Num título escandalosamente roubado ao 31 da Armada, e num dos casos raros em que a minha mãe me envia um mail (mas perguntou primeiro se podia, que já se sabe que eu não gosto destas coisas).
Não é que eu consiga prever o futuro, mas vi de fugida que o Luís Filipe Meneses deu uma entrevista e o Sócrates permitiu que uma equipa de reportagem o acompanhasse durante um dia inteiro.
Não vi nem uma coisa nem outra, mas tenho a certeza que ambas vão contribuir entusiasticamente para o aumento do número de posts nos Blogs do SAPO :)
Noutro falei aqui do vídeo de Barak Obama, que neste momento corre sérios riscos de vir a ser o vídeo mais visto do Youtube, em 2008. Dizia eu que no folclore dos mediatismos campanhísticos os americanos sabem fazer as coisas.
Volto a dizer o mesmo, acerca deste vídeo, uma espécie de contra-resposta, ou não.
Não simpatizo particularmente com os americanos, nem antipatizo Não me enfureço de ódios ou de amores, com os americanos. Do que sei, são capazes de muito bom e de muito mau, são como nós portanto, todos diferentes todos iguais.
Confesso que não gosto do folclore mediático da política americana, mas há que dar a mão à palmatória, e os gajos, fazem a coisa muito bem feita. Imagine-se uma coisa destas em Portugal.....sairia um vídeo altamente pimba, mas agarrar em meia dúzia de celebridades da música, do cinema e da televisão, arranjar uma música baseada num discurso do Barak Obama, mais o candidato e misturar tudo, com um resultado cheio de força, não é para todos, Mas é para os americanos.
Este não é (graças a deus) um blog de política, e eu não gosto particularmente do estilo socrático. Este foi o disclaimer.
Anda a blogosfera portuguesa com a dita aos pulos porque o primeiro ministro no conforto, sossego e intimidade de um abraço, deixou escapar um escabroso "porreiro, pá".
Ora, porreiro e pá são duas palavras usadas pelo português comum. Não se podem considerar palavras do léxico coloquial, mas fazem parte da linguagem das pessoas normais.
Eu uso ambas, com frequência. Não que isso faça de mim uma pessoa normal, mas a questão aqui não sou eu.
Prefiro um político que deixe transparecer uma nota de normalidade no seu discurso, do que um que se afasta com um discurso demasiado elaborado, que ninguém percebe. Gosto mais de pessoas que compreendo melhor.
Queriam o quê? Que o primeiro ministro, no momento do amplexo, deixasse escapar um "Exmo. Senhor Dr. Durão Barroso, considero este momento como um dos mais agradáveis da minha vida política. Foi esplendoroso".
Eu gostei do "porreiro, pá".
Espero que numa ocasião menos feliz, lhe saia um "isto foi uma merda".
À semelhança de tantas coisas, os políticos chegam tarde aos Blogs, e chegam mal.
Vou reformular. À semelhança de tantas outras coisas, muitos políticos chegam tarde aos Blogs, e chegam mal. Há as honrosas excepções de pessoas que andando nestas lides da internet há mais ou menos tempo, mantêm realmente um blog. Quando digo que mantêm realmente um blog refiro-me explicitamente ao facto de usarem o blog para exprimirem as suas opiniões sobre o que lhes apetece. Não delegam em assessores, secretárias e estagiários, e são os próprios que metem as mãos na massa, e actualizam os seus Blogs.
A maioria dos Blogs políticos que conheço são breves, porque são feitos exclusivamente para a campanha eleitoral, e abandonados pouco depois. Porque é que são criados, então? Porque está na moda ter um Blog, e parece que as pessoas apreciam o facto de lerem algo que tem uma (remota) possibilidade de ter sido escrita pelo candidato.
É a razão errada, mas há tantas coisas boas criadas pelas razões errada, marketings, que daí não viria mal ao mundo. O problema é que, como não pescam nada de Blogs, nem de internet, fazem do Blog um mero repositório de press-releases, fecham os comentários, põem uns links, e mais nada. Ou cometem erros de palmatória, como plagiar conteúdos, usar uma linguagem de marketing tradicional, não linkar as fontes, não abrem comentários.
Não percebem que estão assim a perder capital junto de um target altamente exigente, que é, em muitos casos, opinion maker.
A conclusão a que chego é que, na maioria dos casos, os blogs de políticos são tiros nos pés.
Façam uma pesquisa e vejam quantos blogs de políticos foram criados e posteriormente abandonados (nem sequer têm o discernimento de os apagar).
O que me parece é que é tudo feito com muito amadorismo, como o caso daquela candidatura que em cima do joelho cria um blog no Blogspot e um mail no Gmail. Centraliza toda a comunicação no Blog. Usa o mail para uma enorme acção de comunicação que foi obviamente identificada pelo Google como sendo spam, o que fez com que tivessem sido suspensos quaisquer acessos quer ao Blog quer ao mail. E assim, de repente, por incompetência (amadorismo?) fica uma candidatura sem acesso à gestão das duas mais importantes ferramentas de comunicação com os seus potenciais eleitores. Durante 3 dias.
Outro caso, o do candidato que, contactado pelo SAPO para criar um Blog da sua candidatura, declinou o convite, informando que não tinha tempo para, durante a campanha, manter um Blog, e que não concebia um Blog em seu nome escrito por terceiros, pelo que essa era uma actividade não delegável.
Também há o meio termo. Como o caso de um eleito que não tinha tempo para actualizar todos os dias o seu Blog, pelo que apenas escrevia conteúdos originais para o Blog 1 vez por semana, e nos outros dias, transcrevia (citando a fonte, com link) outras intervenções feitas originalmente noutros meios. E os comentários estavam abertos.
Já em tempos aflorei este assunto, quando falei do primeiro-ministro e da crise do Portugal Profundo, e repito. Querem ter uma presença online, de jeito e eficaz? Óptimo, aconselhem-se com pessoas competentes nesta área (bem sei que não há muitas), e depois empenhem-se e dêem de si. Não têm tempo para assegurar um Blog? É compreensível. Não o criem.
Eu acompanho as várias Blogosferas. Sim, falo no plural. Há várias. A geekisfera, a intelectosfera, a florisfera, a babyesfera, enfim.....o que não faltam são nichos da Blogosfera.
Até hoje, e desde que acompanho o fenómeno (como está na moda chamar-lhe) houve apenas 1 tema que foi transversal. O da interrupção voluntária da gravidez, vulgo, aborto. Não houve Blog que não tivesse referido o tema. De resto, pode ser lançado o iPhone em Portugal que a intelectoesfera nem dá por isso, ou pode vir o Friedrich August von Hayek ressuscitado, que a geekisfera nem levanta os olhos do teclado.
Até hoje, foi assim.
Hoje, por causa de uma queixa que alguém fez, mandado por ou em nome de José Sócrates, contra o autor de um Blog, toda a gente fala, outra vez, do Blog Do Portugal Profundo.
Não sei quem são os conselheiros de comunicação do nosso primeiro ministro, não sei sequer se tem tais personagens mas, das duas uma, se tem conselheiros de comunicação, estão a fazer um péssimo trabalho, se não tem, devia ter.
Não ponho em causa o direito que qualquer cidadão, incluindo o primeiro ministro, tem de apresentar queixa, se se sente lesado. Mas há formas mais inteligentes de intervir, sobretudo formas mais eficazes, esta estratégia não tem vitória possível, para o primeiro ministro.
Se eu mandasse alguma coisa, e pudesse aconselhar o cidadão José Sócrates a gerir esta questão, a minha recomendação seria uma, e só uma.
Crie um Blog. Mas não crie um Blog para o dar a escrever a um fantoche qualquer. Crie um Blog e escreva. Use as mesmas ferramentas, o mesmo meio, entre no debate, diga de sua justiça, permita os comentários (moderados, se quiser).
Porquê a via da comunicação e não a via da justiça?
Porque, será difícil a um primeiro ministro, garantir que a queixa que apresentou, enquanto cidadão, será tratada exactamente da mesma forma que seria tratada a de qualquer outro cidadão. Não tem como ganhar esta guerra. Se a queixa for em frente, e um Tribunal lhe der razão, a opinião pública pensará sempre, que houve marosca. Se a queixa for em frente e um tribunal não lhe der razão, perdeu em tribunal.
Mas será que ninguém que esteja próximo do senhor, vê isto? Não há ninguém que lhe abra os olhos?
É uma loose loose situation.
Quanto ao Do Portugal Profundo, acho que está a ser coerente, e está a fazer o seu papel, e arrisca-se a ser o primeiro mártir da Blogosfera portuguesa. Só tenho pena que não esteja no SAPO, mas na concorrência :)