Quem melhor me conhece não imaginaria que alguma vez se escrevesse aqui algo sobre publicidade online, boa. Muitos anos a trabalhar em agências de publicidade, utilizadora da Internet há muito tempo, e há já bastante tempo também, a trabalhar com serviços de internet, criaram uma série de exigências e requisitos no que à publicidade diz respeito.
Enfim, sou uma chata a verdade é essa.
Precisamente por causa disso é que quando vejo um exemplo de boa publicidade, que não abusa das ferramentas online, usando-as em todo o seu esplendor, fazendo-as funcionar a seu favor, derreto-me toda.
Qualquer pessoa que oiça rádio já se apercebeu disto.
De há 2 meses para cá somos completamente bombardeados com publicidade a métodos extraordinários para perder peso. Para "conseguir usar o bikini branco que comprei" porque em apenas 2 semanas perde o equivalente a um Inverno (e às vezes mais) de excessos, porque há uma substância "drenadora" (sic) e outra que equivale a comer 2 alfaces (que aparentemente é bom para a tripa, como diria a minha avó), e há outra que dissolve o equivalente a 1 pacote de manteiga.
As mensagens referem quase sempre estudos científicos americanos (ou de qualquer outro país, tem é que ser estrangeiro), e põem nutricionistas e endocrinologistas a vender a coisa.
Se são profissionais da locução ou da saúde é que eu já não sei. Pelo aspecto, não são profissionais nem de uma área nem de outra.
Por outro lado, se estas coisas apostam em campanhas publicitárias, é porque há mercado para isto. O mercado das dietas iô-iô. O mercado da magreza, que não está associada à saúde. O mercado do deixa-me lá perder uns quilinhos para o Verão, que depois disso é encher o bandulho até ao Natal.
O mercado do "tenho que aparentar uma coisa, mas não tenho que me sentir bem".
Depois admiram-se, porque as filhinhas têm distúrbios alimentares, e deixam de comer, ou vão vomitar o último excesso de bolas de berlim. Sempre achei que deve haver uma sazonalidade nesta coisa dos distúrbios alimentares. A julgar pela publicidade com que me bombardeiam, estranho se a coisa não se agudiza nestas alturas do ano.
Pela enésima vez, a receita para perder peso, é fácil, e não tem ciência nenhuma.
Comam menos e de forma mais equilibrada, e façam exercício.
Eu já trabalhei em publicidade, eu sei como funciona a coisa. O cliente dá um briefing que está, teoricamente, alavancado numa estratégia de marketing, e numa determinada mensagem que se quer transmitir ao target. O contacto leva para a agência e passa aos criativos, que depois apresentam uma proposta, e por aí fora.
Também há as modas. Houve uma altura em que estavam na moda os spots slides of life, e tudo quanto era produto tinha campanhas deste género. Também houve a fase efeitos especiais, a fase modelos boazonas e a fase da galhofa, em que se tenta um pós packshot com uma piadola twist.
Ok, faz parte, precisamente porque é difícil fazer boa publicidade é que apenas os melhores vão ganhar prémios a Cannes.
Não percebo é de que agência/cliente/dupla de criativos terá saído a brilhante ideia de lançar uma nova moda, a moda de brincar aos clássicos.
Primeiro foi um supermercado qualquer que pegou no Chico Fininho, adulterou-lhe a letra para algo de inenarrável e toca de torpedear a malta com o "novo" jingle, e agora é um banco qualquer, que decidiu fazer a mesma coisa com o Anzol.
Presumo que tenham feito tudo direitinho e obtido as autorizações dos autores, e, espero ardentemente que tenham pago um fortuna mas, isso não invalida que: 1 - Os autores das obras se tenham abastardado, e tenham aceite este acordo. 2 - Os departamentos de marketing dos anunciantes estão a precisar de ideias novas. 3 - Os publicitários que propuseram tal campanha estão a precisar de se reformarem.
O disclaimer do costume. Este é um Blog pessoal, e aqui é expressa a minha opinião que pode não ter nada a ver (e provavelmente não tem) com o posicionamento da empresa onde trabalho.
Quando alguém decide iniciar um Blog fá-lo por razões diversas. Porque quer ver como é, porque tem algo para dizer, porque quer intervir, porque quer divertir-se, porque quer partilhar ou dar conhecer determinadas coisas sobre si, sobre o seu trabalho, os seus gostos as suas preferências ou antipatias. Esta descrição cobre a maioria dos casos. É habitual que um Blog comece por uma razão e com o correr dos tempos, as motivações sejam outras, ou sejam acrescentadas outras razões. Este Blog começou por ser de testes, agora já é um pouco mais que isso (não muito, mas mesmo assim um pouco mais).
É natural que, com o crescimento de audiência de um determinado Blog o seu autor (ou autores) reflictam sobre uma eventual rentabilização do projecto. Na maioria dos casos é um "nice to have", colocam-se uns anúncios do Google Adsense, discretamente, sem colidir com os posts, e no pinga pinga deste tipo de ferramenta, ao fim de uns tempos (consoante a audiência) lá começam a cair uns trocos. Nada de extraordinário, na maior parte dos casos, algo negligenciável, mas, é melhor que nada.
Há também o caso dos que querem, em primeiro lugar, fazer dinheiro. Optam normalmente por um de dois cenários. Lançam um Blog do nada, escrevem posts a pensar em captar uma determinada audiência que vão ganhando à custa não só do que escrevem, mas também de manhas de captação de pessoas (e há manhas ao pontapé, umas mais complexas que outras). No início a presença da publicidade é discreta, com o sucesso, abastardam-se os conteúdos, e o principal do Blog passa a ser a publicidade que é, em alguns casos, muito invasiva. A outra opção é pegar num Blog que já tenha audiência, e toca de polvilhá-lo de publicidade, gráfica ou não gráfica. Este é o caminho mais rápido, pelo menos no início.
O que me parece é que há aqui um mercado que está a ser desaproveitado. Por um lado pelos anunciantes e agências de publicidade, que teimam em desconfiar dos Blogs, e por outro lado por parte de alguns Blogs, que à força de quererem fazer dinheiro (e estamos a falar de trocos, pelo menos em Portugal), abastardam os conteúdos.
Seria muitíssimo mais eficaz, agradável e rentável o modelo de publicidade em Blogs passar por um mecanismo mais simples. Nada de novo, existe há muito tempo. Chama-se patrocínio. Para os anunciantes os Blogs são um terrenos excepcional (e barato). Target muitíssimo bem demarcado, atento, participativo. Para os Blogs, nada de mais extraordinário do que poder continuar o seu percurso, sem interferências visuais e gráficas que colidam com o que escrevem.
Do ponto de vista de quem faz a gestão da publicidade, aí sim, um desafio. Desafio porque estamos a falar de nichos. Porque se trata de contactar um potencial anunciante, e mostrar-lhe o potencial de um determinado Blog. Isto para todos os Blogs que possam ser meios. São muitos Blogs, numa área onde as margens são curtas e o investimento pouco. Um desconhecimento do potencial da Blogosfera (palavra que detesto), uma desconfiança dos conteúdos (outra que também dispensava) que são gerados e geridos por terceiros. Têm dificuldade em encarar um Blog como um parceiro.
Isto, aliado à pouco dimensão do nosso mercado inviabilizam, para já, a rentabilização séria de Blogs. E é pena.
Qualquer modelo de publicidade online que não contemple a rentabilização de Blogs é um modelo antiquado, esgotado e virado para o passado.
Qualquer autor de Blog que permita ou considere a possibilidade de poluir os seus conteúdos com publicidade invasiva está, a curto prazo a descredibilizar-se e, a médio prazo, a perder audiência.
Quem conseguir encontrar o equilíbrio, terá a chave do sucesso.
Não conheço nenhum caso, português, de sucesso nesta área. Mas gostava de conhecer.
Há uns anos atrás, estiveram na moda alguns tipos de publicidade online que eu achava extraordinariamente invasivas. Não era só eu que achava, a bem dizer. Foram épicas as discussões e debates entre equipas (a comercial e as outras), e ainda hoje não nos refizemos completamente desses momentos. Seja como for, os browsers resolveram a maior parte dos problemas, quando tiveram a feliz ideia de desenvolver os pop-up blockers. Depois disso, os pop-up (e os pop-under) deixaram de estar na moda. Porque as pessoas reclamavam com aquele tipo de publicidade, e porque assim que viram como é que funcionavam os pop-up blockers, toca de usá-los.
Os skyscrapers também passaram de moda, mais ou menos, de qualquer maneira, e eu também os achava invasivos.
Agora a coisa já está mais normalizada, e já há formatos mais ou menos standard.
Não percebo é o que é que aconteceu a todos aqueles que antes clamavam contra os pop-ups. Devem estar adormecidos. Ou já não se ligam. E de onde é que surge esta minha dúvida? À reacção generalizada à campanha de publicidade, online, da Optimus.
Andaram com umas bolhas a flutuar em vários sites, num teaser. As bolhas gravitavam em cima do conteúdo que se pretendia ver. Tínhamos de esperar que as bolhas lhes desse a vontade de desaparecer, para fazermos o que tínhamos ido ali fazer. Uma seca. Diria o mesmo se a campanha fosse de outra empresa qualquer. Não tenho nada contra a Optimus, e a campanha está com uma belíssima imagem.
Mas as reacções que tenho visto à bolha são excelentes. Epá que giro, aquilo do magma. Epá a bolha está mesmo bem feita. Ahhh, era a Optimus. Não vi ninguém a queixar-se de que aquilo era uma entropia, que chateava, que era invasivo, e que demorava a desaparecer.
Os tempos mudam. Às vezes para pior.
Ainda andei à procura de uma bolha para pôr a flutuar por aqui, mas não encontrei. Senhores da Optimus, optimizem as vossas campanhas para que elas possam ser usadas em Blogs. É viral (e ser viral, como se sabe, são as palavrinhas mágicas que qualquer empresa que opera na área das novas tecnologias quer ouvir).
Gosto pouco de fazer links para o meu próprio Blog, da mesma forma que gosto pouco de fazer links para Blogs notáveis. E digo notáveis na mais sincera prova de respeito.
Portanto, este post é um dois em um, tem link para um post que escrevi há pouco tempo, e tem link para um notável. Que se lixe, é por uma boa causa, e não é para proveito próprio, pelo menos directamente.
Embora me irrite um bocadinho esta moda de que todas as campanhas de publicidade têm de ter humor, esta campanha, Argentina, é engraçada, e está bem feita. Comecem pelo primeiro vídeo, e vão até ao último.
Coloquei este autocolante na parte de fora da minha caixa de correio. Não tinha grandes esperanças de que funcionasse. Aliás, confesso que, de alguma forma, desejei que não funcionasse, já estava a ver os telefonemas para as empresas prevaricadoras.
Mas a verdade é que não. 99% do lixo que lá entrava, agora não entra. Só a publicidade escamoteada de jornal (leia-se, o jornal da região) é que ainda lá entra de vez em quando. Vamos ver como é que consigo resolver esse detalhe.
Vou guardar alguns dos autocolantes que me sobraram, porque tenho a certeza que vão ser precisos, mais tarde ou mais cedo, para pôr no carro.
Estão a ver os anúncios a instituições de crédito?
Especialmente os que falam de produtos específicos, são legalmente obrigados a disponibilizar informação acerca das condições reais do produto/serviço.
Ora, seja num spot de televisão seja num spot de rádio, a estratégia das agências (e dos clientes) parece ser semelhante, e o raciocínio aparenta ser o seguinte:
"ora nós somos obrigados a colocar ali informação que não nos interessa divulgar, como é que fazemos para cumprir a lei, mas mesmo assim não divulgar a mensagem?"
E fazem todos o mesmo, aceleram. Aceleram na velocidade a que passam as letras no rodapé do ecrã de televisão, e aceleram no ritmo a que o texto é dito, no spot de rádio.
Já na imprensa, o que fazem é diminuir a fonte até esta adquirir proporções mais ou menos microscópicas.
A minha pergunta é, para quando um Decreto-Lei* que crie a Brigada de Trânsito dos textos obrigatórios?
Se é suposto que o consumidor final tome conhecimento de determinadas questões, colocar o texto a uma velocidade que inviabiliza a sua leitura é transgredir a lei.
O mesmo para os spots de rádio que são ditos depressa e depois, em cima disso, ainda são acelerados, para além de se cortarem as pequenas pausas entre palavras.
Cadê as multas? Eu se andar acima da velocidade máxima permitida, sou multada e inibida de conduzir, estes senhores deviam ser multados, e inibidos de publicitarem, e as agências também deviam levar por conta.
*Esta do "para quando um Decreto Lei" não é minha, é do Marco Horácio ou do Eduardo Madeira, que têm os caixilhos e laminados nas manhãs da comercial, com que o meu puto se escangalha a rir, apesar de não apanhar 90% das piadas. Sem link, porque os senhores não têm Blog, que eu saiba.
Na secção de anúncios idiotas temos mais uma entrada directa para os lugares cimeiros do Top.
Alguém já viu os spots de promoção do vinho Casal Garcia, em que, sem razão aparente as pessoas começam a rir de gargalhadas forçadas?
Muitas vezes, um texto medíocre pode ser resgatado à mediocridade pela excelência da representação.
Acontece também, muitas vezes, um óptimo texto ser assassinado por uma péssima representação.
Casal Garcia junta o melhor de dois mundos: Péssimos textos e medíocres representações.
Gargalhadas forçadas não abonam nada a favor da vinhaça, parece que o vinho não faz efeito, ou então só é bebido por patetas.
Patético de quem identificou o conceito, de quem teve a ideia, de quem a aprovou, de quem a produziu e sobretudo de quem pagou uma pipa de massa para aquilo ser feito.
Senhores, poupem uns cobres, tirem aquilo do ar, com urgência.