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Jonasnuts

Nova forma de caça ao voto feminino

Não é em Portugal (mas seria divertido se fosse), mas na Holanda, em que um político cometeu o erro de twittar em público aquilo que deveria ter sido uma DM (mensagem que apenas é vista pelo destinatário, se a coisa correr bem, que não foi o caso).

 

 

 

Para os que, como eu, não dominam o holandês, aqui vai o mimo que o deputado enviou aos seus seguidores, embora se destinasse originalmente a uma (sortuda) destinatária.

 

“As you throbbingly climax for the first time I feel your juices in my mouthas if they were the nectar of love”

 

E para os que não dominam o inglês, aqui fica a tradução para português:

 

"Enquanto te vens, vibrantemente, pela primeira vez, sinto os teus sumos na minha boca como se estes fossem o néctar do amor".

 

Estão a ver algum político português a escrever isto? :)

 

O senhor tem sentido de humor, e, após a gafe twittou o seguinte:

 

"Well, at least I’ve gained 20 new followers.  a lot of people apparentl have needs they don’t dare to share”

 

A minha dúvida é, 20 novos followers? Só 20?

 

Daqui.

 

Ada Lovelace Day

Se querem saber quem foi a Ada Lovelace podem ir à respectiva página da Wikipédia, aqui.

 

Mas este post tem pouco a ver com a Ada, tem mais a ver com um movimento de que me apercebi já não sei onde. Twitter, Facebook, leitor de feeds de RSS, link que segui algures, mail que me chegou, sms. No idea. Também não interessa.

 

Parece que alguém sentiu a necessidade de exaltar as qualidades das mulheres em geral, no âmbito das tecnologias. Aparentemente as mulheres que se movimentam nesta área são pouco reconhecidas, pouco referidas, são desvalorizadas, a suas inovações e as suas caras pouco conhecidas. E continua por aí fora, com uma ode às heroínas por cantar. Então pede-se aos Blogs que falem dessas incompreendidas e desvalorizadas profissionais da área da tecnologia.

 

 

Ora isto irrita-me um bocadinho. O mesmo tipo de irritação que me provocam as quotas mínimas obrigatórias.

 

Se há imbecis que discriminam com base no género, é uma resposta igualmente (ou mais) imbecil responder com discriminação positiva.

 

Eu não quero ser contratada porque a empresa x tem de cumprir uma quota mínima de profissionais que têm vaginas em vez de pénis. Eu quero ser contratada (ou valorizada ou elogiada ou repreendida ou despedida) com base nas minhas competências (ou falta delas), e não com base em algo que não escolhi, e que não me define em regime de exclusividade.

 

 

 

Irrita-me o proteccionismo, cheira-me sempre a paternalismo bacoco, mesmo que inadvertido.

 

Eu trabalho há muitos anos numa área ligada à tecnologia. Há mais de 10 anos. Não cheguei a esta área nem por cunhas nem por quotas. Gosto de pensar que me mantenho por aqui, não só porque gosto, mas também porque as minhas competências são apreciadas. Gosto de ver o meu trabalho reconhecido (quando é caso disso), mas há um grupo muito reduzido de pessoas cujo reconhecimento valorizo (não chegam para preencher os dedos de uma mão).

 

Há duas pessoas no mundo que me podem avaliar e/ou reconhecer com base no sexo. O meu namorado e o meu filho (este último com exclusiva incidência ao período em que eu o amamentava).

 

Se há mulheres que se sentem discriminadas na área das tecnologias, que arranjem um par de tomates e façam frente a quem as discrimina, cara-a-cara, dia-a-dia. Não me venham cá pedir postezinhos piedosos de exaltação de qualidades que, em pessoas doutro sexo, seriam triviais.

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