este ano foi o pior de todos, até agora. Hoje às 10 da manhã já havia bicha (eu cá não sou de eufemismos e para quem me lê do Brasil, bicha é como nós por cá chamamos às bichas e às filas), havia bicha, dizia eu, em TODAS as caixas para pagar. E não se julgue que eram comprinhas de última hora. Carros atafulhados, cheios. Vídeos, consolas, televisões, grandes volumes.
Pessoas stressadíssimas, cheias de pressa, a tentar passar as outras, a empurrarem-se. Eu própria, que estava tão quietinha no meu canto, quase me vi envolvida numa cena de pancadaria por causa duma palerma que insistia em pôr as coisas dela em cima da minha alface. Quer ver quem é que empurra mais? Perguntei do alto do meu metro e setenta e um, para baixo, para pouco mais de metro e meio, depois da senhora me ter empurrado pela terceira vez a alface. Mediu-me, olhou para a minha cara, e ajuizadamente decidiu que era melhor não experimentar.

No meu quarto já estão os sacos que o Pai Natal vai trazer para os meus sobrinhos. 2 sacos, grandes. Quase cheios, e ainda não está tudo.

À volta da árvore acumulam-se os volumes. Faltam as minhas, as da minha mãe, as do resto das pessoas que cá vêm. Já não há espaço.

E isto numa casa de tesos, pronto, desenrascados, vá, que há quem nem para estas coisitas tenha trocado.

Portanto, devia ser sempre Natal, porque no Natal não há crise.

Acordo para realidade com um post do Corta-Fitas.
Parece que sim, que há crise. Anda é mais escondida. Ou se calhar, somos nós que não a queremos ver, e fechamos os olhos, e deixamos a crise dos outros passar, para os voltarmos a abrir.

Eu não vou fechar os olhos.

E sim, o Corta-Fitas está alojado na concorrência, mas que se lixe, é um Blog de que eu gosto muito, e é por uma belíssima causa.

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