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Jonasnuts

A política como ela é - Manual para principantes

Embora não pareça, este é um post sobre motos. Ou talvez não.

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Tenho carta de condução de ligeiros de passageiros há mais de 30 anos. Conduzo carro todos os dias há mais de 30 anos.

Fruto de cenas diversas, há 6 meses comprei uma scooter 125cc em segunda mão. A da foto. 

Nunca tinha tido um moto. Sabia andar de bicicleta. Enfim, mais ou menos.

 

Comprei aulas numa escola de condução, para lá chegar e perceber que a moto em que ia praticar não era uma scooter (tinha mudanças) e perceber também que os senhores queriam pouco ensinar-me a andar de moto e queriam muito era que eu tirasse carta de moto. Não aprendi porra nenhuma na primeira aula. Não fui às restantes aulas que já tinha pago.

 

Fiz uma pesquisa sobre o equipamento de que necessitaria. Fiz perguntas a amigos reais e virtuais. Vi vídeos. O básico foi um australiano que me ensinou, o Ken Whitehouse. Aqui.  

 

Depois foi ganhar experiência. Andar no bairro e em parques de estacionamento, devagarinho, ao fim-de-semana. E ir ganhando experiência e ir cada vez um pouco mais longe. Fazer perguntas (auto-link). E depois comecei a vir para o trabalho e agora faço 1000km por mês e cada vez gosto mais.

 

Foi portanto com muita preocupação que vi uma notícia, no Expresso, com um título altamente preocupante "Conduzir motos com carta de ligeiros abre caminho ao aumento de mortes". Fui ver.

 

O  "jornalista" Paulo Paixão limitou-se a transcrever aquilo que lhe foi dito pelos "especialistas e intervenientes no sector" sem sequer ter tido o cuidado de olhar para os números para perceber que NADA naqueles números permite concluir tudo o que ele conclui e tudo o que deixa os "especialistas e intervenientes no sector" concluir.

E os "especialistas e intervenientes no sector" são pessoas com interesses muito específicos nesta área. 

 

O que me leva ao título do post. É um padrão. Se eu quiser que uma determinada lei seja aprovada preciso de convencer o decisor (neste caso o governo e a assembleia da república) e preciso de criar boa vontade na opinião pública, e isso consigo através de manipulação da comunicação social. Deparei com esta sequência quando me envolvi mais a sério no tema da lei da cópia privada, aqui há uns anos.

 

Convencer o decisor é fácil. Os almocinhos, os joguinhos de golfe, a troca de favores, a ignorância, a manipulação de dados e em alguns casos, presumo, a corrupção pura e dura. Todos têm o seu papel. Sendo que a ignorância e a troca de favores são, na minha opinião, os que mais contribuem. Neste caso, o decisor ou o iniciador é o ministro da administração interna que numa entrevista à Antena 1 (a parte que interessa começa ao minuto 32), começou a manobra. Questionado pela jornalista, começou por falar do aumento do número de acidentes e do aumento do número de vítimas mortais sobretudo resultado de atropelamentos. E depois deste contexto, identifica 3 medidas para mitigar estes números:

1 - Reduzir a velocidade máxima permitida de 50km/h para 30km/h dentro das localidades.

2 - As motos passarem a ter inspecções.

3 - Ser obrigatório ter carta de condução de motos para conduzir motos de 125cc.

 

E está montado o circo. Parece haver aqui uma causa/efeito. Este é um ponto importante, porque tudo o resto vai decorrer desta associação. Há mais acidentes porque as motos não são inspeccionadas e porque os condutores das 125cc não têm formação específica.

 

Ora, os dados disponíveis, da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária, não permitem estabelecer esta relação. Pode ser que o senhor ministro tenha outros dados. Gostávamos de saber quais são e onde podem ser consultados, então.

 

Isto é uma técnica de manipulação muito conhecida, muito antiga, mas cujo exemplo mais mediático e recente é toda a máquina de comunicação do Trump. Metem duas coisinhas uma a seguir à outra, e as pessoas preenchem o vazio, fazendo uma associação que não está explícita (porque não existe ou não se consegue provar). A associação passa a ser verdade. Estão a ver as fake news? É a mesma coisa. 

 

Portanto, ao que parece, o decisor, o originador público da coisa, o ministro, já está no barco e muito disponível para fazer a associação que não existe (ou cuja existência não se prova a partir dos dados disponíveis) seja por conivência, seja por ignorância, seja por falta de sentido crítico, seja por excesso de confiança em quem lhe preparar o discurso e o pensamento.

 

Foi dado o arranque. Agora, interessa aos promotores destas ideias, que são os reais interessados, que a opinião pública seja levada a pensar o que eles querem. No fundo, interessa-lhes criar boa vontade e apoios na opinião pública, porque se não a tiverem, os decisores ficarão mais renitentes. Ninguém quer aprovar medidas que lhes possam custar votos, ou créditos. 

 

E é aqui que entram os órgãos de comunicação social. Meia dúzia de jornalistas, a quem se envia um press release ou com quem se têm umas conversas e que se manipulam, duma forma ou de outra, para que as notícias saiam. Interessa que saiam duma determinada forma, numa determinada perspectiva. 

 

O slogan do Expresso era, até há pouco tempo, um extraordinário "Faz opinião". E faz. E não faria mal nenhum, se houvesse isenção, profissionalismo, competência, vontade de fazer perguntas....... enfim, jornalismo. Sei que há, mas neste caso não houve.

 

O Expresso não é caso único, mas eu distingo o Expresso do Jornal de Notícias, ou do Correio da Manhã, ou do Notícias ao Minuto. Sou, por isso, mais exigente com o Expresso do que sou com os outros.

 

No artigo do Expresso, que refere os números da Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária é dada voz aos "especialistas e intervenientes no sector", a saber, Carlos Barbosa, presidente do Automóvel Clube de Portugal. Sendo um interveniente no sector, não se pode dizer que seja isento, porque tem interesses, nomeadamente em ter mais negócio por via das inspecções, e por ter mais negócio por via das cartas de moto.

O Presidente do Automóvel Clube de Portugal que, já vimos, tem interesse específicos na matéria, faz afirmações extraordinárias, como por exemplo "O aumento brutal de sinistros com motos deve-se em boa parte à falta de habilitação para conduzir. Devia ser obrigatório fazer um exame para se poder conduzir uma 125cc, tal como existia antigamente para as motos de 50cc". Não há, nos dados referidos no artigo, qualquer diferenciação entre cilindradas de motos. Não há forma de saber se foram motos com 125cc que provocaram os acidentes. Não há um aumento brutal. Há um aumento, durante 2017, do número de sinistros com motociclos. É isto que se sabe. 

 

Que o presidente do ACP diga isto, não estranho, já estranho porém que, ao jornalista, não lhe ocorra raciocinar sobre o tema e fazer perguntas.

 

No mesmo artigo, "Para o presidente do ACP, outra causa do actual aumento da mortalidade com motociclos “prende-se com o disparate que foi a permissão de circulação nas faixas Bus;é altamente perigoso colocar motos nesses corredores e o resultado está à vista”." Novamente, isto é imbecil. Que o presidente do ACP profira imbecilidades, é problema dele, de quem o elegeu e dos associados do clube, que ao jornalista não lhe ocorra informar-se e questionar a coisa, publicando sem sequer saber de que é que está a falar, já é um problema meu, porque, lá está, contamina a opinião pública com uma mentira que, validada por órgão de comunicação social, passa a ser verdade.

 

A permissão de circulação nas faixas de BUS não existe em todo o território. Existe no Porto desde 2016, em Lisboa desde Setembro de 2017, e em mais cidades espalhadas pelo país. Não há dados que permitam verificar se passou a haver mais acidentes depois de se dar início à circulação de motociclos em faixas de BUS. Aliás, em Lisboa a permissão surge na sequência de uma experiência piloto, que decorreu durante 9 meses e que abrangia apenas 3 vias da cidade. Quero presumir que, se os resultados desse piloto tivessem demonstrado um acréscimo de acidentes, a Câmara Municipal de Lisboa teria optado por suspender a coisa, em vez de a alargar a quase todas as faixas de BUS.

Mais uma vez, o "jornalista" não questiona, não pergunta, não quer saber, não informa.

A lei que permite a condução de motos até 125cc de cilindrada por pessoas com mais de 25 anos e com carta de ligeiros de passageiros foi aprovada, em Portugal, em 2009. Não houve, neste período, um aumento do número de sinistros com motos, pelo contrário, exceptuando 2017, o número de sinistros tem vindo a diminuir. Mais, uma vez que a venda do motos aumentou substancialmente, a queda no número de sinistros é ainda mais expressiva do que à primeira vista poderia parecer.

 

Outro "especialista e interveniente no sector" que o "jornalista" decide ouvir é um ex-presidente da ANIECA, apresentada no Expresso como sendo a Associação Nacional de Escola de Condução, mas que na verdade é a Associação Nacional dos Industriais do Ensino da Condução Automóvel. Mais uma vez, uma pessoa/entidade com interesses muito específicos em fazer negócio. Não é uma opinião isenta. Faz o mesmo que o ministro e o mesmo que o presidente do ACP, opina, relaciona implicitamente dois dados que não podem ser relacionados através dos factos, e subentende-se o resto.

José Manuel Trigoso, presidente do conselho de direcção da Prevenção Rodoviária Portuguesa é muitíssimo mais cauteloso e diz o óbvio; a lei das 125cc tem quase 10 anos, todos os anos a sinistralidade tem vindo a diminuir, ter aumentado agora não pode ser relacionado de forma precipitada, à falta de carta de condução. 

 

Por último, Manuel Marinheiro, presidente da Federação de Motociclismo de Portugal que, obviamente, tem uma leitura diferente e diz, preto no branco, uma coisa não tem a ver com a outra. Mesmo assim, o jornalista consegue espremer um "assume" e um "admite". A falta de honestidade é extraordinária.

 

Gostava que este Paulo Paixão explicasse como é que tendo opiniões contrárias por parte dos entrevistados, não vai atrás dos factos, não soma um mais um e não se informa um bocadinho antes de escrever. Não é papel do jornalista papaguear tudo o que lhe dizem. Convém que pensem e façam perguntas, senão, basta-me um microfone. Depois de opiniões contrárias, o título da notícia é "Conduzir motos com carta de ligeiros abre caminho ao aumento de mortes" e todo o texto manipula nesse sentido.

 

E é assim que se faz. Manipula-se o poder (de uma forma ou de outra), manipula-se a opinião pública, facilita-se a coisa, quem se lixa é o mexilhão, que não tem grande poder de manipulação e já está. 

 

Da mesma forma que a lei da cópia privada passou, para grande benefício de poucos privados, obliterando os direitos de milhões, esta intenção vai transformar-se em lei, porque, lá está......... o poder é desinteressado (ou excessivamente confiante, ou corrupto, ou ignorante, é escolher a que der mais jeito), a comunicação social extraordinariamente maleável e a opinião pública mais interessada em saber os resultados da bola.

 

Termino com um link para um artigo de opinião do Vitor Martins, um senhor que não conheço, mas que faz as perguntas que eu gostaria que o "jornalista" do expresso tivesse feito. Aponta caminhos. Dá explicações. Não tem muitas certezas. E é motard. Pode ser que o "jornalista" se inspire.

 

Somos todos culpados, mas uns com mais responsabilidade do que outros, senhor ministro e senhores do Expresso.

Se ao menos eu votasse em Gaia

Caros motards de Gaia, na sequência do meu post anterior (auto-link), o Presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, deixou o seguinte comentário no meu Facebook:

 

PresidentedaCMGaia.jpg

 

É mesmo ele

De modos que, se não sabiam em quem votar, agora já têm aqui um destinatário à altura. Se eu votasse em Gaia, era certinho (vá, não só por isto, mas também).

 

Não tem de quê :)

 

Aos presidentes das câmaras

De repente, as ruas das cidades adquirem uma nova dimensão. Andar de moto faz isso, traz mais dimensões à nossa vida. Nem todas agradáveis, é um facto.

 

Uma das dimensões é a qualidade do piso ou, mais exactamente, a falta dela, mas esse tema abordaremos noutro post (o fabuloso plural majestático).

 

Circulo em Lisboa (e não só) e reparo que algumas vias para BUS têm lá um boneco duma moto. Acho a ideia excelente. 

 

busmotos.jpg

 

O candidato a presidente da câmara que coloque na sua lista de intenções espalhar este conceito a todas as faixas de BUS, ganha uma catrefada de votos. Vá, se não a todas, à maioria. 

 

Assim como assim, com moto ou sem moto pintada no pavimento, as motos já circulam por lá de qualquer maneira, portanto, é só mesmo uma tecnicidade sem grandes efeitos práticos para além de deixarmos de ser multáveis :)

 

Não?

Tricéfala

Até há uns dias eu era bicéfala. Agora sou tricéfala.

 

Eu explico.

 

Sabem aquela coisa da Maria patroa e da Maria empregada? Eu era a Maria condutora e a Maria peona (eu sei). 

 

Enquanto Maria condutora irrito-me com os peões que empatam o trânsito, que se metem à beira das passadeiras a mandar passar a malta que pára, que passa nas passadeiras na oblíqua, com os que andam na faixa das bicicletas, etc...

 

Enquanto Maria peona (eu sei) irrito-me com os carros que não param nas passadeiras, com os que me fazem razias, com os que não fazem piscas, com os que buzinam, com os que estacionam em cima das passadeiras, etc...

 

Enquanto Maria motard descubro a tríade da coisa, há muito mais coisas com que me irritar ao volante duma mota, nomeadamente com os senhores da câmara municipal de Lisboa que têm a responsabilidade de zelar pelo pavimento (nos carros também se nota, mas não é a mesma coisa), e tenho a certeza de que descobrirei mais coisas à medida que for aprendendo a relaxar.

 

Fica a nota de que é oficial........ não só já comprei a mota, como já dei umas voltas para me habituar como já vim para o trabalho. E estou a adorar :)

 

Ainda não tem nome, mas há-de ter.

 

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Os motards, esses vândalos

Tenho mais de 20 anos de carta de condução. Mais importante, são mais de 20 anos em que conduzo diariamente. Já tenho muita auto-estrada atrás de um volante, e percursos urbanos idem.

 

Gosto de conduzir, e conduzo bem.

 

Não sou ceguinha e, portanto sei, como sabe qualquer pessoa com 3 dedos de testa e que conduza, que a maioria das mulheres tem tiques universais de condução que colidem com o sistema nervoso de qualquer condutor mais afoito. Tudo isto só para explicar que, sendo gaja, e condutora, não padeço, felizmente, do mal que assola a grande maioria das mulheres condutoras, portanto, não acho que a estrada seja toda minha, não acho que os retrovisores sirvam para retocar a maquilhagem, e não acho que o mundo inteiro está às nossas ordens, e tem de viver e andar ao nosso (lento, arrastadíssimo) ritmo.

 

Ora, que a maioria das mulheres conduz que é uma merda (deixemo-nos de politicamente correctos) é uma verdade universal, há epítetos semelhantes para os taxistas (a um nível diferente), para os velhotes, e para mais uma ou duas categorias de condutores. E são daquelas verdades que ninguém, com dois dedos de testa, contesta, lá está.

 

No entanto, há uma afirmação comum que me encanita. É a do título do post. Não é raro ouvir-se que os gajos das motas são uns vândalos, umas avantesmas, uns aceleras, uns resvés campo de ourique, mal encarados, razias, mal educados. Enfim, a escória dos condutores.

 

E isto, meus senhores, a minha experiência não confirma. Muito pelo contrário.

 

Se cedemos passagem a um condutor, em 90% dos casos as motas agradecem, em 90% dos casos os carros estão-se cagando. As motas (e sim, eu que são as motos) são confrontadas (literalmente) com os piores condutores do mundo (mudança de faixa, de repente, sem sinalização e sem verem se lá vem alguém), e mesmo assim...... acho que nunca vi uma mota passar-se dos carretos.

 

Pedem desculpa quando erram, agradecem quando devem, são cordiais, facilitam, são mais solidários (entre si, evidentemente, era o que mais faltava), pelo que não percebo de onde é que vem a ideia de que os condutores de motas são uns vândalos.

 

A sério..... o trânsito (pelo menos em Portugal) seria tão mais fácil, se houvesse mais motas. E não digo isto por causa da ausência de carros. Os condutores de motas são, genericamente falando, uns senhores.

Valentino Rossi, Casey Stoner, Laguna Seca e as palavras

 

Lá em casa, quem gosta de corridas não sou eu. É ele. Eu acompanho, mais coisa menos coisa, às vezes, nem sempre. Torço sempre pelo Rossi, não só porque ele também torce, mas também porque o Rossi tem aquela coisa de parecer boa pessoa, bom puto. Manteve o ar de puto. Já não é o menino prodígio de há uns anos, mas continua a ser um puto, e dá a ideia de que se diverte imenso a fazer aquilo que faz. Pode nada disto corresponder à realidade, mas como não tenho forma de saber, tenho ainda alguma ingenuidade (mesmo que artificialmente arranjada) para gostar de pensar que é mesmo verdade, que ele é boa pessoa, que é malandro, e que se diverte a fazer a vidinha dele.

 

No Domingo houve uma corrida. Nos Estados Unidos, em Laguna Seca. Lá em casa os Domingos são habitualmente mais devagar. Sejam as motos sejam os carros, as corridas têm sempre a mania de atropelar o horário dos almoços (isso e o facto de acordarmos depois do meio-dia).

 

Percebi que a coisa era diferente da corridinha habitual. Havia por ali um entusiasmo mais entusiasmado do que o costume. A televisão estava sintonizada no Eurosport. Havia dois comentadores portugueses, não sei quem são. E estavam também entusiasmados. Mas aquele entusiasmo televisivo, calmo, politicamente correcto, monótono. Uma seca. Eu percebia mais da importância daquela corrida pelo brilho dos olhos e pelos palavrões dele do que pelas palavras dos senhores comentadores.

 

Já antes tínhamos notado que os comentadores ingleses têm um estilo diferente. Mais informal, mais divertido, mais entusiasmado. Podem estar a trabalhar (e estão), mas, lá está, divertem-se a fazer aquilo que fazem, ou é essa a ideia que transmitem. A mesma corrida, comentada pelos portugueses e pelos ingleses não é a mesma corrida.

 

Ontem à noite, fruto de actividades que agora não interessam nada, vimos a corrida de Laguna Seca comentada pelos ingleses. Aquilo é um show dentro do show. E falam uma língua que toda a gente percebe. Isto é, não se põem com detalhes técnicos de pistons e outras coisas mecânicas (nem sei se as motos têm pistons), falam uma linguagem que as pessoas normais percebem. Para quem, como eu, não é fanzoca da coisa, é um incentivo adicional. Vejo mais depressa uma corrida se os comentários forem feitos com o estilo inglês (ou americano, ou lá de onde são os senhores), do que se forem feitos ao estilo português.

 

Insistimos em confundir seriedade com monotonia, e monocórdico. Não tem que parecer que estão a levar uma seca, para parecerem sérios e fidedignos.

 

Há qualquer coisa em Portugal e nos portugueses que parece pôr em campos opostos o trabalho e o divertimento. Se uma pessoa se está a divertir, é porque não está a trabalhar.

 

Senhores comentadores portugueses da Eurosport, não colocando em causa as vossas competências técnicas (até porque as minhas competências não chegam para isso), tentem mostrar mais entusiasmo. Para os comentadores ingleses, way to go, boys!

Da testosterona

Então ontem lá fui ao Moto GP.

Confesso que não sou muito fanzoca de motos, mas valeu pela experiência. Não conheço outros autódromos, mas se forem tão maus como o nosso, não percebo o sucesso destas coisas das corridas. Nem um mísero multibanco, a porcaria do relato das corridas feitas num perfeito..... espanhol. Uns écrans mixurucas que empancavam com frequência, enfim, uma desgraceira.

Mas, o folclore, deu para ver.

Bancadas cheias, com todos os lugares comuns possíveis. Desde os gajos de capacete, mas sem moto, ao motard barbudo e de ar sebento, aos desgraçados que aproveitaram a manhã de Domingo para ir ao Vassoureiro encomendar um psiché para o hall de entrada, em pinho envernizado. Deu para ver tudo.

A frequência era maioritariamente masculina.

Qual foi o ponto alto, que mais ovações arrancou à assistência?

A entrada em cena das equipas? Não.
O barulho (ensurdecedor) das motos? Não.
A chegada dos pilotos? Não.
Os segundos antes da partida? Não.

O que maus sururu provocou na assistência foi a entrada das meninas da BWin, que seguravam umas tabuletas. O que é que tinham as tabuletas? Ninguém sabe.

O que toda a gente sabe é que as meninas tinham pouca coisa vestida. Elas sim, encarnado verdadeiramente o lugar comum. Maillot preto (agora acho que se diz body, mas para mim são maillots), coladinhos ao corpo. Perna ao léu. Botas de cano alto. Tudo preto. Os cabelos eram longos e na maioria dos casos, loiros. Lugares comuns, clichés. Mas funcionaram lindamente.

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