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A minha mãe

por jonasnuts, em 13.10.10

A minha mãe não é uma senhora. A minha mãe é uma gaja. E isto é, obviamente, um elogio.

 

Muito do que eu sou e do que eu não sou, devo-o à minha mãe. Sendo que me refiro às coisas boas que sou, e às coisas más que não sou.

 

Os defeitos, o feitio, nomeadamente o mau-feitio, não são da minha mãe, são meus.

 

A minha mãe é a pessoa mais paciente que eu conheço. Até irrita, tanta paciência. Mas deu-me jeito, quando andava na escola que ela fosse tão paciente. Abençoadas explicações de matemática e português.

 

E isto tudo a propósito de quê? Ela não faz anos (é de Abril), não se assinala hoje nenhuma efeméride, não é dia da mãe. É por causa do meu post de ontem sobre as obscenidades.

 

A minha mãe não é burra, muito pelo contrário. E sabe que eu uso (na opinião dela, abuso) do vernáculo. Faço-o à sua frente, e até sei quais são os palavrões que a arrepiam. Esforço-me por usar esses, amiúde, na sua presença. Aliás, eu e a minha irmã divertimo-nos imenso com este arrepio da minha mãe face a algumas palavras que lhe fazem mais confusão.

 

Por outro lado, sendo uma mulher que toda a vida trabalhou com palavras, usa algumas que não oiço a mais ninguém, sendo que a que me ocorre agora, assim de repente, é a palavra "pirilau".

 

Voltemos à vaca fria, sendo que com isto não pretendo fazer qualquer analogia entre a minha mãe e a vaca, muito menos a fria.

 

Sempre que uso palavrões, aqui, a minha mãe vê, porque, mais coisa menos coisa, ela lê isto. Lê isto via Facebook o que, no caso do post de ontem dá menos jeito, porque a porcaria do Facebook não mostra os vídeos.

 

Portanto, a minha mãe leu o post, cheio de (não posso dizer caralhad**, está bom assim Nika?) palavrões, e não viu o vídeo.

Escandalizou-se, claro.

 

Levei nas orelhas, quer nos comentários do Facebook quer ao telefone :) Expliquei-lhe que havia um vídeo e tal, mas não me ligou nenhuma. Mais tarde disse-me que, de facto, o texto era brilhante. Está mal, o Miguel Esteves Cardoso e o Miguel Guilherme podem usar vernáculo, que são brilhantes, eu, uso o mesmo vernáculo, e sou obscena.

 

Não prometo que não diga aqui mais palavrões, está-me no sangue (não é o teu sangue mãe, não te preocupes), mas redimo-me desta forma.

Este é um post para dizer que gosto de ti mãe.

E como é para ti, termino duma forma mais prosaica.

 

Gosto de ti, pirilau.

 

P.S.: E o vídeo pode ser visto aqui

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