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Jonasnuts

Nónio

nonio.jpg

 

De vez em quando faço aqui um disclaimer (auto-link)...... ia linkar, mas são 5 páginas de resultados (auto-link) da pesquisa à palavra disclaimer aqui na chafarica. Considerem-se disclaimerados.

 

Ouvi falar do Nónio pela primeira vez já lá vão uma décadas. Refiro-me, obviamente ao "dispositivo de medição inventado pelo matemático português Pedro Nunes. Através do Nónio era possível efectuar medições com rigor de alguns minutos de grau, permitindo planear a navegação com uma margem de erro da ordem da dezena de quilómetros.", que é o que diz a Wikipédia.

 

Há pouco mais de um ano ouvi falar pela primeira vez desta coisa, que não vou linkar, que não se chama Nónio, porque perdeu o acento, é um nonio. Para além de perder o acento perdeu também o .pt que alguém, com tino, registou e tornou útil.

 

Curioso, há 500 anos precisávamos do Nónio para navegar, agora há que dispensar o nonio, para navegar. Outros tempos, outros mares.

 

A maioria do que penso sobre o nonio, pode ser lido aqui.

 

É uma questão de tempo até os senhores decidirem fechar os seus conteúdos a quem lhes fornecer tudo e um par de botas de dados pessoais e até estranho que não esteja nos termos de utilização qualquer referência a primogénitos.

 

Neste momento ainda estão na fase de recolha de dados. Depois fecham. Depois batem com os nariz na porta, com os burros na água, estrepam-se, claro. Mas eles ainda não sabem.

 

Não percebo como é que não sabem. Basta olhar para exemplos "lá fora" e percebem que quem tentou fechar, fechou. Perdeu. Morreu. Não é por aí.

 

Mas, lá está, tal como outros senhores, também velhos, esta malta está agarrada a modelos de negócio do século passado, que querem à força transpor para a realidade actual, mesmo que tenham de o fazer artificialmente e à força de estratagemas. Não souberam acompanhar. Pararam no tempo. Querem sol na eira e chuva no nabal. 

 

Outra coisa que me encanita é a parte das competências. Uns gajos que não se entendem o suficiente para assegurar o registo de um domínio vão conseguir entender-se para coisas um pouco mais complexas?

 

Não me cheira.

 

Seja como for, não tenciono dar-lhes os meus dados.

 

O que lhes deixo é uma alternativa

 

Mas é uma alternativa que obriga a que os conteúdos sejam de qualidade e jornalisticamente inatacáveis. Sustentadamente. 

 

Percebo que não encarem como alternativa.

Segurança online

Quem me conhece, seja irl seja virtualmente, sabe que sou ligeiramente fundamentalista no que diz respeito à segurança e à privacidade (as duas são íntimas).

 

Ainda na semana passada fiz uma cena por causa de um mail com demasiadas pessoas em cc. A grande maioria das pessoas não me percebe e acham que eu sou maluquinha, o que, não sendo genericamente falso, neste caso em particular, não se aplica.

 

Sou até moderada. Se eu fosse fundamentalista da segurança e da privacidade não tinha conta em redes sociais (e tenho em praticamente todas, mesmo que não as use assiduamente), só usava browsers em modo privado, usava contas provisórias de mail para me registar em cenas, e só pagava com cartões de crédito virtuais. Ou não me ligava, pura e simplesmente.

 

Mas a segurança e a privacidade são temas que me interessam. Quer do ponto de vista pessoal quer do ponto de vista profissional. Tenho a "meu" cargo dados pessoais de muitos utilizadores, de quem considero ser fiel depositária duma série de dados pessoais cuja segurança e, consequentemente privacidade, está sob a minha guarda. Levo muito a sério, esse papel de fiel depositária.

 

Não há cá consultas ad hoc a bases de dados, não há informações pela porta do cavalo, não há jeitinhos, não há cunhas. E já estive nessa posição mais vezes do que aquelas que gostaria. 

 

Irrita-me solenemente a utilização abusiva dos meus mails. Tenho uma embirração de estimação pela DECO à conta disso mesmo. 

 

Preocupam-me MUITO as tentativas que vêm de todos os sectores, de centralização de informação (só tive cartão de cidadão quando fui mesmo obrigada a isso, este ano, porque já não dava para ter por mais tempo o meu bilhete de identidade), ou a tentativas de fazer bypass à segurança que as empresas adoptam para manter privados os dados dos utilizadores. Acho vergonhoso o que, impunemente, a NSA andou e anda a fazer, e o Edward Snowden é um herói recente da minha parca lista de heróis.

 

Preocupam-me muito mais estas coisas do que os hackers e afins.

 

Aceitei, por isso, o convite que a Siemens me fez para participar na #SiemensTalks. Tem tudo a ver comigo, porque é um debate sobre segurança, e porque decorrerá no Twitter que, como se sabe, é A rede social :)

 

É hoje, a partir das cinco da tarde. Apareçam. Não têm de sair de onde estão.

 

O programa completo e mais contexto, aqui.

 

 

 

 

Privacidade

Não é de agora, a minha preocupação sobre questões relacionadas com a privacidade. Por sinal, é uma preocupação que tem crescido gradualmente, não só por ver as constantes agressões ao direito à privacidade (em nome de tudo e um par de botas) mas, sobretudo, por ver a falta de interesse das pessoas em relação a esta ameaça. 

 

Há relativamente pouco tempo, tive acesso a um estudo de mercado (focus group) feito em Portugal (e não apenas em Lisboa), a meio deste ano, que numa determinada parte, questionava as pessoas (homens e mulheres) sobre estas coisas da privacidade. Em todas as faixas etárias o desinteresse e a falta de preocupação foram totais. As pessoas não se importam. A atitude "vejam tudo o que quiserem" é transversal e apenas muito ligeiramente contrariada (mas muito ligeiramente mesmo) na faixa etária dos +45 anos.

 

Desde o "quem não deve não teme", até ao "não sou importante/interessante o suficiente para merecer a atenção de quem quer que seja", passando pelo "somos animais sociais, temos de abdicar da nossa privacidade, em função desse chamamento maior que é o da comunicação". Tudo errado. E tudo mentira, por sinal. Dizem, mas não fazem.

 

Não sou fã absoluta do Glenn Greenwald. Creio que neste momento ele cavalga na onda Snowden para a qual contribuiu enquanto jornalista, mas que já ultrapassou em muito esse âmbito. Nada contra, apenas não acredito que haja aqui motivações exclusivamente altruístas.

 

Mas é muito interessante o que ele diz numa Ted Talk dedicada precisamente a estas questões da privacidade. Básico, mas interessante.

 

É ver. 

 

Quem não deve, não teme

Este vai ser um post longo, e vai ser sobre privacidade, e porque é que eu sou tão assanhadamente defensora da minha (e da dos outros, já agora). E vai contar uma história, real, e assustadora.

 

Quando rebentou o escândalo sobre a vergonhosa recolha que a NSA faz de dados de todos (americanos e não americanos), e do polvo que montou para aceder, sem quaisquer restrições, aos dados de qualquer pessoa, sem ter de pedir autorização a um tribunal, muitos foram os que vieram (e continuam a vir) com o argumento do "quem não deve, não teme". Isto é algo com que me tenho deparado muito, ultimamente. As pessoas não se importam que lhes chafurdem os dados pessoais, os mails, os documentos que têm alojados em servidores, as chamadas telefónicas, tudo, que lhes esmiúcem a vida porque, lá está, quem não deve não teme.

 

Este argumento é perigoso. Por vários motivos. O primeiro dos quais tem a ver com a incorrecção da coisa. Quem não deve. Todos devemos. À luz da mente retorcida de alguns terceiros, todos nós, em algum momento da vida fizemos (ou havemos de fazer), coisas que não devemos. Portanto, todos temos de temer.

 

E é aqui que começo a contar a tal história que prometi ao princípio.

 

Sabem qual foi o país ocidental onde mais judeus foram mortos, durante a 2ª guerra mundial? Proporcionalmente falando (número total da população, versus número de judeus que faziam parte dessa população). Foi a Holanda. Quem diria, a Holanda, um país conhecido há muito pela sua abertura e tolerância.

 

Agora vamos aos porquês. Os holandeses são, e sempre foram, um povinho muito organizado. Gostam de ter tudo no sítio. Tinham uma base de dados extensa e muito completa, por via dos censos regulares, dos hábitos do seu povo. Religião incluída. Quando os nazis ocuparam aquela merda, e os reis zarparam para Inglaterra, a única coisa que foi preciso, foi ir ao arquivo do instituto nacional de estatística lá do sítio, pegar no último censos, e ir à cata dos judeus, cuja religião estava bem assinalada nos formulários.

 

Resultado? 

 

90% (e é uma estimativa conservadora) da população de judeus foi dizimada. Repito, é a maior taxa de morte de população de judeus durante a 2ª guerra mundial, por país.

 

Porquê? Porque a informação estava lá. Fácil de encontrar e de recolher.

 

Teriam os judeus razões para temer? Não, mas deviam, aparentemente.

 

Se calhar estas pessoas também achavam que, quem não deve, não teme. E por isso não tiveram problemas em prestar informação acerca de tudo e um par de botas. E depois lixaram-se, Com f de cama.

 

Na era em que vivemos a recolha e concentração de informação é cada vez mais fácil. Há apps para isso. Disponibilizamos informação às vezes sem nos apercebermos disso, e fomos ensinados a desvalorizar. Mais, disponibilizar informação pessoal, é até um hobby. Pior, a fronteira entre o que é pessoal e o que não é pessoal deixou de ser clara. 

 

As gerações mais novas já integraram a palavra "partilhar" no seu ADN. E não deviam.

 

A recolha de informação pessoal, mesmo que seja pelos motivos mais límpidos do mundo, deve ser SEMPRE recusada e combatida. Porque, por mais puros que sejam os motivos dessa recolha, a informação fica lá, disponível, para que pessoas, organizações, movimentos, empresas, instituições, governos, eminências pardas e outros que tal possam aceder-lhe, e dar-lhes o uso que muito bem entendam.

 

Para finalizar. Informação pessoal não são apenas os nossos dados bancários, ou o nosso historial clínico. Informação pessoal são os nossos gostos (os likes no facebook são um bom exemplo da facilidade com que disponibilizamos informação pessoal), onde estamos (georreferenciação), por onde andamos, as nossas fotos, os nossos vídeos, as nossas posses, os nossos medos. 

 

Brevemente, outro post sobre o tema, desta vez para desmontar o argumento "sou tão insignificante que ninguém se interessa pelas minhas coisas, portanto, ninguém vai espreitar".

 

Acordem, porra.

 

Cara Fnac

Se por acaso alguém vos comprar um iPhone, e, passados uns tempos o puser aí a reparar, não contactem com a cliente a pedir o username e a password do Apple ID.

 

Sabem..... pedir usernames e passwords do Apple ID (ou de qualquer outro serviço) vai contra o bom senso, contra as mais básicas normas de segurança e, mais importante, contra os termos de utilização do serviço.

 

E insistirem com uma pessoa para que dê o username e a password, para que vocês possam transmitir a terceiros, também não é boa ideia.

 

E serem mal educados, alegando que a pessoa "não está a facilitar", também não ajuda. Não é por mim que falo, eu sou, para vocês, um caso perdido e não voltarei a ser vossa cliente (ver aqui porquê - auto-link).

 

Quando a cliente se oferece para se deslocar às vossas instalações, para ser a própria a inserir username e password para desactivar a app que está, dizem vocês, a impedir a intervenção, aceitem, e não digam que é impossível.

 

Por acaso deram com uma cliente muitíssimo bem informada (e sensível) acerca das questões relacionadas com a segurança dos dados, mas suponho que seja o pão nosso de cada dia, fazerem este tipo de pedido aos clientes.

A Apple vai gostar de saber.

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