Tenho dificuldades em dar explicações ao meu filho.
Não só porque já me esqueci de 90% do que aprendi quando tinha a idade dele, mas, principalmente porque me falta a moral para fazer a apologia da utilidade de algo que eu sei que não terá utilidade nenhuma.
Falta-me sobretudo a moral para lhe enfiar na cabeça matérias que eu própria detestava.
Geografia é um dos casos. Mas recordei as cordilheiras ibéricas, e as áreas climáticas, os vales, as montanhas, os planaltos, as planícies, os celtas, os iberos, os celtiberos e os lusitanos, mais os fenícios, os gregos e os cartagineses. E os nómadas e os sedentários e agro-pastoris (não por esta ordem).
Eu sei, vale o que vale, o ranking das escolas. E está completamente enviesado pelo binómio localização geográfica/poder de compra dos pais dos alunos, e está inflacionado pelo laxismo e facilitismo dos exames e os rankings são uma merda.
Mas, para mim, que ando à procura de uma escola onde o meu filho possa frequentar o 7º ano (daqui a um ano e tal, que eu gosto de pensar nestas coisas com antecedência), os rankings são das poucas ferramentas disponíveis para ajudar a uma decisão.
É isso, o passa-palavra e uma tentativa de visita à escola (quando tentei visitar escolas oficiais do 1º ciclo, aqui ao pé de mim, foi uma desgraça, numa até me diziam que era preciso eu pedir uma autorização especial do ministério da educação).
Que mais ferramentas têm os pais para escolher uma escola?
Candidatam-se à escola da zona de residência e rezam para que seja boa?
E quem não sabe rezar?
E já agora, onde é que se encontra o ranking deste ano que está a ser anunciado e comentado na comunicação social? É que no Ministério da Educação, nem vê-lo.
Fruto de trabalhar onde trabalho, consegui pôr as mãos num Magalhães. Parece que hoje no Rádio Clube a questão pode surgir, e eu gosto de saber do que falo. Pelo menos minimamente.
Até agora já li muito sobre o Magalhães, na Blogosfera, mas a realidade é que quem está na Blogosfera, não precisa de um Magalhães.
O Magalhães é para crianças, principal e especialmente para as crianças que não tiveram ainda uma experiência consistente de utilização de computadores. Crianças do 1º ciclo (6,7,8 e 9 anos), agora alargado às do 2º ciclo (10 e 11 anos).
Esta manhã, quando levei o meu filho à escola cheguei demasiado cedo (manias de quem detesta chegar atrasada e ainda não consegue prever o trânsito da marginal). Sentados no carro à espera ele pergunta-me: posso usar o Magalhães? Podes. O meu filho não é o target do Magalhães. Desde sempre que está rodeado por computadores e tem um computador dele, só dele, no quarto dele há, pelo menos, 3 anos. Mas queria brincar. Não precisei de lhe explicar muita coisa. Queixou-se de que era lento.
Decidi levar a experiência mais além, e quando entrei na escola, 15 minutos antes de começarem as aulas, levei o Magalhães comigo, e o puto sentou-se no bar, de Magalhães à frente.
Os putos pareciam espermatozóides à volta de um óvulo (ia dizer moscas à volta de uma bosta, mas prefiro uma imagem menos escatológica). Curiosos. Os pais, a mesma coisa. Muitas perguntas (dos pais, para mim, dos putos, para o puto).
Adorariam ter um, mas o do e-escolas é melhor. Estavam informados. Um deles até já se tinha candidatado ao computador do e-escolas.
Para aqueles, daquela escola, que já usam os computadores dos pais e já têm, por isso, experiência, o Magalhães não faz muito sentido, faz mais sentido o do e-escolas, mas para a miudagem que não tem acesso fácil a computadores, este Magalhães não é só um acessório, é uma necessidade.
Alguma vez eu havia de ver o dinheiro dos meus impostos aplicado a meu gosto.
Este post resulta do Naruto e dos Sigur Rós, e do debate que se gerou nos comentários.
O que é que se deixa os putos verem na televisão? Confesso que sou conservadora neste tema. Não gosto de jantar com a banda sonora dos assaltos, e das misérias, e das guerras e das fomes e da pedofilia. Sobretudo não quero que essa seja a banda sonora do jantar do meu filho.
Consigo evitar que ele, mais tarde ou mais cedo, saiba das coisas? Não. Mais tarde ou mais cedo ele vai saber. Mas porque é que tem de ser mais cedo? Não estou a tentar tapar o sol com a peneira, acho é que, para alguns temas (principalmente da forma como nos são mostrados pelas nossas televisões), mais tarde é melhor.
Sei que nem toda a gente pensa assim, mas quando há uns meses atrás, no auge do caso da Maddie, escuto na escola do meu filho uma conversa (que não era para os meus ouvidos), entre duas coleguinhas de sala do meu filho, e dizia uma delas para a outra "ah, esta noite tive um pesadelo terrível que depois até acabou bem. Sonhei com esta história horrível da Maddie, mas depois eu abria a porta de minha casa e encontrava-a".
Que raio (pensei eu, mas por outras palavras). O que é tu sabes da Maddie? pergunto-lhe. Sei o que vejo nos telejornais à hora de jantar. Quais telejornais? Os da TVI. Pronto, está explicado (embora no caso da Maddie todas se tenham portado pessimamente).
Acho que o meu filho não sabe quem é a Maddie. Espero que não saiba. Pelo menos para já.
Jantar de finalistas do 4º ano (é assim que lhe chamam).
Ele quis vir. Numa pizzaria de bairro (bairro fino).
Estão 10 miúdos de 9/10 anos sentados à mesa. Sozinhos. Querem liberdade e autonomia (e o dinheirinho no bolso).
Na esplanada do café ao lado, uma catrefada de pais (eu incluída).
Liberdade, sim, mas de trela curta. Donde estou, vejo-lhe a cabeça. Só não consigo é perceber se está a comer com a boca aberta ou com a boca fechada, senão lá saía o grito do costume "fecha a boca pá".
É a sorte dele, eu não ver, porque aposto que está a comer de boca aberta. E se eu gritasse, ele ia ficar envergonhado.
- Sim senhor, filho, a agricultura é uma das actividades do sector primário. - Dá-me lá exemplos de cereais que se cultivem em Portugal. - Trigo - Muito bem, o trigo é de facto um cereal que se cultiva em Portugal. E mais? - .... - .... - ..... - Já sei. Estrelitas.
Este estaminé não é a minha prioridade, obviamente. Por isso, sempre que me acontece uma semana mais complicada, aqui há menos actividade. Lógico.
Foi uma semaninha complicada. Não foi difícil, não foi má, muito pelo contrário, profissionalmente foi uma excelente semana, com frutos que darão à costa brevemente.
Mas ficaram algumas coisas por dizer. Nomeadamente acerca da Porto Editora.
Num post recente pedi ajuda, por causa de um parágrafo no livro de história de Portugal do meu filho, que anda no quarto ano. Achei (e continuo a achar) que o texto utilizado para descrever e caracterizar o Islamismo pecava por omissão. Contactei a Porto Editora através do formulário disponível no site para o efeito, e depois de uma tentativa falhada (provavelmente por motivos técnicos), a minha questão chegou a bom Porto (editora), e foi respondida.
A resposta não foi automática, pelo contrário, percebe-se que alguém olhou para a pergunta e se preocupou em procurar a resposta certa, encontrar as referências e as obras consultadas para elaborar aquela parte do livro, transcrevê-las e indicar as sumidades que escreveram os originais.
Não concordei completamente com a resposta, e creio que fui, pelo menos inicialmente, mal compreendida (ou expliquei-me mal). Não me movia (nem move) qualquer preferência religiosa. Não sou de nenhuma religião, respeito-as a todas, igualmente. Movia-me (e move-me) a preocupação pela educação e instrução do meu filho. Não pretendo que a pílula seja dourada, nem em relação ao Islamismo nem em relação a nenhuma outra religião, mas penso que omitir informação é tão grave como dourar a pílula. O respeito pelo facto histórico e pela verdade histórica não permite nem dourar a pílula, nem omitir aspectos relevantes. Mencionar apenas um dos pilares da Islamismo é, quanto a mim, grave, na medida em que contextualizar crianças de 9 anos é muito complicado, sobretudo porque me parece que a contextualização é deixada para quem acompanha a criança, e não é dada no próprio livro. Mesmo que tenha sido esse o pilar que motivou e impulsionou a expansão Islâmica.
Resumindo, fiquei esclarecida, apreciei a rapidez e a competência com que a questão foi tratada pela Porto Editora, mas não fiquei completamente convencida.
Chamarei a mim a tarefa de contextualizar o meu filho, e explicar-lhe que não cabia tudo no livro, e que há muitos anos atrás as coisas eram muito diferentes, às vezes.
Nunca gostei de estudar. Pelo menos quando a matéria não me dizia nada. Portanto, ou os professores me conseguiam cativar para a matéria, ou estava tudo estragado. Há disciplinas a que sempre fui boa (português, filosofia, inglês, psicologia) e disciplinas em que era muito boa ou muito má, dependendo do professor. Tendo andado muitos anos na mesma escola fez com que conhecesse bem os professores. No secundário, bastava-me saber a lista dos professores, para saber quais seriam as minhas notas, no final do ano. Nunca me enganei.
Rapidamente me apercebi que a minha melhor ferramenta era a minha prodigiosa memória. Se conseguisse manter-me atenta às aulas, não tinha de estudar em casa. Apercebi-me disto muito cedo, portanto, a partir do 2º ano do ciclo (o actual 6º ano) passei a sentar-me sempre à frente, na primeira fila.
Agora, olho para o meu filho, e vejo-me, na mesma idade. Detesta estudar. E eu tenho de o ensinar a estudar, tentando não lhe explicar que a maior parte das coisas que ele está a aprender, NUNCA lhe servirá na vida para porra nenhuma.
Pergunto-me, quando é que ele descobrirá o truque? Até quando é que eu vou ter de gramar, pela segunda vez, as alegrias da conquista da primeira dinastia, os decigramas e afins, o ciclo da água.....
É que eu já não achei piada da primeira vez, agora, que conheço a inutilidade da maior parte destas coisas, acho ainda menos piada.
Desde que tenho o Smart e o puto anda ao meu lado, conversamos mais nas viagens casa-escola, casa da avó-casa.
Hoje ao fim do dia, começa o discurso com aquela frase demolidora...
Ó mãe, no teu tempo já havia futebol? (Grande sacana, penso eu, enquanto respondo) Sim, claro, há futebol há muitos anos. E já havia Benfica e os outros? Sim filho. Mas a televisão era a preto e branco, não era mãe? Era filho. Então como é que distinguiam uns dos outros, quando viam os jogos na televisão?
Cheira-me que lhe vou sintonizar RTP Memória na televisão do quarto dele, e obrigá-lo a ver muitas horas daquilo. Castigo, por causa do "ó mãe, no teu tempo...."
Quem passa por aqui lembra-se do post em que referi as minhas dúvidas e incertezas em relação à forma como o Islamismo vinha referido no livro de História de Portugal do meu filho de 9 anos.
2 dias depois, e com as dúvidas por esclarecer, enviei o pedido de esclarecimento à Porto Editora, usando o formulário disponível no site para o efeito.
Até agora nada. Devem estar à espera que eu me esqueça. O assunto é incómodo. Não me conhecem.
Conheci-o quando ele tinha pouco mais de um ano, ao Tomás. Entrou no infantário, para a sala do meu filho. Sala dos meninos com 1 ano. Nessa mesma sala era suposto que existissem 2 subgrupos. Os que já andavam, e os que ainda não chegavam lá, erectos. Mas, apesar dos esforços das educadoras, os grupos eram 3. Os que já andavam, os que ainda não andavam e o Gui e o Tomás.
Cedo se tornaram inseparáveis, e foram andando juntos, criando cada vez mais laços e afinidades, pela sala dos 2 anos, dos 3 anos, dos 4 anos, dos 5 anos. Só estavam juntos na escola. Eu e os pais do Tomás não somos amigos, não visitamos as casas uns dos outros.
Depois, ia cada uma para a sua escola. Separados, enfim.
Por acasos da vida, ficaram ainda mais separados, geograficamente falando. Eu mudei-me daquela zona.
Mas mesmo passado muito tempo, quando perguntavam ao Gui quem era o melhor amigo, a resposta saía rápida, sem hesitações, é o Tomás. Do outro lado, a mesma coisa.
Vêem-se quando conseguimos conciliar trabalhos, e férias (deles) e quando são possíveis os esforços de deslocação.
Sempre que se reencontram (duas ou três vezes por ano), é como se tivessem falado no dia anterior. Têm os mesmos gostos, as mesmas preferências (jogos, roupas, brinquedos, vocabulário).
Viram-se pela última vez em Julho, reencontraram-se hoje (que eu saí de casa de madrugada para o ir pôr lá, ao fim do sol posto). Em mais de 6 meses muita coisa podia ter mudado, mas não. Os mesmos desenhos animados foram descobertos (Dragon Ball), e têm a mesma personagem preferida, o Vegeta.
Hoje reencontraram-se. Velhos amigos de 9 anos de idade, 8 de amizade.
Nas palavras do meu filho, ao fim do dia, cansado, com os olhos a brilhar; hoje foi um dia bom.
O Tomás é da família, o Tomás é para sempre. Já percebi.
Pergunto eu: E então Gajo, quem é que vai ser o candidato Democrata nos Estados Unidos, a Hillary ou o Barak? Pergunta o puto: Ó mãe isso é do Blog do Quiz?