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É impossível não gostar de Saramago

por jonasnuts, em 12.08.09

Bom, eu sei que não é impossível, aliás, há bem pouco tempo apercebi-me mesmo de que, para muitos, é extraordinariamente fácil não gostar de Saramago, mas eu gosto, pronto, e este Blog é meu e portanto, aqui, é impossível não gostar de Saramago.

 

E isto a propósito do post que fez no seu Caderno, sobre a brincadeira do 31.

 

As duas primeiras frases matam-me de rir (ia dizer "o primeiro parágrafo, mas depois lembrei-me que ia referir Saramago e optei pelo "as duas primeiras frases".

 

Que me perdoem os meus amigos monárquicos, mas isto, meus senhores, é humor de pontaria:

 

"O rei assim é o sr. D. Duarte de Bragança, pessoa medianamente instruída graças aos preceptores que lhe puseram logo à nascença, mas que, não obstante, detesta a literatura em geral e o que escrevo em particular, primeiramente porque considera que no Memorial do Convento lhe insultei a família e em segundo lugar porque a dita obra é, de acordo com o seu requintado linguajar de pretendente ao trono, uma “grande merda”. Não leu o livro, mas é evidente que o cheirou."

 

O resto aqui.

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Os vampiros

por jonasnuts, em 27.06.09

Tive o prazer de estar envolvida na organização do lançamento do novo livro de José Saramago, O Caderno. O SAPO Vídeos transmitiu em directo toda a sessão, houve um passatempo com perguntas dos utilizadores, algumas das quais respondidas pelo autor, durante a sessão.

 

Era suposto ser um evento relativamente breve, 1 hora. Disse-me quem o conhece mais de perto que nenhum evento com José Saramago é breve, e que se iria prolongar. Óptimo, pensei.

 

E a verdade é que se prolongou. Começou às 18h30, e às 21h30 ainda lá estava tudo. No final, as despedidas e o encerramento da coisa. Juntam-se pessoas, numa bicha (desculpem lá, mas para mim continuam a ser bichas), ordeiramente alinhada à frente do autor, a costumeira sessão de autógrafos.

 

Eu percebo a coisa dos autógrafos. Ou melhor, percebia, quando tinha 10 anos, até o Alexandre O'Neill me ter abruptamente retirado o gosto. Mas hoje, não percebo, confesso.

 

Uma coisa é conhecermos os autores, e, porque somos amigos, queremos uma dedicatória, ou querem eles oferecer-nos um livro com dedicatória. É diferente. Existe uma relação. Aquela dedicatória é para mim, pessoa que o autor conhece. Tenho vários livros com dedicatórias. Consigo perceber até o autógrafo por intermédia pessoa. Alguém que pede uma dedicatória para dar um livro a um amigo.....pronto.

 

Agora, o que eu não percebo, é que as pessoas se ponham em bicha atrás de um autor que esteve ali à conversa durante um bom par de horas e que, portanto, deve estar cansado, e comecem a sacar dos saquinhos de plástico onde trazem uma catrefada de livros.

 

Não julguem que estou a exagerar. Vi muita gente com mais de meia dúzia de livros na mão. Do autor, nem um ai, assinou diligentemente todos os livros que lhe deram para assinar. Brincou até com um destes abutres, "Oh homem, isso é a biblioteca inteira", mas sorriu, e assinou.

 

E eu não percebo como é que alguém  que diz gostar de um autor o obriga a estar ali a assinar livro atrás de livro atrás de livro quando, presumo, preferiria estar a fazer outra coisa. Acredito quando me dizem que os autores gostam de se relacionar com os seus leitores, mas uma coisa é relacionarem-se, outra coisa é serem sugados até ao tutano por pessoas que se importam pouco com a pessoa, e que querem é dizer aos amigos "eu já estive com o Saramago", e precisam duma prova, não vão os amigos julgar que estavam a mentir.

 

A sério......salvo raras excepções, e por uns momentos, quando olhei para aquela bicha de pessoas, vi um grupo de vampiros. Eles comem tudo...

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